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quinta-feira, 14 de março de 2024

Crianças salvas na Polônia graças aos “Berços da vida”

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Tomasz Zielenkiewicz - Varsóvia


‘Há menos de uma semana, na noite de segunda-feira, 11 de março, as irmãs ursulinas encontraram uma menina abandonada em Łódź. Elas lhe deram o nome de Julia. Estava vestida normalmente e parecia saudável, e os médicos constataram que ela estava bem de saúde. No mesmo dia, um bebê de 11 meses foi encontrado na rua Szosa Bydgoska, na cidade de Toruń. Ele foi levado ao hospital para controles. Outro bebê foi encontrado no domingo em Wroclaw e uma menina de um mês e meio foi levada para a rua Rydygiera 22-28, no prédio da Congregação das Irmãs de Caridade de São Carlos Borromeu. Todos esses pequenos foram salvos graças aos ‘Berços da Vida’, locais especiais onde os bebês - mesmo aqueles com apenas alguns meses de idade - podem ser deixados de forma segura e anônima caso seus pais não possam ou não tenham condições de criá-los ou cuidar deles.

Visitas e cuidados

Os ‘Berços’ se abrem pelo lado de fora e são equipados com aquecimento e ventilação. Quando são abertos, as pessoas destinadas a cuidar da criança dão o alarme. Imediatamente, são iniciados os procedimentos médicos e administrativos para que a criança seja examinada e entregue para adoção. Atualmente, há 60 ‘Berços da vida’ na Polônia, administrados principalmente por congregações religiosas, como as irmãs pastoras do Centro Caritas Beata Maria Karłowska, em Toruń.

Uma prática antiga

A ideia de proteger os órfãos já era usada na Idade Média. O ‘Berço da vida’ mais antigo data de 1198 e está localizado em Roma, ao lado do Hospital de ‘Santo Spirito in Sassia’, fundado pelo Papa Inocêncio III. Na Polônia, o primeiro ‘Berço da vida’ foi estabelecido em 19 de março de 2006 em Cracóvia, construído por iniciativa da Caritas da Arquidiocese de Cracóvia e do cardeal Stanisław Dziwisz. Em 2023, nove crianças foram encontradas nos ‘Berços da vida’.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2024-03/criancas-salvas-polonia-gracas-bercos-vida.html

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Órfão cristão fugiu do Afeganistão aos 8 anos e depois salvou família perseguida

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


*Artigo de Francisco Vêneto, 

jornalista


‘Ali Ehsani tem 38 anos e é advogado. Mora na Itália desde os 13 anos, quando chegou sozinho ao país europeu como refugiado após seus pais serem assassinados e sua casa ser destruída no Afeganistão – só porque a família era cristã.

Afegãos cristãos, diga-se de passagem, são uma raridade. O Afeganistão inteiro contava com cerca de 200 cristãos até a retomada do poder pelos talibãs em 15 de agosto de 2021. Agora que o grupo fanático detém o poder no país, o número certamente se reduziu mais ainda. A única igreja católica de todo o território afegão está fechada : ficava na embaixada italiana em Cabul e o pároco responsável foi obrigado a deixar o país durante a desocupação norte-americana, finalizada em 31 de agosto.

O próprio Ali só tomou consciência de que fazia parte da minoria cristã quando, aos 8 anos de idade, um colega muçulmano na escola o questionou sobre o fato de seu pai não frequentar a mesquita.

Ele relatou este episódio à Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja (Aid to the Church in Need) que Sofre :

‘Voltei para casa e perguntei ao meu pai. E ele me perguntou : quem te disse isso? Meu pai me explicou que eu não devia dizer para ninguém que éramos cristãos. Ele me contou que os cristãos iam à igreja, mas não me disse muito mais do que isso, porque tinha medo que eu falasse da nossa fé e nos descobrissem’.

Mas os rumores correram. Não demorou para que o pai de Ali Ehsani fosse preso. Também não demorou para que, após a prisão do pai, chegasse a vez também da mãe. Certo dia, o menino chegou da escola e não a encontrou mais. Naquele mesmo dia, ele sequer encontrou a própria casa : os talibãs a tinham destruído.

Órfão cristão fugiu do Afeganistão aos 8 anos

Seu irmão Mohammed, 16, e ele, 8, não tiveram alternativa : precisaram fugir do Afeganistão sem absolutamente nada nem ninguém.

‘Foi uma viagem que durou cinco anos e que eu conto no livro ‘Stanotte guardiamo le stelle’ (‘Hoje à noite olhamos para as estrelas’, em livre tradução do italiano – a obra não conta ainda com versão em português). Foi uma viagem dramática pelo Afeganistão, Paquistão, Irã, Turquia, Grécia até chegar à Itália. Meu irmão morreu na viagem’.

A precária embarcação em que tentavam chegar da Turquia à costa grega naufragou e o irmão mais velho não conseguiu se agarrar a nada – ao contrário de Ali, que só sobreviveu porque se agarrou a um galão de combustível. Ele pensou naquela hora : ‘Se Jesus existe, Ele vai me salvar de morrer afogado’.

O menino tinha 11 anos quando ficou sozinho no mundo. Meses depois, quando conseguiu chegar à Itália, decidiu estudar para ajudar as pessoas que, assim como ele, já tinham sofrido excessivamente na vida.

Ali Ehsani cumpriu a promessa que tinha feito a si mesmo e se formou advogado.

Já adulto, conheceu outra rara família cristã que vivia no Afeganistão e passou a manter contato com eles por meio da internet, chegando a transmitir-lhes a Santa Missa ao vivo pelo celular. Um dia, porém, mesmo com o volume baixo, os vizinhos da família ouviram e a denunciaram.

O pai foi preso e nunca mais se soube do seu destino. A família se escondeu aterrorizada durante semanas, enquanto Ehsani coordenava a sua retirada do Afeganistão com auxílio de autoridades vaticanas e italianas. Assim como ele, aqueles refugiados também acabaram conseguindo chegar à Itália e recomeçar a vida. Ali Ehsani relata que, em sua primeira Missa, não paravam de chorar de emoção.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://pt.aleteia.org/2021/09/20/orfao-cristao-fugiu-do-afeganistao-aos-8-anos-e-agora-ajuda-a-salvar-familia-perseguida/

segunda-feira, 6 de julho de 2020

De Bérgamo a Malauí: uma vida dedicada aos órfãos

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

 2020.07.03 Alleluja Care Center, Malauí

*Artigo de Antonella Palermo 

‘No Malauí, um dos países africanos mais pobres e esquecidos do mundo, há uma pequena Bérgamo. Uma das cidades italianas mais atingida pelo coronavírus. Rita Milesi, nasceu em Bérgamo, há 77 anos e está no Malauí desde 1974. Ela conta que perdeu três amigos de Bérgamo que lhe enviavam apoio através das adoções a distância das suas crianças. Explica que ‘em alguns vilarejos há alguns focos da doença, mas estão bastante isolados. A impressão é que as pessoas ainda não entenderam realmente a seriedade disso. Enquanto isso, fizemos 5000 máscaras e aqui todos os funcionários do Centro sãos obrigados a usá-las’. Rita fundou no país o Alleluya Care Center, onde são assistidas crianças órfãs e desnutridas. É uma leiga voluntária, mora sozinha, uma mulher com grande tenacidade e alegria interior e muito amável e simpática que mesmo por telefone, transmite a vontade de ir até o Malauí para conhecê-la pessoalmente. 

A África, um sonho antigo 

Agora todos a chamam de ‘Mãe Rita’. Antes da longa aventura africana, Rita trabalhou por mais de dez anos em algumas estruturas públicas em Bergamo e Milão como enfermeira e educadora em uma creche. O amor pelas crianças sempre a caracterizou, desde que estudava na escola primária. Em 1974 decidiu partir para as missões através do Celim (Centro de Leigos Italianos para as Missões). Trabalhou dez anos em um hospital no Malauí como enfermeira na pediatria. Foi uma das primeiras missionárias leigas a chegar nestas montanhas. Na época era difusa a cólera, a malária, e muitos casos de lepra e nos anos Oitenta começaram os casos de AIDS, tudo sem medicamentos adequados e insuficientes. ‘Fazíamos as vacinas debaixo de um pé de manga – conta - acudindo os poucos órfãos que chegavam de seis vilarejos no hospital, em uma pequena estrutura cedida pelo bispo. Em 2002 o hospital diocesano fechou por falta de fundos. Morei em uma cabana por nove meses. Depois fui ao Brasil onde fiquei pouco tempo e à Costa do Marfim por três anos. Estava procurando o meu centro. Enfim descobri que o meu coração ficara no Malauí’. 

Crianças sozinhas encontradas até sob arbustos 

Hoje Rita vive em Mangochi, no sul do Malauí, onde reestruturou e fundou o Alleluya Care Center, depois de ter vendido os bens que herdara de seus pais. ‘Os primeiros anos foram felizes, todas as nossas esperanças, todo o nosso amor, todas as nossas jovens energias lançadas no cuidado de crianças órfãs ou abandonadas, doentes e desnutridas. Não vamos à procura dos pobres porque eles estão fora de nossa casa. Os próprios familiares os trazem até nós. Ou os encontramos nos lugares mais impensáveis, à beira dos caminhos ou debaixo de arbustos. Nós cuidamos dessas crianças, e quando elas atingem a idade de três anos, as devolvemos aos seus parentes, se forem encontrados. Todos os meses – ela conta - vamos ver como eles estão, levando roupas e remédios. Se não encontramos ninguém mesmo, através dos serviços sociais, fazemos adoções às famílias interessadas. Em Bérgamo temos um, em Gênova outro, na Austrália temos cinco’. 

A história de Bakhita, parecia um coelho sob as plantas 

Rita já salvou 2.500 crianças em todos esses anos. Recorda o caso de Bakhita. ‘Nós a encontramos debaixo de um pé de banana. Corria o risco de ser morta porque parecia um coelho. Aos seis meses a levei para a Itália para uma operação no coração. Agora tem vinte anos, mora em Bérgamo, e nestes dias saiu do hospital depois de mais uma cirurgia. Mas pelo menos cresceu em um ambiente protegido – explica Rita – e tem uma família que adora, apesar das cicatrizes físicas. Uma outra história é a de um menino encontrado na rua, estava na calçada. Calculamos que tinha dois anos e pesava 4 quilos. Cuidamos dele e agora está muito bem e feliz, mas não sabemos quem é a mãe. Nós estamos entre Malauí e Moçambique, talvez ela tenha fugido para lá. Já fiz todas as assinalações, mas até agora não apareceu ninguém. Cuidaremos dele, aqui no Malauí já conseguimos adotar cinco crianças’. 

Fui pobre, amo os pobres 

Em 2017, Rita conseguiu abrir uma creche para estas crianças sem pais. ‘Eu não queria fazer uma escola só para eles - esclarece - porque as crianças têm que interagir. Cheguei a ter 200 crianças e 50 órfãos. Infelizmente, aqui a mortalidade precoce é generalizada. As mães, devido à fome, são anêmicas, por isso quando dão à luz muitas delas morrem’, explica. ‘Acontece com frequência que homens e mulheres adoecem e morram de AIDS, deixando os seus filhos com os avós, que em muitos casos têm enormes dificuldades em cuidar deles, porque eles próprios devem ser cuidados. Nós estamos entre os pobres. Mas eu amo os pobres. Fui pobre e amo os pobres. E eu rezo sempre pelo Papa Francisco, que ama tanto os pobres. Eu gostaria muito de conhecê-lo, abraçá-lo, chorar com ele’. 

Que o novo Presidente dê justiça e reconciliação. 

Alguns dias atrás foram feitas as eleições presidenciais no país que elegeram o líder da oposição Lazarus Chakwera. ‘Temos realmente que agradecer ao Espírito Santo que ajudou estas pessoas’, disse Rita sobre a eleição, ‘muitos estavam cansados de serem enganados. O novo presidente não quer as separações norte, sul e centro. Todos, católicos, muçulmanos e protestantes, devem colaborar. Quer que todos nós sejamos Malauianos. Ele quer mais igualdade, paz e reconciliação. Acredito que ajudará também os pobres’. 

Apelo aos jovens para prosseguir o trabalho de Rita 

‘Depois de criar estas crianças, as separações dão tristeza, as lágrimas descem abundantes’, diz Rita, enquanto nos envia as fotos desta preciosa obra, ‘mas devo deixá-los voltar aos seus povoados, quando for possível, porque essa é a sua realidade, as suas origens, o seu povo. Devemos ajudar estas crianças. Eles querem viver. Se Deus nos colocou aqui, há uma razão, que devemos dar esperança’. Como a senhora lida com a solidão? ‘Muitas vezes a solidão toma conta de mim, mas eu digo : Mãe, Pai, dai-me a sua fé, a sua esperança e a sua caridade’. E concluiu com um convite aos jovens : ‘Não tenham medo, se forem iluminados pelo espírito, doem-se com coragem, porém com segurança. Força.’’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2020-07/bergamo-malaui-historia-leiga-missionaria.html


sábado, 23 de dezembro de 2017

Véspera de Natal convida à reflexão sobre órfãos

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

É um fenômeno difícil de entender esse de que existam pessoas que abandonam os seus mais próximos.
*Artigo do Ir. João Antônio Johas,
leigo consagrado do Sodalício de Vida Cristã


‘No dia 24 de dezembro lembra-se o dia de todas as crianças órfãs. É também a véspera da celebração que culmina o tempo do advento, o Natal do Senhor Jesus. Não é uma data do calendário da Igreja, mas do calendário civil. No entanto, a proximidade das duas datas pode levar a uma reflexão sobre a orfandade tanto física como espiritual em que vivem tantas pessoas atualmente. Vale a pena pensar por onde podemos tentar entender esse fenômeno e o que podemos fazer para ajudar a que cada vez menos pessoas vivam suas vidas sem a proteção e o amor de uma família.
Talvez possamos voltar até Adão e Eva para encontrar neles os primeiros órfãos da humanidade. Quando pecam, se afastam daquele que lhes dera a vida, de Deus Pai que os formou com amor para que vivessem junto a Ele no paraíso. Com esse primeiro afastamento do Pai, o mal entra no mundo, no coração do homem. Toda a história de Israel pode ser entendida como a história de um povo que caminhou pelo tempo em busca do retorno a casa do Pai. Desde Abraão até a vinda de Jesus, vemos como Israel foi crescendo em nova intimidade com Iahweh.
Jesus, que é o mesmo Deus que se encarna, se faz homem no seio de uma família. E o faz justamente para mostrar que para que o ser humano seja pleno, ele precisa do apoio, do amor, do carinho, da experiência de uma família bem estruturada, que tenha a Deus como o centro de suas vidas. Mas isso não quer dizer que o Senhor não experimentou o mal da orfandade. Pelo contrário, Ele, sendo quem era, experimentou o abandono do Pai de uma forma tão intensa que não podemos senão nos maravilhar e mesmo nos assustar um pouco com suas palavras na cruz : ‘Pai, porque me abandonaste?’ Ele experimentou uma solidão real, e assim compartilha certamente os sofrimentos daqueles que ainda hoje sofrem essa mazela.
É um fenômeno difícil de entender esse de que existam pessoas que abandonam os seus mais próximos. É igualmente difícil entender também como pode existir, em uma comunidade cristã, pessoas que se sintam excluídas, à margem, sem família seja pelo motivo que for. Podemos pensar naqueles que perderam os pais em alguma tragédia natural, ou mesmo em algum ataque feito por mãos humanas (Ainda mais triste e trágico de aceitar). O ponto é o seguinte : Enquanto alguém não se sentir amado, não estamos realmente conseguindo transmitir a vida cristã para esse mundo. Pois o que Jesus veio fazer foi justamente alcançar com seu amor todas as pessoas, em especial as que mais sofrem. Dentre os que mais sofrem, desde o antigo testamento se contam as viúvas e os órfãos. Não podemos fechar os olhos para essas pessoas, porque é Deus mesmo que quer olhar por eles através da comunidade cristã.
Talvez ajude a ter os olhos mais abertos a essa realidade o tomar consciência de que somos todos, de alguma forma, órfãos. A cada pecado que cometemos, desde o pecado original de Adão e Eva, nos afastamos de Deus Pai e ficamos longe da nossa verdadeira casa que é o Céu. Estamos todos caminhando para a nossa verdadeira pátria. E se nesse caminho temos a benção de contar com uma família que nos auxilie, parece meio óbvio pensar que isso mesmo nos traz a responsabilidade de acolher com muito amor aqueles que foram privados de tão grande dom por qualquer razão. Para que essa perda possa ser interiorizada, reconciliada e que eles possam caminhar mais dignamente como verdadeiros filhos e filhas amadas de Deus que são.’
  
Fonte :