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terça-feira, 25 de março de 2025

Inteligência artificial e a consciência humana

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Miguel Oliveira Panão


 ‘Num mundo em que a tecnologia e a consciência coexistem, a inteligência artificial (IA) impõe desafios e oportunidades que se interligam e nos mostram em que nos tornamos com a tecnologia que desenvolvemos. Quando estive recentemente com um grupo de professores de Educação Moral e Religiosa Católica a refletir sobre como a IA reconfigura a nossa relação com o tempo e com a própria existência, lembrei-me da ideia de atualizarmos a experiência que temos de tempo para a versão Tempo 3.0, título do livro que escrevi sobre o assunto. O novo paradigma da experiência de tempo propõe a vivência do tempo profundo como dimensão mais profunda e transformadora, na qual o ser humano encontra o seu potencial de autoconhecimento e evolução através do desenvolvimento da sua consciência. Qual o impacto da IA nesse desenvolvimento?

A evolução da IA orientou-se para interpretar e produzir linguagem natural humana. Hoje, a IA atua mais como uma co-inteligência do que um simples motor de busca avançado, abrindo horizontes na extensão da capacidade humana de pensar. Estarmos cientes disso deveria convidar-nos à introspecção e à redescoberta da dimensão espiritual que nos torna verdadeiramente humanos.

Incorporar a IA na nossa vida quotidiana implica reconhecer tanto as suas potencialidades como os desafios éticos que emergem. Podemos automatizar tarefas burocráticas, traduzir e refinar ideias, mas o pensamento crítico humano será sempre insubstituível. Em contextos educativos, o risco reside na uniformização do saber e na dependência excessiva de respostas prontas, levando à perda da autonomia intelectual. Por isso, torna-se imperativo que os educadores promovam um equilíbrio que permita à tecnologia ser uma aliada no aprofundamento do conhecimento, sem prejudicar o diálogo e a criatividade inerentes ao processo formativo, sobretudo da nossa consciência.

O desenvolvimento da nossa consciência plena, ou noofulness, como um estado de atenção e reflexão que aprofunda a percepção consciente de nós, dos outros e do mundo que nos rodeia encontra desafios provenientes da saturação de informação onde vivemos imersos. Só uma ponderação entre o valor que a co-inteligência traz ao modo de aprendermos seja o que for pode evitar um regresso à dormência da consciência, em vez do despertar que devia acontecer com cada vez maior intensidade, num mundo que cresce em complexidade. Nessa linha, para onde tende o mundo? O mundo tende para a unidade onde o pensamento se revela um ato de amor.

Inspirado por ideias de Teilhard de Chardin, penso que a IA pode ser um instrumento para a emergência do espírito, através da partilha do conhecimento e da construção de uma noosfera (esfera do pensamento humano) que abraça a diversidade cultural e religiosa. O mundo está em constante movimento e as consciências sistematicamente moldadas pelos avanços tecnológicos. Se preservarmos a essência do ser humano como amor, permanecerá o diálogo com o transcendente.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.combonianos.pt/alem-mar/opiniao/4/1331/inteligencia-artificial-e-a-consciencia-humana/


 

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Um guia útil para o seu exame de consciência e confissão

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo a partir do blog 

CatecismoBr – Apostolado Catecismo da Igreja Católica


As perguntas fundamentais para você fazer à sua alma antes de pedir perdão a Deus.

Primeiras questões

Comece perguntando-se : ‘Quando fiz a minha última confissão? Foi válida?’.

A confissão não é válida quando :

  • se omite  um pecado mortal por grave negligência no nosso exame de consciência;
  • não há arrependimento nem propósito sincero de emenda;
  • se oculta um pecado grave conhecido por tal, ou o número dos pecados mortais, ou alguma circunstância necessária;
  • o penitente antes da absolvição, não está disposto a cumprir a penitência.

Pergunte-se ainda : Cumpri fielmente a penitência da última confissão? Desde a última confissão bem feita, quais pecados eu tive a infelicidade de cometer por pensamentos, palavras e obras?

Como auxílio para responder a esta última pergunta, procure refletir sobre os pecados mais comuns :

Pecados contra os mandamentos da lei de Deus

1. Contra o primeiro mandamento

Creio fielmente em tudo o que Deus revelou, ou duvidei voluntariamente de alguma doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana? Li, assinei, publiquei, propaguei, emprestei livros, folhetos, revistas, ou jornais hostis a Deus e à santa religião? Dei ouvido a conversas ou discursos ímpios ou heréticos? Assisti à sessão espírita, ao culto protestante, ou de religiões não cristãs? Abandonei a única Igreja verdadeira que é a Católica para abraçar seita falsa? Tenho confiança em Deus e na divina graça? Consultei espíritas ou cartomantes? Videntes? Desesperei ou fui presunçoso de esperar a salvação sem deixar o pecado? Cometi pecados no intuito de confessá-los mais tarde? Amei a Deus e cumpri a sua vontade? Deixei de rezar por muito tempo? Falei mal de Deus, contra a sua Santa Mãe, Maria Santíssima, contra os santos, contra a Igreja e seus ministros? Rezei sem devoção, com distrações voluntárias?

2. Contra o segundo mandamento

Profanei o Santíssimo Sacramento, pessoas, lugares, coisas consagradas a Deus? Blasfemei contra Deus? Jurei o seu santo nome sem necessidade? Jurei voto? Pronunciei levianamente o nome de Deus ou falso? Deixei de cumprir uma promessa?

3. Contra o terceiro mandamento

Deixei de ouvir a missa inteira aos domingos e festas de guarda por própria culpa? Perdi uma parte principal (ofertório, elevação, comunhão)? Profanei a Igreja por conversas, olhares indiscretos, namoros, por traje indecente? Trabalhei ou mandei trabalhar nos domingos ou dias de guarda?

4. Contra o quarto mandamento

Para os filhos : desrespeitei os pais falando-lhes asperamente ou respondendo-lhes mal? Murmurei contra eles? Desobedeci? Obedeci de má vontade? Descuidei dos pais na velhice, na pobreza ou na doença (sustento, últimos sacramentos. Levar os pais para recebê-los ou chamar um padre para ministrá-los), remédios? Desejei-lhes mal? Deixei de rezar por eles?

Para os pais: protelei por meses ou até anos o batismo de meus filhos, a primeira comunhão? Descuidei-me da educação física e intelectual? Principalmente da educação religiosa dos meus filhos? Não os mandei à missa aos domingos e festas de guarda, ao catecismo? Cuidei de suas boas leituras, reprimi divertimentos impróprios? Dei-lhes mau exemplo? Deixei de corrigi-los? Castiguei-os, não com caridade, mas com ira?

5. Contra o quinto mandamento

Odiei o próximo? Desejei-lhe mal? Procurei vingar-me? Não tive caridade com os pobres, doentes e necessitados? Prejudiquei minha saúde por excesso de comida e bebida, sobretudo bebidas alcoólicas? Usei drogas? Tentei contra a própria vida ou contra a vida do próximo, ou alimentei estes pensamentos? Abortei, incentivei o aborto? Tive esses pensamentos? Usei, entreguei, recomendei a ‘pílula do dia seguinte’? Seduzi pessoa ao pecado ou dei escândalo? Roguei pragas? Maltratei animais?

6. Contra o sexto e o nono mandamento

Consenti em pensamentos desonestos e em maus desejos? Olhei indiscreta e maliciosamente para coisas indecentes, pessoas descompostas? Tive conversas imorais? Li e olhei livros e revistas, estampas e fotografias obscenas e imorais? Pratiquei atos indecentes comigo mesmo (masturbação), com outra pessoa, do mesmo sexo ou de outro sexo, com animais? Faltei com o pudor e modéstia em meus trajes?

Para os casados : procurei satisfação carnal fora do matrimônio? Abusei do matrimônio evitando ter filhos por métodos artificiais? Aconselhei meios para esse fim?

7. Contra o sétimo e o décimo mandamento

Roubei, furtei, aceitei objetos furtados, guardei-os? Tive vontade de roubar ou furtar? Não restituí ao dono um objeto achado ou emprestado? Deixei de pagar as dívidas sem motivo de força maior (desemprego, calamidade, necessidade maior para o sustento da vida)? Fiz dívidas que sabia que não poderia pagar, com o intuito de, de fato, não pagá-las? Não paguei ao operário o salário justo? Dei prejuízo voluntário ao próximo? Desperdicei o dinheiro em jogo, futilidades?

8. Contra o oitavo mandamento

Menti? Violei segredos? Levantei falso? Supus más intenções? Abri cartas alheias? Fiz juízos temerários? Fingi doenças, pobreza, piedade para enganar ou outros? Dei ouvido a conversas contra a vida alheia?

Pecados contra os mandamentos da Igreja

Fiquei mais de um ano sem confessar meus pecados? Não fiz a comunhão pascal (os que não podem comungar devem fazer a comunhão espiritual)? Não guardei jejum e abstinência na quarta-feira de Cinzas, na sexta-feira Santa, na vigília da Assunção? Não guardei abstinência de carne, sem jejum, em todas as sextas-feiras da Quaresma e do ano? Não comutei a obrigação em obras de caridade ou outra forma de abstinência?

Pecados capitais

Avalie sua consciência sobre os seguintes pecados :

1. Soberba, orgulho : desprezar os inferiores, tratá-los com desdém; querer tudo dominar.

2. Avareza : pensar somente em ganhar dinheiro e acumular fortuna, sem nada gastar com os pobres, ou para fins de piedade e caridade; negar esmola, podendo dá-la.

3. Impureza : procurar prazeres ilícitos que lhe mancham a alma e roubam a inocência.

4. Ira : ficar facilmente com raiva, impacientar-se. Deixar se levar pelo ímpeto da cólera.

5. Gula : exceder-se na comida ou bebida. Embriagar-se.

6. Inveja : não querer que outros estejam bem; entristecer-se com o bem-estar do próximo, empregar meios para impedir, diminuir, ou destruir a felicidade do próximo.

7. Preguiça : perder o tempo em ociosidade; não cumprir, por indolência, as obrigações do trabalho ou da religião.

Considerações finais

Devemos acusar-nos só dos pecados que cometemos. Evite falar do pecado alheio, a menos que tenha tomado parte dele. Tendo cometido algum pecado que, talvez, não se ache neste resumo, não deixemos de declará-lo ao confessor.

Uma boa prática é procurar sempre o mesmo confessor. Psicologicamente, a prática o confirma, isso inibe a reincidência nos mesmos pecados já confessados. É como se fosse uma ‘boa vergonha’ de precisar voltar perante o mesmo sacerdote com as mesmas máculas de sempre.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2021/02/28/um-guia-util-para-o-seu-exame-de-consciencia-e-confissao/

terça-feira, 28 de setembro de 2021

A voz inata da consciência

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo de Vanderlei de Lima, 

eremita na Diocese de Amparo, BA

 

‘Este artigo traz três eloquentes testemunhos sobre a voz da consciência a falar em nós nos mais diversos momentos. Estão em nosso livro Obedecer antes a Deus que aos homens : a objeção de consciência como um direito humano fundamental, da Cultor de Livros, 2021, p. 41-43. 

1. A sós no consultório médico

Na noite escura, o curioso entra em um consultório médico vazio a fim de tentar ver alguns fichários de pacientes. Eis, porém, que, no mais profundo do seu ser, algo parece dizer-lhe : ‘Você é responsável por uma ação má!’. Daí, nasce sua interessante reflexão : ‘Dizia que me sinto responsável! Mas diante de quem? Não perante as paredes, nem perante o gato que me contemplava solenemente, quando eu percorria o fichário do médico. Só posso ser responsável diante de uma pessoa. Então dirá alguém :…diante da sociedade. Ou, mais precisamente, diante das pessoas com as quais convivo. Elas têm confiança em mim; tratam-me como um tipo leal e correto. Ora, eu já não sou o que elas pensam. Sinto que há um desnível entre o que parece ser e o que realmente sou. Isto me incomoda. Preciso ser autêntico, isto é, idêntico à imagem que a sociedade tem de mim…’. 

Sem dúvida! Mas por que é que outro homem – ou o conjunto dos outros homens – tem o poder de me constranger a ser autêntico, a ser aquilo que eu pareço ser? – talvez porque a sociedade está baseada na confiança mútua e na preocupação de não se fazer a outrem o que não quer para si mesmo? Sim; não há dúvida. Mas não basta isso. Não poderia eu simplesmente evitar as más impressões e os escândalos do meu comportamento externo? Bastaria, para tanto, que eu me dissimulasse sobre a hipocrisia. E, no caso preciso em que me vejo, não bastaria que, após ter devassado indiscretamente o fichário do médico, eu guardasse com zelo o segredo violado?’ 

Talvez pudesse, sim, salvar desse modo hipócrita as aparências de honestidade. Mas reconheço que isto não me satisfaça. Ainda que os homens me aprovassem ou me deixassem passar impune, eu ouviria dentro de mim uma voz de censura severa. Não seria a voz dos homens, nem seria uma voz premeditada por mim, mas seria uma voz anterior a qualquer deliberação minha : seria a chamada ‘voz da consciência’’ (Trecho adaptado do livro J. Javaux, Prouver Dieu, p. 60-62, apud Dom Estêvão T. Bettencourt. Curso de Filosofia. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1994, p. 206).

2. É Deus quem fala

A consciência moral não é algo que o homem cria ou suscita dentro de si. É algo de congênito, que começa a falar desde que a criança chega ao uso da razão. Às vezes, o criminoso quisera extingui-la ou sufocá-la, porque ela remorde dolorosamente à revelia do sujeito. Por isto se diz que é a voz de Deus no íntimo de cada indivíduo, ou melhor : é a prolongação da lei eterna ou do amor ao bem que existe em Deus desde toda a eternidade e que, à semelhança de um raio de luz, vem atingir cada ser humano, a fim de orientá-lo na terra’ (Dom Estêvão T. Bettencourt. Curso de Teologia Moral. Rio de Janeiro, 1986, p. 27).

3. O alerta interior

Em linguagem jovial, testemunha Elisa Hulshof : ‘Minha consciência é a voz que berra incansavelmente nos meus ouvidos, é a que me mantém inquieta, é a que me culpa por não fazer nada, por fazer tão pouco, por estar indolente. É quem me deixa arrependida e envergonhada de mim mesma. É a razão que me sacode sem rodeios, sem papas na língua, tão clara e tão sensata que chega a ser cômica. Eu rio frequentemente comigo mesma e tenho orgulho, não de mim, mas da minha consciência, tão lúcida e tão fervorosa que é lastimável eu não obedecer-lhe mais frequentemente. Mas ela não se cala, e eu não posso estar nunca acomodada. Quando me distraio e caio, preciso me levantar rápido para não continuar a ouvi-la gritar em minha cabeça. Quando estou acomodada, preciso me remexer para não ouvir as barbaridades rudes que ela despeja sobre mim’ (A cor do trigo. São Paulo : Cultor de Livros, 2013, p. 122-123).

Queira, pois, ler com atenção o livro Obedecer antes a Deus que aos homens. Seu conteúdo é importantíssimo para os nossos dias.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://pt.aleteia.org/2021/09/26/a-voz-inata-da-consciencia/ 

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

O ecumenismo que a gente não vê

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

 
Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu se encontram em Istambul, em 2014

*Artigo de Mirticeli Dias de Medeiros,

jornalista e mestre em História da Igreja, uma das poucas brasileiras

credenciadas como vaticanista junto à Sala de Imprensa da Santa Sé

  

‘Em seus primeiros dias de pontificado, foi assim que o papa Francisco acolheu o chefe da Igreja Ortodoxa, Patriarca Bartolomeu I : ‘Bem-vindo, André’. No momento, quem não estava muito familiarizado com a bíblia não entendeu nada. Já para os jornalistas que cobriam os primeiros compromissos públicos do pontífice recém-eleito, em 2013, e conheciam minimamente o Novo Testamento (como no meu caso), a mensagem foi captada na hora.

Era 23 de março de 2013. O papa, que de acordo com a tradição católica é o sucessor do apóstolo Pedro, se encontrava com o sucessor do apóstolo André, o Patriarca Ecumênico de Constantinopla. Segundo as escrituras, Pedro e André, que integravam o grupo de 12 discípulos de Jesus, eram irmãos de sangue.

O abraço entre os dois líderes, naquele dia, não simbolizava somente um encontro protocolar entre representantes das duas instituições cristãs mais antigas do mundo, mas o desejo mútuo de superar as feridas do passado. Para início de conversa, era a primeira vez, desde o Cisma do Oriente, de 1054, que o Patriarca Ecumênico de Constantinopla participava da cerimônia de posse do Romano Pontífice.

No primeiro ano de pontificado de Francisco, portanto, eles selaram uma parceria que entraria para a história. É tanto que, dois anos após aquele evento, foi justamente o magistério de Bartolomeu I sobre o cuidado com a criação que inspirou Francisco a dar uma resposta católica à crise ambiental. E foi assim que nasceu a Laudato Si' sua segunda encíclica.

Esse abraço entre ‘confrades’ abriu as portas para que outros irmãos, de outras tradições cristãs, se sentissem também acolhidos e respeitados pelo papa. Duas ou três laudas de texto não bastariam para citar os vários momentos nos quais Francisco, ao longo desses 7 anos de governo, exprimiu, junto a anglicanos e luteranos, que o ecumenismo não pode se limitar a trocas de saudações e discursos bonitos.

Na visão do papa, é tempo de conduzir um diálogo pautado na imagem do poliedro. Afinal, por muitos anos, a esfera da autorreferencialidade institucional acabou afastando uma tradição da outra, colocando em evidência mais as rupturas históricas que os pontos em comum.

O modelo é o poliedro, que reflete a confluência de todas as partes que nele mantêm a sua originalidade. Tanto a ação pastoral como a ação política procuram reunir nesse poliedro o melhor de cada um’, disse Francisco na exortação Evangelii Gaudium, de 2013.

É no mínimo estranho que, em pleno século 21, católicos, ortodoxos ou protestantes ignorem o importância dessa aproximação. Os desafios são muitos. E para todos os cristãos. O santo padre tem a consciência que o tempo urge por essa unidade em prol do bem comum.

Os algozes extremistas que martirizam e perseguem os seguidores de Cristo, no Oriente Médio, não perguntam de qual denominação eles são antes de exterminá-los. Os matam, única e simplesmente, por professarem a fé em Jesus Cristo. E Francisco, em relação a esses episódios, falou em algumas ocasiões, que existe, hoje, um ecumenismo de sangue. Apesar das diferenças teológicas, os cristãos acabam se unindo no martírio, onde tudo começou.

 O ecumenismo ‘invisível’

Para quem nega a importância do ecumenismo, e como a religião cristã, ao longo dos séculos, foi se mesclando em torno de várias tradições, vai precisar rever muitos de seus costumes e conceitos.

A coroa de advento, composta por 4 velas que representam as 4 semanas que antecedem o Natal, é uma invenção luterana. Foi criada pelo pastor alemão Johann Hinrich Wicherne, em 1839, na cidade de Hamburgo. Na sua concepção original, o adereço possuía 24 velas. Reduziram a quantidade para 4, de modo que ela não ocupasse muito espaço na casa dos fiéis. A Igreja Católica, considerando o valor dessa devoção, a adotou em 1915, integrando-a às celebrações desse tempo litúrgico.

Já o pinheiro, transformado em símbolo cristão por São Bonifácio, no século 8, foi ornamentado pela primeira vez pelos luteranos, no século 16, para celebrar o nascimento de Jesus dentro das igrejas. Mas só virou moda entre as famílias alemãs pelos idos de 1800, de acordo com o etnólogo e historiador Alois Döring, em entrevista ao site oficial dos luteranos do Brasil. Aos poucos, a árvore de Natal passou a decorar a sala de estar de cristãos de outras confissões, até se transformar num hábito comum a católicos, luteranos e ortodoxos.

Decisiva para a sua difusão foi a guerra franco-prussiana de 1870. Na época, por ordem das lideranças militares alemãs, algumas árvores de Natal foram dispostas nas trincheiras, como sinal dos laços da Pátria’, salienta o estudioso.

O presépio em si foi criado por São Francisco de Assis, no século 13. Mas o presépio encenado, tal qual vemos hoje, também provém da tradição protestante. Foram os luteranos que, pela primeira vez, encenaram o nascimento de Cristo.

 Se observamos bem, é uma osmose de tradições que, no fim das contas, só contribuíram para reforçar um princípio cristão : a centralidade de Jesus Cristo. Para além dos documentos, convenções e acordos que já aconteceram entre representantes de várias igrejas, essa ‘teologia do povo’, que se manifesta nas devoções mais genuínas e singelas, também é canal de unidade. Do ‘André’ de Francisco à coroa do advento dos luteranos, a certeza que, no fim das contas, é para Deus que todas as coisas convergem. Resta aos homens a docilidade para corresponder a esses ‘movimentos’ do Divino.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/noticia/1485450/2020/11/o-ecumenismo-que-a-gente-nao-ve/

sábado, 22 de fevereiro de 2020

A recepção da comunhão ao longo dos séculos

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo do Padre Dr. José Eduardo


A comunhão nunca foi tão acessível… e tão banalizada

‘Até o século XIX, os critérios para comungar eram doutrinalmente tão exigentes que, na prática, poucas pessoas comungavam.

Considerava-se que, para além de uma preparação que eu chamaria de negativa — o fiel não deveria ter consciência de nenhum pecado grave –, era necessária uma cuidadosa preparação positiva : jejum eucarístico desde a meia noite, asseio e modéstia pessoais muito mais salientados que o normal, oração fervorosa com a repetição de inúmeros atos de fé, esperança, adoração, humildade, caridade etc. No dia-a-dia, as pessoas comungavam raramente, somente depois de se confessarem e fora da Santa Missa.

Essa prática era tão consagrada, que Santa Teresa foi considerada suspeita de heresia porque desejava comungar todos os domingos.

A propósito, o Concílio de Trento deixou muito clara a distinção entre o rito da Santa Missa (com a comunhão do sacerdote) e o rito da Santa Comunhão dos fiéis, para salvar a Igreja do erro protestante de se considerar a Missa como somente uma Ceia e, portanto, a Comunhão como o momento essencial da ação litúrgica (e não a consagração).

Os santos sempre sofreram com essa dificuldade em receber o Santíssimo Sacramento, a tal ponto que a própria Santa Teresinha do Menino Jesus chegou a dizer que, quando chegasse ao céu, a primeira coisa que pediria a Deus seria a ‘comunhão diária’ para toda a Igreja.

De fato, ela morreu em 1897 e, em 1903, foi eleito o grande São Pio X, que, em 1905, escreveu o Decreto ‘Sacra Tridentina Synodos’, oferecendo a todos os fiéis a possibilidade de comungarem diariamente.

Isso foi uma grande graça! Um tremendo prodígio!

Contudo, a recepção diária não servia para afrouxar as exigências de uma preparação negativa e positiva para comungar. Antes, era instrumento para difusão de maior santidade na Igreja.

Aconteceu, porém, que, com o passar do tempo, a disciplina se foi afrouxando e, de uma condição em que o fiel se sentia ‘PROIBIDO DE COMUNGAR’, passou-se a uma condição em que os fiéis passaram a se sentir no ‘DIREITO DE COMUNGAR’ : bastaria não ter um pecado grave na consciência que já se sentiriam aptos para aceder ao ‘sacrum convivium’, sem maiores exigências.

Foi uma mudança de 180 graus, já foi uma queda!, mas ainda num quadro em que as pessoas se viam obrigadas a confessar, caso houvesse consciência de pecado mortal.

A situação foi se alterando, porém.

E, há algumas décadas, chegamos ao estado em que os fieis se sentem no ‘DEVER DE COMUNGAR’, como se a não recepção da comunhão fosse em si mesma um pecado. Esse dever, aliás, não é imputado apenas ao leigo, mas também à Igreja : parece que a única forma de inclusão é dar a comunhão, e ninguém possa ser privado desse sacramento, inclusive pelo próprio bem de sua alma. Não só o fiel teria o dever de comungar, mas o padre teria o dever de dar a comunhão a quem quer que seja!

Hoje, as pessoas se confessam de terem ido à Missa e não terem comungado; ou de não terem ido à Missa por não poderem comungar; ou de terem comungado em pecado grave com a intenção de depois se confessarem, porque se sentiam no dever de fazê-lo ou tinham ‘necessidade’… QUANTA CONFUSÃO DOUTRINAL E QUANTO SACRILÉGIO!

A doutrina da Igreja é clara, e não preciso aqui explicá-la. Para comungar, é preciso ter a consciência livre de qualquer pecado grave e estar fervorosamente em pelo menos uma hora de jejum e oração, aguardando a chegada do Senhor na alma!

Na práxis pastoral hodierna, não é que mudamos 180 graus, isso já é coisa do passado! Conseguimos a ‘proeza’ de ainda dar uma cambalhota para outros 180 graus, e parece-me que perdemos o caminho de volta.

Viva a Sagrada Comunhão diária!, mas recebida com as devidas disposições, com aquele espírito sintetizado pelo Apóstolo das Gentes : ‘aquele que comunga sem distinguir o corpo do Senhor, comunga a sua própria condenação. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos’ (1Cor 11,29-30).

Não seria essa banalidade com que tratamos a Sacratíssima Eucaristia a razão de tanta falta de firmeza na fé, de tanta apostasia, de tanta irreligião, de tanto abandono de Deus e de sua Lei?…’


Fonte :

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Guia para uma boa confissão


 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo do Padre Fabián


‘Muitas pessoas buscam a confissão sem antes ter examinado profundamente sua consciência. E assim, perdem a oportunidade de um perdão total e a graça que renova até as raízes da existência.

Examinar a consciência para pedir perdão a Deus pelos pecados cometidos é, em primeiro lugar, colocar-se diante dele para que a sua misericórdia nos toque e, tocados pelo amor do Deus que perdoa, abrir-se ao arrependimento e ao perdão.

As sugestões a seguir são uma ajuda para quem pretende se confessar de maneira profunda, mas sempre partindo da graça de Deus, que nos leva à contrição.

Antes de fazer este exame de consciência, precisamos nos colocar na presença de Deus para orar com confiança ao Senhor, pedindo-lhe que nos ilumine, que nos faça reconhecer sua misericórdia, conscientizar-nos de que Ele nos livrou da escravidão do pecado pela morte na cruz e, assim, que reconheçamos os nossos pecados.

Depois desta oração inicial, podemos nos perguntar sobre a nossa vida e nossos atos concretos do cotidiano. As perguntas a seguir podem ser uma guia neste exame pessoal :

1º mandamento : Amar a Deus sobre todas as coisas

Este mandamento nos pede que, antes de tudo e em todas as coisas, elevemos nosso olhar a Deus, ao Pai que nos conduz com amor providente, ao Filho que deus sua vida por nós, para que vivamos nele, e ao Espírito Santo, que nos orienta na vida cristã. 

Pequei contra a fé, duvidando de alguma(s) de suas verdades? Neguei Deus, a Igreja, os santos ou alguma outra verdade do nosso Credo? Rejeitei Deus ou a Igreja na frente dos outros? Deixei de ter esperança na minha salvação ou abusei da confiança em Deus, pensando que posso me salvar mesmo levando uma vida de pecado, ou sem esforço para buscar a santidade?

Murmurei interiormente ou manifestei minha rebeldia contra Deus quando me aconteceu algo ruim ou não recebi o que esperava? Descuidei da vida de oração, rezei com preguiça e descuido, deixando as coisas de Deus de lado? Procurei crescer na minha formação cristã, para conhecer e amar mais a Deus?

Fui supersticioso, seguindo horóscopos, frequentando o espiritismo ou demais práticas que não são da Igreja? Guardei o devido respeito e uso com devoção e fé os objetos que manifestam Deus e os santos, como imagens impressas, o terço, o crucifixo, a água benta? Participei de seitas?

2º mandamento : Não tomar seu santo nome em vão

Este mandamento me pede sumo respeito pelo nome de Deus e por tudo aquilo que é dele.

Blasfemei? Fiz isso na frente dos outros? Fiz algum voto, juramento ou promessa a Deus e depois não cumpri? Jurei em falso? Jurei sem necessidade, sem prudência ou por coisas sem importância? Usei objetos sagrados ou temas religiosos para fazer brincadeiras e piadas?

3º mandamento : Guardar domingos e festas de preceito

Participei da Missa aos domingos e festas de preceito? Cheguei tarde ou fiquei distraído? Impedi que alguém fosse à Missa (por exemplo, os filhos, por não levá-los)? Trabalhei sem necessidade ou fiz outras pessoas trabalharem aos domingos, impedindo de participar da Missa, descansar, estar em família e dedicar-se à oração?

Dedico o domingo a Deus, à minha família, ao crescimento espiritual? Guardo abstinência ou faço alguma penitência às sextas-feiras? Sei me mortificar ou fazer penitência pelo bem dos outros e para o meu crescimento espiritual, de acordo com as indicações do meu confessor ou pai espiritual? Confesso-me com a devida frequência? Participo das celebrações da Semana Santa e da Páscoa?

4º mandamento : Honrar pai e mãe

Este mandamento nos convida a obedecer à autoridade legítima, expressar respeito e gratidão aos meus pais, docentes e governantes em geral.

Desobedeci aos meus pais? Tenho um critério desordenado de independência pessoal, que me leva a rejeitar as indicações dos meus pais só porque eles me dizem? Eu os entristeço com minhas rebeldias e caprichos? Cheguei a insultá-los ou lhes desejei algum mal? Fui responsável diante dos meus pais ou daqueles que me ajudam, pelo esforço que fazem pela minha educação, ou desperdicei o tempo e o dinheiro investidos na minha formação?

Deixei de ajudar meus pais, avós ou familiares em situações de necessidade? Fui egoísta em minha família, brigando com os meus irmãos e familiares? Estou atento aos outros para ajudá-los? Ajudo minha família a crescer na doação fraterna? Dei mal exemplo? Dei broncas arbitrárias e infundadas nos meus filhos? Ameacei meus filhos, bati neles ou os ameacei de alguma maneira? Preocupei-me com sua educação, também na fé, com minha palavra e exemplo? Fiquei atento às necessidades dos meus filhos, às suas amizades, saídas e diversões?

5º mandamento : Não matar

Procurei evitar a inimizade, o ódio e o rancor com relação às pessoas? Deixei de falar com alguém, de cumprimentar, rejeitei a reconciliação ou não fiz nada para consegui-la? Alegrei-me pelo mal do outro ou me entristeci pelo seu bem? Deixei-me levar pela ira ou pela raiva? Tirei sarro, critiquei, falei mal dos outros?

Fui imprudente ao dirigir ou não respeitei as normas de trânsito? Maltratei os outros com palavras ou atos? Fui mal-educado ou grosseiro no trato com as pessoas? Cheguei a ferir ou tirar a vida do próximo? Pratiquei ou colaborei em um ato de aborto? Recomendei o aborto, mesmo sabendo que é um pecado muito grave, que implica na excomunhão?

Cuidei da minha saúde e da de aqueles que estão sob meus cuidados? Comi ou bebi em excesso, colocando minha saúde em risco? Consumi drogas? Escandalizei outras pessoas com minhas atitudes, palavras ou brincadeiras, por falta de pudor ou por convidá-las a espetáculos ou leituras prejudiciais? Fui negligente no trabalho ou deixei de fazer o que deveria? Isso prejudicou alguém?

6º mandamento : não pecar contra a castidade

Utilizei minha sexualidade – dom de Deus para comunicar o amor – para a busca egoísta do próprio prazer? Cultivei pensamentos impuros? Meu namoro foi sério e responsável, como busca de amadurecimento no amor para formar uma família ou busquei um prazer egoísta? Fui fiel? Tive relações sexuais pré-matrimoniais ou extramaritais? Procurei conhecer e crescer nas virtudes que me ajudam a viver a castidade, a fidelidade e a respeitar as pessoas em sua dimensão sexual? Usei anticoncepcionais para evitar engravidar? Permiti uma esterilização para não ter mais filhos?

7º mandamento : não roubar

Roubei dinheiro ou algum objeto? Ajudei outros a roubarem? Foram objetos de valor ou uma quantidade considerável de dinheiro? Emprestei algo e não devolvi? Prejudiquei outros com enganos ou trapaças nos contratos? Cobrei mais que o devido? Gastei mais do que podia? Cumpri responsavelmente meu trabalho, ganhando com justiça meu salário? Retive ou atrasei o pagamento do salário de outros?

Cumpri as leis sociais? Paguei meus impostos? Tendo cargos de gestão e serviço público, aceitei dinheiro para favorecer um trâmite? Apoiei ou guardei silêncio frente a delitos, imoralidades e outros abusos na função pública ou na ação política? Gastei o dinheiro em coisas supérfluas, como jogos, bebidas, gostos pessoais, deixando de dar atenção à minha família e às minhas outras responsabilidades? Oferecei ajuda para sustentar as celebrações na Igreja, na medida das minhas possibilidades?

8º mandamento : Não levantar falso testemunho

Este mandamento nos convida a ser sinceros com os outros, conosco mesmos, e que as nossas palavras sempre expressem a verdade.

Eu menti? Menti habitualmente em coisas sem importância, para ficar bem ou para solucionar situações? Revelei indevidamente os defeitos de outras pessoas? Menti sobre os defeitos ou supostas ações ruins de outros para desqualificá-los? Deixei de defender o próximo quando deveria fazê-lo? Fiz juízos temerários, murmurei ou falei mal dos outros? Revelei segredos? Rompi o sigilo profissional? Desvirtuei a informação para proveito pessoal ou por outros interesses? Reparei o dano que minhas revelações causaram? Escutei conversas alheias? Coloquei em prática a correção fraterna ainda quando me custava?

9º mandamento : Não desejar a mulher do próximo

Cultivei o sentimento de desejo por outra pessoa? Não fui fiel interiormente à aliança celebrada com minha esposa ou esposo? Mantive amizades que são ocasião de pecado? Não procurei soluções para situações ou companhias que são causa de pecado para mim? Fiquei provocando os outros com minha falta de pudor? Tentei seduzir alguém comprometido?

10º mandamento : Não cobiçar as coisas alheias

Busquei me enriquecer indevidamente? Cultivei o sentimento de inveja? Tentei prejudicar os outros em seus empreendimentos? Quis ter o que outros têm, sem aceitar o que possuo para o meu bem e para o bem da minha família? Tive um espírito de lucro desordenado? Pretendi adquirir bens ou dinheiro imediatamente, recorrendo a meios ilícitos ou imorais?’


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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Resgatar a autoridade

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 A ausência de autoridade gera resultados desoladores.
*Artigo de Dom Walmor Oliveira de Azevedo,
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, MG


‘A sociedade brasileira vive uma situação de caos completo, indicando a necessidade e a urgência de se recuperar a autoridade da moral na consciência de cada indivíduo. A luz da moral é imprescindível para o exercício da cidadania e para o cumprimento de responsabilidades políticas, profissionais, confessionais e familiares. Quando há deterioração moral, a sociedade degenera e impera o caos.
A falta de moralidade é, por exemplo, a origem das diferentes formas de corrupção. Uma consciência que não é regida pela moral não sabe o valor e a importância da honestidade. Assim, apega-se somente ao que gera lucro, mesmo sob pena de prejudicar o outro. Tudo é considerado permitido na busca dos objetivos e interesses próprios. Sem cultivar a autoridade moral, as pessoas perdem o parâmetro que deve orientar suas vidas : a honestidade que é o antidoto para a ganância e a mesquinhez.
Cada pessoa precisa fazer o indispensável exercício cotidiano de examinar a própria consciência e avaliar, com sinceridade, seus atos e procedimentos. Uma avaliação a ser feita à luz de valores interpelantes reunidos no Evangelho de Jesus Cristo. Somente assim será possível corrigir desvios de conduta, eliminar interesses egoístas, inadequados, e recuperar a própria autoridade. Quem desconsidera a dimensão moral perde a autoridade. Essa perda, em qualquer âmbito, é tão perigosa quanto dirigir um caminhão desgovernado, com carga pesada, descendo ladeira abaixo.
A ausência de autoridade gera resultados desoladores. Isso pode ser constatado no contexto atual, em que representantes do povo encontram-se fragilizados no exercício de suas responsabilidades. Situação que é consequência da perda de credibilidade desses representantes diante da população. Pessoas que deveriam ser respeitadas pela condição de autoridade tornam-se marcadas justamente pela falta de moralidade, pois agem a partir de interesses nada altruístas. Desconhecem que o desrespeito a princípios básicos da moralidade obscurece terrivelmente as competências.
A falta de envergadura moral incapacita as pessoas no desempenho das próprias atribuições - tornam-se figuras medíocres nos mais diversos contextos e funções. Não conseguem enfrentar os problemas e os desafios com a coragem e a transparência necessárias. É triste ver ‘autoridades’ sem autoridade. Mais lamentável ainda é constatar essa carência em quem teve importantes oportunidades na educação e na formação acadêmica. Pessoas que trilharam longos percursos no âmbito profissional, ocuparam cargos importantes em hierarquias e, ao invés de cultivarem a autoridade da moral, pegaram o atalho dos conchavos, das negociatas e das posturas não cidadãs. Consequentemente, prejudicaram e continuam a atrapalhar as instituições onde estão inseridas, desvirtuando-as do compromisso com a verdade, a justiça e o bem.
O mal que nasce a partir da falta de autoridade, consequência da ausência da moral, torna permitido tudo o que é ilícito precipitando na mediocridade uma sociedade sem rumo. É lamentável ver medíocres governando, ocupando determinados cargos apenas para satisfazer as exigências de seus egos patogênicos.’


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