Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘A relíquia do título da cruz é um pedaço do título
completo. As frases em grego e latim estão escritas da direita para esquerda no
modo como os judeus leem. O titulum não foi escrito pelos
soldados que em grande parte eram romanos ou de onde hoje é a Itália. Longino
nasceu em Lanciano e o soldado que fez a primeira profissão pública, Abenadar,
era romano, profetizando a fé da Igreja de Roma. O titulum foi
escrito por ordem do próprio Pôncio Pilatos com ajuda de um escriba judeu,
provavelmente, como testemunham as Escrituras, que compreendeu quem era Jesus.
Quando Jesus foi condenado, Pôncio Pilatos mandou
escrever em hebraico, grego e latim a razão de sua pena : ‘Jesus Nazareno, Rei
dos Judeus’, o que em latim ficaria ‘Iesu(a) Nazarenus Rex Iudaeorum’ e
na pronúcia hebraica algo como ‘Yeshua HaNatzrati vMelech Yehudim’, o
que aborreceu e muito os fariseus presentes, que pediram encarecidamente que a
placa fosse modificada, o que Pilatos se negou a fazer.
Qual a causa de tamanho aborrecimento por parte dos
judeus?
A causa foi um acróstico que se formou quando ele
escreveu a sentença. Um acróstico são formas textuais em que a primeira letra
de cada frase ou verso forma uma palavra ou frase, é uma composição em verso na
qual a primeira, e alguma vez, a última letra da linha é lida em ordem e forma
um nome ou título. Por exemplo, INRI é um acróstico das palavras escritas em
latim ‘Iesu(a) Nazarenus Rex Iudaeorum’. No hebraico temos ‘Jesus
Nazareno, Rei dos Judeus’ como ‘Yeshua HaNatzrati vMelech Yehudim’ (וע הנצרתי ןמלך היהודים – no
hebraico se lê da direita para a esquerda). As iniciais usadas eram exatamente
as mesmas usadas para pronunciar o nome sagrado de Deus, יהוה (‘YHWH’) : ‘E
Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava
escrito ‘Jesus Nazareno, Rei dos Judeus’’ (Jo 19,19).
Muitos dos judeus leram esse título, porque o lugar
onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade e estava escrito em
hebraico, grego e latim. Diziam, pois, os principais sacerdotes dos judeus a
Pilatos : ‘Não escrevas ‘O Rei dos Judeus’, mas que ele disse ‘Sou o Rei dos
Judeus’. Respondeu Pilatos : ‘O que escrevi, escrevi’’ (Jo 19,19-22).
Onde a relíquia se encontra?
Ela se encontra na Basílica de Santa Croce in
Gerusalemme, uma das sete igrejas de Roma que fazem parte do tradicional
roteiro de peregrinação consagrado por São Filipe Néri. Sua construção começou
no século IV, perto do Palazzo del Sessorium, residência de Santa Helena, mãe
do imperador Constantino, próxima ao Latrão. A basílica não foi erguida para
honrar a memória dos mártires, como era tradição, mas exclusivamente para
preservar parte da cruz de Jesus, juntamente com outras relíquias da paixão
que, segundo a tradição, Santa Helena teria trazido para Roma em seu retorno da
viagem à Terra Santa em 325. Foi, portanto, concebida desde o início como um
grande relicário destinado a preservar preciosos testemunhos da paixão de
Jesus. A basílica é chamada ‘em Jerusalém’ devido à presumida presença de terra
consagrada do monte Calvário, que foi colocada na base dos alicerces, terra
transportada em navios juntamente com as próprias relíquias da cruz. Por essa
razão, a igreja foi chamada, desde a Idade Média, simplesmente de ‘Hierusalem’
e para a devoção popular visitar essa basílica significava pôr os pés na
própria cidade santa de Jerusalém. Tem a dignidade de uma basílica menor.
Em 1983, o então Cardeal Joseph Aloisius Ratzinger,
futuro Papa Bento XVI, pregou os exercícios espirituais da Cúria Romana a
pedido do Papa São João Paulo II. As meditações que estão contidas hoje no
livro O caminho pascal fazem uma analogia da cidade de Roma
com a Terra Santa e justamente a Basílica de Santa Cruz em Jerusalém é vista
como a Jerusalém mística da cidade de Roma.
Características do Titulum Crucis
A placa feita da árvore nogueira tem 25×14
centímetros, 2 centímetros de espessura e pesa 687 gramas. Está inscrita de um
dos lados em três linhas, a primeira delas praticamente destruída. A segunda
utiliza letras gregas e escrita reversa, e a terceira, em letras latinas,
também com escrita reversa.
Em 1997, o autor e historiador alemão Michael
Hesemann investigou a relíquia e apresentou-a a sete especialistas em
paleografia hebraica, grega e latina. Segundo ele, nenhum dos especialistas
encontrou qualquer indício de falsificação antiga ou medieval. Todos eles
dataram o objeto entre os séculos I e IV, com a maioria preferindo (e nenhum
excluindo) o século I. Hesemann concluiu que é possível que o titulus
crucis seja de fato uma relíquia autêntica.
Carsten Peter Thiede sugeriu que é provável que
o titulus crucis é uma parte genuína da vera cruz, escrito por
um escriba judeu. Ele cita que a ordem das línguas na placa coincide com o que
seria historicamente plausível e não com a ordem revelada nos relatos do Novo
Testamento, o que certamente não aconteceria se o objeto fosse uma falsificação
medieval.
O título da cruz testemunha uma profissão de fé na
identidade de Jesus, Ele é o homem ao que título ‘Nazareno’ faz referência, mas
é alguém diferenciado, pois o termo ‘Rei’ se refere à unção, pois reis eram
ungidos. ‘Ungido’ é o significado de ‘Cristo’ em grego e ‘Messias’ em hebraico.
Por fim, o nome de IAWE revelam o verdadeiro Deus.’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://revistaavemaria.com.br/a-reliquia-do-titulo-da-cruz.html
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