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sexta-feira, 13 de março de 2026

A revolução da misericórdia: Como imitar Cristo e superar os rancores

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Adelmo Sergio Gomes

 

‘Um dos nomes de Deus é misericórdia, ou caridade, ou amor. A misericórdia não é algo ‘estranho’ ao cristianismo, mas o centro da revelação de Jesus Cristo. Jesus é a própria misericórdia. Ele veio ao mundo para oferecer a sua misericórdia, por isso morreu na cruz. A cruz é símbolo de sua misericórdia. Ninguém está mais abandonado à própria sorte, pois nos foi revelado por Cristo que Deus é, antes de tudo, o Pai das Misericórdias. Antes de ser Juiz do Mundo, Ele é o Pai Misericordioso, apresentado a nós na parábola do filho pródigo (cf. Lc 15,11-32). 

A santidade está intimamente ligada à misericórdia; como seremos santos sem que antes experimentemos e pratiquemos a misericórdia? A experiência da misericórdia nos leva a imitar Jesus, a viver a bem-aventurança do perdão e a superar os atos de vingança. No Antigo Testamento, a santidade de Deus era considerada como algo distante, transcendente e inatingível, porém, a santidade de Deus, revelada por Jesus, é acima de tudo a sua infinita misericórdia. A santidade de Deus está no seu amor perfeito, incondicional, que abraça a miséria humana. Ser perfeito no amor não é se afastar dos pecadores, mas reconhecer que a santidade está intimamente ligada à compaixão e à misericórdia. Deus é perfeito no amor, porque ‘faz o sol nascer sobre bons e maus’ (Mt 5,45). 

Na primeira Carta aos Coríntios, Paulo nos exorta a sermos seus imitadores, assim como ele imita a Cristo, o ícone perfeito da misericórdia do Pai. Jesus nos apresenta exemplo concretos de misericórdia : junto à mulher adúltera (cf. Jo 8,1-11) Jesus não a condena, mas a convida a não pecar mais. Aos leprosos e aos publicanos, Jesus não só dá a cura, mas lhes restaura a dignidade e a comunhão (Zaqueu, cf. Lc 19,1-10). Do alto da cruz, Jesus pede misericórdia para os seus algozes : ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’ (Lc 23,34). Imitar a Cristo significa ver com os seus olhos, não vendo o outro somente por erros, mas pela sua dor e pela sua capacidade de redenção. 

‘Bem-aventurados os misericordiosos.’ (Mt 5,7) A lógica do mundo não se parece com a lógica do Reino. Alcançarão misericórdia aqueles que agirem de forma misericordiosa. O Pai-Nosso que rezamos é a aplicação dessa lógica, ‘Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido’. 

A lei do mundo, olho por olho, dente por dente, parece ser justa, no entanto, pode gerar um ciclo vicioso de vingança e violência. O rancor nos aprisiona em nosso ódio. O perdão traz saúde ao espírito, liberdade e paz ao coração. Perdoar não é ser conivente com o erro, mas significa não deixar que o mal dirija nossas ações. É responder com o bem o mal que nos fizeram, quebrando a corrente de ódio. 

O Sacramento da Reconciliação, que é tão propício neste Tempo Quaresmal, é lugar privilegiado para encontrar a misericórdia de Deus. É receber o abraço do Pai, como o filho pródigo, das mãos do sacerdote, que nos dá o perdão dos nossos pecados. Eu experimento a misericórdia divina quando me reconheço frágil, necessitado de amor, porque o perdão que dou é o mesmo que eu preciso. Ser misericordioso é uma tarefa grande demais, só com a graça de Deus é possível perdoar o outro. Para superar os rancores, devemos nos lembrar da regra de ouro, ‘Tudo quanto quereis que os homens vos façam, fazei o também a eles’ (Mt 7,12). A decisão de perdoar é um ato de vontade, é uma graça derramada em nossos corações que transborda para o coração do próximo.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/a-revolucao-da-misericordia-como-imitar-cristo-e-superar-os-rancores.html

 

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Os 5 conselhos cruciais do primeiro capítulo da “Imitação de Cristo”

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Francisco Vêneto,

jornalista


‘Um dos maiores clássicos da espiritualidade católica de todos os tempos é o livro ‘A Imitação de Cristo’, escrito no século XV e atribuído ao padre alemão Thomas Hemerken, mais conhecido como Thomas de Kempis – Kempis é a forma latina do nome da sua cidade natal, Kempen.

Originalmente voltado aos clérigos de vida reclusa, o texto é um tesouro para todo e qualquer católico, tanto que chegou a ser um dos livros mais traduzidos no mundo, com milhares de cópias distribuídas pelas bibliotecas europeias mesmo antes da invenção da imprensa. Para exemplificar a sua capacidade de impacto na alma de uma pessoa, basta recordar que Santo Inácio de Loyola leu a obra durante o tempo de retiro espiritual que passou em uma gruta de Manresa, na Espanha, e foi esse texto que o inspirou a conceber os Exercícios Espirituais.

‘A Imitação de Cristo’ tem 4 partes, sendo as duas primeiras uma introdução à vida espiritual, a terceira um diálogo entre Cristo e a alma e a quarta é toda focada na Eucaristia.

Destacamos a seguir os 5 conselhos cruciais que encontramos em ‘A Imitação de Cristo’, Livro 1, Capítulo 1 :

1 | Devemos dedicar o máximo esforço a imitar a vida e os costumes de Jesus

Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12). São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imitemos sua vida e seus costumes, se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo’.

2 | Podemos venerar qualquer santo, mas devemos sempre priorizar Jesus

A doutrina de Cristo é mais excelente que a de todos os santos, e quem tiver seu espírito encontrará nela um maná escondido. Sucede, porém, que muitos, embora ouçam frequentemente o Evangelho, sentem nele pouco enlevo : é que não possuem o Espírito de Cristo. Quem quiser compreender e saborear plenamente as palavras de Cristo, é-lhe preciso que procure conformar à dele toda a sua vida’.

3 | Podemos cultivar conhecimento e sabedoria, mas devemos priorizar a vida virtuosa

Que te aproveita discutires sabiamente sobre a Santíssima Trindade, se não és humilde, desagradando, assim, a essa mesma Trindade? Na verdade, não são palavras elevadas que fazem o homem justo; mas é a vida virtuosa que o torna agradável a Deus. Prefiro sentir a contrição dentro de minha alma, a saber defini-la. Se soubesses de cor toda a Bíblia e as sentenças de todos os filósofos, de que te serviria tudo isso sem a caridade e a graça de Deus? Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade (Ecl 1,2), senão amar a Deus e só a ele servir. A suprema sabedoria é esta : pelo desprezo do mundo tender ao reino dos céus’.

4 | Devemos reconhecer o que é mera vaidade para não nos perdermos nela

Vaidade é, pois, buscar riquezas perecedoras e confiar nelas. Vaidade é também ambicionar honras e desejar posição elevada. Vaidade, seguir os apetites da carne e desejar aquilo pelo que, depois, serás gravemente castigado. Vaidade, desejar longa vida e, entretanto, descuidar-se de que seja boa. Vaidade, só atender à vida presente sem providenciar para a futura. Vaidade, amar o que passa tão rapidamente, e não buscar, pressuroso, a felicidade que sempre dura’.

5 | Podemos desfrutar dos prazeres sadios, mas nunca sacrificar a vida da graça

Lembra-te a miúdo do provérbio : Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir (Ecl 1,8). Portanto, procura desapegar teu coração do amor às coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis : pois aqueles que satisfazem seus apetites sensuais mancham a consciência e perdem a graça de Deus’.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2023/09/06/os-5-conselhos-cruciais-do-primeiro-capitulo-da-imitacao-de-cristo/