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quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Anjos: uma verdade de fé

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo de Luís Eugênio Sanábio e Souza


‘Meu memorável avô paterno Antônio Moreira de Souza (1896-1975) dizia ter visto um anjo durante sua infância vivida no campo.  Na época, diante dessa visão incomum, a sua família interpretou isso apenas como uma fantasia de criança. O fato é que meu avô Ferreira (como era chamado) jamais esqueceu este anjo ao longo de sua vida. Hoje, considerando as admiráveis virtudes morais e religiosas que meu avô testemunhou, sua ardorosa fé católica, sua colaboração ativa com padres e bispos e também com os mais necessitados, posso entender e acreditar naquela sua visão sobrenatural do anjo, pois, segundo a fé cristã, os anjos são mensageiros das coisas de Deus ! 

A Igreja Católica ensina que ‘a existência dos seres espirituais, não corporais, que a Sagrada Escritura chama habitualmente de anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição’ (Catecismo da Igreja Católica nº 328). Etimologicamente, a palavra anjo significa ‘mensageiro’. No século IV,  Santo Agostinho explicou a respeito dos anjos : 'Anjo (mensageiro) é designação de encargo, não de natureza.  Se perguntares pela designação da natureza, é um espírito; se perguntares pelo encargo, é um anjo :  é espírito por aquilo que é, é anjo por aquilo que faz’. ‘Com todo o seu ser, os anjos são servos e mensageiros de Deus. Pelo fato de contemplarem ‘continuamente o rosto do meu Pai que está nos céus’ (Mateus 18,10),  eles são ‘os poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra’ (Salmo 103, 20). Enquanto criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e vontade : são criaturas pessoais (Papa Pio XII) e imortais (Lucas 20,36). Excedem em perfeição todas as criaturas visíveis’ (Catecismo da Igreja Católica nº 329 e 330). 

No ano 1215, o IV Concílio de Latrão recordou que Deus ‘criou conjuntamente, do nada, desde o início do tempo, ambas as criaturas, a espiritual e a corporal, isto é, os anjos e o mundo terrestre; em seguida, a criatura humana, que tem algo de ambas, por compor-se de espírito e de corpo’. Como puros espíritos, os anjos são invisíveis aos homens, mas por mandado divino tomam forma visível. 'Cada fiel tem a seu lado um anjo como protetor e pastor para o guiar na vida’ (Catecismo da Igreja Católica nº 336). Trata-se aqui do ‘anjo da guarda’.  Esta crença está baseada em diversas passagens da Escritura (Gênesis 48,16; Mateus 18,10; Atos dos Apóstolos 12,15). A Igreja festeja mais particularmente a memória de certos anjos (S. Miguel, S. Gabriel, S. Rafael, os anjos da guarda). Foi um anjo (Gabriel) que anunciou o nascimento de Jesus Cristo (Lucas 1,11-26). O anjo disse a Maria : 'Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus’ (Lucas 1, 30-31).  A Igreja ensina que os anjos são de Cristo. São seus porque foram criados por e para Ele; são seus, mais ainda, porque Ele os fez mensageiros de seu projeto de salvação (Catecismo da Igreja Católica nº 331). Os anjos aí estão, desde a criação e ao longo de toda a história da Salvação, anunciando de longe ou de perto esta mesma salvação, e postos ao serviço do plano divino da sua realização : eles fecham o paraíso terrestre (Gênesis 3,24); protegem Lot (Gênesis 19), salvam Agar e seu filho (Gênesis 21,17), seguram a mão de Abraão (Gênesis 22,11) pelo seu ministério é comunicada a Lei (Atos dos Apóstolos 7,53), conduzem o povo de Deus (Êxodo 23,20-23), anunciam nascimentos (Juízes 13) e vocações (Juízes 6,11-24; Isaías 6,6) assistem os profetas (1 Reis 19,5) – para citarmos apenas alguns exemplos. Finalmente, é o anjo Gabriel que anuncia o nascimento do Precursor e o do próprio Jesus (Lucas, 1,11-26) (Catecismo da Igreja Católica nº 332). Por fim, lembro aqui da tradicional oração do Santo Anjo que minha mãe Carmen me ensinou durante minha infância : ‘Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, pois que a ti me confiou a Piedade divina, hoje e sempre me governa, rege, guarda e ilumina. Amém’.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2025-09/anjos-verdade-fe.html

domingo, 18 de abril de 2021

O pequeno, mas importante, papel dos anjos e demônios na Bíblia

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
'A destruição do Templo do Vício' (1832)

*Artigo de Charles C. Camosy,

publicado originalmente em Crux Now

Tradução : Ramón Lara 


John Gillman Ph.D., é conferencista do Departamento para o Estudo da Religião da San Diego State University e educador certificado pela ACPE para Educação Pastoral Clínica. Também é Editor Associado do The Catholic Biblical Quarterly. Entre outras publicações, e é autor de What does the Bible say about life and death? (O que a Bíblia diz sobre a vida e a morte?, em tradução literal). Neste artigo reproduzimos uma entrevista com Charles Camosy sobre seu novo livro What does the Bible say about angels and demons? (em tradução literal, O que a Bíblia diz sobre anjos e demônios?).

Você pode nos contar um pouco sobre sua formação e como isso o levou a escrever um livro sobre anjos e demônios?

Primeiro, um pequeno histórico : cresci em uma família católica tradicional em uma pequena cidade no sudeste de Indiana. Depois de completar meus estudos de doutorado na Katholieke Universiteit Leuven, na Bélgica, uma universidade fundada em 1425, dediquei minha vida profissional a uma combinação de trabalho pastoral e academia. Servi como capelão em diversos ambientes, como educador certificado para Programas de Educação Pastoral Clínica (CPE) e como professor universitário no Departamento de Estudos da Religião em San Diego, onde nos últimos três anos lecionei um curso sobre ‘Morte, falecer e viver após a morte’. Atualmente, sou editor associado do Catholic Biblical Quarterly.

A resposta à pergunta sobre como vim a ser co-autor deste livro é muito simples. O editor da série estava procurando alguém para concluir o projeto depois que o autor original teve que se retirar por motivos de saúde. Aceitei o convite, caso contrário, provavelmente não teria começado a escrever sobre este assunto. Assim que comecei trabalhar no material, no entanto, fiquei fascinado com o tema. Eu não pensava muito em anjos desde a infância, quando memorizei a oração tradicional do anjo da guarda. Quanto aos demônios, fiquei intrigado com o filme O Exorcista (1973), o nono filme de maior bilheteria de todos os tempos nos EUA e Canadá. Além disso, anos atrás, uma mulher perturbada me pediu para abençoar sua casa e protegê-la do que acreditava ser uma presença demoníaca. Eu fiz a bênção - não era um exorcismo - e parecia ter trazido algum conforto.

Anjos e demônios são tópicos populares em nossa imaginação cultural, mas adotar um ângulo especificamente bíblico é interessante. Existe algo como uma visão bíblica coerente sobre anjos e demônios? Até que ponto essa visão se sobrepõe - ou não - ao nosso imaginário cultural popular?

Os anjos raramente faziam mais do que aparições no Antigo e no Novo Testamento. Eles não são o foco central. As exceções são os anjos nas narrativas da infância de Mateus e Lucas (onde o anjo se chama Gabriel) e o Livro de Tobias, onde encontramos Rafael. Na última história, Rafael é enviado por Deus a Tobias e sua família servindo como guia e protetor, mediador do casamento, conselheiro de cura e fonte de orações.

Ao contrário dos anjos na cultura popular, onde às vezes são retratados como humanos que partiram, os anjos bíblicos funcionam não por sua própria autoridade, mas como mensageiros celestiais de Deus. Uma sobreposição ocorre na assistente social angelical Monica da popular série de TV O toque de um anjo (1994-2003). O seriado oferece uma intervenção útil na vida das pessoas em dificuldades.

Embora a crença em demônios tenha uma longa história que remonta à Mesopotâmia e à Grécia, os demônios estão praticamente ausentes no antigo Israel. Satanás, não apresentado como um demônio, mas como um acusador, desempenha um papel no início do Livro de Jó. O diabo só aparece no Novo Testamento, cerca de 35 vezes, mais proeminentemente nas tentações de Jesus.

Hoje, os cristãos podem atribuir a fonte da tentação ao diabo e as pessoas, em geral, podem atribuir eventos horríveis e a discórdia divisora a espíritos demoníacos ou malignos. Por exemplo, após uma eleição contenciosa, o cardeal Gregory de Washington, DC, declarou : ‘Temos muitos espíritos malignos que de alguma forma estão destruindo e trazendo mal para a nação, fazendo com que pessoas de diferentes raças, culturas, línguas e religiões tenham medo de uns dos outros’ (janeiro de 2021).

Entendo, só tenho que perguntar algo porque um colega meu (teólogos podem ser pessoas estranhas!) é meio obcecado com esse assunto. A Bíblia tem uma visão de anjos e demônios que permite que alguns deles sejam algo diferente do espírito? Para ser mais direto : a Bíblia imagina que alguns anjos e demônios têm corpos?

A resposta curta é sim. No Livro de Tobias, mencionado acima, Rafael aparece pela primeira vez disfarçado de jovem e não é identificado como um anjo até muito mais tarde na narrativa. O demônio que confronta Jesus no deserto é apresentado com características humanas : o demônio leva Jesus até um ponto alto para mostrar-lhe todos os reinos do mundo, leva-o a Jerusalém e o seduz por meio de palavras comuns, tudo em vão. Seria ir além da narrativa da tentação, porém, sustentar que o diabo que aparece tem um corpo físico.

É uma coisa muito católica acreditar no Anjo da guarda. Existe um fundamento bíblico para essa crença?

Embora seja verdade que a crença no Anjo da guarda é uma ‘coisa católica’, alguns protestantes também têm crenças semelhantes. Por exemplo, a declaração de Martinho Lutero ‘que os anjos estão conosco é muito certo, e ninguém deveria ter duvidado disso’ se aproxima de uma crença em anjos da guarda. Embora a expressão ‘anjo(s) da guarda’ não apareça na Bíblia, há alguns textos que apontam nessa direção, como no Salmo 91,11. ‘Porque a seus anjos Ele dará ordens a seu respeito, para que o protejam em todos os seus caminhos’. Em Mateus 18,10 é relatado que Jesus disse : ‘Cuidado para não desprezarem um só destes pequeninos! Pois eu digo que os anjos nos céus estão sempre vendo a face de meu Pai Celeste’. E em Atos 12,15, quando Pedro chegou à casa de Maria, os presentes acreditaram que era ‘seu anjo’. Em Hebreus 1,14, surge a pergunta ‘Os anjos não são, todos eles, espíritos ministradores enviados para servir aqueles que hão de herdar a salvação?’.

Muitos relatam ter um anjo da guarda. No outro dia, encontrei a história de Francisca de Roma (1340-1440), que recebeu um anjo da guarda enviado por Deus depois que seu marido se foi e um filho morreu, para servir como companheiro constante durante os últimos vinte anos de sua vida. Ela teria sido capaz de ver este anjo. Pouco antes de sua morte, disse : ‘O anjo terminou sua tarefa - ele me chama para segui-lo’. Entre aqueles que acreditam em anjos, poucos parecem ter uma experiência tão vívida.

Esta é uma pergunta complexa, mas é outra que tenho que fazer. Suspeito que muitas pessoas se interessam por anjos e demônios pelos mesmos motivos pelos quais se interessam por dragões, alienígenas e zumbis. Leva você de seu mundo atual, totalmente físico, para um lugar fantástico de imaginação encantada. Mas seu livro deixa claro que, para as pessoas da Bíblia, este não era um mero lugar fantástico de imaginação. A existência de anjos e demônios para os antigos era muito séria. É possível para nós, pessoas da modernidade, entrar na mentalidade encantada que abre espaço para a realidade de anjos e demônios?

Existem tantas oportunidades através de programas de TV, filmes e outras mídias, para entrar em um mundo tão encantado. No entanto, não tenho certeza se uma pessoa precisa entrar em uma ‘mentalidade encantada’ para criar espaço para essa realidade. Algumas semanas atrás, comentei com um amigo da caminhada sobre meu livro sobre anjos e demônios. Ele se virou para mim e disse : ‘Não tenho certeza do que acredito nos anjos’. Em seguida, passou a contar o que começou como uma história mundana sobre como a luz de verificação do motor em seu carro havia se acendido durante uma viagem para fora do estado. Meu amigo parou para investigar, e descobriu que havia algum outro problema relacionado ao funcionamento seguro de seu carro que não tinha conexão com o indicador ‘verificar motor’. Subiu as mãos e se perguntou : de que se tratava esse aviso?

Agora sobre os demônios : quando o ataque ao Capitólio dos EUA ocorreu em 6 de janeiro de 2021, o representante Jim McGovern, um veterano da Marinha, disse depois que ‘viu o mal’ nos olhos dos atacantes. Se isso era o mal personificado, o demônio em ação ou simplesmente loucura, ele não diz. Não é absurdo interpretar isso como algo mais do que uma turba fora de controle envolvida em algo que as pessoas mais razoáveis imaginariam como totalmente impensável.

Para muitos, a questão permanece em aberto se o espaço (sobre o qual você pergunta) deve ser aberto para anjos e demônios. Outros podem ter fortes convicções de um lado ou do outro. A Bíblia oferece suporte para tal realidade e, de muitas maneiras, nossa cultura contemporânea também o faz.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/noticia/1510568/2021/04/o-pequeno-mas-importante-papel-dos-anjos-e-demonios-na-biblia/

terça-feira, 31 de março de 2020

Anjos e coronavírus: o mundo invisível existe e age

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo do Padre Fernando Cárdenas Lee,
Foyer de Charite


‘A pandemia do coronavírus colocou diante de nós todo um mundo invisível, um mundo que não podemos ver com nossos olhos.

É que os vírus são entre 500 e 1000 vezes menores que uma célula do nosso corpo. Eles só podem ser vistos com microscópios especiais.

A humanidade da imagem, a humanidade que vê tudo, agora enfrenta um agente infeccioso que não vê. Talvez seja um convite a tomar a iniciativa de São Paulo na carta aos coríntios :

Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem. Pois as coisas que se vêem são temporais e as que não se vêem são eternas’ (2 Cor 4, 17).

É preciso voltar o coração para as coisas invisíveis, lembrando novamente que existe um mundo visível e um invisível, como professamos no Credo.

Esse mundo invisível existe, embora não o vejamos, e age em nosso meio.

Dentro desse mundo invisível estão aqueles bons amigos que são os santos anjos e que vêm cuidar de nosso corpo e alma.

Nós não os vemos com nossos olhos, mas, como John Henry Newman diz, ‘embora sejam tão grandiosos, tão gloriosos, tão puros e tão bonitos, que a própria visão deles, se pudéssemos vê-los, nos derrubaria no chão, como aconteceu com o profeta Daniel, tão santo e reto como ele era, mas eles são nossos servos e companheiros, e observam atentamente e defendem os mais humildes de nós, se somos de Cristo.

É hora de olhar para essa realidade invisível, invocar os anjos e pedir ajuda, conforto, orientação e força nesses tempos de tribulação, confusão e até mesmo de combate espiritual.

Por esse motivo, convido você a levantar os olhos, elevar o coração e descobrir a ajuda e a presença desses seres espirituais que estão em nosso meio e nos cercam, dando-nos toda a assistência e ajuda.

Nesse momento em que o homem toma conhecimento e evita entrar em contato com um agente inferior, como um vírus, por que negar ou por que é tão difícil aceitar a importância e a necessidade de se relacionar com criaturas superiores, como os anjos?

Quando erguermos os olhos e olharmos mais longe, descobriremos que a harmonia na criação, de acordo com o que a Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja nos ensinam, é mantida pela obra dos anjos.

Voltemos a John Henry Newman, ao dizer que ‘o curso da natureza, que é tão maravilhoso, tão bonito e tão assustador, é operado pelo ministério desses seres invisíveis. A natureza não é inanimada, seu trabalho diário é inteligente, suas obras são serviço dos anjos, ministros de Deus’.

Vamos buscá-los para pedir sua intercessão, para restaurar a ordem e a harmonia na criação chamada a manifestar a glória de Deus.

Eles conhecem incomparavelmente melhor que o homem o mundo material e suas leis, conhecem os seres inferiores, o vírus e conhecem sua estrutura e a maneira de eliminá-lo.

Lembre-se do anjo no tanque de Betesda, que, movendo suas águas, deu-lhe um poder medicinal (cf. Jo 5, 4). Lembre-se de que Deus deu ordens aos seus anjos para nos guardarem em seus caminhos e nos livrarem da praga fatal (cf. Salmo 91).

Os anjos exercitam sobre a criação material um império misterioso que se estende por toda a criação e supera todo o conhecimento humano no campo científico e técnico.

De acordo com a tradição da Igreja Oriental, São Miguel Arcanjo tem a missão de ajudar os doentes. Esta missão está harmoniosamente ligada à tarefa de buscar o bem-estar daqueles a quem foi encarregada de proteger.

Houve vários episódios em que esse glorioso arcanjo, chefe da milícia celestial, interveio, libertando a humanidade da praga fatal.

Como exemplo, lembremos o testemunho do historiador Sozomeno, do século V, que relata que em Constantinopla havia uma igreja dedicada a São Miguel : ‘todos os que sofreram grandes dores ou sofreram doenças incuráveis ​​foram ao templo rezar e logo foram libertados de seus sofrimentos.

Da mesma forma, durante o pontificado de São Gregório Magno, no ano de 590, apareceu uma terrível praga que estava tirando muitas vidas na cidade de Roma.

O Papa ordenou a realização de uma procissão penitencial em Santa Maria Maior, algo semelhante ao que nosso Papa Francisco fez há alguns dias.

Gregório Magno carregava uma estátua da Virgem durante a procissão. Quando chegaram à ponte sobre o rio Tevere, ouviram o canto de anjos e, de repente, no castelo que hoje se chama Castel Sant’Angelo, apareceu São Miguel, que carregava uma espada na mão. Nesse momento, a praga terminou.

Os cristãos do Egito consagraram o rio Nilo, considerado o rio da vida, à proteção deste grande príncipe arcanjo.

É que São Miguel Arcanjo está profundamente interessado em todos os assuntos de seus protegidos, particularmente nas calamidades que os afetam. São Miguel responde a pedidos de socorro e ajuda do povo.

Portanto, nestes tempos, dirijamo-nos a este grande protetor, este grande príncipe e chefe do exército celestial, e experimentaremos, se for a vontade de Deus, sua ajuda, proteção e assistência, levando sobre nós as graças regeneradoras do precioso sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nestes tempos, vamos elevar esta oração a este bom Arcanjo :

Ó glorioso São Miguel Arcanjo,
príncipe e líder dos exércitos celestiais,
guardião e defensor das almas,
guardião da Igreja,
vencedor, terror e espanto dos espíritos infernais rebeldes.
Humildemente te rogamos,
digne-se de livrar de todo mal aqueles a quem lhe entregamos com confiança;
Que seu favor nos proteja, sua fortaleza nos defenda
e que, através de sua proteção incomparável
avancemos cada vez mais no serviço do Senhor;
Que sua virtude nos fortaleça todos os dias de nossas vidas,
especialmente no momento da morte,
de modo que, defendidos pelo seu poder
do dragão infernal e todas as suas emboscadas,
quando sairmos deste mundo
sejamos apresentados por ti,
livre de toda culpa, diante da Divina Majestade.’


Fonte :

sábado, 23 de novembro de 2019

A missão dos anjos da guarda

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Ombe d'une jeune fille marchant sur chemin
*Artigo do Padre Paulo Ricardo


‘A Igreja sempre acreditou na existência dos santos anjos da guarda, a partir do testemunho das próprias Sagradas Escrituras. Nosso Senhor, por exemplo, ao pedir que não se escandalizassem os pequeninos, disse que ‘os seus anjos, no céu, contemplam sem cessar a face do meu Pai que está nos céus[1]. Em um episódio relatado nos Atos dos Apóstolos, a comunidade cristã, que rezava por São Pedro enquanto ele era mantido na prisão, confundiu a sua presença com a de seu anjo [2]. Por fim, o Catecismo da Igreja Católica ensina que ‘cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida [zoé][3].

A partir desta citação de São Basílio Magno, fica bem evidente que a missão dos anjos da guarda é ‘conduzir à vida’, ao Céu, os seres humanos. Mesmo já contemplando a Deus face a face, eles receberam na Terra a missão de levar os homens à Pátria Celeste. O seu ofício não é, pois, uma simples ‘proteção física’, como se os anjos existissem tão somente para ajudar criancinhas a atravessarem a rua. Trata-se de uma missão eminentemente espiritual, cujo foco é a salvação eterna das almas – mesmo que, para isso, se passe por sofrimentos, doenças ou tragédias.

Santo Tomás de Aquino, ao questionar se ‘os anjos sofrem pelos males dos que guardam’, responde :

Os anjos não sofrem nem pelos pecados, nem pelas penas dos homens. No dizer de Agostinho, tristeza e dor resultam do que contraria a vontade. Ora, nada acontece no mundo que contrarie a vontade dos anjos e dos demais bem-aventurados, porque suas vontades aderem perfeitamente à ordem da divina justiça. Com efeito, nada acontece no mundo que não seja feito ou permitido pela justiça divina. Portanto, absolutamente falando, nada acontece no mundo que contrarie a vontade dos bem-aventurados. Todavia, o Filósofo diz no livro III da Ética, que se diz voluntário de modo absoluto aquilo que alguém quer em particular quando age, isto é, consideradas todas as circunstâncias, embora considerado em geral fosse voluntário. Por exemplo, o navegante que não quer de modo absoluto e em geral atirar as mercadorias ao mar, mas que, na iminência de um perigo de vida, o quer. Um gesto assim é mais voluntário que involuntário como aí mesmo se diz. Assim os anjos, falando de modo geral e absoluto, não querem que os homens pequem e sofram. Mas querem que a respeito disso seja guardada a ordem da justiça divina segundo a qual alguns são sujeitos a penas, sendo-lhes permitido pecar[4]

Então, os anjos da guarda querem e lutam pela salvação dos homens – inspirando-os, iluminando-os e, às vezes, até realizando milagres e lutando contra os próprios demônios. Como são instrumentos santos que possuem inteligência e são livres, eles são chamados de ‘ministros’, pois foram colocados por Deus ao nosso serviço.

São João Bosco, ao recomendar a invocação ao anjo da guarda na hora das tentações, dizia que ‘ele deseja ajudar você mais do que você deseja ser ajudado por ele’. Por isso, não deve haver dificuldade alguma em pedir o auxílio dos nossos santos anjos : não precisamos convencê-los, mas apenas abrir-nos à sua ação.’

Referências
  1. Mt18, 10
  2. Cf.At 12, 6-15
  3. Catecismo da Igreja Católica, 336
  4. Suma Teológica, I, q. 113, a.  
Fonte :

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Onde estão os anjos na Liturgia da Igreja?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)



*Artigo do Prof. Felipe Aquino


‘Sabemos que na vida da Igreja, ‘lex orandi, lex credendi’; a norma da fé é a norma da oração, reza-se conforme se crê. Santo Agostinho, já no século IV, afirmava que ‘é preciso honrar os anjos testemunhando-lhes amor e respeito, mas não adoração, a qual somente a Deus é devido’. Aos poucos, na vida da Igreja , foram se tornando comuns as orações e os oratórios em honra dos anjos. No século VI já se celebrava a festa de São Miguel Arcanjo. No século IX, a Igreja instituiu a Missa em louvor dos Santos Anjos.
A partir do século XIII surgem muitos templos dedicados aos três santos Arcanjos. No século XVI o culto aos anjos já se estendia a toda a cristandade. Em 1561 o Papa Pio IV consagrou a ‘Santa Maria e aos sete anjos’ a igreja que Michel Angelo construiu no local do salão das Termas do imperador romano Dioclesiano. É o que se chama igreja de Santa Maria dos Anjos. Em 1526 o Papa Leão X, a pedido de François d’Estaing, bispo de Rodez, aprovou a festa dos Anjos da Guarda. No século XVII foi composta a oração ao Anjo da Guarda, que São Luiz Gonzaga tanto gostava de rezar : ‘Santo Anjo de Deus que sois a minha guarda e a quem eu fui confiado por celestial piedade, iluminai-me, guardai-me, regei-me, governai-me. Amém!
Em 1670, o Papa Clemente X aprovou a festa universal dos Santos Anjos da Guarda para o dia 2 de outubro. E, após o Concílio Vaticano II, os Santos Arcanjos são celebrados no dia 29 de setembro. Na santa Missa, que é a Oração litúrgica por excelência, vemos os anjos presentes em todas as partes : no ato penitencial (… peço à Virgem Maria, aos Anjos e santos, e a vós irmãos que rogueis por mim a Deus Nosso Senhor); no Glória; no Credo e na Oração Eucarística. ‘Por isso, com todos os anjos e santos proclamamos a vossa glória, cantando a uma só voz’ (Oração eucarística II). ‘Eis pois, diante de Vós todos os anjos que vos servem e glorificam sem cessar, contemplando a vossa glória. Com eles, também nós, por nossa voz, tudo o que criastes, celebramos o vosso nome, cantando a uma só voz : …’ (Oração Eucarística IV)
Na festa dos Arcanjos (29 de setembro), a Igreja invoca a proteção dos anjos: ‘Alimentados na força do pão do céu, dai-nos, ó Deus, sob a proteção dos vossos anjos, progredir no caminho da salvação.’ (Depois da comunhão) Na Festa dos Santos Arcanjos, a Igreja reza ao Senhor assim : ‘Ó Deus, que organizais de modo admirável o serviço dos anjos e dos homens, fazei que sejamos protegidos na terra por aqueles que vos servem no céu.’ (Oração do dia) Na despedida dos defuntos a Igreja roga : ‘Para o Paraíso te levem os anjos’. Na Festa dos Santos Arcanjos a Igreja ora assim : ‘Nós vos apresentamos, ó Deus, com nossas humildes preces, estas oferendas de louvor; fazei que levados pelos anjos à vossa presença, sejam recebidas com agrado e obtenham para nós a salvação.’ (Sobre as oferendas)
Na Liturgia da Festa dos Santos Anjos da Guarda, a Igreja implora a sua proteção : ‘Ó Deus, que na vossa misteriosa providência mandai os vossos anjos para guardar-nos, concedei que nos defendam de todos os perigos e gozemos eternamente do seu convívio.’ (Oração do dia) ‘Acolhei, ó Deus, as nossas oferendas em honra dos santos anjos e fazei que, velando sempre ao nosso lado, nos guardem dos perigos desta vida e nos levem à vida eterna.’ (Oração sobre as oferendas) ‘Ó Deus, que alimentais com tão grande sacramento a nossa peregrinação para a vida eterna, guiai-nos por meio dos vossos anjos, no caminho da salvação e da paz.’ (Oração depois da Comunhão) Pela orações acima, oficiais em nossa liturgia, vemos que a Igreja não tem dúvida sobre a existência e ação dos anjos.
Quem negar isto se põe, voluntariamente, fora dos ensinamentos e da fé da Igreja, e deixa de ser plenamente católico. Embora o Magistério da igreja não tenha definido como dogma de fé, a tutela dos anjos sobre os homens, alguns santos doutores da Igreja afirmaram a mesma concepção judaica de que o povo de Deus, as dioceses, as nações, etc., e cada pessoa tem um anjo protetor particular. Não há porque não aceitar tal concepção. S. Basílio Magno (330-369), doutor da Igreja, afirmou que ‘cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida’ (Eun. 3,1). Na Festa dos santos Arcanjos, a Igreja assim vê a glória de Deus manifestada em seus anjos :
Pai Santo, Deus eterno e todo poderoso, é a Vós que glorificamos ao louvarmos os anjos que criastes e que foram dignos do vosso amor. A admiração que eles merecem nos mostra como sois grande e como deveis ser amado acima de todas as criaturas. Pelo Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, louvam os anjos a vossa glória, as dominações vos adoram, e, reverentes, vos servem potestades e virtudes. Concedei-nos também a nós, associar-nos à multidão dos querubins e serafins, cantando a uma só voz…’ (Prefácio).’

Fonte :


domingo, 8 de outubro de 2017

Ainda existem anjos?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Mas, afinal o que são os anjos? Ou quem são os anjos?
*Artigo de Evaldo D´Assumpção,
médico e escritor


‘Dia 29 de setembro comemora-se o dia dos três Arcanjos: Miguel, Gabriel e Rafael. No dia 2 de outubro, o dia dos Anjos da Guarda.
Mas parece-me que quase ninguém se recorda dessas figuras, que são bíblicas. Lembrei-me da minha infância e juventude, quando éramos educados nas escolas católicas e ouvíamos tantas referências à presença dos anjos em nossa vida. Que saudade! Hoje, num mundo cada vez mais laicizado, mais preocupado com a busca da felicidade através da ciência, da lógica, da tecnologia, da monetarização, e até da hostilização às religiões e à crença no mundo espiritual, essa imagem dos anjos vai se desvanecendo, e as pessoas perdem uma relação extremamente valiosa para o seu dia a dia.
O curioso é que, se a relação dos crentes com as deidades se fazia, e ainda são feitas, numa condição de distanciamento temeroso, colocando Deus – seja com o nome que for – num trono infinitamente distante, a figura do anjo sempre teve a condição de amigo, de companheiro sempre próximo, sempre ao nosso lado. Vem-me à lembrança, a figura terna do anjo com roupas brancas e grandes asas abertas, com as mãos estendidas sobre crianças brincando à beira de precipícios, atravessando pontes frágeis, e ele sempre pronto a protegê-las.
Hoje, diante de situações adversas, logo se questiona onde andam os anjos. Mas a resposta é que eles estão ali, lado a lado com os que receberam para a sua guarda. Todavia, como guardar quem não os quer por perto, nem sequer acreditam que eles existem? A nenhum ser espiritual é permitido violentar a vontade, o livre arbítrio dos humanos. Esse dom precioso foi dado pelo Criador a todas as suas criaturas, para preservar a sua liberdade de decisão, a sua dignidade. Contudo, é preciso ter-se em mente que o livre arbítrio não é algo irresponsável. Exatamente por ter sido dado em respeito à dignidade da criatura, ele exige que seu uso seja também de total responsabilidade de quem o tem. Não é possível utilizar o livre arbítrio, e simultaneamente transferir a responsabilidade pelos próprios atos e suas consequências a outrem, às vezes, e absurdamente, até para a própria vítima. Afinal, aqueles que as vitimam, não acreditando senão na eficácia da sua violência, e na sua impunidade, recusam qualquer ação inspiradora dos seus anjos, efetivando o seu propósito destruidor. E daí surge uma das graves consequências de nossas ligações interpessoais, ou seja, o mal feito por um, propaga-se como ondas sonoras, atingindo a outros, mesmo que nada tenham a ver com aquelas más ações. Exemplo evidente é o atropelamento de um transeunte por um motorista embriagado. Nesse mundo de tantas injustiças, compreende-se o questionamento : se existem anjos, onde estão os que nos deveriam guardar? Por que não nos livram dos males? A resposta não é tão simples. Anjos não têm atuação direta, mas agem por ações indiretas que podem, se não evitar totalmente o mal, pelo menos atenuá-lo de maneira significativa. Exemplos são vistos a todo momento, contudo para quem não crê, ou não quer crer, de nada adiantam. Sempre será encontrada uma explicação racional para tudo. Sempre se dirá que aquilo foi coincidência, foi obra do acaso. Contudo, para os que têm a mente aberta, será possível enxergar uma ação extranatural que produziu um resultado benéfico. Mas, como diz o velho ditado, o pior cego é o que não quer ver.
Mas, afinal o que são os anjos? Ou quem são os anjos?
A palavra anjo vem do grego ‘angelos’ que significa mensageiro, enviado. É portanto uma palavra que designa a função e não a personalização. A existência e a ação dos anjos são estudadas numa ciência denominada ‘angelologia’. Eles aparecem pela primeira vez na Bíblia, no seu primeiro livro, ou seja, no Gênesis, quando aos Querubins é dada a função de guardar a entrada do Paraíso. Mas não é só na Bíblia que aparecem referência aos anjos. Em textos anteriores à Abraão, e fora do judaísmo, existem várias citações bem claras referindo-se a esses seres espirituais. Na carta de S. Paulo aos Colossenses, ele afirma a existência dos anjos e faz referência à sua hierarquia : Tronos, Dominações, Principados e Potestades. Dionísio, em seu tratado ‘De Coelesti hierarchia’, traduzido no século IX e aceito pelo magistério da Igreja, descreve a hierarquia angélica completa, iniciando pelos mais elevados até à sua base : Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Virtudes, Potestades, Principados, Arcanjos e Anjos. O curioso é que a menor hierarquia – Anjos – é que dá o nome comum a todos os demais. No Concílio Lateranense (1215) a existência dos anjos é claramente definida. Diversos Teólogos, especialmente Tomás de Aquino, repetidamente afirmam a existência desses seres espirituais. Pio XII, em sua encíclica Humani Generis, de 1950, ressalta a condição dos anjos de criaturas pessoais. João XXIII o mais progressista dos Papas, referia-se constantemente à ajuda do seu Anjo da Guarda. Fora da Igreja Católica, Karl Barth (1886-1968), John Wesley, fundador do Metodismo, e o conhecido pregador Billy Graham referiam-se com frequência aos anjos e sua realidade.
Muito poderíamos falar sobre os anjos, mas nossa intenção nesse artigo é apenas despertar a curiosidade dos leitores para uma realidade espiritual tão importante em nossas vidas, mas que um excessivo racionalismo, mesmo em membros da hierarquia eclesial, desdenha ou até nega o que o magistério da Igreja afirma, por achá-los ‘coisas de crianças’. É bom recordar que o próprio Jesus disse : ‘Quem não se fizer simples como as crianças, não entrará no reino dos Céus’. Quem não crê, priva-se de maravilhoso benefício.’

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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Os anjos existem?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo de Dom Gil Antônio Moreira,
Arcebispo de Juiz de Fora, MG


‘Praticamente em todas as religiões se crê que, além das criaturas humanas, há também espíritos incorpóreos criados por Deus, dotados de inteligência e vontade. Na fé judaica e cristã, eles existem para prestar culto perpétuo a Deus e auxiliar os humanos em seu dia a dia.

A Bíblia Sagrada, seja na versão judaica, seja na versão católica seja nas versões protestantes, apresenta abundantes menções aos anjos e faz distinção hierárquica, constituindo-os em nove coros, entre serafins, querubins, tronos, dominações, potestades, virtudes, principados, arcanjos e anjos.

Já no livro do Gênesis, encontram-se várias referências aos anjos, entre as quais se destaca a visita de três seres celestiais a Abraão, que prenunciaram o nascimento de seu filho com Sara, sua esposa estéril e idosa (cf Gên 18). No livro de Tobias encontra-se a história do Arcanjo Rafael (medicina de Deus), sendo ele o socorro do velho Tobit que ficara cego ao praticar a caridade de enterrar dignamente os mortos. O Arcanjo lhe traz fel de peixe e o cura. Isaías se refere a Serafins. Daniel revela visões de anjos e apresenta o Arcanjo Miguel (Quem como Deus?) como chefe defensor no combate contra os persas infiéis (cf Dan 10, 1 – 20). Miguel é conhecido como Príncipe das Milícias Celestes.

No Novo testamento, as referências aos anjos são também numerosas, tendo o Arcanjo Gabriel (Força de Deus) anunciado a Maria o nascimento de Jesus, o Divino Salvador, cumprindo assim a principal e mais elevada missão entre todos os anjos e santos. Nas pregações de Jesus, encontramos várias alusões aos anjos, destacando-se a presença do anjo consolador nas agonias do Horto das Oliveiras, na noite que antecedeu a sua condenação e morte na cruz. Também anjos se apresentaram ao lado do túmulo, no domingo da ressurreição, anunciando que Cristo vencera a morte e se encontrava vivo.

Nas cartas de São Paulo e de São Judas, encontramos menções que revelam a plena fé dos primeiros cristãos na existência e nas ações dos anjos. No Apocalipse, a figura do Arcanjo Miguel toma grande importância, sendo apresentado como o defensor da ‘mulher que estava para dar à luz seu Filho’, vencendo a força infernal de um poderoso dragão que ‘com sua calda arrastava a terça parte das estrelas do céu’ (cf Ap 12, 1- 18). Os cristãos sempre viram na figura desta mulher a Santíssima Mãe de Jesus e ao mesmo tempo a imagem da Igreja sempre ameaçada pelo poder do mau.

Nos escritos teológicos dos Santos Padres, também é frequente o estudo e a defesa da fé na existência dos anjos, como em São Clemente (séc. I), Santo Ambrosio (séc. IV), Pseudo-Dionísio, o Areopagita (séc. V), São João Damasceno (séc. VIII). São tomados de grande importância os estudos de São Tomás de Aquino (Séc. XIII) e tantos outros. Na idade Moderna, o Concilio de Trento (séc XVI) e na Contemporânea, o Concílio Vaticano II (séc XX) e o Catecismo da Igreja Católica (CIC), seguem confirmando a doutrina sobre os anjos.

Na liturgia Católica, ao menos duas festas se destacam em louvor aos Anjos, sendo uma dia 29 de setembro, quando celebra a festa dos Arcanjos São Miguel, São Rafael e São Gabriel e ainda a memória dos Santos Anjos da Guarda, no dia 2 de outubro. Também os Anglicanos, os Luteranos, outras correntes protestantes, bem como os Ortodoxos têm, em seus calendários, liturgias próprias dos Anjos.

Os anjos nos protegem, nos animam e nos impulsionam no caminho da santidade e da dignidade, da prática do amor e dos serviços ao próximo, nos colando sempre perante Deus que não se cansa de manifestar sua misericórdia e de nos amparar com seu amor.  Creio firmemente nesta doutrina e quando vejo pessoas dedicadas e humildes ao lado de doentes ou servindo desinteressadamente aos pobres, me lembro deles e penso em meu coração : os anjos existem; eu os vejo também na terra.
  

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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

800 anos do Perdão de Assis

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Louvemos ao Senhor que fez nascer São Francisco, que revolucionou, com sua ordem, a Igreja.

*Artigo de Cardeal Dom Orani João Tempesta, O. Cist.,
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


‘Iniciamos o mês vocacional – Agosto – com o eco da grande JMJ da misericórdia de Cracóvia e com a comemoração do oitavo centenário do perdão de Assis, a assim chamada indulgência da Porciúncula que contará com a visita do Papa Francisco nesta semana.

Uma feliz providência : um centenário de concessão da misericórdia no ano do jubileu extraordinário da misericórdia com dois homens que levam o nome de Francisco. Com textos consultados na rede mundial de computadores e de domínio público reflitamos sobre este importante momento.

Francisco nasceu em Assis, na Úmbria (Itália) em 1182. Jovem orgulhoso, vaidoso e rico, que se tornou o mais italiano dos santos e o mais santo dos italianos. Com 24 anos, renunciou a toda riqueza para desposar a ‘Senhora Pobreza’. Levará consigo para sempre essa missão evangelizadora e entusiasmada de servir a Cristo nos irmãos, em especial nos mais pobres.

Aconteceu que Francisco foi para a guerra como cavaleiro, mas doente ouviu e obedeceu a voz do Patrão que lhe dizia : ‘Francisco, a quem é melhor servir, ao amo ou ao criado?’. Ele respondeu que ao amo. ‘Porque, então, transformas o amo em criado?’, replicou a voz. No início de sua conversão viveu como eremita e na solidão, quando recebeu a ordem do Senhor na igrejinha de São Damião : ‘Vai restaurar minha igreja, que está em ruínas’. Partindo em missão de paz e bem, seguiu com perfeita alegria o Cristo pobre, casto e obediente.

Nessa época, no campo de Assis havia também uma antiga ermida abandonada dedicada a de Nossa Senhora no local chamado Porciúncula (de pequena porção). Este foi um dos lugares prediletos de Francisco e dos seus companheiros. Sim, companheiros, pois na Primavera do ano de 1200 já não estava só; tinham-se unido a ele alguns jovens que pediam também esmola, trabalhavam no campo, pregavam, visitavam e consolavam os doentes. A partir daí, Francisco dedica-se a viagens missionárias : Roma, Chipre, Egito, Síria… Peregrinando até aos Lugares Santos dentro da expansão da Ordem. O trabalho na terra santa dos freis franciscanos até hoje é um belo sinal de dedicação às terras e locais por onde Jesus passou.

Em 1223, foi a Roma e obteve a aprovação mais solene da Regra, como ato culminante da sua vida. Na última etapa de sua vida, recebeu no Monte Alverne os estigmas de Cristo, em 1224. Já enfraquecido por tanta penitência e cego por chorar pelo ‘amor que não é amado’, São Francisco de Assis, na igreja de São Damião, encontra-se rodeado pelos seus filhos espirituais e assim, recita ao mundo o cântico das criaturas. São Francisco de Assis, retira-se então para a Porciúncula, onde morre deitado nas humildes cinzas a 3 de outubro de 1226. Passados dois anos incompletos, a 16 de julho de 1228, o Pobrezinho de Assis era canonizado por Gregório IX.

A hodierna e majestosa Basílica de Santa Maria dos Anjos abriga no seu interior a pequena Capela da Porciúncula, local onde Francisco confirmou a sua vocação numa noite do ano 1216. O nome de Santa Maria dos Anjos provém da tradição de que, naquela pequena Capela, que foi construída por quatro peregrinos que retornavam da Terra Santa, era venerado um fragmento do túmulo da Virgem Maria, e que sempre se ouvia no local o canto dos anjos. Foi também nesta pequena Capela, que recebeu o nome de Porciúncula, isto é, pequena porção, que São Francisco recebeu a indulgência do ‘Perdão de Assis’. Conta-se a história desse momento místico da vida de São Francisco : estava certa noite em sua cela, rezando pela conversão dos pecadores, quando um anjo convidou a dirigir-se à Capela da Porciúncula. Lá chegando, encontrou-a toda iluminada e no meio de um coro de anjos estava a Virgem Maria ao lado de seu Divino Jesus.

Jesus, dirigindo-se a Francisco, disse-lhe : ‘Em recompensa ao teu zelo pela conversão dos pecadores, pede-me o que quiseres’. Francisco pediu-lhe então a indulgência Plenária para todos aqueles que tendo confessado e comungado, visitassem aquela pequena igrejinha. São Francisco, meio que assustado com seu atrevimento, suplicou a intercessão da Virgem Maria. O pedido teria que ser aprovado pelo Papa, Francisco com a face no chão. Adorou o seu Senhor. No dia seguinte, Francisco foi ao encontro do Santo Padre; este, porém, lhe concedeu a graça apenas um dia no ano, ou seja a cada 02 de Agosto. Nesta data, denominada ‘Perdão de Assis’, é enorme a afluência de fiéis à Basílica da Porciúncula e a Igreja celebra a Festa de Nossa Senhora dos Anjos.

Esta festa é uma das mais importantes, ainda hoje, da família franciscana, pois foi estendida, mais tarde, pelo Papa Sisto IV, a todas as igrejas do orbe.  Então, somos todos beneficiados pelo ‘Perdão de Assis’ ou ‘Dia do Perdão’, para tanto, devemos fazer uma boa confissão, participar da Eucaristia, e, entrando na igreja franciscana, rezar pelo Santo Padre, o Papa. Louvemos ao Senhor que fez nascer São Francisco, que revolucionou, com sua ordem, a Igreja, sem precisar abandoná-la ou fundar outra. No mês das vocações, vamos lembrar o despojamento, a coragem, a simplicidade, o amor e a pobreza do Santo de Assis.

Encerramos este artigo rezando a oração de Nossa Senhora dos Anjos : ‘Augusta Rainha dos céus e soberana Senhora dos Anjos, Que recebeste de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, Nós vos pedimos humildemente : Enviai as legiões celestes para que, sob Vossas ordens persigam os demônios; Combatam-nos em toda a parte, reprimam a sua audácia e os precipitem no abismo. Quem é como Deus? Santos, anjos e arcanjos protegei-nos, defendei-nos! Ó boa e terna Mãe, vós sereis sempre O nosso amor e a nossa esperança! Ó divina mãe, enviai os vossos anjos, Para que nos defendam e afastem de nós O cruel inimigo! Assim seja!’ (Papa Leão XIII).’


Fonte :
* Artigo na íntegra