Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘O termo 'Diáspora' a partir do grego
antigo tem o significado de dispersão, implicando no ato de espalhar-se de
grupos étnicos ou religiosos que deixam seu local de origem se espalhando pelo
mundo. O termo foi muito usado principalmente para se referir ao exílio
judeu para fora da terra de Israel ou da Palestina e à subsequente dispersão do
povo judeu pelo mundo. Seu significado foi ampliado para designar a dispersão
de qualquer povo para fora de seu país de origem. Desta forma quando falamos da
diáspora africana estamos falando do deslocamento de pessoas e povos para fora
de seu continente. Dispersão sempre fala de uma ação forçada por diversos
motivos.
Diáspora e formação de comunidades de
afrodescendentes
A Diáspora Africana refere-se ao deslocamento
forçado e obrigatório de povos africanos e de seus descendentes para outras
partes do mundo, especialmente para as Américas, Europa, Caribe e Oriente
Médio, resultando na formação de comunidades afrodescendentes fora do
continente africano. Embora esse processo tenha raízes muito antigas, foi
durante o tráfico transatlântico de escravizados, entre os séculos XV e XIX,
que a diáspora africana assumiu proporções gigantescas, com consequências
profundas e duradouras para as sociedades envolvidas.
Estima-se que enquanto existiu a escravidão coo
negócio mais de 12 milhões de africanos tenham sido capturados e transportados
em condições brutais pelos colonizadores europeus, sobretudo portugueses,
espanhóis, ingleses, franceses e holandeses, para serem explorados como mão de
obra barata nas plantações e minas de colônias de várias partes do mundo,
sobretudo, nas Américas.
O processo violento da dispersão provocou não
apenas a ruptura de laços familiares e culturais na África, como também o
surgimento de novas formas de resistência e reconstrução identitária nos
territórios para onde esses povos foram levados. Mesmo sob as condições
desumanas da escravidão, os africanos originários e seus descendentes lutaram
para preservar suas tradições religiosas, linguísticas, musicais, gastronômicas
e filosóficas, influenciando decisivamente a formação das culturas nacionais.
No Brasil, por exemplo, a presença africana está profundamente entranhada nas
expressões populares, na música, na religião, na culinária e na linguagem. Em
Cuba, no Haiti, no Caribe, nos Estados Unidos e em outros lugares, o legado
africano também se manifesta como uma força cultural que integra pessoas e
grupos.
Razões da dispersão
A diáspora africana, no entanto, não foi motivada
somente pela escravidão, incluindo também movimentos migratórios voluntários de
africanos em épocas mais recentes, como no período pós-colonial, a partir do
século XX, quando milhões de pessoas migraram para a Europa e para as Américas
em busca de melhores condições de vida, educação e liberdade.
Em todos esses contextos e independente das
motivações, a diáspora implica numa luta constante contra o preconceito,
racismo, a desigualdade e a exclusão social, como se percebe no movimento de
migração africana em direção aos países da Europa e América do Norte. Além do
mais, ela implica numa busca de afirmação de identidade cultural e racial e
pela valorização das raízes africanas. A luta pela identidade racial e
cultural, mesmo em países estrangeiros está na base e origem de movimentos
sociais, políticos e culturais importantes como o pan-africanismo, a negritude,
o movimento dos direitos civis nos EUA, o movimento negro no Brasil, entre
tantos outros.
A Diáspora Africana não é apenas um fenômeno
histórico de dispersão geográfica, mas uma dinâmica de resistência, reinvenção
cultural e afirmação de dignidade humana, que conecta a África e o mundo de
maneira profunda e contínua.’
Fonte : *Artigo na íntegra
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