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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Por que a Igreja celebra o nascimento e o martírio de São João Batista?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Rafael Beck Ferreira

 

‘Normalmente, a comemoração dos santos acontece na data da morte ou da canonização – celebramos apenas três natividades no calendário litúrgico : de Nosso Senhor Jesus, da Bem-aventurada Virgem Maria e de São João Batista. Isso porque desde os primeiros séculos, o dies natalis – o dia do nascimento para a vida eterna – era o dia do martírio de um santo, dia em que sua virtude era atestada no testemunho público e inequívoco da fé. No caso de João Batista, a Igreja celebra tanto a sua natividade com status de solenidade em 24 de junho e a memória litúrgica de seu martírio em 29 de agosto.

O nascimento de João Batista foi acontecimento agraciado, tal qual a encarnação do Verbo ou o nascimento de Maria, pois ele já nasceu com uma missão especial no plano da salvação : ser o precursor do Salvador. A Igreja canta nas laudes de seu martírio : ‘Logo ao nasceres não trazes mancha, João Batista, severo asceta, mártir potente, do ermo amigo, grande profeta’. O nascimento de João (cf. Lc 1,5-57) ensina que todos temos uma vocação, somos chamados à vida (vocação vem do latim vocare, chamar, convocar), ninguém é fruto do acaso, um ‘erro’ ou indesejado por Deus. O sentido da vida depende da resposta à pergunta existencial acerca do valor da vida, se vale a pena viver.

Certamente, a vida de João Batista não foi fácil, ele vivia no deserto alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre, pregando um Batismo de conversão (cf. Mt 3,1-6). Sua pregação incomodou o rei Herodes Antipas e Herodíades, culminando em sua prisão e morte decapitado (cf. Mc 6,25). A atividade profética de João Batista às margens do Jordão, embora desafiadora e cheia de sacrifícios, rendeu muitos frutos. Às vezes pensamos que o sentido da vida só pode ser obtido quando alcançamos a felicidade ou galgamos realizações tangíveis, uma promoção, a aquisição de um bem desejado, conforto, mas o sentido da vida também pode ser encontrado no sofrimento. Escreve Viktor Frankl : ‘Não há sentido apenas no gozo da vida, que permite à pessoa a realização na experiência do que é belo, na experiência da arte ou da natureza. Também há sentido naquela vida que – como no campo de concentração – dificilmente oferece uma chance de se realizar criativamente e em termos de experiência, mas que lhe reserva apenas uma possibilidade de encontrar o sentido da existência, precisamente na atitude com que a pessoa se coloca face à restrição forçada que se fora sobre seu ser. (…) Se é que a vida tem sentido, também o sofrimento o tem, o sofrimento necessariamente o terá. Afinal de contas o sofrimento faz parte da vida, de alguma forma, do mesmo modo que o destino e a morte. Aflição e morte fazem parte da existência como um todo’¹.

João Batista pregava um Batismo de conversão e de confissão/remissão dos pecados, para que o povo de Israel abandonasse as obras das trevas e abrisse os corações para um futuro novo, para a vinda do Messias e Salvador. Celebrar o nascimento e a morte de João Batista é compreender que o último dos profetas não viveu para si, mas para Deus e os irmãos, sua vida foi um genuíno dom. A vida só tem sentido quando nos abrimos, quando alargamos os horizontes e deixamos de pensar apenas em nós, quando não nos autocentramos, mas queremos anunciar e revelar o rosto de Cristo. Por isso João Batista foi exemplo de humildade, colocando-se sempre em segundo plano, como ele mesmo disse : ‘É necessário que Ele cresça e que eu diminua’ (Jo 3,30)². O sentido da vida não está no engrandecimento do self, de nossa autoimagem, mas no esvaziamento até a entrega amorosa por um projeto de amor.

 No século XVII, Caravaggio pintou um quadro famoso retratando a decapitação de João Batista, com Salomé segurando uma bandeja de ouro, pronta para receber sua cabeça – a bandeja de ouro, o item que se destaca na escuridão da tela barroca ao lado do manto vermelho, reflete o valor e a preciosidade da vida de São João, da vida dos mártires que mesmo na morte brilharam a glória de Deus.’ 

Referências

¹ FRANKL, Viktor. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. São Paulo: Vozes, 1991, p. 50.

² CULLMANN, Oscar. Cristologia do Novo Testamento. Tradução de Daniel de Oliveira e Daniel Costa. São Paulo: Custom, 2002. pp. 44-51.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/por-que-a-igreja-celebra-o-nascimento-e-o-martirio-de-sao-joao-batista.html

domingo, 23 de junho de 2024

A vocação de São João Batista

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Fellinto Oliveira Britto


São João Batista é uma das personagens mais importantes e veneradas na tradição cristã. Conhecido como o precursor do Cristo de Deus, sua vocação se caracteriza por um chamado divino para preparar o caminho do Senhor e convidar as pessoas ao arrependimento de seus pecados. São João Batista nasceu em circunstâncias milagrosas, conforme relatado no Evangelho de São Lucas. Seus pais, Zacarias e Isabel, eram idosos e não tinham filhos, mas Zacarias recebeu uma visita do Arcanjo São Gabriel que anunciou o nascimento de João. São Gabriel disse que ‘João seria grande aos olhos do Senhor e estaria cheio do Espírito Santo desde o ventre materno’.

Desde a sua juventude, São João viveu no deserto, onde levou uma vida ascética. Ele vestia-se com peles de camelo e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre, um estilo de vida austero que simbolizava sua total consagração a Deus e a rejeição das comodidades mundanas. O deserto também representava um lugar de preparação espiritual, um tema comum na história bíblica para aqueles que estão sendo preparados por Deus para uma missão especial.

São João Batista começou seu ministério público pregando às margens do Rio Jordão, onde batizava as pessoas. Sua mensagem central era ‘o arrependimento dos pecados’, pois o Reino de Deus estava próximo. Preparando as pessoas para a chegada de Cristo, ele foi o último profeta do Antigo Testamento e o único que viu o próprio Messias. São João chamou as pessoas ao arrependimento genuíno e à conversão, advertindo-as da ira vindoura e convocando-as a demonstrar frutos dignos de arrependimento. Ele batizava aqueles que confessavam seus pecados, um rito que simbolizava a purificação e a renovação espiritual.

Um dos eventos mais significativos do ministério de João foi o batismo de Jesus. Apesar de sua relutância inicial, João batizou Jesus no Rio Jordão. Durante o batismo, o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma de pomba, e uma voz do céu declarou : ‘Este é o meu Filho amado, em quem me agrado’ (Mt 3,17). Este acontecimento marcou o início do ministério público de Jesus e confirmou a missão de São João como precursor do Messias.

Este grande Profeta também foi um corajoso defensor da verdade e da justiça, não hesitando em confrontar as autoridades de sua época. Ele denunciou publicamente o rei Herodes Antipas por tomar Herodíades, esposa de seu irmão, como sua própria esposa. Esta denúncia levou à sua prisão e, consequentemente, à sua morte. São João foi decapitado por ordem de Herodes, a pedido de Herodíades, que buscava vingança.

A vocação de São João Batista foi caracterizada por sua profunda humildade e dedicação ao chamado de Deus. Ele sempre apontou além de si mesmo, direcionando as pessoas para Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele é lembrado como um modelo de fé, coragem e abnegação, cuja vida e ministério prepararam o caminho para a chegada de Jesus Cristo. Sua mensagem de arrependimento e preparação para a vinda do Reino de Deus continua a ressoar na tradição cristã até hoje.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/a-vocacao-de-sao-joao-batista.html

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Qual a relação da solenidade de São João Batista com as festas juninas?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Valdeci Toledo


Em 24 de junho, a Igreja celebra o nascimento de São João Batista. A data dessa festa, três meses após a anunciação e seis meses antes do Natal, corresponde às indicações de Lucas (1,36.56-57) e é uma das festas mais antigas, pois desde o século IV já havia celebrações litúrgicas em honra a João Batista. 

No dia 29 de agosto, a Igreja celebrará também a memória do seu martírio. João Batista é o único santo, além de Maria, a mãe de Jesus, de quem se celebra também o nascimento segundo a carne, pois na liturgia católica é comum celebrar o dies natalis, nascimento para o Céu dos seus santos, quando eles morrem biologicamente. No caso de João Batista, podemos dizer que se celebram os dois nascimentos, na Terra e no Céu. 

Anúncio da chegada dos tempos messiânicos

A Sagrada Escritura nos relata que Maria, logo após o anúncio do nascimento de Jesus, também foi informada pelo Anjo Gabriel sobre a gravidez de sua prima Isabel, o que a fez se dirigir à casa de sua prima para ajudá-la em seus últimos meses de gestação. Assim, Maria, grávida de Jesus, deve ter sido aquela que ajudou no parto de João Batista e o segurou em seus braços. 

João é filho de Zacarias e Isabel e seu nascimento anuncia a chegada do Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo. O Evangelho dá João o apelido de ‘Batista’ porque ele anuncia um novo rito de purificação (cf. Mt 3,13-17), no qual o batizado não imerge sozinho na água, como nos ritos judaicos, mas recebe a água batismal das mãos de algum ministro. João pretendia mostrar, assim, que o homem não se pode purificar sozinho, mas que toda santidade vem de Deus. João Batista é também lembrado como homem de grande mortificação, pois habitava o deserto, vestia-se de pelos de camelo e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre (cf. Mt 3,4). 

O maior dos profetas

João Batista foi o maior entre os profetas, pois foi ele quem anunciou o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cf. Lc 7,26-28; Jo 1,29.36). Sua vocação profética desde o ventre materno reveste-se de acontecimentos extraordinários, pois é um tempo repleto de alegria, é o momento da preparação para o nascimento de Jesus (cf. Lc 1,14.58). O Batismo de penitência que acompanha o anúncio dos últimos tempos é figura do Batismo segundo o Espírito Santo, que renovará todas as coisas (cf. Mt 3,11). 

É Jesus mesmo quem declara quem é esse profeta : ‘Em verdade vos digo : entre os filhos de mulheres, não surgiu outro maior que João Batista’ (Mt11,11). Assim, João Batista é o último dos grandes profetas de Israel, o primeiro a dar testemunho de Jesus e a iniciar o Batismo para o perdão dos pecados; nesse contexto, batizou Jesus e foi mártir em defesa da lei judaica. 

A origem das festas juninas e o dia de São João

As festas juninas, também conhecidas como festas de São João, são as comemorações anuais brasileiras adaptadas do solstício de verão europeu, haja vista que aqui no Brasil ocorrem no meio do inverno. Essas festividades, introduzidas pelos portugueses, são celebradas durante o mês de junho em todo o país. 

A prática de fazer fogueiras, na tradição pagã, era para combater as pestes que provocavam mortandades. Contra isso, as pessoas descobriram um remédio, fazer com ossos de animais uma fogueira cuja fumaça afugentava os males. Essa relação das festas juninas com as fogueiras soma-se também a uma tradição que lembra que os ossos de São João Batista foram queimados na cidade de Sebasta ou Sebaste (localizada na Palestina). A cidade de Gênova conserva as cinzas de São João Batista como relíquias veneradas em sua catedral. 

Essas práticas pagãs dos povos europeus foram cristianizadas quando o cristianismo passou a ser a principal religião do continente europeu. Para facilitar a conversão dos diferentes povos pagãos, a Igreja Católica utilizava a inculturação das festividades, adicionando-as ao calendário católico e acrescentando nelas elementos cristãos, com o propósito de purificá-las dando-lhes novo sentido. Outra festa na qual essa prática se repetiu, por exemplo, foi a comemoração do Natal, que acontece todo mês de dezembro, na qual se dá o solstício do inverno, quando a duração dos dias começa a aumentar, um perfeito paralelismo sobre o que disse João ‘importa que Ele cresça e eu diminua’ (Jo 3,30).

Por analogia, podemos dizer que a fogueira lembra que João também foi uma tocha acesa e ardente no seu compromisso com a vontade de Deus.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/qual-a-relacao-da-solenidade-de-sao-joao-batista-com-as-festas-juninas.html

terça-feira, 18 de junho de 2024

O precursor

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Diego Lelis, cmf

‘Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judeia. Dizia ele : ‘Fazei penitência porque está próximo o Reino dos Céus’.’ (Mt 3,1-2)

‘Viva João Batista,

Viva o precursor!

Porque João Batista

Anunciava o Salvador.’ (Hinário popular)

No mês de junho, celebramos o nascimento de São João Batista. Esse santo é um dos mais venerados no mundo e o único a ter seu nascimento terreno comemorado, isso porque a Igreja celebra a festa dos santos na data em que eles partiram deste mundo para a casa do Pai.

João, o Batista, é reconhecido como o último dos profetas, aquele que teve a missão singular de preparar o caminho para a vinda de Jesus Cristo. Sua vida e seu ministério são marcados por uma profunda ligação com a figura de Cristo antes mesmo de seu nascimento.

O Evangelho de Lucas nos revela um momento extraordinário que ressalta essa relação única entre João e Jesus. No relato da visitação, Maria, mãe de Jesus, vai ao encontro de sua prima Isabel, que está grávida de João Batista. Ao chegar e saudar Isabel, o bebê João estremeceu de alegria no ventre de sua mãe, indicando, segundo a tradição, o reconhecimento da presença de Jesus ainda não nascido. Isabel, cheia do Espírito Santo, exclamou : ‘Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre’ (Lc 1,43-44). Essa passagem é particularmente significativa, pois revela não apenas a singularidade da missão de João, mas também a sua profunda consciência da presença salvífica de Cristo. Vê-se nesse evento uma antecipação da missão de João, que seria o precursor do Messias, anunciando a sua chegada e preparando os corações para acolhê-lo.

O canto do Magnificat, proclamado por Maria em resposta à saudação de Isabel, também ressalta a importância de João como o precursor de Jesus. Nesse cântico, Maria exalta a grandeza de Deus e reconhece a bênção de ser a mãe do Salvador. Ela diz  : ‘Sua misericórdia se estende aos que o temem. Manifestou o poder do seu braço : desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes’ (Lc 1,50-52).

O canto do Magnificat é o anúncio de um novo tempo que será pregado mais fortemente por João ao anunciar a chegada do Reino e a necessidade de conversão. 

Ao celebrarmos a vida e o testemunho de São João Batista somos convidados a nos prepararmos e recebemos o Salvador, que nos convida à conversão.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/o-precursor.html


sexta-feira, 24 de junho de 2022

Acordar o povo do sono

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo do Padre Geovane Saraiva,

jornalista, colunista e pároco

de Santo Afonso de Fortaleza, CE


‘Deus, no seu desígnio redentor de salvar o mundo, contou com a figura ímpar de João Batista, escolhido para ser o elo entre o Antigo e o Novo Testamento, vindo aplainar os tortuosos caminhos, quando da chegada do Messias. Daí muita gente se alegra com o nascimento da incomparável criatura humana. Jesus, coberto de razão, afirmou como sendo ele mais que um profeta, o maior entre os nascidos de mulher (cf. Lc 7, 26), com as mais elevadas características de sua missão divina, estabelecendo-o como precursor e luz das nações.

Mais do que nunca, devemos prescindir do espírito de São João Batista, que denuncia caminhos sinuosos, curvos e falsos, como nas palavras do profeta : ‘Eu te constituí hoje sobre reinos e povos com poder para extirpar e destruir, para devastar e derrubar, para construir e plantar’ (Is 1, 10). O misterioso projeto de Deus, a respeito da salvação da humanidade, passa por São João Batista, que, na alegria do seu nascimento, já deixa óbvio que somos chamados a percorrer os caminhos do Senhor.

Desse modo, inspirados na figura do glorioso São João Batista, defensor da verdade e da justiça, na promessa de tempos bons e de um futuro muito promissor para a humanidade, que saibamos, conscientemente, olhar o mundo longe dos traços de profundas desigualdades, com o mesmo olhar e sonho do precursor. Nele nossa esperança está no seu prenúncio de tempos novos e messiânicos, na instauração do Reino de Deus, sendo a humanidade chamada a travar aquele atlético e forte duelo : sair das trevas e experimentar, com grande disposição, a luminosidade verdadeira, luz esta dadivosa e misteriosa, ao exultar com a chegada do Salvador da humanidade, na revelação do Cordeiro redentor, aquele que tira o pecado do mundo.

Seu grande trunfo consistiu no anúncio da vinda do Cordeiro de Deus, e também no vibrante convite de acordar o povo do sono, muitas vezes profundo. Ele nos ensina o caminho da justiça e da solidariedade, em seu legado maior : que lutemos a favor da vida, fazendo-nos um com Deus, no ânimo e no destemor de descer ao doloroso abismo, no qual se encontra a humanidade, na esperança do verdadeiro amor.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://domtotal.com/noticia/1581972/2022/06/acordar-o-povo-do-sono/

sexta-feira, 23 de junho de 2017

João Batista, o glorioso

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo do Padre Geovane Saraiva,
Pároco de Santo Afonso de Fortaleza, CE,
e vice-presidente da Previdência Sacerdotal


‘Lembrado como uma pessoa que viveu com muita seriedade e com muito rigor, na austeridade e na penitência, João Batista é defensor da verdade e da justiça, prometendo tempos bons e o futuro tão esperado pela humanidade. Figura humana, ungida e santa, segundo o Livro Sagrado, é aquele que, ainda no seio materno, exultou com o Salvador da humanidade que estava para chegar. Seu nascimento trouxe grande alegria, não só pela esterilidade de seu pai, Zacarias, que se transformou em fecundidade, e o homem mudo passou a ser um profeta corajoso e exuberante (cf. Lc 1, 57s), mas como sinal e farol da realização das promessas redentoras, com tempos novos e messiânicos. O maior entre os nascidos de mulher ensine-nos, indignados, o valor do que é essencial à fé, diante do clamor por justiça e paz, dos empobrecidos de toda a terra.

João Batista preparou o povo para o início da missão pública de Jesus, dizendo, com todas as letras, que ele mesmo caminharia à frente do Cristo Jesus, anunciando que os sinais dos tempos chegariam e as promessas anunciadas por Zacarias estavam para se realizar. O seu vibrante convite foi o de acordar o povo do sono, muitas vezes profundo, para reconhecer o Salvador como o Sol que veio nos visitar; que temos que colocar na mente e no coração o nascimento do precursor, indicando-nos o caminho da solidariedade e da justiça, rumo à Cidade Santa, que é obra de Deus e das pessoas de boa vontade que aceitam o Seu projeto por João Batista anunciado.

O nascimento do maior de todos os profetas quer mostrar ao nosso mundo que não podemos nos cansar de dizer que a salvação chegou para todos e que a proclamação da verdade e da justiça indica tempos novos para a humanidade e assegura-lhe aquele futuro tão esperado. O filho do sacerdote Zacarias e de Isabel é também conhecido como aquele que mostrou o Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado mundo. Ele, grandioso aos olhos de Deus, não exerceu função sacerdotal, a exemplo de seu pai Zacarias, mas se tornou conhecido de todos por suas pregações e por seu convite à penitência, no bom desempenho das funções que Deus lhe confiou, anunciando um batismo de penitência para o perdão dos pecados.

Inspirados na figura de São João Batista, que possamos olhar o mundo, conscientes das marcas de profundas desigualdades sociais e econômicas, sem esquecer a dor e o gemido da realidade ecológica. Seu grande trunfo consistiu no anúncio da vinda do Salvador da humanidade. Sua vocação profética, desde o ventre materno, reveste-se de algo extraordinário, repleta de júbilo messiânico, ao preparar um ambiente favorável ao nascimento do Salvador da humanidade. Vida misteriosa, de tão bela, excelsa e maravilhosa, não podemos jamais esquecer o precursor. Numa jubilosa gratidão ao nosso Deus infinitamente bom, estejamos alegremente pasmados, pelo nascimento do glorioso São João Batista.’

           
Fonte :

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Comunicar Boas Notícias

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Dom Rodolfo Luís Weber,
Arcebispo de Passo Fundo, RS


‘A celebração do nascimento de São João tem a marca da alegria. A liturgia da Igreja recorda que João é um dom gratuito de Deus. O nome João significa ‘Deus se mostrou misericordioso’. Isto se mostra de diversas maneiras : a idade avançada de seus pais, ninguém na família tinha este nome e seu pai volta a falar quando dá o nome ao filho. Mais tarde, São João irá preparar e anunciar a presença de Jesus Cristo no meio de nós, uma presença que marca a história da humanidade. Além da festa religiosa, temos muitas festas juninas inspiradas em São João, cuja tônica é a simplicidade, a alegria e o humor.

A festa de São João provoca uma reflexão sobre o modo como se olha e se avalia a vida e o mundo. Cotidianamente, ocupa-se muito tempo para comentar as notícias de violência, corrupção, injustiças, polêmicas. Isto está presente na boca das pessoas e nos meios de comunicação. Isto é notícia e desperta interesse. Numa análise mais profunda da realidade e da vida percebe-se que esta é uma parte da verdade. Ver, julgar, criticar o que está errado é necessário. O profetismo de São João foi marcado por denúncias e um forte apelo à conversão. Foi um profeta incômodo e por isso foi martirizado.

Mas também foi o profeta que apontou em meio às realidades que denunciava uma luz ainda desconhecida, uma boa notícia, Jesus Cristo. Aquele que se preocupa com os pobres, que traz liberdade aos oprimidos, anuncia a graça, vive na verdade, prega a justiça, o amor e a paz. Convoca as pessoas a viverem fraternalmente e se amarem.

É só olhar ao nosso redor e perceberemos uma quantidade de gestos de amor, de atenção, de carinho. Nem é preciso fazer muito esforço. Uma infinidade de gestos individuais e institucionais de cuidado com a vida das pessoas, do meio ambiente, dos animais, acontecem permanentemente. Estas ações não requerem, nem necessitam de publicidade. Olhando na perspectiva cristã, vale a recomendação de Cristo, que a tua mão esquerda não saiba o bem que fez a mão direita.

Ver o bem existente é uma questão de justiça para com as pessoas e as instituições. O reconhecimento gera gratidão, gera emoção por saber que uma pessoa fez uma boa ação, um auxílio, um favor a alguém. Gratidão é uma espécie de dívida, é querer agradecer a outra pessoa por ter feito algo muito benéfico para alguém.

Ver e reconhecer o bem gera otimismo que é necessário para vivermos com as imperfeições nossas, dos outros e das instituições. O otimismo estimula à ação. É um remédio contra o azedume que contamina as relações humanas e pinta o mundo com cores falsas.

Se as notícias do mal são replicadas e amplificadas, com muito mais razão as notícias do bem devem ser comunicadas, repetidas e amplificadas.’


Fonte :
* Artigo na íntegra


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Martírio de São João Batista

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Bento XVI, Papa Emérito

‘...Celebra-se a memória do martírio de São João Baptista, o precursor de Jesus. No Calendário romano, é o único santo do qual se celebra tanto o nascimento, a 24 de Junho, como a morte ocorrida através do martírio. A memória hodierna remonta à dedicação de uma cripta de Sebaste, em Samaria onde, já em meados do século IV, se venerava a sua cabeça. Depois, o culto alargou-se a Jerusalém, às Igrejas do Oriente e a Roma, com o título de Degolação de São João Baptista. No Martirológio romano faz-se referência a uma segunda descoberta da preciosa relíquia, transportada naquela ocasião para a igreja de São Silvestre em Campo Márcio, em Roma.

Estas breves referências históricas ajudam-nos a compreender como é antiga e profunda a veneração de São João Baptista. Nos Evangelhos realça-se muito bem o seu papel em relação a Jesus. De modo particular, São Lucas narra o seu nascimento, a sua vida no deserto e a sua pregação, e no Evangelho de hoje São Marcos fala-nos da sua morte dramática. João Baptista começa a sua pregação sob o imperador Tibério, em 27-28 d.C., e o convite claro que ele dirige ao povo que acorre para o ouvir é que prepare o caminho para receber o Senhor, e endireitem as veredas tortas da própria vida através de uma conversão radical do coração (cf. Lc 3, 4). Contudo, João Baptista não se limita a pregar a penitência e a conversão mas, reconhecendo Jesus como ‘o Cordeiro de Deus’ que veio para tirar o pecado do mundo (cf. Jo 1, 29), tem a profunda humildade de mostrar em Jesus o verdadeiro Enviado de Deus, pondo-se de lado a fim de que Jesus possa crescer, ser ouvido e seguido. Como último gesto, João Baptista testemunha com o sangue a sua fidelidade aos mandamentos de Deus, sem ceder nem desistir, cumprindo a sua missão até ao fim. São Beda, monge do século IX, nas suas Homilias diz assim : ‘São João, por [Cristo] deu a sua vida; embora não lhe tenha sido imposto que negasse Jesus Cristo, só lhe foi imposto que não dissesse a verdade’ (cf. Hom. 23: ccl 122, 354). E ele dizia a verdade, e assim morreu por Cristo, que é a Verdade. Precisamente pelo amor à Verdade, não cedeu a compromissos nem teve medo de dirigir palavras fortes a quantos tinham perdido o caminho de Deus.

Nós vemos esta grande figura, esta força na paixão, na resistência contra os poderosos. Interroguemo-nos : de onde nasce esta vida, esta interioridade tão forte, tão recta e tão coerente, empregue totalmente por Deus e para preparar o caminho para Jesus? A resposta é simples : da relação com Deus, da oração, que é o fio condutor de toda a sua existência. João é o dom divino longamente invocado pelos seus pais, Zacarias e Isabel (cf. Lc 1, 13); uma dádiva grande, humanamente inesperada, porque ambos eram de idade avançada e Isabel era estéril (cf. Lc 1, 7); mas a Deus nada é impossível (cf. Lc 1, 36). O anúncio deste nascimento verifica-se precisamente no contexto da oração, no templo de Jerusalém; aliás, acontece quando Zacarias recebe o grande privilégio de entrar no lugar mais sagrado do templo para fazer a oferta do incenso ao Senhor (cf. Lc 1, 8-20). Também o nascimento de João Baptista é marcado pela oração : o cântico de alegria, de louvor e de acção de graças que Zacarias eleva ao Senhor e que nós recitamos todas as manhãs nas Laudes, o ‘Benedictus’, exalta a obra de Deus na história e indica profeticamente a missão do filho João: preceder o Filho de Deus que se fez carne, para lhe preparar as estradas (cf. Lc 1, 67-79). Toda a existência do precursor de Jesus é alimentada pela relação com Deus, de modo particular o período transcorrido em regiões desertas (cf. Lc 1, 80); as regiões desertas que são lugares de tentação, mas também lugares onde o homem sente a própria pobreza, porque desprovido de apoios e certezas materiais, e compreende que o único ponto de referência sólido permanece o próprio Deus. Mas João Baptista não é apenas um homem de oração, do contacto permanente com Deus, mas também um guia para esta relação. Citando a oração que Jesus ensina aos discípulos, o ‘Pai-Nosso’, o evangelista Lucas anota que o pedido é formulado pelos discípulos com estas palavras : ‘Senhor, ensinai-nos a rezar, como também João ensinou aos seus discípulos’ (cf. Lc 11, 1).

Caros irmãos e irmãs, celebrar o martírio de São João Baptista recorda-nos, também a nós cristãos deste nosso tempo, que não se pode ceder a compromissos com o amor a Cristo, à sua Palavra e à Verdade. A Verdade é Verdade, não existem compromissos. A vida cristã exige, por assim dizer, o ‘martírio’ da fidelidade quotidiana ao Evangelho, ou seja, a coragem de deixar que Cristo cresça em nós e que seja Cristo quem orienta o nosso pensamento e as nossas acções. Mas isto só se verifica na nossa vida se a nossa relação com Deus for sólida. A oração não é tempo perdido, não é roubar espaço às actividades, inclusive às obras apostólicas, mas é precisamente o contrário: se formos capazes de ter uma vida de oração fiel, constante e confiante, o próprio Deus dar-nos-á a capacidade e a força para viver de modo feliz e tranquilo, para superar as dificuldades e testemunhá-lo com coragem. São João Baptista interceda por nós, a fim de sabermos conservar sempre o primado de Deus na nossa vida.’


Fonte :
* Artigo na íntegra de http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2012/documents/hf_ben-xvi_aud_20120829_po.html

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Nascimento de São João Batista

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)



A Liturgia das Horas e a reflexão no dia do nascimento 
de São João Batista  :

Ofício das Leituras

Segunda leitura
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermo 293,1-3 : PL 38,1327-1328)     (Séc.V)

Voz do que clama no deserto
A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo : tal fato tem, sem dúvida, uma explicação. E se não a soubermos dar tão bem, como exige a importância desta solenidade, pelo menos meditemos nela mais frutuosa e profundamente. João nasce de uma anciã estéril; Cristo nasce de uma jovem virgem.

O pai de João não acredita que ele possa nascer e fica mudo; Maria acredita, e Cristo é concebido pela fé. Eis o assunto que quisemos meditar e prometemos tratar. E se não formos capazes de perscrutar toda a profundeza de tão grande mistério, por falta de aptidão ou de tempo, aquele que fala dentro de vós, mesmo em nossa ausência, vos ensinará melhor. Nele pensais com amor filial, a ele recebestes no coração, dele vos tornastes templos.

João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o antigo e o novo. O próprio Senhor o chama de limite quando diz : A lei e os profetas até João Batista (Lc 16,16). Ele representa o antigo e anuncia o novo. Porque representa o Antigo Testamento, nasce de pais idosos; porque anuncia o Novo Testamento, é declarado profeta ainda estando nas entranhas da mãe. Na verdade, antes mesmo de nascer, exultou de alegria no ventre materno, à chegada de Maria. Antes de nascer, já é designado; revela-se de quem seria o precursor, antes de ser visto por ele. Tudo isto são coisas divinas, que ultrapassam a limitação humana. Por fim, nasce. Recebe o nome e solta-se a língua do pai. Relacionemos o acontecido com o simbolismo de todos estes fatos.

Zacarias emudece e perde a voz até o nascimento de João, o precursor do Senhor; só então recupera a voz. Que significa o silêncio de Zacarias? Não seria o sentido da profecia que, antes da pregação de Cristo, estava, de certo modo, velado, oculto, fechado? Mas com a vinda daquele a quem elas se referiam, tudo se abre e torna-se claro. O fato de Zacarias recuperar a voz no nascimento de João tem o mesmo significado que o rasgar-se o véu do templo, quando Cristo morreu na cruz. Se João se anunciasse a si mesmo, Zacarias não abriria a boca. Solta-se a língua, porque nasce aquele que é a voz. Com efeito, quando João já anunciava o Senhor, perguntaram-lhe : Quem és tu? (Jo 1,19). E ele respondeu : Eu sou a voz do que clama no deserto (Jo 1,23). João é a voz; o Senhor, porém, no princípio era a Palavra (Jo 1,1). João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna.


Fonte :
‘In Liturgia das Horas III’, 1374, 1375




domingo, 24 de junho de 2012

São João Batista

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)   


Oração a São João Batista

                    'São João Batista, voz que clama no deserto: "Endireitai os caminhos do Senhor... fazei penitência, porque no meio de vós está quem não conheceis e do qual eu não sou digno de desatar os cordões das sandálias", ajudai-me a fazer penitência das minhas faltas para que eu me torne digno do perdão daquele que vós anunciastes com estas palavras: "Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira os pecados do mundo".
 
                   São João, pregador da penitência, rogai por nós.
 
                   São João, precursor do Messias, rogai por nós.
 
                   São João, alegria do povo, rogai por nós. '

Fonte :