sábado, 10 de junho de 2017

Assim na Terra como no Céu

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo de Dom Alberto Taveira Corrêa,
Arcebispo Metropolitano de Belém, PA


‘Todos os cristãos são chamados a viver em plenitude, com a graça daquele que veio para que todos tenham vida. Jesus Cristo não é um mestre ao lado de tantos outros sábios da história da humanidade, mas o Senhor, em quem depositamos toda a nossa confiança e a certeza do rumo e do sentido da existência. ‘Os primeiros seguidores de Jesus Cristo que foram ao Jordão com a esperança de encontrar o Messias (Cf. Cf. Mc 1,5), se sentiram atraídos pela sabedoria das palavras de Jesus, pela bondade de seu trato e pelo poder de seus milagres. E pelo assombro que a pessoa de Jesus despertava, acolheram o dom da fé e vieram a ser discípulos de Jesus. Ao sair das trevas e das sombras de morte a vida deles adquiriu uma plenitude extraordinária, a de haver sido enriquecida com o dom do Pai (Cf. Lc 1, 79). Viveram a história de seu povo e de seu tempo sem esquecer o encontro mais importante e decisivo de sua vida que os havia preenchido de luz, de força e de esperança : o encontro com Jesus, sua rocha, sua paz, sua vida. Também nós, enquanto sofremos e nos alegramos, permanecemos no amor de Cristo, vendo nosso mundo e procurando discernir seus caminhos com a alegre esperança e a indizível gratidão de crer em Jesus Cristo. A importância única e insubstituível de Cristo para nós e para a humanidade, consiste em que Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida. No clima cultural relativista que nos circunda, onde é aceita só uma religião natural, faz-se sempre mais importante e urgente estabelecer e fazer amadurecer em todo o corpo eclesial a certeza de que Cristo, o Deus de rosto humano, é nosso verdadeiro e único salvador’ (Cf. Documento de Aparecida 21).

E o Senhor nos revelou, tirou o véu, a respeito do segredo mais decisivo para a vida dos seus discípulos e da humanidade. Mostrou-nos que Deus é família, não isolamento, é Pai e Filho e Espírito Santo. Ensinou-nos a intimidade que se encontra na palavra ‘Pai’, fez-nos dizer ‘Aba’, ‘paizinho’, introduziu-nos no Céu do Pai das misericórdias, prometeu-nos e efetivamente, junto com o Pai, enviou-nos o Espírito Santo, Consolador, Paráclito, Advogado, que conduz a Igreja até a volta do Senhor Jesus. É o Espírito Santo que nos faz chamar a Deus de Pai e proclamar que Jesus é o Senhor. Tudo isso, para nós cristãos, não é uma dentre tantas propostas oferecidas em cada tempo, mas é nossa escolha, nosso rumo, o ar que respiramos, nossa única e decisiva opção. Ter feito esta opção de fé não nos leva a desrespeitar quem pensa diferente, mas a oferecer, com simplicidade, o que descobrimos e podemos dar de melhor!

Neste mesmo clima de respeito, podemos refletir sobre algumas das grandes questões que tomam conta da humanidade hoje e testemunhar o que descobrimos, a partir do senhorio de Jesus Cristo, que é o melhor que temos. Podemos partir de uma expressão usada em meios de comunicação, ‘o céu é o limite’! Certamente o problema de nossos dias é justamente fazer da terra o limite, com a doentia incapacidade de olhar para frente e para o alto. Com toda a tecnologia avançada à disposição da humanidade, parece-nos atrair apenas as forças da natureza. Muitos voltam a cultuar os elementos do fogo, terra, água e ar, ou se encantam com as formas de religião natural, a serem, sem dúvida, respeitadas, mas falta a esplêndida descoberta de que o cristianismo, religião histórica, de revelação, cuja iniciativa veio do Céu, não é uma invenção de qualquer grupo humano.

A experiência cristã é única e irrepetível, tem como ponto de referência alguém, que é Jesus Cristo, cuja presença acontece no nosso dia a dia, não se reduzindo a uma agradável lembrança. O contato com ele faz as pessoas mudarem o centro de suas vidas. Não se trata de pensar o mundo em torno de si mesmo, mas escolher o caminho do amor a Deus e ao próximo. O Céu é comunhão, relacionamento, abertura para os outros, serviço, alegria do dom recíproco!

Consequências? Comecemos ‘em casa’, em nossas opções pessoais. Viver na terra como no Céu não é andar nas nuvens, mas decidir-se cada dia a amar e servir. Afinal de contas, um bom cristão começa seu dia ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’, enquanto traça sobre si o sinal da Cruz, que aponta para o alto, ligando Céu e Terra, e abre os braços para o amor fraterno. O dia inteiro, vivido no amor a Deus e ao próximo, será pleno de sentido e de alegria. Só assim podemos sair da modorra do egoísmo, que leva a pensar apenas nos próprios interesses.

No relacionamento interpessoal, o cristão se faz um com todos, abre-se ao bem que existe nas outras pessoas, sai de si mesmo, vencendo as tentações do mau humor, que tantas vezes impede o contato diário com irmãos e irmãs. Ao rezar cada dia o Pai Nosso, apaixona-se pela vontade de Deus, quer santificar o nome do Senhor, acolhe os valores do Reino anunciado por Jesus, pede cada dia o pão necessário para o corpo e o Pão da Vida, compromete-se com o perdão para acolher a misericórdia de Deus, que não se cansa de perdoar. Com a força do Espírito Santo que conduz os homens e mulheres de fé, encontra a estrada para vencer as tentações, na certeza de que só Deus livra do mal.

Na vida da Igreja, o Céu se faz presente quando se constrói a vida em comunidade. Não pode existir vida cristã fora da comunidade; seja nas famílias, nas paróquias, nas comunidades de vida consagrada, nas comunidades de base, outras pequenas comunidades e movimentos. Como os primeiros cristãos, que se reuniam em comunidade, o discípulo participa na vida da Igreja e no encontro com os irmãos, vivendo o amor de Cristo na vida fraterna solidária.

Na sociedade, viver segundo o modelo da Trindade aponta para o valor do bem comum, abre as portas para o diálogo, reconhece o bem que existe em cada pessoa e nos diferentes grupos humanos e nas mais variadas ideias que correm. Como a vida do Deus do Céu pode se espalhar na Terra, o Espírito Consolador abre nosso coração para identificar as Sementes do Verbo de Deus existentes em todos os recantos e corações.

Na Solenidade da Santíssima Trindade, acolhamos o convite a permitir que o Céu se faça presente aqui!’

           
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