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domingo, 23 de agosto de 2026

Quem cuida precisa de cuidados: o desafio dos padres para cumprir o ministério e manter a saúde mental

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Nayá Fernandes


‘Em uma sociedade marcada pela velocidade, pela hiper conectividade e por demandas cada vez mais complexas, o sacerdote continua sendo procurado como alguém que escuta, consola, aconselha e acompanha. Para muitos fiéis, ele é a presença da Igreja nas alegrias e nas dores da vida : está no Batismo, no casamento, na doença, no luto e nas crises familiares. Entretanto, raramente, as pessoas se perguntam quem cuida daquele que dedica a própria existência ao cuidado dos outros.

A saúde mental dos presbíteros deixou de ser um tema periférico para tornar-se uma preocupação pastoral urgente. O aumento das responsabilidades administrativas, a diminuição do número de vocações, a ampliação das exigências sociais e a solidão que frequentemente acompanha o ministério exigem da Igreja uma reflexão profunda sobre o cuidado integral daqueles que receberam a missão de servir ao povo de Deus.

Para o Padre Edelcio Ottaviani, doutor em Filosofia, mestre em Teologia e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), compreender esse desafio exige olhar, antes de tudo, para as transformações do mundo contemporâneo. Segundo ele, a realidade pastoral mudou profundamente na última década e continuará mudando com o avanço das tecnologias.

Essa constatação conduz a uma reflexão mais profunda sobre a missão sacerdotal. Para Padre Edelcio, o maior desafio do presbítero não é simplesmente administrar uma paróquia ou organizar atividades pastorais, mas permanecer fiel à espiritualidade de Jesus Cristo. Isso significa discernir continuamente aquilo que promove a dignidade humana daquilo que produz exclusão e opressão. ‘O Evangelho’, recorda ele, ‘nunca foi neutro diante das injustiças’.

Segundo o teólogo, existe sempre a tentação de acomodar-se às estruturas de poder, ao medo ou aos interesses econômicos. ‘Quando isso acontece, corre-se o risco de reduzir a missão da Igreja a uma prática religiosa desvinculada do compromisso com os pobres, com a justiça e com a libertação integral da pessoa humana. A saúde espiritual do sacerdote, portanto, está profundamente ligada à coerência entre aquilo que anuncia e aquilo que vive’, diz.

Ao analisar a realidade eclesial brasileira, Padre Edelcio identifica outro elemento que repercute diretamente sobre a vida dos presbíteros. Em sua avaliação, ao longo das últimas décadas muitas comunidades reduziram o investimento na formação permanente dos leigos e passaram a concentrar excessivamente as decisões nas mãos dos padres. ‘Essa centralização, além de fortalecer o clericalismo, aumentou significativamente o peso que recai sobre cada sacerdote’, complementa.

Responsabilidade coletiva

Em vez de comunidades corresponsáveis, capazes de compartilhar responsabilidades, muitos padres passaram a acumular funções litúrgicas, pastorais, administrativas, jurídicas e financeiras. ‘O resultado é um ministério exercido frequentemente sob intensa pressão e marcado pelo cansaço permanente. Para o sacerdote, recuperar uma Igreja mais participativa não representa apenas uma escolha pastoral, mas também uma necessidade para preservar a saúde daqueles que nela servem’, afirma Padre Edelcio.

Essa percepção encontra eco na experiência clínica da psicóloga Milena Elizabeth Biliu do Vale, membro do Instituto Auxilium, dedicado ao acolhimento do ministério sacerdotal. Ela observa que o padre precisa administrar expectativas muito diferentes dentro da própria comunidade. Cabe-lhe mediar conflitos, harmonizar opiniões divergentes, lidar com comparações em relação a administradores anteriores e construir vínculos afetivos sólidos com centenas ou milhares de pessoas.

Segundo a psicóloga, esse processo exige enorme investimento emocional e frequentemente produz sentimentos de solidão e exaustão. ‘Embora seja visto como referência espiritual para todos, o sacerdote também necessita de uma rede de apoio onde possa ser acolhido em suas próprias fragilidades. Reconhecer que os padres são seres humanos, com limites e necessidades, é condição indispensável para que possam exercer seu ministério de maneira saudável’, explica ela.

‘Lideranças marcadas pela proximidade geram confiança e fortalecimento interior. Já ambientes baseados apenas na cobrança podem favorecer o esgotamento emocional. Quando a redução das vocações se soma ao aumento das demandas pastorais e ao distanciamento dos superiores, cresce o risco de estresse, burnout, depressão e até pensamentos suicidas’, observa.

Por isso, Padre Edelcio acredita que o caminho proposto pela sinodalidade representa muito mais do que uma nova metodologia pastoral. Inspirada e fortalecida pelo Papa Francisco, a caminhada sinodal oferece um verdadeiro antídoto contra o isolamento. Para ele, caminhar juntos significa cultivar relações marcadas pela escuta, pela comunhão, pela corresponsabilidade e pela caridade pastoral, substituindo disputas de poder por relações fraternas capazes de sustentar aqueles que dedicam a vida ao serviço do Evangelho.

Santidade x esgotamento

A psicóloga e religiosa Irmã Veridiana Kiss reforça essa compreensão ao recordar que a Igreja sempre ensinou a importância do cuidado integral do sacerdote. Documentos fundamentais, como a Exortação apostólica Pastores Dabo Vobis e a Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis, insistem numa formação permanente que une as dimensões humana, espiritual, intelectual e pastoral. Como frequentemente recordava o Papa Francisco, o padre não pode reduzir sua identidade ao ativismo; antes de ser administrador ou gestor ele é discípulo de Cristo.

A formação humana, nesse sentido, não aparece como elemento secundário, mas como condição para que a graça encontre uma personalidade integrada. Irmã Veridiana observa que oração, descanso, maturidade afetiva, vínculos fraternos e acompanhamento psicológico não competem entre si; ao contrário, fortalecem-se mutuamente : ‘Um sacerdote que cuida do corpo, das emoções e da própria relação com Deus serve com mais liberdade, alegria e profundidade. Cuidar da saúde mental, portanto, não diminui a entrega ao povo, mas torna essa entrega sustentável ao longo da vida’.

Essa perspectiva ajuda a desfazer um equívoco ainda presente em muitos ambientes eclesiais : imaginar que o sofrimento permanente seja um sinal de fidelidade ao Evangelho. ‘A tradição cristã nunca identificou santidade com esgotamento. Jesus retirava-se para rezar, descansava com os discípulos, cultivava amizades profundas e não hesitava em interromper o ritmo da missão para restaurar as forças. O equilíbrio entre missão e descanso sempre fez parte da espiritualidade cristã’, observa Irmã Veridiana.

‘A comunidade que pratica a caridade santifica também o padre’, afirma Padre Edelcio. A lembrança nasce de uma experiência pessoal vivida ao lado de Dom Luciano Mendes de Almeida. Enquanto seminarista, ao acompanhá-lo como motorista, percebia que bastavam poucas horas de convivência para despertar nele um desejo ainda maior de fazer o bem. Aquela convivência transformava interiormente quem dela participava. Essa visão amplia o conceito de cuidado. Não se trata apenas de oferecer ajuda material ou preocupar-se quando o sacerdote adoece.

Milena Elizabeth Biliu chama atenção justamente para essa corresponsabilidade. Segundo ela, compreender que o sacerdote é uma pessoa antes de exercer uma função muda profundamente a maneira como os fiéis se relacionam com ele. ‘O padre também experimenta inseguranças, limitações, frustrações e momentos de solidão. Esperar dele uma perfeição inalcançável apenas amplia sua sobrecarga emocional’, salienta.

O verdadeiro cuidado de si

Quando a conversa chega ao plano pessoal, Padre Edelcio compartilha uma experiência significativa. Há muitos anos realiza análise psicológica, ainda que de forma intermitente. Para ele, existem momentos em que a pessoa simplesmente não consegue enfrentar sozinha determinados conflitos interiores, tornando legítima e necessária a ajuda profissional.

Além da psicoterapia, ele destaca a influência da filosofia, especialmente da noção foucaultiana do ‘cuidado de si’ : ‘Longe de representar individualismo, esse conceito significa desenvolver uma atenção permanente sobre a própria maneira de viver, relacionar-se e conduzir a existência’. Padre Edelcio aproxima essa reflexão da própria vida de Jesus. A beleza de Cristo, afirma, não estava nas aparências, mas na forma como acolhia as crianças, tratava as mulheres, defendia os pobres e anunciava a paz. Cuidar de si, portanto, consiste em configurar a própria vida segundo esses gestos do Evangelho, permitindo que a humanidade seja continuamente moldada pela graça.

Irmã Veridiana insiste que a cultura do cuidado precisa começar ainda nos seminários. Para ela, não basta oferecer disciplinas sobre saúde mental, é necessário ensinar futuros sacerdotes a reconhecer emoções, estabelecer limites, cultivar amizades sacerdotais, aprender a pedir ajuda, desenvolver hábitos saudáveis, praticar atividade física, reservar tempos de descanso e integrar direção espiritual com acompanhamento psicológico sempre que necessário. A prevenção, recorda ela, é muito mais eficaz do que agir apenas quando o sofrimento já se tornou intenso. Afinal, como recorda Padre Edelcio, ‘Uma comunidade sadia cura aqueles que dela se aproximam. Quando essa verdade é vivida concretamente, também o sacerdote encontra nela um lugar para renovar suas forças e continuar anunciando, com alegria e esperança, o Reino de Deus’.’

 

Fonte  : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/quem-cuida-precisa-de-cuidados-o-desafio-dos-padres-para-cumprir-o-ministerio-e-manter-a-saude-mental.html


sexta-feira, 4 de junho de 2021

Pandemia, um período estressante para os padres

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de John Burger


‘A pandemia de Covid-19 tem sido um período de muito estresse também para os padres. De fato, de acordo com um psicólogo canadense, nos últimos 15 meses, muitos sacerdotes católicos relataram sentimentos de perda de identidade.

Ter que pregar para bancos vazios, restringir a entrada das pessoas na igreja, ser proibido de visitar os doentes, cancelar eventos e não ouvir uma congregação cantar têm sido coisas ‘particularmente difíceis’ para os padres, disse Pe. Stephan Kappler, presidente e psicólogo-chefe da Southdown, uma organização sediada em Ontário que apóia a saúde mental de pessoas religiosas e do clero.

‘Muitos me disseram : ‘nunca pensamos que nos tornaríamos os policiais da paróquia’, afirmou o Pe. Kappler ao BC Catholic, jornal da Arquidiocese de Vancouver. ‘Em vez de cuidar pastoralmente de seu povo, tudo o que eles estão fazendo é dizer : ‘Não, desculpe, você tem que se registrar.’

Críticas de todos os lados

Mas não termina aí. O jornal noticiou que muitos padres, durante a pandemia, sentiram a tensão de serem criticados por serem muito rígidos ou nem tão severos o suficiente. Além disso, a adaptação ao uso de novas tecnologias para manter as transmissões ao vivo e as comunicações em andamento desde março de 2020 tem desgastado muitos pastores.

Como amenizar o estresse provocado pela pandemia

Mas, para o sacerdote, há maneiras de os padres se ajudarem, a fim de superarem o estresse.

‘O que tenho visto funcionar é que as pessoas são realmente intencionais quanto ao apoio social’, disse Kappler ao jornal. ‘Em outras palavras, você tem que fazer um esforço e planejar para chegar e se conectar.’

O isolamento e a solidão por longos períodos ‘geralmente não alimentam estratégias positivas ou adaptativas’, explicou. ‘Eles geralmente se alimentam de coisas que não são legais, como o consumo excessivo de álcool ou outras coisas entorpecentes’.

O sacerdote encorajou os pastores a reservar um tempo para conversas de qualidade com as pessoas em quem confiam, viver cada dia de cada vez, permanecer firmes em Jesus e buscar ajuda, se precisarem.

Perfeccionismo X estresse

‘Há uma alta porcentagem de nós, clérigos, que somos perfeccionistas’, continuou ele. ‘O perfeccionismo é, por um lado, uma coisa boa porque torna você eficiente, responsável e você deseja fazer coisas que são de alto padrão. Mas isso também tem um custo muito alto, e esse custo é que não há espaço para fraqueza.’

Embora as pessoas em geral tenham dificuldade em pedir ajuda, o problema é pior para o clero, disse ele ao BC Catholic. ‘Eu experimentei isso com padres, é exponencialmente mais desafiador dizer ‘Eu preciso de ajuda’. ‘Às vezes, os padres são colocados em um pedestal e ainda há o estigma associado à saúde mental’.

Os leigos podem, é claro, ajudar os padres com as orações neste momento de pandemia. Mas Kappler também sugeriu escrever um cartão ou uma carta com uma mensagem simples de encorajamento e uma possível oferta de apoio.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://pt.aleteia.org/2021/06/04/pandemia-um-periodo-estressante-para-os-padres/

domingo, 22 de março de 2020

Pandemia na Itália, os sacerdotes que deram suas vidas

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Cruzes
*Artigo de Amedeo Lomonaco e Silvonei José,
jornalistas
   

Pelo menos 30 padres morreram na Itália devido à pandemia de Covid-19, pelo menos 16 vítimas são da diocese de Bergamo. Párocos, formadores, homens dedicados ao seu ministério, das suas vidas emerge a parte da Igreja que Francisco ama, aquela que tem o cheiro das suas ovelhas e partilha as suas condições e o seu destino.


‘Entre as pessoas positivas ao coronavírus há também muitos padres. Alguns estão em isolamento, outros em cuidados intensivos. Pelo menos trinta morreram, nestes dias, por causa de complicações relacionadas à pandemia. Especialmente neste momento dramático, os sacerdotes continuam a sua missão ao lado do povo. A eles, no dia 15 de março passado, durante o Angelus, foi a gratidão do Papa Francisco. Naquela ocasião, o Papa agradeceu ‘a todos os sacerdotes, a criatividade dos sacerdotes’. ‘Sacerdotes que pensam mil maneiras para estar perto do povo, para que o povo não se sinta abandonado’.  No dia 13 de março, durante a Missa na casa de Santa Marta, o Papa rezou para que ‘o Espírito Santo dê aos pastores a capacidade e o discernimento pastoral’. ‘Que o povo de Deus - disse Francisco - se sinta acompanhado pelos pastores e pelo conforto da Palavra de Deus’.

A Diocese de Bergamo em luto

Só na diocese de Bergamo, cidade gravemente afetada pela pandemia de Covid-19, pelo menos 16 padres morreram devido a consequências ou complicações relacionadas ao coronavírus. Monsenhor Tarcisio Ferrari foi, durante mais de 30 anos, pároco da igreja de Sant'Alessandro da Cruz em Bérgamo. ‘Dos muitos anos passados nesta paróquia - recordava com emoção recentemente - trago no meu coração a alegria da ordenação de cinco sacerdotes e de ter ajudado tanta gente pobre e necessitada. Depois a generosidade do povo, tendo encontrado tantas famílias e vivido muitos eventos e celebrações nesta maravilhosa paróquia’. O pe. Mariano Carrara estava doente há algum tempo mas, apesar da sua doença, não tinha interrompido o seu precioso trabalho a serviço da comunidade de Urgnano. Após um agravamento de suas condições de saúde, ele deu positivo ao coronavírus e morreu após hospitalização no hospital ‘Papa João XXIII’. Monsenhor Achille Bellotti, como novo sacerdote, foi capelão entre os emigrantes na Bélgica. Um tema, o das migrações, que se entrelaçou ao longo do seu ministério pastoral. ‘Há alguns elementos - recorda o Escritório dos Migrantes da diocese de Bérgamo - que distinguem as pessoas que vêm do mundo rural : concretude e determinação, mas também serenidade interior. Padre Achille absorveu este alimento da família’.

Padre Tarcisio Casali celebrou a Missa até alguns dias antes de sua morte. ‘Sou um padre - escrevera por ocasião do 50º aniversário de sacerdócio - que viveu desde o início do Concílio Vaticano II. Foram anos inesquecíveis, cheios de entusiasmo e esperança, porque na Igreja iniciava a surgir um dia de luz esplêndida. Era apenas a aurora, mas já se podia tocar os primeiros raios do sol nascente’. Padre Silvano Sirtoli nasceu em Bergamo, em 1960. ‘Sua vida - recorda pe. Mario Carminati, vigário episcopal para as atividades econômicas, seu companheiro de ordenação - foi um Evangelho vivido deixando uma grande marca em toda parte’. Padre Giancarlo Nava exerceu seu ministério no Paraguai durante vários anos. Neste país, onde iniciou uma escola de formação para agricultores, também sofreu ameaças por denunciar a pragas da corrupção e do tráfico de drogas e armas.

Padre Giuseppe Berardelli era arcipreste em Casnigo. A sua saudação foi sempre a mesma : ‘Paz e bem’. Quando a sua saúde se deteriorou, ele recusou um respirador para dá-lo àqueles que eram mais jovens. Padre Giosuè Torquati nasceu em Bérgamo em 1938. Sacerdote dehoniano, foi chamado por todos de ‘Mago da alegria’ porque animava espectáculos com truques em oratórios, paróquias, escolas e lares para idosos. Dizia que o Senhor ‘não queria salgueiros chorões’. Padre Umberto Tombini exerceu em particular o seu ministério sacerdotal na cidade de Zogno. Estas foram suas palavras dirigidas à sua comunidade alguns anos atrás : ‘Tenho muitos rostos no meu coração, dificilmente os esquecerei. Agradeço ao Senhor por me dado a oportunidade de conhecer todos vocês que me deram tanto carinho’.

Padre Gaetano Burini, após a ordenação, iniciou o seu ministério sacerdotal em 1962, em Peia. ‘Eu era muito animado pelos sermões dialogados - disse, recordando o tempo em que era pároco em Urgano -, que eu fazia durante a missa dominical dos jovens. Dois ou mais rapazes e uma jovem vinham ao presbitério e comunicavam em voz alta os sentimentos que as leituras bíblicas suscitavam neles’.  Padre Remo Luiselli tinha iniciado uma comunidade de reabilitação para toxicodependentes em Ghisalba em 1989. Em 1993 ele foi atacado por alguns jovens na casa paroquial. ‘Foi uma ação punitiva’, disse ele, ‘porque naqueles anos eu tinha conseguido enviar 43 jovens toxicodependentes para uma comunidade de reabilitação e isso foi contra os interesses sujos de alguém’. Durante quarenta anos, pe. Piero Paganessi foi o ponto de referência para os habitantes do Comonte em Seriate. Ele também era conhecido por seu compromisso com a Associação ‘Operadores da Paz’, que vem trabalhando na Índia desde 1992 para ajudar pessoas carentes no estado de Andra Pradesh.

Padre Enzo Zoppetti foi ordenado sacerdote em 1955. Foi primeiro coadjutor da paróquia de Camerata Cornello, depois pároco de Cantoni d'Oneta (1959-76) e depois de Rosciano. Mesmo na velhice, até quando a sua saúde o permitiu, ele ajudou várias paróquias. Monsenhor Francesco Perico dedicou o seu ministério em particular aos jovens. Muitos destes, agora idosos, lembram-se dele com muito carinho nas redes sociais. Padre Adriano Locatelli, no último dia primeiro de março, nos primeiros dias de restrições para combater a emergência ligada ao Coronavirus, concelebrou a Missa transmitida através do Facebook para a sua comunidade. Padre Guglielmo Micheli foi, entre outras coisas, diretor da Casa do Estudante em Bergamo de 1968 a 1997 e assistente eclesiático da Associação St. Guido de Anderlecht de 1993 a 2001.

As vítimas da diocese de Parma

A diocese de Parma também paga um alto preço. São seis os sacerdotes que morreram. Padre Giorgio Bocchi, pároco de Coltaro, e pe. Pietro Montali tinham 89 anos de idade. Um dos sacerdotes mais jovens que morreu por causa da pandemia é padre Andrea Avanzini, que morreu aos 55 anos de idade. As outras três vítimas da diocese de Parma são pe. Fermo Fanfoni, pároco de Mezzano Inferiore, pe. Giuseppe Fadani, da paróquia de Carignano, e pe. Franco Minardi, pároco de Ozzano Taro e ex-diretor da Cáritas diocesana.

Sacerdotes que morreram na diocese de Cremona

Na diocese de Cremona morreram quatro sacerdotes, também por causa da Covid-19. Padre Albino Aglio foi ordenado em 1949. Realizou seus primeiros anos de ministério como ‘sacerdote do Oratório’. Monsenhor Vincenzo Rini era padre e jornalista. Durante muitos anos dirigiu o semanário diocesano ‘La Vita Cattolica’. Foi também presidente da Agência de Imprensa Sir e da Federação Italiana dos Semanários Católicos (Fisc). Por causa de complicações ligadas ao coronavirus morreram dois cânones honorários da Catedral de Cremona : monsenhor Giuseppe Aresi, ordenado em 1953, e monsenhor Mario Cavalleri, o sacerdote mais velho da diocese. Ele tinha 104 anos de idade.

Na arquidiocese de Milão morreram três sacerdotes

Também a arquidiocese de Milão chora a morte de sacerdotes. O primeiro padre ambrosiano vítima do vírus é padre Marco Barbetta, 82 anos, capelão do Politécnico, diretor espiritual de muitos jovens. Ainda em Milão, depois de dias de luta nos cuidados intensivos, morreu padre Luigi Giussani, 70 anos, vigário da popular paróquia milanesa de São Protaso, homônimo do fundador de Comunhão e da Libertação. No dia da Solenidade de São José, chegou a notícia da morte de padre Ezio Bisiello, por muito tempo pároco de Ronco Briantino.

Primeira vítima no sul

O primeiro sacerdote do sul da Itália que faleceu após o teste positivo para coronavírus pertencia à diocese de Salerno-Campagna-Acerno. Era o pároco de Caggiano, padre Alessandro Brignone, que morreu aos 45 anos de idade. ‘Quantos funerais - recorda o seu confrade pe. Luigi Pierri – ele acompanhou! E agora nada de funeral para ele. Acompanhemo-lo pelo menos com a nossa fraterna e grata oração’.’


Fonte :

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Paulo VI, sacerdote antes de tudo


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 10.05.1937 Mons. Giovanni Battista Montini Sostituto della Segreteria di Stato
GiovaGiovanni Battista Montini, 1957  (OSSERVATORE ROMANO)

‘Padre Antonio Marrazzo, postulador da causa de canonização de Paulo VI, fala sobre o pontífice, que tinha uma humanidade tão grande quanto sua inteligência. O símbolo? A estola do seu retrato oficial, sinal do sacerdócio que Papa Montini sempre mostrou aos grandes e pequenos do mundo.

Para Paulo VI, os paramentos usados para seu status não tinham muita importância, a não ser a estola que usava sempre e em todas as ocasiões. ‘Mesmo nas viagens ou quando recebia chefes de Estado queria se apresentar antes de tudo como sacerdote’. São palavras do seu postulador, padre Antônio Marrazzo, que revela este aspecto que determinou a imagem oficial da Canonização.

Antes de tudo a pessoa

O postulador descreve Paulo VI de modo muito diferente dos estereótipos, da ‘vulgata’ formada por dualismos que se cristalizaram no tempo sobre Paulo VI, ou seja, o Papa solene e frio, culto e distante. A estola é um exemplo disso. ‘Para ele não era importante a imagem’,  afirma o postulador, porque em toda sua vida ‘sempre olhou e viu o ser humano assim como Deus vê: precário, indigente, limitado’. Reconhecendo em si mesmo a mesma fragilidade, assim como ‘seus escritos’ testemunham.

Defensor da vida nascente

Certamente era um homem sóbrio, mas sobretudo rico de calor humano, efeito da ‘confiança no homem’ que o animava profundamente. Um homem aberto sem reservas à humanidade que estava rapidamente se modificando, e que para acompanhar levou a Igreja por meio do Concílio. Também era uma pessoa cheia de amor para com a vida, nascida ou não, como demonstram os dois milagres reconhecidos para sua Beatificação e Canonização. ‘Paulo VI – diz padre Marrazzo – deveria ser proposto como defensor da vida nascente’ porque, explica, os dois sinais de cura realizados pela sua intercessão colocam-se em extraordinária ‘continuidade’ com o seu magistério.

Papa que transmitia seus sentimentos

No dia 14 de outubro Paulo VI será declarado santo. Mas não estará sozinho pois serão também canonizados Dom Romero, e algumas Santas e Santos fundadores. ‘A escolha do Papa Francisco não foi casual – explica Marrazzo – mas podemos nos perguntar : até que ponto a santidade é ligada ao papel que uma pessoa exerceu na sua vida?’. No caso de Paulo VI, conclui, a santidade foi vivida com uma vida rica de humanidade de um homem que ‘transmitia a todos o que vivia dentro de si mesmo’.’


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