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terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Quem é Santo Antão, o abade do deserto?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo da redação da Aleteia


Antão é uma versão menos comum de um nome bastante conhecido : Antônio. Os dois nomes significam a mesma coisa : ‘florescente’, ‘aquele que floresce’ (do grego ‘ánthos’, flor). Aliás, na Igreja católica, que celebra Santo Antão no dia 17 de janeiro, o santo é também chamado de Santo Antônio Abade. Ele é considerado o pai dos monges cristãos e um elevado modelo de espiritualidade ascética.

Santo Antão nasceu no Egito em torno do ano 250, numa rica família rural. Quando perdeu os pais, o jovem de 20 anos dividiu os seus bens com os pobres e se retirou ao deserto para uma vida penitencial como eremita, chegando a viver junto a um cemitério para se aprofundar na meditação sobre a morte derrotada por Jesus. A inspiração para a renúncia ao mundo lhe tinha vindo durante uma Santa Missa, quando em seu coração se destacaram estas palavras de Jesus :

‘Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres’.

As Escrituras, a propósito, eram fonte perene de diretrizes práticas para Santo Antão. Seu trabalho manual, por exemplo, era incentivado por palavras claras de São Paulo (que, aliás, precisam ser recordadas em alto e bom som para as sociedades de todas as épocas) :

‘Quem não quiser trabalhar não tem direito de comer’ (2Ts 3,10).

Não é à toa que ele é também venerado como padroeiro pelos tecelões de cestas, fabricantes de pincéis, açougueiros e trabalhadores da manutenção de cemitérios.

Santo Atanásio, que escreveu sobre a vida de Santo Antão, observa que o eremita usava apenas o que de fato precisava, doando qualquer excedente aos necessitados.

A certa altura, ele começou a organizar comunidades de oração e trabalho, mas acabou retornando ao deserto, numa espécie de harmonização entre a vida solitária e, ao mesmo tempo, a direção de um grupo de eremitas que viviam nas proximidades. Tornou-se amigo de São Paulo Eremita (que, obviamente, não deve ser confundido com São Paulo Apóstolo – até por conta de grande diferença de época em que viveu cada um). Foi a partir dessa organização de grupos de eremitas que Santo Antão se tornou um dos pioneiros do monaquismo cristão – e é daí que lhe vem o outro nome pelo qual é conhecido : Santo Antônio Abade.

Seu papel na defesa da fé foi de grande relevância histórica. Junto com o bispo Santo Atanásio, ele combateu a heresia do arianismo, que negava a divindade de Cristo.

Santo Atanásio nos deixou várias e preciosas informações sobre o amigo :

‘Ele orava constantemente, pois aprendera que devemos orar em privado sem cessar. Era tão atento à leitura da Sagrada Escritura que nada lhe escapava : tudo retinha e, assim, sua memória lhe fazia as vezes de livros. Todos os aldeões e monges com quem convivia viram que tipo de homem ele era e o chamavam de ‘amigo de Deus’, amando-o como filho ou como irmão’.

Santo Antão partiu para a eternidade no monte Colzim, perto do Mar Vermelho, por volta do ano 356.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2019/01/17/quem-e-santo-antao-o-abade-do-deserto/

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Falece abade beneditino vietnamita exilado na Alemanha

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de AsiaNews - Vatican News


‘Faleceu aos 50 anos no último dia 4 de outubro na Alemanha o padre Antonio Nguyen Huyen Duc. O ex-abade de um mosteiro beneditino no centro do Vietnã lutava contra um câncer que os médicos suspeitam ter sido causado por envenamento. Ele vinha sendo tratado em um hospital alemão desde 2017.

A morte foi anunciada pelo Pe. Luigi Gonzaga Dang Hung Tan, abade do mosteiro de Thien An, na província de Thua Thien Hue, que pe. Nguyen Huyen Duc havia guiado de 2014 a 2017. O mosteiro de Thien An está há anos no centro de uma disputa com as autoridades envolvendo terrenos ao redor do mosteiro, que a comunidade beneditina possuía desde a década de 1940. Fundado em 10 de junho de 1940 por alguns missionários franceses, o mosteiro é frequentemente alvo de ataques de bandidos contratados pelas autoridades locais para assustar os católicos e convencê-los a abandonar a área. A isso se somam as batidas de policiais que, em diversas ocasiões, invadiram a estrutura e ameaçaram ocupá-la.

Enquanto estava no Vietnã, Pe. Nguyen Huyen Duc sempre condenou esses ataques violentos. ‘Desejamos buscar justiça de forma pacífica para proteger a propriedade legal da Igreja até nosso último suspiro’, havia declarado em 2017.

Em uma carta aos monges beneditinos para explicar seus problemas de saúde - recorda a Agência UcaNews - pe. Nguyen Huyen Duc disse que sofreu dores excruciantes e perdeu o cabelo depois de ter bebido café e chá oferecidos por dois visitantes durante o Tet, a celebração do Ano Novo Lunar em 2016. Tendo ido para a Alemanha para ser tratado, foi diagnosticado com câncer nos pulmões em estágio avançado, com a suspeita de que tenha sido consequência de envenamento.

Em setembro de 2019, apesar do agravamento de suas condições de saúde, ele quis retornar ao Vietnã. Mas assim que chegou a Hanói, os agentes de segurança o intimaram que deixasse o país ‘para sua segurança e no interesse do mosteiro’.

Há algumas semanas, o Comitê Popular da província de Thua Thien Hue havia escrito aos superiores dos beneditinos no Vietnã, pedindo-lhes que não nomeassem novamente pe. Duque como superior do mosteiro de Thien An e para não lhe atribuir nenhum ministério na província. Dung acusou o monge de derrubar pinheiros nas florestas e invadir terras públicas controladas pelo governo, incitando o ódio nacional.

Quando foi fundado em 1940, o mosteiro de Thien An contava com uma área de 107 hectares. Depois de 1975, o governo comunista imediatamente tomou 57 hectares de terra do mosteiro, cedendo-os a uma empresa florestal. Em 2000, quase todas as terras restantes também foram confiscadas, alocando-as a uma empresa de turismo. Os beneditinos têm apenas 6 hectares dentro dos quais o mosteiro se encontra.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2022-10/abade-beneditino-vietnamita-exilado-falece-alemanha.html

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

História de São Bernardo Claraval


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
  
 Imagem relacionada

São Bernardo nasceu em 1090, no Castelo de Fontaine, região de Borgonha, França. Filho de um nobre chamado Tescelin Sorrel, o Vermelho e de Aleth de Monthbard, mulher virtuosa venerada como bem aventurada. Teve sete irmãos dentre os quais era o terceiro. Bernardo sempre se destacou pela inteligência e pela beleza física. Aos 9 anos foi para a escola canônica, e destacou-se principalmente na literatura.

A vocação de São Bernardo

Em 1112, aos 22 anos, Bernardo entra na Abadia de Cister, também em Borgonha. Esta abadia era um mosteiro cisterciense fundado por São Roberto de Molesme.

Foi então que Bernardo convenceu mais de trinta homens, irmãos, tios e vários amigos a entrarem para a ordem, causando enorme surpresa e alegria para a Abadia e para Santo Estevão Harding, abade sucessor do fundador São Roberto.

São Bernardo de Claraval

Bernardo era homem de estudo e oração, praticando com austeridade a regra do mosteiro, a mesma escrita por São Bento. Bernardo dedicava-se à oração e ao ensino da catequese. Tinha grande dom de oratória e convertia muitos com quem conversava, tanto que levou o para o mosteiro o irmão mais novo e seu pai.

Após dois anos em Cister, Bernardo foi enviado para o vale de Langres em 1115, com a missão de fundar a Abadia de Claraval, (vale claro), tornando o seu primeiro Abade, com apenas 25 anos. Em pouco tempo a Abadia ficou conhecida em toda a França e posteriormente por toda a Europa como um lugar onde se vivia a oração, o trabalho, a humildade, a caridade e a cultura profunda.

Bernardo e os monges de Claraval viviam com amor e integridade os votos de pobreza, castidade e obediência. Certa vez teve uma visão : um menino envolto numa luz divina disse a ele : fala aos outros sempre, pois serás inspirado pelo Espírito Santo e receberás a graça especial de compreender as fraquezas das pessoas e ajudá-las. Assim, Bernardo conseguiu muitas vocações para Claraval. O Mosteiro chegou a ter 700 monges, inclusive Henrique de França, irmão do Rei Luís Vll, que mais tarde foi bispo e arcebispo de Reims.

As obras de São Bernardo

Com o passar dos anos, São Bernardo fundou 72 casas da ordem dos Cistercienses na França e em vários países da Europa. Participou ativamente do Concílio de Latrão, como secretário. Participou também do Concílio de Troyes, onde exerceu grande influência, e do Concílio de Reims, sempre a pedido do Papa, para tratar de todos os assuntos da Igreja.

A convite do Papa, pregou a segunda cruzada. Era conhecido como o Pai dos fiéis, a Coluna da Igreja, o Apoio da Santa Sé, o Anjo Tutelar do Povo de Deus.

Sua devoção para com a Virgem Maria era incomparável. Quando estava na Alemanha, na catedral de Spira, ajoelhou-se por 3 vezes dizendo : Ó Clemente; Ó Piedosa; Ó Doce Virgem Maria!, invocações que foram acrescentadas ao final da oração Salve Rainha.

Por causa de sua fama de santidade e sabedoria reconhecida, São Bernardo torna-se uma personalidade importante e respeitada em toda a Europa. Tanto que ele intervém em assuntos públicos, defende os direitos da Igreja contra abusos de Reis e é chamado para aconselhar Papas e Reis.

Os Milagres de São Bernardo

Bernardo reformou a Ordem Cisterciense e levou-a a ser o que é até hoje, quase mil anos depois. Ele mesmo fundou muitos mosteiros na Europa : 35 na França, 14 na Espanha, 10 na Inglaterra e Irlanda, 6 em Flandres, 4 na Itália, 4 na Dinamarca, 2 na Suécia e 1 na Hungria, além de muitos outros que se filiaram à Ordem. Sua Ordem chegou aos cinco continentes.

No Brasil, no Estado de Minas Gerais, existe uma cidade chamada Claraval, que nasceu ao redor de um grande mosteiro da ordem dos Cistercienses.

Durante o concílio de Troyes, Bernardo conseguiu o reconhecimento para a Ordem do Templo, os Templários, cujos estatutos ele mesmo escreveu. Além disso, São Bernardo escreveu grandes obras, tratados de teologia, obras defendendo a Fé Católica e a Igreja contra heresias, além de inúmeros tratados sobre Nossa Senhora.

O falecimento

Quando estava para morrer e os monges rezando para que Deus não deixasse, ele disse :

Porque desejais reter aqui um homem tão miserável? Usai da misericórdia para comigo e deixai-me ir para Deus. Assim, São Bernardo faleceu no dia 20 de agosto de 1153, aos 63 anos de idade.

Devoção a São Bernardo

São Bernardo foi canonizado em 18 de junho de 1174, pelo Papa Alexandre lll e declarado Doutor da Igreja pelo Papa Pio Vlll, em 1830, por causa de suas pregações e obras escritas.


Fonte :

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Dom Abade Joaquim Arruda Zamith, O.S.B.

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Dom Abade Joaquim Arruda Zamith, O.S.B 
(+10.nov.2014)

Nascido em Campinas, Dom Joaquim tinha 90 anos de idade, 69 de profissão monástica e 63 de sacerdócio. Mantinha, ainda, um site com seus estudos sobre a espiritualidade monástica :
  
v Doutor em Filosofia pelo Pontifício Ateneu Santo Anselmo 
    (Roma – Itália)

v Abade Emérito do Mosteiro de São Bento de São Paulo (1974 a 1989)

v Abade Emérito Presidente da Congregação Beneditina Brasileira 
    (1974 a 2002)

v Membro da Comissão de Tradutores da Bíblia Jerusalém

v Autor de diversos livros publicados, dentre eles : ‘Ensinamentos de um Abade’
  
Transferiu seus votos, anos depois, para a Federação Beneditina Americano-Cassinense e passou a viver no Mosteiro de São Bento de Vinhedo, interior de São Paulo.

Que a Luz Eterna brilhe para ele!




sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Redimensionamento da Abadia de Monte Cassino

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)



O Papa Francisco nomeou Abade Ordinário da Abadia de Monte Cassino o Padre Beneditino Donato Ogliari, até então Abade do Mosteiro de ‘Santa Maria della Scala’, em Noci, Província de Bari.

O Papa aplicou à Abadia territorial de Monte Cassino o Motu Proprio ‘Catholica Ecclesia’, com conseqüente redução do território da mesma, dispondo em particular que: à nova configuração territorial da circunscrição eclesiástica ‘Abadia territorial de Monte Cassino’, faça parte o território no qual está a Igreja Abadial e o Mosteiro, com as imediatas pertinências; à Diocese de Sora-Aquino-Pontecorvo passem as 53 paróquias com os fiéis, o clero secular e religioso, as comunidades religiosas, os seminaristas; a Diocese de Sora-Aquino-Pontecorvo mude o próprio nome para Diocese de Sora-Cassino-Aquino-Pontecorvo.

Padre Donato Ogliari nasceu em Erba, Província de Como, em 10 de dezembro de 1956. Entrou jovem no Instituto Missões Consolata num percurso formativo que o conduziu ao sacerdócio. Após o Liceu Clássico, freqüentou dois anos de Filosofia em Turim e três de Teologia em Londres, onde obteve o Bacharelado em Teologia e Diploma de ‘Master of Arts’ em Ciências Religiosas.

Fez a primeira profissão como membro dos Missionários do Instituto da Consolata em Turim, em 3 de setembro de 1978 e foi ordenado sacerdote em 3 de julho de 1982. Após a Ordenação sacerdotal realizou uma breve experiência no campo formativo, prosseguindo a seguir os estudos na ‘Katholieke Universiteit’ de Lovanio, Bélgica, onde obteve o Bacharelado em Filosofia, o Diploma e o Doutorado em Teologia Sacra.

Em 1988 pediu para entrar na Abadia de Praglia (Pádua) para iniciar a vida monástica, sendo após, enviado à Abadia Nossa Senhora 'della Scala', de Noci, Bari, onde entrou em 1989 e emitiu os votos solenes em 1992. Lá foi Diretor Editorial da Revista ‘La Scala’ de 1990 até hoje, mestre de Noviços de 1993 a 1999 e Prior Administrador de 2004 a 2006. Em 2006 foi eleito Abade pela comunidade pugliesa, recebendo a Bênção Abadial em 7 de outubro de 2006.

Sobre a reorganização da Abadia de Monte Cassino e da Diocese de Sora-Cassino-Aquino-Pontecorvo, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi deu a seguinte nota explicativa :

1. A Igreja sempre teve particular solicitude pela vida monástica e por isto o Concílio Vaticano II insistiu na necessidade de consolidar o papel de Abade como pai da comunidade religiosa, cujo ministério é dedicar a própria vida ao Mosteiro, sem estar preocupado pelas atividades próprias dos Ordinários de Circunscrições eclesiásticas, que devem desenvolver o seu ministério com plena disponibilidade para o bem dos fiéis confiados aos seus cuidados pastorais.

2. O Papa Paulo VI, no Motu Proprio ‘Catholica Ecclesia’, de 1976, havia recolhido indicações formuladas pelos Padres do Concílio Ecumênico Vaticano II, estabelecendo que as Abadias territoriais não seriam eretas no futuro e que as existentes ‘ou sejam idoneamente definidas quanto ao território ou sejam transformadas em outras circunscrições eclesiásticas’. Com esta disposição se desejava, por um lado, favorecer uma mais específica identidade e um quadro jurídico mais consoante à vida monástica, e por outro, assegurar aos fiéis que vivem nos territórios abadiais um cuidado pastoral com melhores respostas às dinâmicas e às exigências do mundo moderno.

3. Para promover tal perspectiva, realizando-a em harmonia com os Acordos concordatários com o Estado Italiano, e respeitando a grande herança histórica e cultural representada pelas Abadias territoriais, foi disposto que na Itália não se procedesse à supressão do instituto das Abadias territoriais, mas se limitasse a restringir ao mínimo indispensável a extensão do território, isto é, das áreas de interesse imediato para a comunidade monástica : o cenóbio próprio com as suas pertinências.

4. A Santa Sé, portanto, após prolongada e cuidadosa reflexão e apuradas consultas, considerou os tempos maduros para poder aplicar também à Abadia territorial de Monte Cassino o Motu Próprio ‘Catholica Ecclesia’, após tê-lo já aplicado nos anos passados à Abadia de Subiaco (2002), à Abadia de Montevergine (2005) e à Abadia de Cava di Tirreni (2013). Ela permanece uma circunscrição eclesiástica equiparada à Diocese, com um território consideravelmente redimensionado.

Após esta decisão, a Diocese de Sora-Cassino-Aquino-Pontecorvo passar de uma superfície de 1.426 km2 à 2016; de uma população de 155 mil habitantes para 235 mil; de 40 cidades à 60; de 91 paróquias à 144; de 83 sacerdotes diocesanos para 120; de 131 religiosas para 181.’


Fonte :
* Artigo na íntegra de http://www.news.va/pt/news/nota-do-padre-lombardi-sobre-o-redimensionamento-d


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Santo Antão, Abade

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


Este insigne pai do monaquismo nasceu no Egito por volta do ano 250. Depois da morte dos pais, distribuiu seus bens aos pobres e retirou-se para o deserto, onde começou a levar vida de penitente. Teve numerosos discípulos e trabalhou em defesa da Igreja, estimulando os confessores da fé durante a perseguição de Diocleciano e apoiando Santo Atanásio na luta contra os arianos. Morreu em 356. 


A Liturgia das Horas e a reflexão no dia de Santo Antão : 

Ofício das Leituras

Segunda leitura
Da Vida de Santo Antão, escrita por Santo Atanásio, bispo
(Cap.2-4: PG 26,842-846)     (Séc.IV) 


A vocação de Santo Antão
Depois da morte de seus pais, tendo ficado sozinho com uma única irmã ainda pequena, Antão, que tinha uns dezoito ou vinte anos, tomou conta da casa e da irmã. 

 Mal haviam passado seis meses desde o falecimento dos pais, indo um dia à igreja, como de costume, refletia consigo mesmo sobre o motivo que levara os apóstolos a abandonarem tudo para seguir o Salvador; e por qual razão aqueles homens de que se fala nos Atos dos Apóstolos vendiam suas propriedades e depositavam o preço aos pés dos apóstolos para ser distribuído entre os pobres. Ia também pensando na grande e maravilhosa esperança que lhes estava reservada nos céus. Meditando nestas coisas, entrou na igreja no exato momento em que se lia o evangelho, e ouviu o que o Senhor disse ao jovem rico: Se tu queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres. Depois vem e segue-me, e terás um tesouro no céu (Mt 19,21). 

         Antão considerou que a lembrança dos santos exemplos lhe tinha vindo de Deus, e que aquelas palavras eram dirigidas pessoalmente para ele. Logo que voltou da igreja, repartiu com os habitantes da aldeia as propriedades que herdara da família (possuía trezentos campos lavrados, férteis e muito aprazíveis) para que não fossem motivo de preocupação, nem para si próprio nem para a irmã. Vendeu também todos os móveis e distribuiu com os pobres a grande quantia que obtivera, reservando apenas uma pequena parte por causa da irmã. 

         Entrando outra vez na igreja, ouviu o Senhor dizer no evangelho: Não vos preocupeis com o dia de amanhã (Mt 6,34). Não podendo mais resistir, até aquele pouco que restara, deu-o aos pobres. Confiou a irmã a uma comunidade de virgens consagradas que conhecia e considerava fiéis, para que fosse educada no Mosteiro. Quanto a ele, a partir de então, entregou-se a uma vida de ascese e rigorosa mortificação, nas imediações de sua casa. 

         Trabalhava com as próprias mãos, pois ouvira a palavra da Escritura:  Quem não quer trabalhar, também não deve comer (1Ts 3,10). Com uma parte do que ganhava comprava o pão que comia; o resto dava aos pobres. 

         Rezava continuamente, pois aprendera que é preciso  rezar a sós sem cessar (1Ts 5,17). Era tão atento à leitura que nada lhe escapava do que tinha lido na Escritura; retinha tudo de tal forma que sua memória acabou por se substituir aos livros.

         Todos os habitantes da aldeia e os homens honrados que tratavam com ele, vendo um homem assim, chamavam-no amigo de Deus; uns o amavam como a filho, outros como a irmão. 


Fonte :
‘In Liturgia das Horas III’, pg. 1189 a 1191


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

“Quem tem sede venha a mim e beba” (Jo 7,37).

p/ Maria Vanda A. da Silva
(Ir. Maria Silvia, Obl. OSB/SP)


Das Instruções de São Columbano, Abade (Sec.VII)
 
Irmãos caríssimos, prestai ouvidos ao que vamos dizer como a algo de necessário. Contentai sede de vossas almas nas águas da fonte divina, sobre a qual desejamos falar, mas não extinguais; bebei, mas não vos sacieis. Chama-nos a si a fonte viva, a fonte da vida e diz: quem tem sede venha a mim e beba (Jo, 7,37).
 
Entendei o que bebeis. Diga-vos Jeremias, diga-vos a própria fonte : Abandonaram-me a mim, fonte de água viva, diz o Senhor (Jr 2, 13). O próprio Senhor, nosso Deus, Jesus Cristo, é fonte da vida; por isso nos convida a irmos a ele, fonte, para bebermos. Bebe-o quem ama; bebe quem se sacia com a palavra de Deus; quem muito ama muito deseja; bebe quem arde de amor pela sabedoria.
 
Vede donde emana esta fonte : do mesmo lugar donde desceu o pão. Pão e fonte são o mesmo, o filho único, nosso Deus, o Cristo Senhor, de quem devemos ter sempre fome. Cremo-lo, amando; devoramo-lo desejando e, no entanto, famintos, desejamo-lo ainda. Da mesma forma, qual água de uma fonte; bebamo-lo sempre pela plenitude do desejo e deleitemo-nos com a suavidade de sua particular doçura.
 
Pois é doce e suave o Senhor; por mais que o comamos e bebamos, estamos sempre sedentos e famintos, porque nosso alimento e bebida nunca se pode tomar e beber totalmente; tomando, não se consome, bebido não se acaba, pois nosso pão é eterno, nossa fonte é perene, nossa fonte é doce. Eis a razão por que diz o Profeta: Vós que tendes sede, ide à fonte (Is 55,1). A fonte dos sedentos, não dos saciados. Por isto chama a si sedentos, que em outro lugar declara felizes, aquele que nunca bebem bastante, mas quanto mais sorvem, tanto mais têm sede.
 
Irmãos, é justo que a a fonte da sabedoria, o Verbo de Deus nas alturas (Ecclo 1,5 Vulg.), sempre seja desejada, buscada, amada por nós; estão escondidos, segundo as palavras do Apóstolo, todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Cl 2,3), e chama quem tem sede a deles tomar.
 
Se tens sede, bebe da fonte da vida; se tens fome, come o pão da vida. Felizes os que têm fome deste pão e sede desta fonte. Sempre comendo e sempre bebendo, ainda desejam comer e beber, Porque é imensamente doce aquilo que sempre se saboreia e sempre se deseja mais. O rei profeta já dizia: Saboreai e vede quão doce, quão suave é o Senhor (Sl 33,9).
 

Fonte :
(Inst. 13, De Christo Fonte Vitae, 1-2: Opera, Dublin 1957, 116-118) – In Liturgia das Horas, Vol. IV, pg. 143/144.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Benção Abacial do novo Abade do Mosteiro de São Bento de Olinda

Por Maria Vanda (Ir. Maria Silvia, Obl. OSB)

 
Dom João Evangelista Kovas
 
No dia 25 de janeiro de 2013, (dia dedicado ao Apóstolo S. Paulo), o Mosteiro de São Bento, na cidade de Olinda, teve seu brilho aumentado, pois o monge beneditino Dom Evangelista Kovas, OSB, recebeu a benção abacial, em Celebração Eucarística por sua Excelência Reverendíssima Dom Fernando Saburido, Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Olinda e Recife - PE.
A cerimônia contou com a presença de várias autoridades religiosas, especialmente, do Arquiabade de São Sebastião da Bahia, Dom Emanuel D'Able do Amaral, de Dom Abade Mathias Tolentino Braga, Abade do Mosteiro de São Bento de São Paulo, Dom Abade Felipe da Silva do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, além de outros, bem como das Abadessas dos mosteiros de Nossa Senhora do Monte - Olinda - PE, do Mosteiro de Santa Maria - São Paulo, do Mosteiro de Campos de Jordão - SP, do Mosteiro da Bahia, entre outros, além de vários priores e prioresas dos diversos mosteiros de todo o Brasil.  Também vários outros religiosos e religiosas, e oblatos beneditinos compartilharam com o Abade Dom João Evangelista Kovas a belíssima cerimônia.
O Mosteiro de São Bento em Olinda se encheu de fiéis de todo o Brasil. A cerimônia durou em torno de 2 horas, onde se ouviu do Celebrante Dom Fernando Saburido palavras de grande apreço pelo novo abade Dom João e de exortação de que ele possa ali desenvolver um  bom trabalho  junto a comunidade beneditina que agora está sob seu cajado.
O novo Abade Dom João Evangelista Kovas, em sua fala, disse que desejava não somente manter a PAZ com a comunidade beneditina, mas com toda a comunidade de Olinda. Chamou a atenção e exortou a todos os presentes e, especialmente dos fiéis, para se voltarem cada vez mais para a convivência pacífica, haurida na fé cristã e trabalho árduo, junto a toda a comunidade.
Procedente do Mosteiro de São Bento e São Paulo, o novo Abade de Olinda é um jovem monge, professor e Doutor em Filosofia, que leva uma já larga experiência de convivência comunitária, com êxito e que porta nas veias um arrojo natural, não provindo somente de sua força de sua juventude, mas de um dom divino de ser pastor que sabe bem conduzir suas ovelhas.
Nós, do blog Pérolas Finas, desejamos felicidade, alegria, um semear propício e profícuas colheitas, para o novo abade, nesse solo novo e de bom porvir.
Congratulações!
Dom João Evangelista Kovas entre seus familiares






Dom Abade Filipe da Silva, o Abade anterior de Olinda e atual Abade do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro

                        
  

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O novo Abade do Mosteiro de São Bento de Olinda

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
No dia 21 de novembro de 2012, os doze monges eleitores do Mosteiro de São Bento, em Olinda, elegeram como seu novo Abade, Dom João Evangelista Kovas, antigo Prior do Mosteiro de São Bento, em São Paulo. 

Prior corresponde ao cargo de confiança do Abade de um Mosteiro, que é o líder máximo da instituição. Dom João Evangelista substituirá na direção espiritual e administrativa do Mosteiro de São Bento de Olinda a Dom Filipe da Silva, 50 anos, que foi eleito, dia 6 de novembro, Abade do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, o mais rico e mais tradicional mosteiro beneditino do Brasil. 

A função de Abade é vitalícia, exceto em casos de renúncia, transferência de abadia ou aposentadoria aos 70 anos.  

Dom João Evangelista é formado em Filosofia Antiga e Medieval e lecionava as duas matérias na Faculdade de São Bento em São Paulo. 
 
E eis que no dia 22 de novembro, às 12 horas, na Basílica do Mosteiro de São Bento, Dom João Evangelista Kovas tomou posse como Abade do Mosteiro de Olinda. 
Participaram do rito litúrgico-canônico :
ü Dom Emanuel D'Able do Amaral, Arquiabade do Mosteiro da Bahia e Presidente da Congregação Beneditina do Brasil,
ü Dom Filipe da Silva, Abade do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro,
ü Dom Mathias Tolentino Braga, Abade do Mosteiro de São Bento de São Paulo e 
ü toda a comunidade monástica do Mosteiro de São Bento de Olinda.

A Bênção Abacial está prevista para o final de janeiro de 2013, possivelmente na festa da Conversão do Apóstolo São Paulo, dia 25. 


Vista do Mosteiro de São Bento de Olinda