Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
professor
‘São Paulo explica a grandeza desse amor de Deus
por nós com as seguintes palavras aos romanos : ‘Mas eis aqui uma prova
brilhante de amor de Deus por nós : quando éramos ainda pecadores, Cristo
morreu por nós. Se, quando éramos ainda inimigos, fomos reconciliados com Deus
pela morte de seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados,
seremos salvos por sua vida’ (Romanos 5,8-10).
Cristo veio a este mundo para nos salvar, para
morrer por nós. Deus, humanizado, morreu por nós. O que mais poderíamos exigir
do Senhor para nos demonstrar Seu amor? Sem isso, a humanidade estaria
definitivamente longe de Deus por toda a eternidade, vivendo o inferno, a
separação do Pai. Por quê? Porque o homem pecou e peca desde os nossos
primeiros antepassados; e o pecado é uma ofensa grave a Deus, uma
desobediência às Suas santas Leis, a qual rompe nossa comunhão com Ele. Por
isso, diante da justiça divina, somente uma reparação de valor infinito poderia
sanar essa ofensa da humanidade ao Senhor. E como não havia um homem sequer
capaz de reparar, com seu sacrifício, essa ofensa infinita a Deus, então, Ele
próprio, na Pessoa do Verbo, veio realizar essa missão.
O que podemos exigir do Senhor?
Não pense que Deus é malvado e exige o sacrifício
cruento de Seu Filho na cruz por mero deleite ou para se vingar da humanidade.
Não, não se trata disso. Acontece que o Senhor é amor, mas também é justiça.
O amor de Deus é justo. Quem erra deve reparar seu erro. Humanamente,
exigimos isso, e essa lei só não existe entre os animais. Então, como a
humanidade prevaricou contra Deus, ela tinha de reparar essa ofensa não
simplesmente a Ele, mas à justiça divina sob a qual este mundo foi erigido.
Sabemos que, no Juízo Final, Deus fará toda justiça com cada um; e cada
injustiça da qual fomos vítimas também será reparada no dia do juízo.
Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício
Assim, vemos o quanto Deus ama, valoriza e respeita
o homem. O Verbo Divino se apresentou diante do Pai e ofereceu-se para salvar a
Sua mais bela criatura, gerada à Sua imagem e semelhança (cf. Gênesis 1,26).
A Carta aos Hebreus explica bem este fato
transcendente : ‘Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz : Não quiseste
sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios
pelo pecado não te agradam. Então eu disse : ‘Eis que venho (porque é de mim
que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’
(Sl 39,7ss). Disse primeiro : Tu não quiseste, tu não recebeste com agrado os
sacrifícios nem as ofertas, nem os holocaustos, nem as vítimas pelo pecado
(quer dizer, as imolações legais). Em seguida, ajuntou : Eis que venho para
fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova
economia. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma
vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo. Enquanto todo sacerdote se
ocupa diariamente com o seu ministério e repete inúmeras vezes os mesmos
sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, Cristo ofereceu
pelos pecados um único sacrifício e, logo em seguida, tomou lugar para sempre à
direita de Deus’ (Hebreus 10,5-10).
A Semana Santa celebra, todos os anos,
esse acontecimento inefável : a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo
para a salvação da humanidade, para o resgate desta das mãos do demônio e
a sua transferência para o mundo da luz, para a liberdade dos filhos de Deus.
Estávamos todos cativos do demônio, que no Paraíso tomou posse da humanidade
pelo pecado. E com o pecado veio a morte (cf. Rom 6,23).
Mas agora Jesus nos libertou, ‘pagou o preço do
nosso resgate’. Disse São Paulo : ‘Sepultados com ele no batismo, com ele
também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos
mortos. Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão da vossa carne,
chamou-vos novamente à vida em companhia com ele. É ele que nos perdoou todos
os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos
condenavam. Aboliu-o definitivamente ao encravá-lo na cruz. Espoliou os
principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz’
(Col 2,12-14).
Quando fomos batizados, aplicou-se a cada um de nós
os efeitos da Morte e Ressurreição de Cristo; a pia batismal é, portanto, o
túmulo do nosso homem velho e o berço do nosso homem novo, que vive para Deus e
Sua justiça. É por isso que, na Vigília Pascal do Sábado Santo, renovamos
as promessas do batismo.
O cristão que entendeu tudo isso celebra a Semana
Santa com grande alegria e recebe muitas graças. Por outro lado, aqueles que
fogem para as praias e os passeios, fazendo dela apenas um grande feriado, é
porque ainda não entenderam a grandeza dessa data sagrada e não experimentaram
ainda suas graças. Ajudemos essas pessoas a conhecer tão grande mistério de
amor!
A espiritualidade dos três dias
O cristão católico, convicto, celebra com alegria
cada função litúrgica do Tríduo Pascal e da Páscoa. Toda a Quaresma nos prepara
para celebrar com as disposições necessárias a Semana Santa. Ela se inicia com
a celebração da entrada de Jesus em Jerusalém (Domingo de Ramos). O povo
simples e fervoroso aclama Jesus como Salvador. E grita : ‘Hosana!’; ‘Salva-nos!’
Ele é o Redentor do homem. Nós também precisamos proclamar que Ele e só Ele é o
nosso Salvador (cf. At 4,12).
Na Missa dos Santos Óleos, a Igreja celebra a
Instituição do Sacramento da Ordem e a bênção dos santos óleos do
batismo, da crisma e da unção dos enfermos. Na Missa do Lava-pés, na noite da
Quinta-Feira Santa, a Igreja celebra a Última Ceia de Jesus com os apóstolos,
na qual o Senhor instituiu a Sagrada Eucaristia e lhes deu as últimas
orientações.
Na Sexta-Feira Santa, a Igreja guarda
o Grande Silêncio diante da celebração da Morte do seu Senhor. Às três horas da
tarde, é celebrada a Paixão e Morte do Senhor. Em seguida, há a Procissão do
Senhor morto por cada um de nós. Cristo não está morto nem morre outra vez, mas
celebrar a Sua Morte é participar dos frutos da Redenção.
Na Vigília Pascal, a Igreja canta o ‘Exultet’, o
canto da Páscoa, a celebração da Ressurreição do Senhor, que venceu a morte, a
dor, o inferno e o pecado. É o canto da Vitória. ‘Ó morte, onde está o
teu aguilhão?’
A vitória de Cristo é a vitória de cada um de nós
que morreu com Ele no batismo e ressuscitou para a vida permanente em
Deus; agora e na eternidade.
Celebrar a Semana Santa é celebrar a vida, a vitória
para sempre. É recomeçar uma vida nova, longe do pecado e em comunhão mais
íntima com Deus. Diante de um mundo carente de esperança, que desanima da vida,
porque não conhece a sua beleza, celebrar a Semana Santa é fortalecer a
esperança que dá a vida. O Papa Bento XVI disse em sua Encíclica ‘Spe Salvi’ que
sem Deus não há esperança, e sem esperança não há vida.
Esta é a Semana Santa que o mundo precisa celebrar
para vencer seus males, suas tristezas e desesperanças.’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://www.procampuseducacao.com.br/semana-santa-tempo-de-recolhimento-e-reflexao/
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