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quinta-feira, 6 de junho de 2024

A superação da violência contra a pessoa idosa

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo de André Bernardo,

jornalista 


Paraná, 1993. A pediatra Zilda Arns (1934-2010) voltava de Florestópolis, município localizado a 453 quilômetros de Curitiba, quando desembarcou em Londrina. Foi comemorar os 10 anos de fundação da Pastoral da Criança, em 1983. No aeroporto da cidade, o mau tempo provocou o atraso de alguns voos e o cancelamento de outros. No saguão, enquanto esperava a situação voltar ao normal, a coordenadora nacional da Pastoral da Criança conheceu e fez amizade com o geriatra João Batista Lima Filho, então presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), do Paraná. Entre uma conversa e outra, Zilda Arns comentou que, durante as visitas a crianças e gestantes, os agentes pastorais eram, muitas vezes, sabatinados por idosos sobre problemas típicos da velhice, como insônia e hipertensão, mas, que, na maioria dos casos, eles não sabiam o que responder. Foi quando João Batista admitiu que, há tempos, a SBGG se perguntava sobre como poderia ajudar a tirar dúvidas da população brasileira que, já naquela época, dava sinais de que estava envelhecendo. Foi ali, no aeroporto de Londrina, que o semeador saiu a semear a semente da Pastoral da Pessoa Idosa (PPI). 

Curitiba, 2024. No próximo dia 5 de novembro, a Pastoral da Pessoa Idosa completa 20 anos de existência. Apenas um ano depois de sua fundação, em 2005, a pastoral já contava com 3,6 mil líderes voluntários para atender 31,6 mil pessoas idosas. Hoje, quase duas décadas depois, são 18,7 mil agentes para 64,7 mil idosos. Esses números, porém, não estão consolidados. Muitos agentes ainda não migraram para o novo Sistema de Informação e Gerenciamento da Pastoral da Pessoa Idosa, o SIGPPI. ‘O número de pessoas idosas que recebem efetivamente a visita domiciliar mensal dos voluntários da pastoral é muito maior’, garante a atual coordenadora nacional, Sandra Regina Capana Michellim. Ao lado de Dom José Antônio Peruzzo, Sandra Regina compõe a atual diretoria. E um dos desafios enfrentados atualmente pela pastoral é o aumento do número de casos de violência contra pessoas idosas. ‘A cultura do descarte é, infelizmente, uma prática comum em nossa sociedade. O Papa Francisco aponta alternativas para mudar essa triste realidade. Uma delas é a fraternidade. Precisamos nos tornar pessoas mais fraternas, acolhedoras e disponíveis’, afirma Sandra Regina. 

O aumento da violência contra pessoas idosas no Brasil pode ser traduzido em números. Segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o país registrou, em 2022, 95,9 mil denúncias de violência contra idosos. Um ano depois, esse número saltou para 143,5 mil. Um aumento de quase 50%! Só nos primeiros quatro meses de 2024, o MDHC contabilizou 57 mil denúncias contra pessoas idosas. É um número 33% maior do que o registrado no mesmo período de 2023 : 43 mil. A que o ministério atribui esse aumento de 14 mil casos? Quem responde é o secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva. ‘São três fatores : a eficácia do Disque 100, a repercussão do Junho Violeta e o aumento do número de casos de violência contra a pessoa idosa propriamente dito’, detalha o doutor em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP). O Disque 100 é o principal canal de denúncia de violação de Direitos Humanos existente no Brasil. O serviço funciona 24 horas, incluindo sábados, domingos e feriados, e as ligações podem ser feitas, gratuitamente, de qualquer telefone fixo ou móvel. 

Só em abril de 2024, o Disque 100 registrou 56,4 mil denúncias – 15,5 mil delas contra a pessoa idosa. Em geral, as denúncias contra a pessoa idosa ocupam sempre o segundo lugar no ranking, atrás somente das denúncias contra crianças ou adolescentes. O serviço contabiliza, ainda, denúncias contra a mulher, cidadão, família ou comunidade, pessoas com deficiência, em restrição de liberdade, população LGBTQIA+ e em situação de rua. Já o mês de junho, batizado de Junho Violeta, é considerado o mês de conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa. O tema da campanha do ano passado foi ‘Assim você me vê?’. No vídeo da campanha, veiculado no rádio e na TV, são apresentados ao público alguns tipos de violência, como o abandono (‘Faz anos que ninguém vem, ninguém liga, é como se eu já tivesse morrido’), a exploração financeira (‘Só tenho dívidas, me aplicam golpes, minha família tira tudo de mim’) e agressões físicas (‘Vivo trancada, vivo apanhando, vivo sonhando com uma vida diferente’). ‘O número de denúncias aumentou porque as pessoas idosas, cientes de seus direitos, estão se sentindo encorajadas a denunciar mais’, acredita Sandra Regina, da PPI. 

O site do ministério lista nove tipos de violência. Abandono, violência física e patrimonial são apenas três delas. Há mais seis : violência psicológica, institucional e sexual, negligência, abuso financeiro e discriminação. ‘A física ainda é o tipo mais comum. Mas há outros que, muitas vezes, o próprio idoso não sabe que é. Chamá-lo por um nome de que ele não gosta é um exemplo de violência psicológica’, afirma Alexandre da Silva, do MDHC. A física é o tipo mais ‘visível’ – deixa hematomas pelo corpo. Já a psicológica é do tipo ‘invisível’. Em geral, insultos como ‘Você não serve para nada!’ ou ‘Você só me dá trabalho!’ passam despercebidos. Outro exemplo é o abuso financeiro : não deixar que o idoso, em pleno gozo de suas faculdades mentais, administre o próprio dinheiro. ‘Os responsáveis pelo idoso são negligentes quando deixam de oferecer cuidados básicos, como higiene, saúde e proteção. E a forma extrema de negligência é o abandono. Acontece quando há ausência ou omissão de socorro’, explica a advogada Maria Luiza Póvoa Cruz, presidente da Comissão Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do Instituto Brasileiro de Direito da Família (IBDFAM). 

A coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa (PPI) garante que os 18,7 mil agentes estão capacitados para identificar eventuais casos de violência em suas visitas pastorais. E o que fazer numa situação dessas? ‘Agir silenciosa e discretamente para não levantar suspeitas e garantir a segurança do idoso’, responde Sandra Regina. O Disque 100 é apenas um dos muitos canais de denúncia para a população. Há outros. Como as delegacias de polícia (e não apenas as especializadas no atendimento à pessoa da terceira idade) e os conselhos municipais de defesa dos direitos da pessoa idosa. Para identificar eventuais casos de violência, a assistente social Marisa Accioly, especialista em gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), dá algumas dicas, como escutar atentamente a pessoa idosa e prestar atenção às mudanças de comportamento. ‘Se o idoso antes falante agora anda meio calado, olha para baixo quando fala e quase não responde perguntas, é sinal de que algo errado pode estar acontecendo’, alerta Marisa Accioly, da SBGG. ‘Muitas vezes, ele se sente intimidado em fazer a denúncia porque vive no mesmo local que seu agressor’. 

  Sim, a situação é mais grave do que parece. Na maioria das vezes, quem comete a violência contra o idoso não é, ao contrário do que se imagina, o cuidador que a família contratou para cuidar dele. É a própria família! Essa foi a conclusão a que chegou o advogado Vicente de Paula Faleiros em 2007, por ocasião da publicação do livro Violência Contra a Pessoa Idosa. Depois de analisar 19 mil ocorrências registradas em 27 capitais, o autor chamou a atenção do leitor para um dado estarrecedor : os principais agressores eram seus filhos e filhas. ‘No Brasil, os idosos sofrem preconceito e discriminação de todos os lados : em casa, no trânsito e até do próprio Estado!’, lamenta Vicente Faleiros. ‘O pior cenário é quando o idoso é obrigado a morar com o agressor e, não bastasse, ainda precisa atender suas demandas de usuário de álcool e drogas’. Em 2019, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), coordenado pela pesquisadora Cecília Marília de Souza Minayo, revelou que seis em cada dez casos de violência contra a pessoa idosa ocorrem dentro de casa. E mais : dois em cada três agressores eram filhos e cônjuges. ‘Família violentas colhem violência!’, observou Minayo.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/a-superacao-da-violencia-contra-a-pessoa-idosa.html

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Sudão do Sul : Mais de um milhão de refugiados

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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‘O total de refugiados sul-sudaneses a viver em países vizinhos bateu a marca de mais de um milhão, informa a agência da ONU para refugiados (Acnur).

Com isso, o Sudão do Sul passa a fazer parte do grupo de países que já produziram mais de um milhão de refugiados, ao lado da Síria, do Afeganistão e da Somália.

Na sexta-feira, 16 de setembro, o porta-voz da agência, Leo Dobbs, disse que a maioria dos que fogem do Sudão do Sul é composta de mulheres e crianças. Entre eles estão sobreviventes de ataques violentos e violações sexuais, menores separados de suas famílias, idosos e pessoas com deficiência. Muitos estão precisando de cuidados médicos urgentes.

Mais de 75% das pessoas que deixaram o Sudão do Sul recentemente foram para o Uganda, mas também há um grande número de sul-sudaneses no oeste da Etiópia, na região de Gambella. Alguns foram para o Quênia, República Centro-Africana e a República Democrática do Congo, RD Congo.

O Sudão do Sul, o mais novo país da ONU, completou cinco anos de existência em meio a uma grave crise de violência entre os simpatizantes do presidente Salva Kiir e do ex-vice-presidente Riek Machar.

Centenas de milhares de pessoas estão precisando de ajuda. Mais de 1,6 milhão são deslocadas internas. Ao todo, o Uganda está a abrigar mais de 373 mil refugiados do conflito sul-sudanês.

Muitos refugiados chegam exaustos ao país de asilo após caminharem a pé vários dias pelo mato com sede e com fome. Muitas crianças ficaram órfãs de pai, mãe ou ambos.

Várias crianças mais velhas acabam tendo que cuidar dos irmãos menores.

O país vizinho, Sudão, está a abrigar o terceiro maior número de refugiados sul-sudaneses com mais de 247 mil pessoas que continuam a entrar na nação pelo leste de Darfur ou os estados do Nilo Branco.

Os refugiados também se deslocam, em menor número, para o Quênia, a RD Congo e a República Centro-Africana desde o retorno dos combates em julho.’


Fonte :


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Filhos da má sorte

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo de Paulo Aido,
Jornalista


 Em redor dos bairros luxuosos de Luanda, ilhas perfumadas no meio do lixo dos musseques, vivem milhões de pessoas. O afundamento do preço do petróleo veio tornar ainda mais difícil a vida desta multidão de pobres, de excluídos. Entre estes filhos da má sorte, há milhares de crianças que vivem na rua.


‘Há cicatrizes que não se apagam da memória. Ainda hoje, Angola parece não conseguir libertar-se dos tempos atrozes da guerra civil. Esses 27 anos de sofrimento parecem ter reaparecido agora com a recente crise do petróleo que fez soar todos os gritos de alarme. A economia do país, dependente do chamado ouro negro, entrou em colapso, com um aumento galopante do número dos muito pobres que rivalizam com a riqueza quase obscena de uns quantos, privilegiados.

Os bispos denunciaram este estado de coisas na sua mais recente nota pastoral. Nesse documento, os prelados afirmam que esta crise não pode ser explicada apenas pela queda do preço do petróleo, sendo necessário apontar o dedo à ‘falta de ética, má gestão do erário público e corrupção generalizada’ no país. O fim da guerra e a euforia do dinheiro fácil do petróleo transformaram a capital angolana numa terra desejada.

Hoje, Luanda é das cidades mais caras do mundo, o que é difícil de entender nos becos dos musseques onde vivem milhões na mais abjeta pobreza. É um contraste criminoso. Casas luxuosas e barracas imundas, quase lado a lado. As palavras dos bispos são a verbalização de um sentimento coletivo. Dizem os bispos que ‘a falta de critérios no uso dos fundos públicos, gastos exorbitantes e importação de coisas supérfluas’ explicam, em parte, a situação a que se chegou.

  
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Meninos da rua

Entre a nova geração de excluídos há os que, tendo nascido já depois do fim da guerra, nunca souberam o que significa viver em paz : são os meninos da rua. Em Luanda há bairros onde é fácil encontrar crianças e jovens que perderam a família, que desconhecem a palavra ‘carinho’, que não sabem o que é a escola, cama, comida na mesa. É nesses emaranhados de barracas, nessas ruas estreitas e perigosas, com esgotos a céu aberto, que vivem dezenas, centenas de crianças. Em Luanda há dois centros de acolhimento para crianças de rua : a Casa Magone e a Casa Mamã Margarida. São dois projetos da Igreja em que se procura dar resposta a esta chaga social. As crianças que chegam a estas casas vêm com os olhos carregados de medo e trazem consigo histórias terríveis de exploração sexual, de violência, de doença. Muitos cheiram gasolina, que é a droga das periferias. Ninguém sabe ao certo quantos meninos de rua haverá em Luanda. Serão, por certo, mais de cinco mil. Estes filhos da má sorte andam pelas ruas como se fossem invisíveis, mas graças aos responsáveis da Casa Magone e da Casa Mamã Margarida vão conseguindo fintar o futuro negro que lhes estava reservado.’


Fonte :
* Artigo na íntegra


quarta-feira, 13 de maio de 2015

Líder salafita defende fechamento de igrejas na Argélia


Iglesia Católica Sirira -Kirkuk-Irak

‘O Presidente da Frente Livre Salafita da Argélia, Abdel Fattah Zarawi, defende que todas as igrejas cristãs presentes no território argelino sejam fechadas e transformadas em mesquita. A medida seria em resposta aos ‘episódios de islamofobia’ que, na sua opinião, estariam se espalhando em muito países europeu, a começar pela França.

Segundo fontes argelinas, reportadas pela Agência Fides, a campanha ‘anti-igrejas’ foi lançada nas redes sociais e em blogs ligados a grupos salafitas. O grupo também defende que as Basílicas de Nossa Senhora da África, em Argel, e de Santo Agostinho, em Annaba sejam fechadas, pois são ‘resíduos da época colonial da qual o país deve ser libertado’’.


Fonte :
* Artigo na íntegra de http://www.news.va/pt/news/lider-salafita-defende-fechamento-de-igrejas-na-ar

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Acre volta a enviar haitianos para São Paulo sem avisar

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

  
Após polêmica do ano passado, eles ainda são mandados para a capital sem saber para onde ir e o que fazer

‘Ao menos duas vezes por semana, ônibus vindos do Acre têm despachado estrangeiros, sem qualquer aviso, em São Paulo. Os veículos chegam de madrugada e deixam os imigrantes, a grande maioria haitianos, na Barra Funda, sem qualquer informação ou assistência.

Em janeiro, 600 imigrantes chegaram à cidade e foram acolhidos na pastoral Missão Paz e em abrigos municipais.

O Acre recebeu R$ 3,385 milhões do governo federal para o custeio da viagem dos estrangeiros a São Paulo.

Em contrapartida, o Acre deve garantir que os haitianos só sejam enviados após a emissão de documentos (CPF, carteira de trabalho e o protocolo de entrada no Brasil). O Acre deve, ainda, garantir condições dignas de viagem (alimentação e higiene).

Outra obrigação é avisar os assistentes sociais da prefeitura sobre o envio dos estrangeiros, o que passou a ser feito no ano passado após o problema ser divulgado pela imprensa.

Agora, porém, o próprio secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão, admite não mais avisar Estado ou prefeitura ‘São Paulo já sabe disso há muito tempo, não precisa ficar avisando toda vez. Ninguém nos avisa quando chegam aqui ao Acre. Porque temos que avisar?

Para o padre Paolo Parise, responsável pela Missão Paz, é ‘preocupante’ a forma como os estrangeiros são ‘jogados’ em São Paulo. Segundo ele, os imigrantes não têm grana para comer na viagem de quatro dias e não são informados onde podem buscar ajuda na capital.


Visto humanitário

Segundo a Polícia Federal, 17 mil dos 28,9 mil estrangeiros que entraram no país em 2014 vieram pelo Acre. A maioria são haitianos, que têm direito ao visto humanitário para ficar no Brasil, por causa do terremoto que devastou o país em 2010.

Para Camila Assano, coordenadora da Conectas, ONG de proteção aos direitos humanos, a política do governo federal é ‘um desastre’, pois não dá a integração adequada e estimula o preconceito.

Sem ajuda governamental, a Missão Paz gasta R$ 2 milhões por ano para abrigar imigrantes. ‘Estamos no limite. Temos vaga para 110 pessoas, mas sempre acabamos abrigando mais’, afirmou Parise.



Fonte :
* Artigo na íntegra de http://media.wix.com/ugd/f12d03_1ea5899443054c01a6b36e66bad7b7c9.pdf