Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
*Artigo de Dom Vital Corbellini,
Bispo de Marabá, PA
‘Nós estamos num período muito importante na vida
humana onde se ressaltam o desejo forte pela paz entre os povos e nações. Nós
rezamos ao Senhor pelo dom da paz. Nós temos presentes a visão de Deus
verdadeiro, Uno e Trino, a criação, as pessoas, as suas obras, a necessidade do
cuidado com as obras do Criador. Deus criou o ser humano; homem e mulher os fez
à sua imagem e semelhança (cfr. Gn 1,27). Nestes últimos anos e meses estamos
presenciando uma série de casos de feminicídios, a morte de mulheres por serem
mulheres, muitas vezes por seus maridos, companheiros ou ex-companheiros. Pela
Palavra de Deus que coloca a igualdade entre o homem e mulher somos nós
convidados a lutar pela vida superando a morte de muitas pessoas, sobretudo com
as mulheres. A seguir, vejamos nós ver a forma como os santos padres, os
primeiros escritores cristãos colocaram a visão antropológica que sirva de
inspiração para agir bem no mundo atual.
Deus os fez homem e mulher
São Clemente, bispo de Roma, Papa, século I afirmou
a criação humana, homem e mulher, por Deus Criador na qual Ele a plasmou por
suas próprias e imaculadas mãos, ao dizer : Façamos o homem a nossa imagem e
semelhança, fazendo-os homem e mulher, masculino e feminino (cfr. Gn 1,26-27).
Cumpridas todas as obras os aprovou o Senhor Deus e os bendisse, dizendo que
era para eles crescerem e multiplicarem-se (cfr. Gn 1, 28). Criados desta
forma, nós somos chamados, tanto os homens como as mulheres a fazer a vontade
divina com toda a nossa força e praticar obras de justiça, de paz e de amor [1].
A Palavra de Deus falou da criação humana
A Carta de Barnabé, um escrito no final do século I
disse que a criação humana foi obra de Deus Uno e Trino, pois o Senhor disse ao
Filho : ‘Façamos o homem, homem e mulher, à nossa imagem e semelhança. Que eles
dominem sobre os animais da terra, as aves do céu e os peixes do mar’ (Gn 1,
28). e vendo a obra de suas mãos saindo de uma forma muito boa disse também o
Senhor para eles crescerem e multiplicarem-se e possam encher a terra (cfr. Gn
1, 28) [2].
Por isso Deus nos criou de uma forma tão bem constituídos de modo que é preciso
viver a unidade entre o homem e a mulher sem um dominar o outro ou tirar-lhe a
própria vida.
Formou-os à sua imagem
A Carta a Diogneto, escrito do século II disse que
Deus deu ao ser humano, homem e mulher a palavra e a razão para contemplar o
Criador de todas as coisas. E somente a eles permitiu-lhes a graça da
contemplação, o olhar para o alto, para o seu Criador. Ele os formou à sua
Imagem, enviando-lhes seu Filho Unigênito, para anunciar-lhes o Reino dos céus.
Desta forma o ser humano amando o seu Criador ele se torna imitador da sua
bondade [3].
A dignidade do ser humano
Teófilo de Antioquia, bispo do século II teve
presente coisas boas em relação à criação em geral, mas em relação à criação
humana não existem palavras que expressem a sua grandeza, ainda que a narração
da Escritura divina seja breve. O fato maravilhoso de Deus ao dizer : ‘Façamos
o homem à nossa imagem e semelhança’ (Gn 1,26) dá a entender a dignidade do ser
humano, homem e mulher. Ele disse estas palavras a seu próprio Verbo e à sua
Sabedoria. Ele também ordenou que o ser humano se alimentasse das ementes da
terra e buscassem o bem de toda a criação, incluída a sua, a humana [4].
Deus glorificado na sua criatura
Santo Ireneu de Lião, bispo, século III afirmou que
Deus será glorificado na sua criatura, conformada e modelada no seu próprio
Filho, pois pelas mãos do Pai, isto é, por meio do Filho e do Espírito Santo, o
ser humano, homem e mulher e não uma parte tornam-se semelhante a Deus [5].
Nós vemos a importância da criação por parte de Deus Criador ao ser humano na
visão de Deus que é Uno e Trino concedendo-lhes todas as graças para uma vida
feliz e realizada.
A bondade do Criador
Tertuliano, padre da Igreja dos séculos II e III
afirmou a bondade do Criador ao criar as coisas deste mundo. O fato era este :
Deus viu aquilo que estava realizando, honrava-o, completando a bondade de suas
obras pelo seu olhar. Deus bendizia as coisas boas, para que Ele fosse sempre
anunciado bom em todos os aspectos, em todos os tempos e eras, tanto no dizer
como no fazer. O mundo foi constituído de bens do Senhor. No entanto, para quem
as coisas eram preparadas senão para aquele que seria à sua imagem e
semelhança? A divina bondade criou, não só com uma palavra de ordem o ser
humano, mas com um ato generoso da sua mão, com uma benigna promessa : ‘Façamos
o homem e a mulher à nossa imagem e semelhança’(Gn 1,26).
A referência é sempre à bondade, não como uma
virtude do Criador, mas como uma Pessoa, porque Ela falou, plasmou o homem e a
mulher do lodo até fazê-los de carne, sendo um ato de amor de Deus. ‘A bondade
soprou até fazê-los tornarem-se uma alma, não morta, mas viva’
[6].
A bondade o fez senhor de todas as coisas, não só para dominá-las, mas para
dar-lhes o nome. Novamente Deus previu para ele uma ajuda : ‘Não é bom que o
homem esteja só, de modo que Ele criou a mulher’(Gn 2,18 )[7].
Nós percebemos a importância do ser humano ser criado à imagem e semelhança de
Deus.
À nossa Imagem
Santo Agostinho, Bispo de Hipona séculos IV e V
afirmou que Deus criou o ser humano dando as graças de ser a sua imagem e
semelhança. Em seguida o Senhor disse que ele tenha o poder sobre os
peixes do mar e sobre os pássaros do céu e sobre todos os animais, privados da
razão (cfr. Gn 1,28) [8].
Para o Bispo de Hipona o fato de que o ser humano é imagem e semelhança de Deus
são dons divinos para serrem vividos na realidade familiar, comunitária e não
tem significado de destruição das criaturas, mas amor a mesma e serviço para
que todos vivam bem na paz e no amor.
Nós somos convidados a viver a Palavra de Deus na
igualdade e no amor entre as pessoas, homens e mulheres. Nós lutemos em favor
da vida para que se afaste a violência contra as mulheres e os casos de
feminicídios. A Diocese de Marabá tem um projeto, um pacto contra o feminicídio
para que seja implantado sempre mais nas comunidades, grupos, pastorais e
movimentos. O Senhor nos ajude nesta missão de viver a fraternidade, o amor
entre as pessoas e um dia na eternidade, no Reino de Deus.’
[1] Cfr. Lettera
ai Corinzi, 33,4-8 di Clemente di Roma. In: Lúomo immagine
somigliante di Dio. Milano: Paoline, 1991, pgs. 87-88.
[2] Cfr. Carta
de Barnabé, 6,11-12. In: Padres Apostólicos, São Paulo: Paulus,
1995, pgs. 294-295.
[3] Cfr. Carta
a Diogento, 10,2-4. In: Padres Apologistas, São Paulo,
Paulus, 1995, pg. 27.
[4] Cfr. Segundo
Livro a Autólico 2,18 de Teófilo de Antioquia, In: Padres
Apostólicos, Idem, pg. 248.
[5] Cfr. Ireneu
de Lião, V,6,1. São Paulo: Paulus, 1996, pg. 530.
[6] Cfr. Contro
Marcione, 22 di Tertulliano. In: L’uomo immagine somigliante di
Dio, Idem, pg. 132.
[7] Cfr. Idem,
pg. 132.
[8] Cfr. La
Genesi alla Lettera 3,20,30-32. In: L’uomo immagine
somigliante di Dio, Idem, pg. 255.
Fonte : *Artigo na íntegra
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