quarta-feira, 12 de agosto de 2026

As virgens de São Lucas

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Reinaldo Bento


‘Muitas vezes não é tão simples encontrar os fatos que envolvem uma história, ainda que busquemos documentos ou fatos científicos em imagens que carregam com seu simbolismo uma história. Assim, ao tratarmos dos ícones atribuídos a São Lucas, se realmente são originais ou réplicas, não podemos afirmar com certeza histórica, porém, essa piedosa origem formou devoções que marcaram e marcam em nossos dias a história da Igreja e se tornaram verdadeiras relíquias, ainda que não se possam provar origens apostólicas.

A Igreja distingue a sagrada tradição e a tradição de uma história. Enquanto a sagrada tradição é a transmissão da Palavra viva de Deus e sua revelação, a tradição religiosa está ligada a ela mas não possui a infalibilidade.

Ícones sagrados são portadores da sagrada tradição em sua iconografia, mas muitas vezes possuem uma piedosa tradição quanto à sua origem. A veneração dessas imagens é atestada na era patrística. Em um movimento iconoclasta no século VII, originado possivelmente por influência do surgimento do Islã e sua influência intelectual, foram destruídos testemunhos antigos da veneração cristã, por isso, fora a tradição, perdemos muitos testemunhos históricos que poderiam ser provas das histórias que a seguir apresentaremos.

Antigos relatos contam que São Lucas, além de médico, pintou imagens da Virgem (se não pintou com cores, com certeza ‘pintou’ a imagem da Virgem escrevendo em seu Evangelho e nos Atos).

Conta-se que produziu 72 ícones que entregou aos 72 discípulos do Senhor, dos quais fazia parte. A tradição também identificou muitos desses ícones que seriam cópias, herdeiros da graça de uma imagem original, ícones da Virgem como o de Częstochowa, que se acredita estar pintado no tampo da mesa da casa de Nazaré, e Salus Populi Romani, que teria sido pintado em parte do tampo da mesa da última ceia, pois trazem na atribuição da origem referências ao evangelista.

Não queremos ignorar essa origem, pois o que levou muitos santos a venerar esses ícones seria atribuir as pinturas ao Evangelista, porém, essas imagens hoje por si se tornaram relíquias e histórias vivas da Igreja. Os dois mencionados ícones já estão ligados às histórias de muitos papas, além da presença na vida de muitos santos.

Como a tradição eclesiástica atribui o número 70 de forma simbólica, sem que exista um documento histórico único com exatamente setenta nomes, listei a seguir os ícones mais famosos atribuídos a São Lucas na Grécia, Chipre, monte Athos e no resto do mundo.

Na tradição oriental uma imagem não é pintada, mas escrita, o que nos aponta para a Palavra, a busca pela verdadeira imagem da Virgem; no fundo é a busca de trazermos ou escrever essa imagem em nós.

‘Portanto, todos nós, com o rosto descoberto, refletimos a glória que vem do Senhor. Essa glória vai ficando cada vez mais brilhante e vai nos tornando cada vez mais parecidos com o Senhor, que é o Espírito.’ (2Cor 3,18)’

 

Fonte  *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/as-virgens-de-sao-lucas.html


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