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quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Reconciliação com Deus : guia para uma boa confissão

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Rivelino Nogueira


‘‘A Confissão é o Sacramento da misericórdia de Deus, é a festa do pecador arrependido.’ (Monsenhor Jonas Abib)

Por que confessar-se? Explica o Papa Francisco que ‘o perdão dos nossos pecados não é algo que podemos dar a nós mesmos. Eu não posso dizer ‘perdoo os meus pecados’. O perdão é pedido a outra pessoa e na Confissão pedimos o perdão a Jesus. O perdão não é fruto dos nossos esforços, mas uma dádiva, é um dom do Espírito Santo’. 

A reconciliação com Deus é um dos aspectos mais fundamentais e transformadores da fé cristã, a Confissão é um Sacramento de cura. Por meio dele os fiéis têm a oportunidade de se aproximar do Senhor, renovar sua fé e encontrar a paz interior. A confissão é uma prática que exige sinceridade, humildade e fé; os fiéis podem renovar sua relação com Deus, encontrar paz interior e receber a graça necessária para viver uma vida cristã mais plena. Muitas pessoas buscam a confissão sem antes ter examinado profundamente sua consciência; assim, perdem a oportunidade de um perdão total e a graça que renova até as raízes da existência.

Este guia pretende oferecer um caminho claro e prático para aqueles que desejam fazer uma boa confissão. 

Reflexão e exame de consciência

Antes de se confessar é essencial fazer uma profunda reflexão sobre a própria vida e ações. O exame de consciência é um momento de introspecção em que se deve analisar os pecados cometidos, tanto em pensamentos como em palavras, atos e omissões. Utilizar os Dez Mandamentos como referência pode ser um bom ponto de partida.

Arrependimento sincero

O arrependimento é a chave para uma confissão válida e eficaz. Não basta apenas reconhecer os pecados, é necessário sentir um verdadeiro pesar por tê-los cometido e um desejo genuíno de mudar. Esse arrependimento deve nascer do amor a Deus e do reconhecimento de sua infinita misericórdia.

Propósito de emenda

Após o arrependimento é fundamental ter um firme propósito de emenda, ou seja, a decisão de evitar cometer os mesmos pecados no futuro. Isso inclui identificar as causas e ocasiões de pecado e buscar formas práticas de evitá-las, fortalecendo a vida espiritual por meio de oração, leitura da Bíblia e participação nos sacramentos.

Confissão dos pecados

Durante a confissão é importante ser claro e honesto ao relatar os pecados ao sacerdote. Não se deve omitir nenhum pecado grave intencionalmente, pois isso comprometeria a validade do Sacramento. Lembrar que o sacerdote age em nome de Cristo e está ali para ajudar, orientar e oferecer o perdão divino.

Aceitação da penitência

O sacerdote, após ouvir a confissão, dará uma penitência. Ela pode ser uma oração, um ato de caridade ou outro gesto concreto de arrependimento. Aceitar e cumprir a penitência com humildade e devoção é parte essencial do processo de reconciliação.

Ato de contrição

O ato de contrição é uma oração expressando arrependimento e o desejo de não mais pecar. Pode ser recitado de várias formas, mas o importante é que seja sincero e venha do coração. Um exemplo tradicional é ‘Meu Deus, estou arrependido de todo o coração de vos ter ofendido, porque sois tão bom e amável. Prometo, com a vossa graça, nunca mais pecar e evitar todas as ocasiões de pecado’.

Absolvição

Após o ato de contrição, o sacerdote concederá a absolvição, que é a declaração do perdão dos pecados. Esse é um momento de graça e renovação, em que a misericórdia de Deus se manifesta plenamente.

Costuma dizer-se que uma boa confissão tem quatro ‘Cs’ :

  • Clara : indicar qual foi a falta específica, sem acrescentar desculpas;
  • Concreta : referir o ato ou pensamento preciso, não usar frases genéricas;
  • Concisa : evitar dar explicações ou descrições desnecessárias;
  • Completa : sem calar nenhum pecado grave, vencendo a vergonha.

Ao seguir esses passos, cada pessoa pode se aproximar mais do amor infinito de Deus e caminhar em direção a uma vida de santidade e comunhão.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/reconciliacao-com-deus-guia-para-uma-boa-confissao.html



sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Direto do confessionário: por que a compaixão é desgastante?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Taylor Colwell


‘Uma mudança importante na vida de um padre recém-ordenado é começar a ouvir confissões. Embora o tempo gasto no confessionário possa variar de uma a várias horas por semana, mesmo apenas uma hora dedicada ao ofício pode ser bastante desgastante, especialmente no início. Mesmo assim, é um grande exercício de compaixão.

É um privilégio e uma graça singular oferecer o sacramento. Já testemunhei muitas confissões comoventes e profundamente edificantes no meu curto período como sacerdote. Ao mesmo tempo, é realmente desgastante. Muitas vezes saio com uma leve dor de cabeça e uma sensação de tensão física geral. 

Mas por que ouvir confissões pode deixar um padre tão exausto? Um fator é, certamente, o foco necessário para ouvir com precisão as informações sensíveis e importantes transmitidas por outra pessoa sobre sua vida mais íntima. Outro ponto é a expectativa de que o sacerdote dirija algumas palavras de conselho úteis ao penitente, embora estas devam ser breves e modestas.    

A verdadeira razão, a meu ver, é o esforço do coração, da mente e da alma que ocorre quando compartilhamos dos fardos de outra pessoa. Sempre que nos permitimos participar das lutas dos outros, ouvindo atentamente e expressando a nossa compaixão, isso tem um certo preço. Tal compaixão significa abrir-nos para receber o fardo do outro como se fosse nosso. 

Isso acontece muitas vezes nas relações com familiares e amigos próximos, aqueles que recorrem a nós quando estão em dificuldades. Também pode acontecer que conhecidos ou mesmo estranhos nos procurem num momento de vulnerabilidade, quando a sua luta se torna evidente. Sempre que isso ocorre há um preço a ser pago, porque permitir que outra pessoa transfira o fardo para os nossos ombros faz com que esse fardo seja nosso também. Não é mais apenas um problema ‘deles’. 

Embora o papel do confessor seja principalmente teológico e sacramental, também é humano. O sacerdote atua como representante de Jesus, recebendo os pecados do penitente e concedendo o perdão do Senhor — mas só pode fazê-lo como homem. Em cada confissão, há um homem sentado do outro lado da tela, que se abriu a todos e concordou em assumir seus fardos, mesmo que apenas por alguns momentos.

Ouvir confissões, com todas as suas particularidades teológicas e pastorais, é também um exercício de ampla experiência humana de compaixão. 

Não tenha medo de continuar se abrindo à compaixão. Embora possa ser desgastante, é uma parte essencial de uma vida plenamente humana e cristã.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2023/08/30/direto-do-confessionario-por-que-a-compaixao-e-desgastante/

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Um guia útil para o seu exame de consciência e confissão

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo a partir do blog 

CatecismoBr – Apostolado Catecismo da Igreja Católica


‘As perguntas fundamentais para você fazer à sua alma antes de pedir perdão a Deus.

Primeiras questões

Comece perguntando-se : ‘Quando fiz a minha última confissão? Foi válida?’.

A confissão não é válida quando :

  • se omite  um pecado mortal por grave negligência no nosso exame de consciência;
  • não há arrependimento nem propósito sincero de emenda;
  • se oculta um pecado grave conhecido por tal, ou o número dos pecados mortais, ou alguma circunstância necessária;
  • o penitente antes da absolvição, não está disposto a cumprir a penitência.

Pergunte-se ainda : Cumpri fielmente a penitência da última confissão? Desde a última confissão bem feita, quais pecados eu tive a infelicidade de cometer por pensamentos, palavras e obras?

Como auxílio para responder a esta última pergunta, procure refletir sobre os pecados mais comuns :

Pecados contra os mandamentos da lei de Deus

1. Contra o primeiro mandamento

Creio fielmente em tudo o que Deus revelou, ou duvidei voluntariamente de alguma doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana? Li, assinei, publiquei, propaguei, emprestei livros, folhetos, revistas, ou jornais hostis a Deus e à santa religião? Dei ouvido a conversas ou discursos ímpios ou heréticos? Assisti à sessão espírita, ao culto protestante, ou de religiões não cristãs? Abandonei a única Igreja verdadeira que é a Católica para abraçar seita falsa? Tenho confiança em Deus e na divina graça? Consultei espíritas ou cartomantes? Videntes? Desesperei ou fui presunçoso de esperar a salvação sem deixar o pecado? Cometi pecados no intuito de confessá-los mais tarde? Amei a Deus e cumpri a sua vontade? Deixei de rezar por muito tempo? Falei mal de Deus, contra a sua Santa Mãe, Maria Santíssima, contra os santos, contra a Igreja e seus ministros? Rezei sem devoção, com distrações voluntárias?

2. Contra o segundo mandamento

Profanei o Santíssimo Sacramento, pessoas, lugares, coisas consagradas a Deus? Blasfemei contra Deus? Jurei o seu santo nome sem necessidade? Jurei voto? Pronunciei levianamente o nome de Deus ou falso? Deixei de cumprir uma promessa?

3. Contra o terceiro mandamento

Deixei de ouvir a missa inteira aos domingos e festas de guarda por própria culpa? Perdi uma parte principal (ofertório, elevação, comunhão)? Profanei a Igreja por conversas, olhares indiscretos, namoros, por traje indecente? Trabalhei ou mandei trabalhar nos domingos ou dias de guarda?

4. Contra o quarto mandamento

Para os filhos : desrespeitei os pais falando-lhes asperamente ou respondendo-lhes mal? Murmurei contra eles? Desobedeci? Obedeci de má vontade? Descuidei dos pais na velhice, na pobreza ou na doença (sustento, últimos sacramentos. Levar os pais para recebê-los ou chamar um padre para ministrá-los), remédios? Desejei-lhes mal? Deixei de rezar por eles?

Para os pais: protelei por meses ou até anos o batismo de meus filhos, a primeira comunhão? Descuidei-me da educação física e intelectual? Principalmente da educação religiosa dos meus filhos? Não os mandei à missa aos domingos e festas de guarda, ao catecismo? Cuidei de suas boas leituras, reprimi divertimentos impróprios? Dei-lhes mau exemplo? Deixei de corrigi-los? Castiguei-os, não com caridade, mas com ira?

5. Contra o quinto mandamento

Odiei o próximo? Desejei-lhe mal? Procurei vingar-me? Não tive caridade com os pobres, doentes e necessitados? Prejudiquei minha saúde por excesso de comida e bebida, sobretudo bebidas alcoólicas? Usei drogas? Tentei contra a própria vida ou contra a vida do próximo, ou alimentei estes pensamentos? Abortei, incentivei o aborto? Tive esses pensamentos? Usei, entreguei, recomendei a ‘pílula do dia seguinte’? Seduzi pessoa ao pecado ou dei escândalo? Roguei pragas? Maltratei animais?

6. Contra o sexto e o nono mandamento

Consenti em pensamentos desonestos e em maus desejos? Olhei indiscreta e maliciosamente para coisas indecentes, pessoas descompostas? Tive conversas imorais? Li e olhei livros e revistas, estampas e fotografias obscenas e imorais? Pratiquei atos indecentes comigo mesmo (masturbação), com outra pessoa, do mesmo sexo ou de outro sexo, com animais? Faltei com o pudor e modéstia em meus trajes?

Para os casados : procurei satisfação carnal fora do matrimônio? Abusei do matrimônio evitando ter filhos por métodos artificiais? Aconselhei meios para esse fim?

7. Contra o sétimo e o décimo mandamento

Roubei, furtei, aceitei objetos furtados, guardei-os? Tive vontade de roubar ou furtar? Não restituí ao dono um objeto achado ou emprestado? Deixei de pagar as dívidas sem motivo de força maior (desemprego, calamidade, necessidade maior para o sustento da vida)? Fiz dívidas que sabia que não poderia pagar, com o intuito de, de fato, não pagá-las? Não paguei ao operário o salário justo? Dei prejuízo voluntário ao próximo? Desperdicei o dinheiro em jogo, futilidades?

8. Contra o oitavo mandamento

Menti? Violei segredos? Levantei falso? Supus más intenções? Abri cartas alheias? Fiz juízos temerários? Fingi doenças, pobreza, piedade para enganar ou outros? Dei ouvido a conversas contra a vida alheia?

Pecados contra os mandamentos da Igreja

Fiquei mais de um ano sem confessar meus pecados? Não fiz a comunhão pascal (os que não podem comungar devem fazer a comunhão espiritual)? Não guardei jejum e abstinência na quarta-feira de Cinzas, na sexta-feira Santa, na vigília da Assunção? Não guardei abstinência de carne, sem jejum, em todas as sextas-feiras da Quaresma e do ano? Não comutei a obrigação em obras de caridade ou outra forma de abstinência?

Pecados capitais

Avalie sua consciência sobre os seguintes pecados :

1. Soberba, orgulho : desprezar os inferiores, tratá-los com desdém; querer tudo dominar.

2. Avareza : pensar somente em ganhar dinheiro e acumular fortuna, sem nada gastar com os pobres, ou para fins de piedade e caridade; negar esmola, podendo dá-la.

3. Impureza : procurar prazeres ilícitos que lhe mancham a alma e roubam a inocência.

4. Ira : ficar facilmente com raiva, impacientar-se. Deixar se levar pelo ímpeto da cólera.

5. Gula : exceder-se na comida ou bebida. Embriagar-se.

6. Inveja : não querer que outros estejam bem; entristecer-se com o bem-estar do próximo, empregar meios para impedir, diminuir, ou destruir a felicidade do próximo.

7. Preguiça : perder o tempo em ociosidade; não cumprir, por indolência, as obrigações do trabalho ou da religião.

Considerações finais

Devemos acusar-nos só dos pecados que cometemos. Evite falar do pecado alheio, a menos que tenha tomado parte dele. Tendo cometido algum pecado que, talvez, não se ache neste resumo, não deixemos de declará-lo ao confessor.

Uma boa prática é procurar sempre o mesmo confessor. Psicologicamente, a prática o confirma, isso inibe a reincidência nos mesmos pecados já confessados. É como se fosse uma ‘boa vergonha’ de precisar voltar perante o mesmo sacerdote com as mesmas máculas de sempre.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2021/02/28/um-guia-util-para-o-seu-exame-de-consciencia-e-confissao/

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Guia para uma boa confissão


 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo do Padre Fabián


‘Muitas pessoas buscam a confissão sem antes ter examinado profundamente sua consciência. E assim, perdem a oportunidade de um perdão total e a graça que renova até as raízes da existência.

Examinar a consciência para pedir perdão a Deus pelos pecados cometidos é, em primeiro lugar, colocar-se diante dele para que a sua misericórdia nos toque e, tocados pelo amor do Deus que perdoa, abrir-se ao arrependimento e ao perdão.

As sugestões a seguir são uma ajuda para quem pretende se confessar de maneira profunda, mas sempre partindo da graça de Deus, que nos leva à contrição.

Antes de fazer este exame de consciência, precisamos nos colocar na presença de Deus para orar com confiança ao Senhor, pedindo-lhe que nos ilumine, que nos faça reconhecer sua misericórdia, conscientizar-nos de que Ele nos livrou da escravidão do pecado pela morte na cruz e, assim, que reconheçamos os nossos pecados.

Depois desta oração inicial, podemos nos perguntar sobre a nossa vida e nossos atos concretos do cotidiano. As perguntas a seguir podem ser uma guia neste exame pessoal :

1º mandamento : Amar a Deus sobre todas as coisas

Este mandamento nos pede que, antes de tudo e em todas as coisas, elevemos nosso olhar a Deus, ao Pai que nos conduz com amor providente, ao Filho que deus sua vida por nós, para que vivamos nele, e ao Espírito Santo, que nos orienta na vida cristã. 

Pequei contra a fé, duvidando de alguma(s) de suas verdades? Neguei Deus, a Igreja, os santos ou alguma outra verdade do nosso Credo? Rejeitei Deus ou a Igreja na frente dos outros? Deixei de ter esperança na minha salvação ou abusei da confiança em Deus, pensando que posso me salvar mesmo levando uma vida de pecado, ou sem esforço para buscar a santidade?

Murmurei interiormente ou manifestei minha rebeldia contra Deus quando me aconteceu algo ruim ou não recebi o que esperava? Descuidei da vida de oração, rezei com preguiça e descuido, deixando as coisas de Deus de lado? Procurei crescer na minha formação cristã, para conhecer e amar mais a Deus?

Fui supersticioso, seguindo horóscopos, frequentando o espiritismo ou demais práticas que não são da Igreja? Guardei o devido respeito e uso com devoção e fé os objetos que manifestam Deus e os santos, como imagens impressas, o terço, o crucifixo, a água benta? Participei de seitas?

2º mandamento : Não tomar seu santo nome em vão

Este mandamento me pede sumo respeito pelo nome de Deus e por tudo aquilo que é dele.

Blasfemei? Fiz isso na frente dos outros? Fiz algum voto, juramento ou promessa a Deus e depois não cumpri? Jurei em falso? Jurei sem necessidade, sem prudência ou por coisas sem importância? Usei objetos sagrados ou temas religiosos para fazer brincadeiras e piadas?

3º mandamento : Guardar domingos e festas de preceito

Participei da Missa aos domingos e festas de preceito? Cheguei tarde ou fiquei distraído? Impedi que alguém fosse à Missa (por exemplo, os filhos, por não levá-los)? Trabalhei sem necessidade ou fiz outras pessoas trabalharem aos domingos, impedindo de participar da Missa, descansar, estar em família e dedicar-se à oração?

Dedico o domingo a Deus, à minha família, ao crescimento espiritual? Guardo abstinência ou faço alguma penitência às sextas-feiras? Sei me mortificar ou fazer penitência pelo bem dos outros e para o meu crescimento espiritual, de acordo com as indicações do meu confessor ou pai espiritual? Confesso-me com a devida frequência? Participo das celebrações da Semana Santa e da Páscoa?

4º mandamento : Honrar pai e mãe

Este mandamento nos convida a obedecer à autoridade legítima, expressar respeito e gratidão aos meus pais, docentes e governantes em geral.

Desobedeci aos meus pais? Tenho um critério desordenado de independência pessoal, que me leva a rejeitar as indicações dos meus pais só porque eles me dizem? Eu os entristeço com minhas rebeldias e caprichos? Cheguei a insultá-los ou lhes desejei algum mal? Fui responsável diante dos meus pais ou daqueles que me ajudam, pelo esforço que fazem pela minha educação, ou desperdicei o tempo e o dinheiro investidos na minha formação?

Deixei de ajudar meus pais, avós ou familiares em situações de necessidade? Fui egoísta em minha família, brigando com os meus irmãos e familiares? Estou atento aos outros para ajudá-los? Ajudo minha família a crescer na doação fraterna? Dei mal exemplo? Dei broncas arbitrárias e infundadas nos meus filhos? Ameacei meus filhos, bati neles ou os ameacei de alguma maneira? Preocupei-me com sua educação, também na fé, com minha palavra e exemplo? Fiquei atento às necessidades dos meus filhos, às suas amizades, saídas e diversões?

5º mandamento : Não matar

Procurei evitar a inimizade, o ódio e o rancor com relação às pessoas? Deixei de falar com alguém, de cumprimentar, rejeitei a reconciliação ou não fiz nada para consegui-la? Alegrei-me pelo mal do outro ou me entristeci pelo seu bem? Deixei-me levar pela ira ou pela raiva? Tirei sarro, critiquei, falei mal dos outros?

Fui imprudente ao dirigir ou não respeitei as normas de trânsito? Maltratei os outros com palavras ou atos? Fui mal-educado ou grosseiro no trato com as pessoas? Cheguei a ferir ou tirar a vida do próximo? Pratiquei ou colaborei em um ato de aborto? Recomendei o aborto, mesmo sabendo que é um pecado muito grave, que implica na excomunhão?

Cuidei da minha saúde e da de aqueles que estão sob meus cuidados? Comi ou bebi em excesso, colocando minha saúde em risco? Consumi drogas? Escandalizei outras pessoas com minhas atitudes, palavras ou brincadeiras, por falta de pudor ou por convidá-las a espetáculos ou leituras prejudiciais? Fui negligente no trabalho ou deixei de fazer o que deveria? Isso prejudicou alguém?

6º mandamento : não pecar contra a castidade

Utilizei minha sexualidade – dom de Deus para comunicar o amor – para a busca egoísta do próprio prazer? Cultivei pensamentos impuros? Meu namoro foi sério e responsável, como busca de amadurecimento no amor para formar uma família ou busquei um prazer egoísta? Fui fiel? Tive relações sexuais pré-matrimoniais ou extramaritais? Procurei conhecer e crescer nas virtudes que me ajudam a viver a castidade, a fidelidade e a respeitar as pessoas em sua dimensão sexual? Usei anticoncepcionais para evitar engravidar? Permiti uma esterilização para não ter mais filhos?

7º mandamento : não roubar

Roubei dinheiro ou algum objeto? Ajudei outros a roubarem? Foram objetos de valor ou uma quantidade considerável de dinheiro? Emprestei algo e não devolvi? Prejudiquei outros com enganos ou trapaças nos contratos? Cobrei mais que o devido? Gastei mais do que podia? Cumpri responsavelmente meu trabalho, ganhando com justiça meu salário? Retive ou atrasei o pagamento do salário de outros?

Cumpri as leis sociais? Paguei meus impostos? Tendo cargos de gestão e serviço público, aceitei dinheiro para favorecer um trâmite? Apoiei ou guardei silêncio frente a delitos, imoralidades e outros abusos na função pública ou na ação política? Gastei o dinheiro em coisas supérfluas, como jogos, bebidas, gostos pessoais, deixando de dar atenção à minha família e às minhas outras responsabilidades? Oferecei ajuda para sustentar as celebrações na Igreja, na medida das minhas possibilidades?

8º mandamento : Não levantar falso testemunho

Este mandamento nos convida a ser sinceros com os outros, conosco mesmos, e que as nossas palavras sempre expressem a verdade.

Eu menti? Menti habitualmente em coisas sem importância, para ficar bem ou para solucionar situações? Revelei indevidamente os defeitos de outras pessoas? Menti sobre os defeitos ou supostas ações ruins de outros para desqualificá-los? Deixei de defender o próximo quando deveria fazê-lo? Fiz juízos temerários, murmurei ou falei mal dos outros? Revelei segredos? Rompi o sigilo profissional? Desvirtuei a informação para proveito pessoal ou por outros interesses? Reparei o dano que minhas revelações causaram? Escutei conversas alheias? Coloquei em prática a correção fraterna ainda quando me custava?

9º mandamento : Não desejar a mulher do próximo

Cultivei o sentimento de desejo por outra pessoa? Não fui fiel interiormente à aliança celebrada com minha esposa ou esposo? Mantive amizades que são ocasião de pecado? Não procurei soluções para situações ou companhias que são causa de pecado para mim? Fiquei provocando os outros com minha falta de pudor? Tentei seduzir alguém comprometido?

10º mandamento : Não cobiçar as coisas alheias

Busquei me enriquecer indevidamente? Cultivei o sentimento de inveja? Tentei prejudicar os outros em seus empreendimentos? Quis ter o que outros têm, sem aceitar o que possuo para o meu bem e para o bem da minha família? Tive um espírito de lucro desordenado? Pretendi adquirir bens ou dinheiro imediatamente, recorrendo a meios ilícitos ou imorais?’


Fonte :

terça-feira, 9 de julho de 2019

O penitente fala a Deus


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Papa Francisco confissão
*Artigo de Silvonei José,
jornalista


‘O Vaticano voltou a reafirmar nesta semana a inviolabilidade do segredo da confissão em resposta a iniciativas legislativas de vários países para revelar casos de abuso sexual de padres conhecidos em confissões.

Numa nota da Penitenciaria Apostólica, a Santa Sé indicou que não admite exceções ‘nem no âmbito eclesial nem no âmbito civil’ ao segredo da confissão, porque ‘provém diretamente do direito divino revelado’ e ‘está enraizado na própria natureza da Santa Comunhão’.

‘De fato, a essência do cristianismo e da Igreja está encerrada no sacramento da Reconciliação’, acrescenta a nota assinada pelo penitenciário-mor, cardeal Mauro Piacenza, que foi aprovada no dia 21 de junho passado pelo Papa Francisco e divulgada nesta semana.

Aponta-se que ‘uma certa ânsia de informação se espalhou nas últimas décadas... até o ponto em que o 'mundo da comunicação' parece querer 'substituir' a realidade’.

Segundo a Penitenciaria, ‘ao invocar a opinião da opinião pública como último tribunal, muitas vezes são divulgadas informações de todos os tipos, inclusive em relação às esferas mais privadas e confidenciais’.

Isso inevitavelmente afeta a vida eclesial e induz a ‘julgamentos imprudentes, prejudicando de forma ilegítima e irreparável a boa reputação dos outros, bem como o direito de cada pessoa a defender sua privacidade’, observa a nota.

Fala-se da existência de um ‘preocupante preconceito negativo para com a Igreja Católica’, especialmente a partir dos escândalos de abusos, ‘horrivelmente perpetrados por alguns membros do clero’.

Por esta razão, acrescenta-se que, mesmo depois das declarações dos episcopados de países que tentam introduzir iniciativas contra o segredo da confissão, a Santa Sé intervém para reafirmar os princípios do segredo confessional.

‘O confessor, segundo o Código de Direito Canônico, nunca está autorizado, por qualquer razão, a trair o penitente com palavras ou de qualquer outra forma’, recorda.

É também ‘absolutamente proibido ao confessor fazer uso do conhecimento obtido com a confissão’.

O sigilo sacramental ‘deve ser mantido’ mesmo se o confessor não conceda a absolvição.

O cardeal Piacenza recordou ao Vatican News que ‘é oportuno destacar que o texto da Nota não pode e não quer ser de algum modo uma justificação ou uma forma de tolerância dos execráveis casos de abusos perpetrados por parte de membros do clero’. ‘Nenhum compromisso é aceitável no promover a proteção dos menores e das pessoas vulneráveis e na prevenção e combate a todas as formas de abuso, no espírito do que tem sido constantemente reafirmado pelo Papa Francisco e recentemente regulado com o Motu Proprio 'Vox estis lux mundi' (7 de maio de 2019)’.

‘Ao publicar a Nota sobre a importância do fórum interno e a inviolabilidade do sigilo sacramental - acrescenta -, é certa convicção da Penitenciaria de que ‘a defesa do sigilo sacramental e a santidade da confissão nunca poderão constituir alguma forma de conivência com o mal, ao contrário, representam o único verdadeiro antídoto ao mal que ameaça o homem e o mundo inteiro; são a real possibilidade de abandonar-se ao amor de Deus, de deixar-se converter, e transformar-se por este amor…’.

De acordo com o penitenciário-mor, além disso, no que diz respeito à ‘absoluta inviolabilidade do sigilo sacramental’, ‘é essencial insistir sobre a incomparabilidade do sigilo confessional com o sigilo profissional a que estão sujeitas certas categorias (médicos, farmacêuticos, advogados, etc.), a fim de evitar que as legislações seculares a apliquem ao sigilo - inviolável –, derrogações legitimamente previstas para o segredo profissional.’

O segredo da confissão ‘não é uma obrigação imposta a partir do exterior, mas uma exigência intrínseca do sacramento e, como tal, não pode ser cancelado nem mesmo pelo penitente’. O penitente não fala ao confessor-homem, mas a Deus, portanto tomar posse daquilo que é de Deus seria um sacrilégio.’


Fonte :