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terça-feira, 11 de abril de 2017

A Festa da Páscoa

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo do Padre Jacques Goettmann,
teólogo e sacerdote cristão ortodoxo
(1921 – 2002)


‘A Grande Semana ou a Semana Santa, ressonância e réplica dos sete dias da Criação se aproxima. Se, durante estes sete dias concentrarmos nosso olhar sobre o Filho do Homem, sobre cada um dos seus gestos e palavras, de sua Paixão, e se ao mesmo temos descobrirmos em nós mesmos as atitudes contraditórias de Pedro que O negou, dos discípulos que tiveram medo, dos sacerdotes que O condenaram, dos soldados que O torturaram sem nada entender e também, de João que O seguia em silêncio, de Maria e das outras mulheres que Lhe davam sua amorosa presença, então vamos penetrar e permanecer em um espaço e em um tempo novos. Tempo e espaço do Mistério deslumbrante da Vida Nova que sai da morte amarga e velha : Mistério da transfiguração do homem e da criação.

«Destruís este Templo e em três dias eu o reconstruirei», dizia Jesus. São João comenta em seu Evangelho : «Ele falava do templo do seu Corpo... e, quando se levantou dentre os mortos, seus discípulos se recordaram de suas palavras» (Jo 2, 19-22). O templo do homem, nosso corpo, nossa alma, nosso espírito, nossa pessoa, tantas vezes «desumanizado», freqüentemente é transformado em casa de comércio ou em covas de ladrões; a arquitetura da Criação, a sinfonia do Universo, tão arruinada, tão desafinada, tão corrompida. É este o templo que Jesus Cristo está levantando conosco, seus discípulos, em três dias que são os dias mais longos e decisivos da história de nossa vida.


A Sexta Feira Santa

Cristo se enfrenta voluntariamente com a morte. Não morre por acidente ou enfermidade, por velhice ou desespero, mas por uma força maior, a força do amor. Manifestou-a algumas horas antes em sua última Ceia com palavras jamais ouvidas (Jo 13-17) e pelo dom de seu Corpo e Sangue. Não suprime nossa morte física, mas por sua vitória na Árvore da Cruz, nos dá poder sobre a morte : podemos agora encará-la de maneira nova e concebê-la como porta de um novo nascimento que já começou, abrindo-nos o caminho para uma nova vida. É o «dia das dores do parto».


O Sábado Santo

Cristo desce aos Infernos, à região dos mortos que esperam nas trevas, ao inferno de nossos terrores inconscientes, ao inferno de nosso mundo violento, angustiado e frustrado. Seu Corpo descansa silencioso no sepulcro e seu Espírito se abandona às mãos do Pai. Deste silêncio nos grita : «Venci o mundo, derrotei o Inferno e venho ressuscitar-vos comigo». É o dia da espera e da esperança.


A Noite Pascal

A Noite Pascal inaugura o Terceiro Dia, o Domingo da Páscoa. Entre todas as noites, é a noite mais misteriosa, deslumbrante e criadora : «Cristo ressuscitou! Em verdade ressuscitou!». Este grito se multiplica e repercute mil vezes entre os que se dão o beijo pascal. Tudo é perdoado, tudo é renovado, tudo é possível, pois nossa carne humana venceu a morte e recebeu já o gérmen da transfiguração na Luz Incriada. Se queremos seguir o caminho do Cristo e lhe dar nossa fé pessoal, não seremos enganados, mas transformados, e não morreremos jamais de uma morte sem saída. O Cristo volta a seu Pai e junto a Ele nos envia o Espírito Santo para nos comunicar as energias divinas, a Vida Nova.

Que esta Páscoa, estes dias de Morte e Ressurreição, esta Festa única entre todas as festas, seja para todos nós um tempo novo e novo espaço. «Este é o dia que o Senhor nos fez, dia de Alegria e de júbilo».’


Fonte :


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Transfiguração do Senhor

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)



A Liturgia das Horas e a reflexão no dia da Transfiguração do Senhor :

Ofício das Leituras

Segunda leitura
Do Sermão no dia da Transfiguração do Senhor, 
de Anastásio Sinaíta, bispo
(Nn.6-10: Mélanges d’archéologie ET d’histoire 67[1955],241-244)     (Séc.VII)

É bom nós estarmos aqui
Jesus manifestou a seus discípulos este mistério no monte Tabor. Havia andado com eles, falando-lhes a respeito de seu reino e da segunda vinda na glória. Mas talvez não estivessem muito seguros daquilo que lhes anunciara sobre o reino. Para que tivessem firme convicção no íntimo do coração e, mediante as realidades presentes, cressem nas futuras, deu-lhes ver maravilhosamente a divina manifestação do monte Tabor, imagem prefigurada do reino dos céus. Foi como se dissesse :  Para que a demora não faça nascer em vós a incredulidade, logo, agora mesmo, eu vos digo, alguns dos que aqui estão não provarão a morte antes de verem o Filho do homem vindo na glória de seu Pai (cf. Mt 16,28). Mostrando o Evangelista ser um só o poder de Cristo com sua vontade, acrescentou : E seis dias depois, tomou Jesus consigo Pedro, Tiago e João e levou-os a um monte alto e afastado. E transfigurou-se diante deles; seu rosto brilhou como o sol, as vestes se fizeram alvas como a neve. E eis que apareceram Moisés e Elias a falar com ele (cf. Mt 17,1-3).

São estas as maravilhas da presente solenidade, é este o mistério de salvação para nós que agora se cumpriu no monte : ao mesmo tempo, congregam-nos agora a morte e a festa de Cristo. Para penetrarmos junto àqueles escolhidos dentre os discípulos, inspirados por Deus, na profundeza destes inefáveis e sagrados mistérios, escutemos a voz divina que do alto, do cume da montanha, nos chama instantemente. 

Para lá, cumpre nos apressarmos, ouso dizer, como Jesus, que agora nos céus é nosso chefe e precursor, com quem refulgiremos aos olhos espirituais – renovadas de certo modo as feições de nossa alma – conformados à sua imagem; e à semelhança dele, incessantemente transfigurados, feitos consortes da natureza divina e prontos para as alturas. 

Para lá corramos cheios de ardor e de alegria; entremos na nuvem misteriosa, semelhantes a Moisés e Elias ou Tiago e João. Sê tu também como Pedro, arrebatado pela divina visão e aparição, transfigurado por esta linda Transfiguração, erguido do mundo, separado da terra. Deixa a carne, abandona a criatura e converte-te para o Criador a quem Pedro, fora de si, diz : Senhor, é bom para nós estarmos aqui (Mt 17,4).

Sim, Pedro, verdadeiramente é bom para nós estarmos aqui com Jesus e aqui permanecermos pelos séculos. Que pode haver de mais delicioso, de mais profundo, de melhor do que estar com Deus, conformar-se a ele, encontrar-se na luz? De fato, cada um de nós, tendo Deus em si, transfigurado em sua imagem divina, exclame jubiloso : É bom para nós estarmos aqui, onde tudo é luminoso, onde está o gáudio, a felicidade e a alegria. Onde no coração tudo é tranquilo, sereno e suave. Onde se vê a Cristo, Deus. Onde ele junto com o Pai tem sua morada e ao entrar, diz : Hoje chegou a salvação para esta casa (Lc 19,9). Onde com Cristo estão os tesouros e se acumulam os bens eternos. Onde as primícias e figuras dos séculos futuros se desenham como em espelho.


Fonte :
‘In Liturgia das Horas IV’, 1159, 1161