Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Pais e
educadores precisam falar de religião, de fé. O silêncio deles pode ser
interpretado pelas crianças e pelos jovens como um posicionamento, na maioria
das vezes, negativo. A atitude de pais e educadores é o que mais conta na sua
árdua missão de educar. Educa-se mais pelo exemplo, pelo testemunho, do que com
as palavras, mas é também preciso falar.
Não é fácil
falar de religião. O assunto está de volta e ‘em moda’ : é discutido em
programas de televisão, no rádio, nos jornais, nos livros mais vendidos que
falam de fenômenos místicos e espirituais, de esoterismo, de magia e de
comportamento, mas, a dificuldade é dos pais e educadores. Todo o mundo fala de
religião, porém, os educadores, não. Parece que pais e educadores não estão
preparados para falar aos filhos e alunos sobre tão importante assunto. Talvez
porque quando receberam sua educação religiosa foi num sentido moralista e
piedoso, pouco esclarecido. Pais e educadores podem sentir-se não preparados
para falar do que interessa aos jovens de hoje, seus filhos e alunos.
Houve tempos
em que a religião era considerada coisa de criança, de mulheres, de gente
velha, coisa de segunda importância. Era vista como algo que alienava da
preocupação com um mundo mais justo e mais humano, algo distante também da
ciência. A religião até foi considerada como algo que fazia as pessoas se
distanciarem dos problemas para aceitar sem reclamar as privações e as
dificuldades da vida. As pessoas mais instruídas diziam que a ciência
resolveria todos os problemas humanos, que aos poucos iria construir um mundo
sem superstições e magias e libertaria a humanidade do sentimento de culpa,
gerado por crenças obscuras e alimentado pela religião, porém, o panorama
mudou. A religião está se tornando, de novo, o centro de interesse de todas as
pessoas que se preocupam com a vida, com o futuro da humanidade e com o seu
próprio destino.
Os jovens
fazem parte desta nova época, que leva a sério o misticismo e encara a religião
com olhos muito diferentes dos mais velhos, cheios de curiosidade e de
esperança. Não se discute mais se a religião é verdadeira, necessária ou útil.
Todos a buscam a seu modo, de acordo com sua maneira de sentir e agir. A
questão agora é como entender o mistério da vida, como falar dessa dimensão do
ser humano, além do que se vê e do que se pode explicar racionalmente. Esse é
um desafio que poucos talvez se sintam preparados para enfrentar, no entanto, a
educação religiosa se torna cada vez mais uma necessidade imperiosa nos dias de
hoje.
O
cristianismo, desde as origens, teve consciência de quem era Jesus e da nova
resposta que propunha à questão do sentido da vida não só aos seus conterrâneos,
mas a todas as pessoas do mundo.
A fé revelada
pelos cristãos é o anúncio da resposta dada por Jesus de Nazaré, por seus atos
e palavras e testemunhada pelos que o acolheram e acolhem.
Jesus falava
de religião falando da vida. Ele trouxe uma verdadeira e nova visão da vida, do
ser humano, do próprio Deus. Mesmo nos momentos mais solenes, quando falava do
amor, de Deus como Pai, de seu Reino, Jesus sempre mostrava o sentido que a
vida tem a todos os que o ouviam. Falar de religião à maneira de Jesus é algo
totalmente novo e renovador. Não é, de maneira alguma, transmitir simples
doutrinas e normas, mas, falar da vida e do sentido que ela tem ajudando as
pessoas a descobrirem o modo de encarar o mundo, a si mesmas, os outros, Deus.
O que Jesus procurava não era impor uma doutrina, uma moral ou mesmo uma
prática religiosa, Ele procurava esclarecer as pessoas sobre o sentido da vida.
Fez isso por meio de gestos, palavras, atitudes, respostas, comportamentos,
milagres, dando sua vida por amor. Procurava, antes de tudo, esclarecer as
mentes e os corações das pessoas e deixava que fizessem a descoberta e dessem
os passos necessários.
Todos os
discursos de Jesus tratavam das questões básicas da existência humana, que
estão na raiz de toda a inquietação das pessoas e na fonte de toda a religião :
quem somos e de onde viemos.
Tudo o que
Jesus disse e fez se refere à vida humana e suas relações com a natureza, com
os semelhantes e com o mistério do transcendente. Ao falar da vida humana,
Jesus fala sempre de Deus, assim como toda sua vida está voltada para o Pai,
cuja vontade é seu alimento e a quem procura agradar em tudo. Jesus mostra que
somente em Deus encontramos sentido para a vida. Por detrás da questão sobre o
sentido da vida está sempre presente a questão de Deus e quando Jesus falou de
um Reino de Salvação, do projeto de um mundo unido, justo e de amor respondeu a
outras aspirações que palpitam no espírito de todo ser humano : enfim, para
onde vamos? O que estamos fazendo aqui, afinal?
Seguindo o
plano de Jesus, podemos também fazer um projeto de vida procurando o seu
sentido, descobrindo o seu valor. Para isso partimos das questões iniciais :
quem somos e de onde viemos? Elas nos apontam para o mistério do transcendente,
que indica outra grande questão de nossa existência humana : quem é Deus?
Finalmente, podemos concluir com as questões para onde vamos e o que estamos
fazendo aqui. Essas são questões a que ninguém pode ficar indiferente se quiser
encontrar sentido e valor para sua vida, elas marcaram a história do ser humano
na sua trajetória por este mundo e todos nós, mesmo inconscientemente, buscamos
suas respostas.’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://revistaavemaria.com.br/educacao-e-religiao.html
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