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quarta-feira, 3 de abril de 2024

Jesus, a verdade que ruge

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 *Artigo de Dom Lindomar Rocha Mota,

Bispo de São Luís de Montes Belos, GO


Caminhar no mundo é como perambular num vale desconhecido. Foi nesse deserto que o Senhor teve piedade e nos encontrou, andarilhos gastos com uma carga insuportável no alforje. 

Com centenas de mandamentos revertidos e simplificados na formulação elegante e simples do amor a Deus e ao irmão, Jesus resolveu as coisas para nós. Era quase impossível, mas Jesus deu um jeito. 

Paulo mesmo não deixava de se maravilhar pelo modo como a profecia antiga ganhou vida em Jesus. A revelação plena do mundo esperado foi quase escandalosa, por isso Ele mesmo disse ‘não vos escandalizeis comigo’ (Jo 16,1), porém, foi difícil não se escandalizar. 613 normas, em sua maioria proibições, não eram algo razoável. Tantas normas postas claramente entram em contradição e se anulam mutuamente, gerando o risco de recair sobre ombros humanos a responsabilidade de eleger a sua preferência. Muitas dessas leis eram excessivamente particulares, como a 348, que recomendava ‘salgar todos os sacrifícios’, ecoando Levítico 2,3. 

Questões éticas e morais se misturavam por toda parte, sem um fio condutor para orientar a tomada de decisão e a escolha do caminho. A revelação precisou ser acelerada para que o Reino de Deus não fosse impedido pelos incontáveis impedimentos que lhe foram postos diante. 

Não é, pois, estranho que muitas leis orientem a vida de um povo. Preceitos de todo tipo emergem no limite entre a ética, a moral, a política e o direito. Saberes se ladeiam para aprumar o caminho, mas, sem um fio condutor que os unifique, o aparato moral ou religioso vira uma mera certeza emocional de batalhas e conflitos sem fim. 

Jesus Cristo, que é o mesmo ontem, hoje e sempre, é a única norma vivente, universal e concreta. Sem a angularidade da norma encarnada, o mundo se pulveriza em estilhaços de verdades, incapazes de iluminar a estrada e curar os feridos no coração. 

Com Ele no meio de nós tudo é realinhado numa direção só. Uma verdade se liga a outra sem contradição. A pessoa é posta no centro! Entre as pessoas, começa-se pelos que precisam mais, pelos mais frágeis e excluídos. A partir dessa sensibilidade exterior, chega-se também à melhora e a cura interior. 

As palavras e ações de Jesus se transmutam numa conjunção de fé. Cada detalhe de sua vida é para nós uma proposição normativa e, como Ele mesmo não escreveu nenhum código, mas testemunhou com a sua humanidade o desenvolvimento dos enunciados propostos, muitos ficaram admirados com a sua autoridade (cf. Mc 1,27). 

Foi por isso que, querendo orientar o seu jovem amigo Timóteo, então bispo, a prosseguir no caminho do Senhor, São Paulo enfatiza que na memória da Igreja apenas Jesus Cristo tem a primazia. 

Como naquele tempo, também hoje faz-se necessário aprumar os objetivos e orientar as escolhas, acolhendo a recomendação do apóstolo que ecoa pelo tempo : ‘Lembra-te de Jesus Cristo’ (2Tm 2,8).

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/jesus-a-verdade-que-ruge.html

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Entrevista com um monge: o deserto pode ser um lugar implacável

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Daniel R. Esparza


‘São Bento de Núrsia é habitualmente considerado o pai do monaquismo ocidental, mas ele não foi o primeiro monge cristão. Esse título muitas vezes vai para Antão, o Grande. A vida cristã monástica e eremítica nasceu no deserto egípcio pelo menos dois séculos antes de Bento, por volta do ano 270. Enquanto Paulo de Tebas foi o primeiro a se aventurar no deserto, foi Antão quem o transformou em movimento. Aqueles que o seguiram logo formaram uma espécie de sociedade cristã – os famosos Padres do Deserto. Foi um desses padres, São Pacômio, quem organizou as primeiras comunidades monásticas cristãs sob a autoridade de uma figura conhecida como ‘abade’ – palavra derivada do aramaico ‘abba’, pai.

Isso significa que a famosa Regra de São Bento não é a primeira regra monástica. No entanto, quando comparada com as de São Basílio ou Pacômio, a sua é certamente mais ampla. Organizada em 73 capítulos, é utilizada ininterruptamente pelos monges beneditinos desde o século VI.

Regra

Uma das passagens mais famosas da regra de Bento XVI é o capítulo 53. O texto é relativamente breve. Em poucas linhas, resume o princípio da lendária hospitalidade beneditina. Lê-se da seguinte forma :

Todos os hóspedes que chegarem ao mosteiro sejam recebidos como o Cristo, pois Ele próprio irá dizer : ‘Fui hóspede e me recebestes’.

As comunidades monásticas consideram a hospitalidade como o cerne de sua missão e identidade, especialmente se estiverem no deserto ou em outras áreas relativamente isoladas, onde os mosteiros são frequentemente encontrados – os viajantes que vagam por essas regiões particularmente remotas precisam de toda ajuda possível.

A caridade cristã obrigaria os monges a ajudar. Essa tradição ainda é preservada e honrada hoje. Entrevistamos o responsável pela hospitalidade da Abadia Beneditina de Cristo no Deserto (fundada em 1964 pelo Pe. Aelred Wall), para discutir brevemente hospitalidade, contemplação e vida.

Lugar

Chega-se a esse mosteiro depois de percorrer 5 km ao longo de uma estrada de terra e cascalho fora da Rota 84, no noroeste do Novo México. O mosteiro, projetado pelo famoso George Nakashima, é cercado por quilômetros de uma paisagem desértica protegida pelo governo, garantindo assim a solidão e a tranquilidade da vida monástica. Começamos nossa entrevista perguntando ao monge Crisóstomo sobre esta localização excepcional.

Thomas Merton disse que o Mosteiro de Cristo no Deserto é o melhor edifício monástico dos EUA. É impressionante como ele se encaixa na paisagem. Você pode dizer mais sobre por que isso é importante para a comunidade monástica?

Os moradores da cidade tentam permanecer conectados ao seu entorno por meio de construções, temas arquitetônicos e cores. Também desejamos seguir esta tradição de nos misturarmos com o nosso ambiente. Sentimos que ao fazê-lo não estamos apenas contribuindo para sua preservação, mas estamos valorizando o respeito pela natureza de que fala o Papa Francisco na Laudato Si’, sua segunda encíclica. A estruturas [do mosteiro] parece ter sido esculpida nas paredes do cânion.

A hospitalidade é um valor bíblico paradigmático. Alguns escritores espirituais explicam que a criação é o principal gesto hospitaleiro de Deus. Se não fosse por sua hospitalidade, Abraão nunca teria tido Isaac. Inúmeras referências bíblicas à hospitalidade (incluindo o nascimento de Jesus) deixam claro que esta é uma preocupação central abraâmica. Sendo o responsável pela hospitalidade de um mosteiro (no deserto, nada menos), como o senhor acha que a hospitalidade poderia ser trazida para a vida cotidiana de todos?

Acredito na mesma coisa que outros escritores espirituais mais instruídos expressaram sobre Deus : Ele é o grande provedor de hospitalidade. A criação foi feita para a sua Igreja. Para não teologizar demais como Deus é hospitaleiro com Sua criação, basta perceber que Ele sabe o que faz. Nós, sua criação, por outro lado, podemos nos beneficiar de lembretes sobre como participamos de Sua criatividade e Sua hospitalidade. Sim, dar abrigo aos pobres, roupas aos nus, comida aos famintos são aspectos importantes da hospitalidade. Jesus nos diz que quando fazemos isso pelo menor de nossos irmãos, fazemos por Ele. No entanto, a hospitalidade pode ser estendida às nossas atitudes abertas e amorosas para com as pessoas, nossa falta de pré-julgamento e nossa disposição de ouvir os outros. Esses também são atos de hospitalidade que não devemos ignorar.

A maioria das pessoas pode ter uma ideia quase romântica do deserto, como se tudo fosse silêncio e paz. Mas o nome do seu mosteiro (‘o Mosteiro de Cristo no Deserto’) refere-se claramente ao fato de que o deserto é de fato o lugar onde se é tentado. O senhor poderia compartilhar seus pensamentos sobre isso?

O deserto é de fato romantizado. E, sim, Cristo foi compelido a ir ao deserto logo após ser batizado. Lá ele foi tentado por Sua fome (ele jejuou por 40 dias) e Sua mansidão (ele foi desafiado a provar a Si mesmo como Deus e foi oferecido domínio sobre centros de poder). Pessoalmente, achei o deserto um lugar lindo e implacável também. Lindos céus (dia e noite), o canyon, o rio, a flora e a fauna contribuem para esta paisagem inesquecível. Também pode ser inóspito para a vida às vezes. Pode ser perigoso. Pode ser muito frio e muito quente, às vezes no mesmo dia! O deserto, para mim, é um lugar que pode te tirar, não sem dor, da arrogância da autossuficiência. É também um lugar onde as distrações se dissipam e a simplicidade da vida emerge : Onde está a água? Onde está a comida? O que eu realmente preciso para sobreviver?

A vida contemporânea está repleta de conversas aparentemente intermináveis telefones celulares e laptops mantêm todos expostos incessantemente a praticamente tudo. Em um mundo em que reina a informação, a contemplação e o silêncio parecem contraculturais, até mesmo inúteis. O que pode nos dizer sobre isso?

Acredito que as distrações daquilo que desejamos perseguir ou focar sempre estiveram conosco. Em nosso mundo moderno, dependendo das escolhas do indivíduo, essas distrações aumentam em múltiplos, talvez até exponencialmente! Recentemente, refleti sobre Nossa Mãe Maria durante sua festa de 1º de janeiro. Ao longo das Escrituras, os escritores dos Evangelhos a descrevem como guardando coisas e ponderando os mistérios dessas coisas em seu coração : a Anunciação, água se transformando em vinho nas bodas de Caná, a visita dos Magos. Maria deve ter guardado muitas lembranças de seu filho notável, Jesus. Nós, como Maria, armazenamos memórias de como Deus trabalhou em nossas vidas ao longo dos anos, as quais podem vir à mente para nós no deserto. Podemos compor um florilegium (um livreto) que ganha vida quando temos tempo para ficar quietos e sentar em solidão e silêncio. Pode parecer inútil para alguns, mas eu digo, experimente! Você nunca sabe que frutos inesperados podem vir de um corajoso passo de fé.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2022/01/21/entrevista-com-um-monge-o-deserto-pode-ser-um-lugar-implacavel/

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

A catedral do Bahrein, um oásis de graça no deserto

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Debora Donnini, 

da Vatican News


‘A catedral do Bahrein ergue-se no deserto como ‘um oásis de graça viva’. O cardeal Antonio Luis Tagle, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, agradeceu ao Senhor ao descrever a igreja que consagrou no passado dia 10 de dezembro no país constituído por um arquipélago de ilhas no Golfo Pérsico. Uma ação de graças que olha para a realidade dos cristãos e para além dela. ‘No deserto’, disse ele, ‘os migrantes cristãos encontram uma casa, a casa de Deus e da família de Deus; no deserto surgiu um símbolo poderoso de diálogo, solidariedade e fraternidade. Louvamos o Senhor que caminha com o seu povo no deserto e faz um pacto com ele’.

Mais de mil visitantes por dia

Uma obra de importância decisiva na região. A catedral, cuja pedra fundamental doada pelo Papa foi lançada em 2014, tornar-se, de fato, o centro dos serviços pastorais do Vicariato Apostólico da Arábia do Norte, que inclui também o Kuwait, Qatar e Arábia Saudita. É uma obra de arte sugestiva, com um projeto octogonal, uma cúpula dourada e uma acabamentos azuis no exterior. Com uma grande capacidade : pode acomodar até 2.300 pessoas. Desde a sua inauguração e consagração, mais de mil pessoas por dia foram visitá-la, e não só católicos, explica Mattia Del Prete, o arquiteto que construiu a igreja com sua equipe. Um fato que atesta a beleza do trabalho, mas também o seu papel como ponto de encontro de todos. Sete anos de trabalho, explica ele, durante os quais se conseguiu a colaboração com as autoridades locais para enfrentar, em conjunto, as dificuldades da construção. O forte apoio do Rei do Bahrein, Hamad bin Isa al Khalifa, foi importante, pois doou os 9.000 metros quadrados de terreno e também tornou possível a construção do parque de estacionamento.

O amor de Deus através da beleza

A forma recorda a tenda no deserto do povo de Israel onde, como narra o livro do Êxodo, o Senhor falou a Moisés; era o lugar da presença do Senhor. Com uma grande cúpula coberta de metal dourado que reflete a luz do sol, é ‘como um farol’ - explica Mattia Del Prete – apoiado sobre volumes de pedra que assumem tons rosados num céu vermelho ardente ao pôr-do-sol. A beleza do mármore, os acabamentos azuis no exterior e cada detalhe recordam a ‘nova estética’ proposta na arte por Kiko Argüello, iniciador do Caminho Neocatecumenal e consultor artístico da obra. Mattia Del Prete e a sua equipe se formaram com ele. O significado é fazer as pessoas, mesmo as mais pobres, perceberem, através da beleza, o amor de Deus, cujo ponto culminante é o próprio rosto de Cristo. É esse amor que se expressa antes de mais nada na criação e que suscita admiração. A beleza, de fato, faz o homem sentir-se profundamente amado.

Uma experiência de diálogo e de encontro

A atenção aos detalhes, explica o arquiteto, visa dar uma maior participação na liturgia utilizando todos os instrumentos técnicos : a forma octogonal, os planos inclinados, a coroa misteriosa - uma reprodução dos afrescos de Kiko feita com uma técnica inovadora de alvenaria - que se refere à iconografia oriental. É um espaço circular na base da cúpula, inteiramente em afresco, com painéis que ilustram os principais episódios da vida de Jesus e o Cristo Pantocrator no centro. Os espaços modernos e acolhedores estão portanto ao serviço das pessoas, das relações com o próximo. Mattia Del Prete descreve emocionalmente o diálogo que foi estabelecido com o rei Hamad. Mas também com os trabalhadores, recordando como no dia da inauguração todos se cumprimentaram com um abraço fraterno : uma explosão de alegria coletiva. Também se destaca a importância da estátua da Virgem Maria com o Menino nos braços e o Rosário nas mãos, as capelas laterais marcantes e a Fonte Batismal escavada no chão e rica em símbolos, começando pelos sete degraus abaixo, onde é possível receber o Batismo por imersão. Além disso, a utilização do plano inclinado sobre o qual os bancos estão dispostos permite uma perfeita visibilidade também nos últimos bancos.

Um sinal de acolhida aos trabalhadores migrantes

Uma obra de amor, portanto, cujo projeto começou com o então Vigário Apostólico da Arábia do Norte, dom Camillo Ballin, recorda dom Paul Hinder, Vigário Apostólico da Arábia do Sul que, desde 13 de maio de 2020, é também Administrador Apostólico da Arábia do Norte, após a morte de dom Ballin. Dom Hinder lembra-se do momento da consagração como uma festa. É, de fato, ‘uma bela construção’, diz ele. A comunidade católica no Bahrein, cerca de 80.000 batizados, é maioritariamente composta por trabalhadores imigrantes de diferentes países, especialmente da Ásia. Dom Hinder também se detém nos muitos gestos de abertura do Rei e da Casa Real, uma tradição que começou com o pai do atual Rei. Ele explica como a catedral é também um ponto de referência importante para os católicos que vivem na Arábia Saudita, que podem vir participar da missa.

Um caminho que continua

Esta catedral é também um sinal de beleza e, portanto, de acolhida a estas pessoas que vivem fora do seu país de origem. ‘É também um lugar onde se podem sentir em casa’, sublinha dom Hinder, afirmando que é importante que tenham pontos de referência para a sua fé, mas também um sentimento de pertença à comunidade católica. No que diz respeito à assinatura pelo Papa Francisco e pelo Grande Imã de Al-Azhar do documento sobre Fraternidade humana para a paz mundial e a convivência comum, que teve lugar em 2019 em Abu Dhabi, ele destaca como esse documento é, de certa forma, um ponto de não retorno : ‘Há um caminho que vai em frente, há um respeito mútuo e uma aceitação que tem crescido e parece-me que é importante que experimentemos isto entre as igrejas mas também entre as religiões’.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-12/catedral-do-bahrein-um-oasis-de-graca-no-deserto-tagle.html

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Charles de Foucauld e o deserto da vida

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo do Padre Geovane Saraiva,

jornalista, colunista e pároco

de Santo Afonso de Fortaleza, CE


‘É do conhecimento de muitos, na civilização cristã, que Jesus de Nazaré confidenciou a São Bernardo que sua maior dor, desconhecida em parte pela criatura humana, é a chaga decorrente do peso de sua cruz salvadora, na seguinte manifestação : ‘Eu tinha uma chaga profundíssima no ombro, sobre o qual carreguei minha pesada cruz. Era ela a chaga mais dolorosa de todas, a qual as pessoas ainda hoje não a conhecem’. Fica, pois, o convite para que, por essa chaga, seja Deus honrado e louvado. Confiemos, pois, na sua segura resolução e retribuição, de tudo fazer por meio de suas feridas ocultas, na certeza de que nelas se encontram as dores da humanidade.

Em Charles de Foucauld, com seus propósitos concretos de vida no imenso deserto do Saara, temos o encontro e a descoberta progressiva e sempre maior do absoluto de Deus. Neste tempo que precede sua canonização, somos desafiados a percebermos um Deus verdadeiramente amigo, irmão e companheiro. Temos que ter como fundamento sua espiritualidade, do mais profundo do coração, envolvido e mergulhado no mistério de Deus. Nos seus ensinamentos do Evangelho, o da Cruz do Senhor, o deserto quer ser a água miraculosa e redentora para aqueles momentos difíceis, sequiosos e de grande aridez. A solidão, ou aridez, no exemplo do irmão D’Foucauld, permite-nos continuar a jornada do dia a dia, como sendo algo precioso e raro, uma dadivosa manifestação da bondade afável e terna de Deus : mérito, dom e graça.

Que o Evangelho da Cruz de Charles de Foucauld, aos olhos da fé, ajude o nosso deserto, despojando-nos de tudo o que nos impede de vivermos a proposta do Reino como um tempo de graças especiais. Deus quer se manifestar, abrindo caminhos, animando-nos com o alimento e com a água verdadeira, que, no seu próprio exemplo, fez sair água das pedras ou do rochedo, matando a fome e a sede de sua esposa sedenta : o povo de Israel. Na travessia do primeiro deserto, nota-se que se sucedeu o mesmo na vida das pessoas, mas com sua presença no meio do seu povo, na alegoria de Israel representado como se fosse sua esposa, que nem sempre soube corresponder ao amor de Javé.

Naqueles 40 anos no deserto, com limitações e vacilos pelos caminhos áridos, estéreis e enfadonhos, com Deus abominando a deslealdade e a infidelidade de seu povo, ele não deixou de lançar um didático convite, com o pedido clamoroso de não endurecer seu coração (cf. Sl 95, 8). Sua promessa, concedendo generosos benefícios, Deus quis contar com a adesão e a aquiescência da esposa : a de andar pelos bons caminhos e observar sua Lei, falando ao coração de sua gente, convocando para a conversão. Que o bem-aventurado Charles de Foucauld interceda a Deus por nós, acompanhando-nos e abençoando-nos em nossos desertos da vida. Assim seja!

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/noticia/1516939/2021/05/charles-de-foucauld-e-o-deserto-da-vida/

terça-feira, 2 de junho de 2020

Os 4 elementos do deserto como símbolo espiritual


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

 Discover Happiness: The spiritual desert
*Artigo da Redação da Aleteia


‘Autores de espiritualidade em todas as épocas da história do cristianismo abordaram o simbolismo espiritual do deserto, tanto para recordar que a dimensão material está sempre sujeita à escassez quanto para recordar, também, que mesmo a abundância material pode ser desértica espiritualmente.

Em artigo publicado em março deste ano pelo site da agência católica portuguesa Ecclesia, o professor universitário Miguel Oliveira Panão também apresentou suas reflexões sobre este clássico simbolismo :

4 características simbólicas do deserto

1 – Silêncio

Não há no deserto os ruídos do mundo, comenta o professor : ‘apenas o som do vento e do nosso respirar’. O ambiente externo de silêncio evoca também o silêncio interno, capaz de nos esvaziar dos tantos afãs do dia-a-dia e, portanto, de nos ajudar a acolher melhor a Palavra, o Verbo – que, aliás, tem rosto e tem nome.

2 – Renúncia

Entre os muitos apegos modernos não há somente os materiais, mas também os mentais : apegos a gratificações instantâneas que servem de validação para a própria existência e sem as quais os momentos de tédio se tornam um verdadeiro tormento. Renunciar é desapegar-se das validações dos outros e um convite a encontrar essa validação numa saudável ecologia do coração, como diria o Papa Francisco. A ecologia do coração procura a boa prática das palavras bondosas e edificantes : palavras de gratidão, por exemplo.

3 – Essencialidade

O essencial se conecta com o próprio desenvolvimento da capacidade de renúncia, pois, ao renunciar ao supérfluo, compreendemos mais claramente o que é de fato é essencial em nossa vida. Quais são os valores que orientam as nossas escolhas?

4 – Solitude

Não, não é o mesmo que solidão. O teólogo Paul Tillich dizia que a linguagem criou a palavra solidão para expressar a dor de estarmos sós, enquanto a palavra solitude foi criada para expressar a glória de estarmos a sós. Parecem sinônimos, mas não são : a solitude é, de certo modo, um antídoto para a solidão, pois quem sabe se encontrar com os seus pensamentos também saberá encontrar-se melhor com os pensamentos dos outros.’


Fonte :
*Artigo na íntegra



quinta-feira, 2 de abril de 2020

A quaresma que se prolonga

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Quando aquilo que nos entretém no confinamento ficar enfadonho, talvez seja a hora de darmos uma chance ao silêncio para ler os sinais dos tempos
*Carlos César,
graduado em Relações Internacionais


‘Em nossa caminhada de fé cristã, a quaresma é um tempo oportuno que nos prepara para a grande celebração da festa da Páscoa. Acontece que, em virtude da pandemia do coronavírus, a nossa quaresma se fundiu com a quarentena que se nos impõe neste momento. A quaresma acabará daqui alguns dias, o distanciamento social a qual estamos submetidos ainda não sabemos até quando durará. O Vaticano emitiu um decreto reiterando que a data da Páscoa permanece inalterada, porém, dadas as circunstâncias, os bispos e padres estão orientados a celebrarem os ritos da Semana Santa sem a participação do povo e em local adequado.

A pandemia, com sua força, tem mudado muita coisa ao nosso redor : desde as nossas relações sociais à nossa fé. Mas ela tem mudado, sobretudo, a nós mesmos e o modo como vemos o mundo. Neste tempo de isolamento um misto de assombro, preocupação e incerteza toma conta da gente. Porém, a fé e a esperança podem ser uma forma de lutar contra o vírus do medo. A informação e a confiança na ciência e nas autoridades sérias, por sua vez, tornam-se uma forma imprescindível de lutar contra o vírus da ignorância. Muitas vozes surgem em tempos de crise e precisamos estar atentos para ouvir as mais corretas. 

Esse momento que vivemos é de incerteza e nos assusta. Dele ninguém tem escapado. Ele assusta porque põe diante de nós uma enfermidade que tem nos questionado como há muito tempo não se via. Vemos escancarar diante de nós a falência de muitos dos nossos esquemas sociais, políticos, religiosos, sanitários e até afetivos. Estamos diante de um vírus que esbarra em tudo aquilo que possuímos e consideramos valioso : nossa família, nossos amigos, nosso corpo, nossa saúde, nosso conhecimento, nosso trabalho, nosso estudo, nossas viagens, nossos projetos, nossas relações e mais uma infinidade de coisas. E quanto mais nos questiona, mais toca em realidades que fomos acostumando a fugir delas : a dor, a morte, a dependência, a solidão, o ócio, a limitação, o desconhecido, o silêncio... A experiência nos mostra que aquilo de que fugimos, mais cedo ou mais tarde nos pega de algum jeito e aí somos quase que obrigados a acolher e a dar uma resposta. E esse é o tempo em que respostas têm sido forjadas e exigidas a todo momento.

Na medida em que o tempo passa e a nossa quarentena for se estendendo, vai chegar a hora em que cairemos na conta de que muito daquilo que nos entretém agora começará a se tornar rotineiro, quase enfadonho. Sejam os memes divertidos ou as incontáveis lives. Quando esse momento chegar talvez seja a hora de darmos uma chance ao silêncio para ler os sinais dos tempos e buscar a força e esperança necessárias para continuar lutando. Quando esse momento chegar lembraremos do deserto quaresmal e quem sabe aí descobriremos mais sobre nós mesmos e sobre aquilo e Aquele que nos sustenta de verdade em tempos de crise. Que não tenhamos medo de quando isso acontecer.

Certamente, quando tudo isso passar daremos mais valor a muita coisa que antes nos era demasiado corriqueiro ou quase banal : um encontro, um abraço, os amigos do trabalho, o trabalho, a faculdade, a família, ou até mesmo aquela velha missa de domingo. Enfim, ao final de tudo isso não seremos mais os mesmos.

Em tempo de corona vírus todo o amor que temos por nós e pelos outros e toda a fé que temos em Deus e na ciência nos pedem que fiquemos em casa em sinal de cuidado consigo e com os demais. O amor em casa é sempre o amor das pequenas coisas, por isso tão exigente. Mas não podemos nos furtar dele.

Como dito, a quaresma se encerrará dentro de poucos dias. As práticas quaresmais que pensávamos que acabariam serão estendidas pela quarentena. O nosso jejum, a nossa caridade e a nossa oração deverão continuar, por uma questão de sobrevivência do corpo e da alma. Mas ao final, quando chegar a Páscoa, seja no calendário cristão seja no anúncio do fim da pandemia teremos aprendido muita coisa. As nossas prioridades, as nossas relações, os nossos posicionamentos serão todos repensados. E isso é Páscoa, passagem, mudança, vida nova.

Por fim, cabem aqui as palavras de santo Atanásio, um bispo do século IV, que ao comentar sobre a Páscoa, disse que ela ‘nos sustenta no meio das aflições que encontramos neste mundo e, por ela Deus nos concede a alegria da salvação e nos faz amigos uns dos outros, pois, ela nos conduz a uma única assembleia, unindo espiritualmente a todos em todo lugar, fazendo o milagre de sua bondade que congrega nesta festa os que estão longe e reúne na unidade da fé os que, porventura, se encontram fisicamente afastados.’

Boa quaresma. Bom isolamento. Feliz Páscoa.’


Fonte :

sábado, 8 de fevereiro de 2020

“Eu te coloquei no deserto para saber o que havia em teu coração”

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo de Talita Rodrigues,
psicóloga


‘Sabemos que todos nós, em alguns momentos, passamos por desertos quase que inexplicáveis. A vontade de viver vai embora, o sentido se vai, não vemos saída alguma para todos os nossos problemas e tudo o que era colorido e cheio de vida passa a ser cinza e sem vida. Para onde quer que vamos não encontramos caminho, água e ar.

Nestes momentos, eu sempre procuro acreditar que Deus permite isso em nossas vidas por um propósito maior. Obviamente. na dor. é difícil compreender e aceitar a vontade de Deus em nossas vidas, é difícil aceitar que se estamos passando por isso é pela permissão de Deus. Afinal, se Deus é um Deus de amor por que nos permitiria sofrer? Nos esquecemos que de tanto que Ele nos ama, assim como um Pai, Ele permite a dor em nossas vidas para que sejamos transformados e para que aprendamos a viver de fato.

Se pararmos para pensar, as maiores curas acontecem em momentos vazios de vida como estes. Nestes momentos, onde toda a vida que temos se vai como num sopro, percebemos que sem Deus não somos absolutamente nada. Descobrimos que não são pessoas, bem materiais e sucesso profissional que devolverão a nós o sentido de viver que foi perdido. Nestes momentos, refletimos e percebemos claramente que a nossa salvação, a cura e o sentido de viver que tanto buscamos, só serão encontrados em Deus.

Em meio ao deserto, passamos a conhecer melhor nossas fragilidades, nossos sentimentos e emoções, e trazemos a consciência, onde nós depositamos e colocamos a nossa confiança.

O deserto e o passar por ele exigem que nos deparemos com tudo aquilo que não queremos ver, sentir ou acreditar. O deserto nos proporciona um maior autoconhecimento e uma maior fé. O deserto só acaba quando a transformação que Deus quer fazer em nossas vidas acontece. Essa transformação, muitas vezes, acontece quando, em meio ao deserto, descobrimos o que verdadeiramente há em nosso coração. Sem ele, cá entre nós, não poderíamos fazê-lo.

Em Deuteronômio, capítulo 8 versículo 2, Deus nos diz : ‘Eu te coloquei no deserto, para saber o que havia em teu coração.’

Se a sua vida está em escala de cinza e você sente como se estivesse no deserto, olhe para o céu e deixe-se conduzir por Aquele que permitiu que você passasse por isso. Perceba e encontre o verdadeiro sentido e significado em sua dor. Deus só consegue nos moldar em nossas maiores fragilidades. Se entendermos isto, passaremos da melhor forma por esse período difícil e dolorosso e veremos a verdadeira tranformação acontecer. Já não seremos mais os mesmos.


Fonte :

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Há desertos que é impossível atravessar?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo de Marta Arrais,
cronista


‘Somos feitos de paisagens. É debaixo da pele que guardamos os instantes que nos mudaram para sempre. Os que nos fizeram estremecer para, depois, nos tornarem mais fortes. Os que nos permitiram conhecer as pessoas da nossa vida. Os que nos fizeram recomeçar. Os que nos fizeram pôr um ponto final no que já não nos dava sentido. É debaixo da pele, e nas paredes do coração, que dormem todas as nossas histórias e aventuras. Umas mais trágicas que outras. Umas mais alegres. Umas mais tranquilas e outras que carregam o estrondo de uma tempestade (ainda que já tenham sido vividas há muito tempo).

Somos feitos de cenários de guerra, também. Há momentos em que somos obrigados a desbravar caminho sem saber quais os monstros que nos poderão fazer cair. Somos obrigados a ir limpar as armas que a vida nos deu para enfrentar o que vier. No entanto, e enquanto não bebemos a força necessária para a próxima batalha, vivemos uma espécie de travessia do deserto. Parece-nos que caminhamos sozinhos e sem luz que nos guie. Parece-nos que o calor nos tira o fôlego e não se vislumbra a promessa de uma fonte ou de um fio de água. Parece-nos que a tempestade de areia nos cega e não nos deixa ver o caminho. De olhos semicerrados, avançamos sem saber como. É uma travessia sem barulho de risos ou de pássaros. É como se o silêncio se fizesse golpe e, ao ferir-nos, nos ganhasse.

Deixem-me esclarecer que as travessias do deserto são diferentes para cada um de nós e ninguém sabe, realmente, quando estamos a fazê-las. Podemos imaginar, quando estamos atentos, que aqueles olhos sem brilho (que adivinhamos neste amigo ou naquela pessoa da família) são olhos de quem só pode estar a travar uma batalha. Mas nunca podemos ter a certeza do impacto desta travessia em cada um dos que se cruzam connosco.

Como é que se atravessa o deserto?

A verdade é que não há estratégias que nos sirvam a todos. Ainda bem. Há quem atravesse o deserto com a coragem de um super-herói e há quem o faça desfeito em lágrimas. Há quem lhe encontre sentido e há quem não entenda as razões de ter de suportar tal cansaço e provação. Há quem entregue a travessia ao Céu e há quem se entregue ao silêncio da sua própria coragem.

Há desertos que é impossível atravessar?

Há. Todos nos parecem impossíveis quando ainda não começámos a travessia. Tudo nos parece assustador quando nos é desconhecido. Tudo nos perturba se, dentro de nós, estiver escuro. Ainda assim, e no meio da inevitável solidão de alguns momentos, sobra-nos a memória. Sobra-nos a memória dos que caminham conosco mesmo que não possam caminhar por nós. Sobra-nos uma esperança corajosa. Firme. Que nos diz baixinho que nem tudo se explica mas tudo se poderá (tentar) compreender. E sobram-nos as estrelas. Não há noite maior do que elas.


Fonte :

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

À escuta dos Pais do deserto hoje

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 JVARI MONASTERY
*Artigo de Vanderlei de Lima, 
eremita na Diocese de Amparo


‘O livro de 160 páginas que agora apresentamos foi escrito por Dom Lucien Regnault, monge beneditino da Abadia de Saint-Pierre de Solesmes e especialista em Padres (= Pais) do Deserto.

É fruto de um programa de rádio que o autor apresentou, em 1984, de manhã, por um semestre, com o nome de ‘Abba, diga-me uma palavra’, em uma emissora do sul da França, lendo o ensinamento de um Padre do Deserto e comentando-o brevemente. Dessa série de programas nasceu esse livro que, traduzido para o português e publicado pelas Edições Subiaco, de Juiz de Fora (MG), já está na segunda edição.

Por ‘Padres do Deserto’ se entende, aqui, eremitas (monges sem comunidade) que viviam em regiões pouco habitadas e dividiam seu tempo entre a oração e o trabalho, no silêncio quase perpétuo. Este só era minimamente quebrado quando o monge tinha de tratar algo com alguém que o procurava para uma ‘direção espiritual’.

Isso é o que chama a atenção. Aqueles homens quase não falavam, mas ao dizerem algo, via de regra, em sentenças (=Apoftegmas) curtas, revelavam uma sabedoria ímpar. Mereceram, portanto, a partir do século IV, o título de Abba (Pai) ou Padres (sem serem sacerdotes) por sua paternidade espiritual, sabiamente, exercida.

Escolhemos uma passagem da obra para apresentar a fim de que cada leitor(a) tenha breve noção de sua riqueza temática que muito pode ajudar a cada homem e mulher do século XXI, sedento de boas fontes capazes de amenizar sua sede do Absoluto. Eis uma sentença comentada, na página 135, com o título Três coisas capitais. ‘Abba Poimén disse : Há três coisas capitais que são úteis: temer o Senhor, rezar sem cessar e fazer o bem ao próximo’ (Alph 734).

A esta afirmação Dom Regnault oferece o seguinte comentário : ‘É bom lembrar que os Pais quando falam de temor de Deus, não pretendem de modo algum excluir o amor. Não é o temor de um escravo, mas o temor de um filho que tem receio de desagradar ou aborrecer o Pai, seja no que for. É a base de todas as nossas relações com Deus’.

Rezar sem cessar não é um sonho nem uma quimera. Significa rezar tão frequentemente quanto possível, nas diversas situações em que nos encontramos. Quando estamos absorvidos por uma discussão de negócios, ou durante uma refeição de família, não é tão fácil rezar como na solidão de nosso quarto. A continuidade de nossa oração depende muito do primeiro pensamento do dia, ao sair da cama, e do último, quando estamos prestes a dormir. Pode-se também rezar mesmo dormindo, mesmo sonhando.

Os Pais, na solidão, não esquecem o próximo. Não estão egoisticamente voltados para si mesmos. No deserto, sem dúvida, tinham menos ocasiões de ajudar os outros; mas há mil maneiras de fazer o bem ao próximo pelo pensamento, pela palavra, pelos atos, e principalmente pela oração. A boa ação diária dos escoteiros não deve ser a única do dia, mas deve multiplicar-se na medida do nosso amor por nossos irmãos e irmãs.’

Esta página já dá uma ideia do valor espiritual e vivencial contido no livro de Dom Lucien Regnault, traduzido pelas monjas beneditinas do Mosteiro de Nossa Senhora das Graças, de Belo Horizonte (MG), e publicado pela Edições Subiaco. Vale, portanto, a pena lê-lo de forma orante e meditativa ou até usá-lo para preparar formações e homilias.’
  
(Mais informações : publicacoesmonasticas@yahoo.com.br)
  
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