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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Por que monges e freiras usam cores diferentes – Parte 2

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Philip Kosloski,
escritor e designer gráfico


‘Depois de falar dos beneditinos e dos carmelitas, prosseguimos agora com os franciscanos e os dominicanos.

Franciscanos

Jeffrey Bruno / Aleteia


Fundada no século XIII por São Francisco de Assis, a família franciscana é grande, com numerosas comunidades religiosas, conventuais e apostólicas, inspiradas no Pobrezinho de Assis. O hábito franciscano é simples : consiste em uma túnica (às vezes com escapulário) e pode ser marrom, preto, cinza ou ainda de outras cores, cada uma com seu próprio simbolismo, dependendo do ramo franciscano em questão. O que São Francisco escolheu foi simplesmente o tecido mais pobre da época – aliás, a sua própria roupa tinha remendos de cores diferentes.

No geral, o hábito franciscano é cingido por uma corda com três ou quatro nós, que simbolizam os votos de pobreza, castidade e obediência e um voto mariano extra. É comum que a corda esteja acompanhada de um grande rosário. Essa corda talvez seja o mais distintivo elemento do hábito franciscano : se você vir uma corda em algum hábito religioso, é provável que se trate de alguém com raízes na espiritualidade franciscana. Os frades capuchinhos são um dos ramos mais conhecidos da família franciscana, enquanto os Frades Franciscanos da Renovação são uma comunidade relativamente nova e em notável crescimento.

Entre os mais famosos santos franciscanos estão, além do próprio Francisco, Santa Clara de Assis, São Boaventura e Santo Antônio. A Madre Angélica, fundadora da rede televisiva católica EWTN, fundou seu próprio mosteiro de clarissas, freiras da grande família franciscana. A Ordem Terceira, ou leigos franciscanos, incluiu nomes da envergadura histórica de Dante Alighieri, Santa Isabel da Hungria, Louis Pasteur e o beato Frederico Ozanam, fundador da Sociedade de São Vicente de Paulo.


Dominicanos

Provincia di St. Joseph

Fundada por São Domingos na mesma época do nascimento dos franciscanos, a ordem dominicana costuma ser a mais fácil de identificar : seu hábito e seu escapulário são brancos e os homens usam capuz enquanto as freiras usam véu preto, o que, tal como no caso dos beneditinos, configura a única diferença entre os hábitos dominicanos para homens e para mulheres. Em determinadas ocasiões, eles usam uma capa preta sobreposta ao hábito. O branco simboliza a pureza da vida de Cristo e, de modo semelhante aos beneditinos, o preto indica a penitência, a mortificação e a morte ao pecado. Eles também usam um cinto de couro com um grande rosário. Aliás, é esse rosário o que ajuda a identificar os dominicanos entre as outras famílias religiosas que usam branco.

A ordem dominicana também é bastante associada a um alto nível na formação intelectual. Nos Estados Unidos, por exemplo, é muito respeitada a Casa Dominicana de Estudos em Washington, DC, mas essa fama já vem de séculos : é dominicano ninguém menos que São Tomás de Aquino, um dos máximos nomes da filosofia e da teologia católica de todos os tempos. Além dele, são dominicanos o Papa São Pio V e São Jacinto e, no ramo leigo, Santa Catarina de Sena, Santa Rosa de Lima, São Martinho de Lima e o bem-aventurado Piergiorgio Frassati.

A família dominicana tem experimentado nos anos recentes um notável crescimento em seus ramos apostólicos e contemplativos.’


Fonte :


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Por que monges e freiras usam cores diferentes – Parte 1

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Philip Kosloski,
escritor e designer gráfico


‘Filmes e programas de TV difundiram o estereótipo de que as freiras sempre usam hábitos pretos e os monges católicos sempre se vestem de marrom. No entanto, basta frequentar qualquer grande evento eclesial para constatar que a realidade é muito mais cheia de cores e tons.

Como a variedade e quantidade de congregações religiosas é, graças a Deus, quase ‘inelencável’, ofereceremos aqui um ‘guia básico’ sobre os hábitos de quatro das principais e mais conhecidas ordens religiosas da história da Igreja – e a maioria das comunidades religiosas que usam hábito estará conectada, ao menos perifericamente, a uma dessas ordens : beneditinos, carmelitas, franciscanos e dominicanos.

Neste artigo, veremos as duas primeiras ordens.


Beneditinos

Irmã Andrea Staderman, OSB / Abadessa Maria-Michael Newe, OSB


Fundada no século VI por São Bento de Núrsia, a ordem beneditina adota hábitos negros compostos por uma túnica, uma capa escapular que vai até os pés e um cinto de couro. A cor preta simboliza a penitência e o morrer para o mundo, além de ser, em termos práticos, a cor de tecido mais barata disponível no século VI. Os monges usam capuzes e as freiras véus : aliás, é neste aspecto que as comunidades religiosas da ordem costumam se diferenciar umas das outras.

Um elemento distintivo do hábito beneditino é a ausência do rosário pendente, principalmente porque os beneditinos tradicionais, com seu célebre lema ‘Ora et Labora’ (‘Ora e Trabalha’), cultivavam o campo e faziam eles próprios as construções nos seus mosteiros, o que tornava impraticável usar o rosário pendente no dia-a-dia. Os beneditinos que já professaram os votos religiosos permanentes usam capuz preto sobre o hábito durante a oração litúrgica e em ocasiões comunitárias importantes.

Além de São Bento, incluem-se entre os santos beneditinos mais famosos Santa Hildegarda de Bingen, Santa Escolástica, o Papa São Gregório Magno, Santa Gertrude e São Beda, o Venerável. Entre os leigos beneditinos incluem-se São Francisco de Roma, o rei Santo Henrique II, a serva de Deus Dorothy Day e os escritores Rumer Godden, Flannery O ‘Connor e Walker Percy.


Carmelitas


Fundada formalmente no século XII, a ordem monástica dos carmelitas vem de raízes que remontam a um grupo de eremitas que viviam no Monte Carmelo, na Terra Santa. Seu hábito é de cor marrom e também apresenta o manto escapular, ou escapulário, uma espécie de ‘dupla capa’, longa e retangular, que pende pela frente e por trás e que servia para proteger o hábito durante os trabalhos pesados, mais ou menos como um avental. Esta peça é a origem do escapulário que conhecemos hoje como um dos mais importantes sacramentais oferecidos aos católicos, a partir de uma aparição da Santíssima Virgem Maria a São Simão Stock. A cor marrom evoca a cruz e a terra, lembrando aos carmelitas a sua própria cruz e a humildade que devem cultivar – já que a palavra ‘humildade’ vem de ‘húmus’, terra, e nos recorda que ‘somos pó e ao pó retornaremos’.

Além do escapulário marrom escuro, a veste carmelita se identifica também por uma capa de cor mais clara, em tom amarelado, que é sobreposta ao hábito durante a liturgia. O carmelita usa ainda um cinto de couro e um grande rosário pendente. Os carmelitas também usam o crucifixo da sua profissão religiosa preso ao escapulário.

O ramo da ordem que se tornou conhecido como ‘carmelitas descalços’ segue o carisma inspirado a Santa Teresa de Ávila (ou Santa Teresa de Jesus), uma grande reformadora da ordem. Existem também, mundo afora, comunidades carmelitas de vida apostólica.

Entre os mais conhecidos santos carmelitas incluem-se o grande místico São João da Cruz, Santa Teresinha de Lisieux, Santa Isabel da Trindade e Santa Edith Stein, filósofa judia que se converteu ao catolicismo, entrou no carmelo, adotou o nome religioso de Teresa da Cruz e foi morta pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Já entre os leigos carmelitas listam-se personalidades históricas como Éamon de Valera, presidente da Irlanda, e os reis espanhóis Fernando e Isabel, conhecidos como ‘os Reis Católicos’.’


Fonte :