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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Cartuxos : a fascinante ordem religiosa mais austera e silenciosa do mundo

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Carthusian at La Grande Chartreuse, creating a habit for a new ...
Monge Cartuxo


‘Numa passagem do seu livro ‘A Estrela dos Reis Magos’, o educador brasileiro Julio Cesar de Mello e Souza, muito mais conhecido pelo pseudônimo Malba Tahan, comenta que há na cidade espanhola de Burgos um pequeno mosteiro cartuxo em cuja igreja expõe-se uma imagem do fundador, São Bruno, aclamada como obra de rara perfeição. Quem observa a imagem tem a impressão de estar em frente a uma figura viva.

Conta-se que, certa vez, um viajante visitou a igreja e, ao dar de rosto com aquela admirável imagem de São Bruno, foi incapaz de conter a admiração :

– É perfeita! Só falta falar!

– Engana-se o senhor – respondeu, respeitoso, o monge que o guiava – Esta imagem é perfeita precisamente porque não fala.

A inspirada e singela anedota evoca um dos traços mais marcantes e fascinantes do monge cartuxo.


A Cartuxa

A Ordem dos Cartuxos, também conhecida como Ordem de São Bruno, foi fundada em 15 de agosto de 1084, solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu. É uma ordem religiosa católica semi-eremítica de clausura monástica e orientação puramente contemplativa : daí o silêncio absoluto como característica dessa vocação particularmente austera.


O nome

O nome peculiar, ‘cartuxos’, vem da região onde os primeiros monges da ordem se instalaram : uma montanha ao norte de Grenoble Chartreuse, na comuna francesa de Saint-Pierre-de-Chartreuse, em Isère. O nome francês ‘Chartreuse’ era traduzido ao latim medieval como ‘Cartusia’, e daí derivam, em português, as palavras ‘Cartuxa’, para indicar tanto a ordem quanto cada um dos seus mosteiros, e ‘cartuxos’, o termo que se refere aos monges. A ‘Grande Cartuxa’ (‘Grande Chartreuse’, que se vê na foto abaixo) é a casa-mãe da ordem, situada na mesma região francesa da fundação.

 Quanto ao nome ‘Ordem de São Bruno’, ele vem, evidentemente, do nome do santo fundador.



O governo cartuxo

Assim com a Ordem de Cister (dos monges cistercienses, fundada por São Bernardo de Claraval), a Cartuxa é umas das primeiras ordens centralizadas da história da Igreja. Ela é governada pelo Capítulo Geral, uma assembleia que se reúne a cada dois anos. Cada mosteiro tem o seu prior, que é o superior da casa, eleito durante o Capítulo Geral. O prior pode ser mantido ou afastado do cargo conforme cumpra ou não os seus deveres satisfatoriamente, o que torna o governo da cartuxa um dos mais flexíveis e equilibrados de que se tem notícia entre instituições humanas de qualquer época e natureza.


A vocação cartuxa

Os cartuxos conciliam a vida comunitária com a própria vida contemplativa, transcorrendo os seus dias, semanas, meses e anos em silêncio absoluto. Eles, que praticam rígida abstinência e fazem frequentes jejuns, trabalham, estudam e oram, devotando a maior parte de todos os dias à adoração.

Os cartuxos formam a comunidade religiosa comumente apontada como a que professa a maior austeridade dentre todas as ordens religiosas católicas no tocante ao exigente modo de vida. Ao longo dos seus mil anos de existência, a cartuxa sempre manteve um estrito e profundo espírito de pobreza e abnegação, meios que servem aos monges e monjas cartuxos para buscarem a maior intimidade com Deus na oração e na contemplação, livres ao máximo de todo apego material e mundano.

Seu lema, que resume o espírito da vocação cartuxa, é eloquente :

‘Stat Crux dum volvitur orbis’

O que significa? ‘A Cruz permanece em pé enquanto o mundo dá voltas’.


A cartuxa em Portugal e no Brasil 

Entre as cartuxas que existem mundo afora, há uma no Brasil, a de Nossa Senhora Medianeira, em Ivorá, no Rio Grande do Sul, e uma em Évora, Portugal, que você pode ‘visitar’ no seguinte vídeo de 3 minutos produzido pela revista Expresso em janeiro de 2007 :’

            
Fonte :

domingo, 5 de outubro de 2014

São Bruno, Presbítero

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


‘Nasceu em Colônia por volta do ano de 1030 e chegou, sendo ainda jovem, a estudar na escola catedralícia de Reins. Adquirido o grau de doutor e nomeado Cônego do Capítulo da catedral, foi designado em 1056 escolaster, isto é, Reitor da Universidade. Foi um dos maestros mais renomeados de seu tempo : ‘…um homem prudente, de palavra profunda’.

Bruno encontra-se cada vez menos a vontade numa cidade onde não escasseiam os motivos de escândalo por parte do alto clero e inclusive mesmo do Arcebispo. Depois de ter lutado com sucesso contra estes problemas, Bruno experimenta o desejo de uma vida mais entregue exclusivamente a Deus.

Depois de uma experiência de vida solitária de breve duração, chegou à região de Grenoble onde o bispo, o futuro São Hugo, ofereceu-lhe um lugar solitário nas montanhas de sua diocese. No mês de junho de 1084 o mesmo bispo conduziu Bruno e seus seis colegas ao deserto do maciço montanhoso de Chartreuse (Cartuxa) que dará seu nome à Ordem. Ali constroem seu eremitério formado com algumas casinhas de madeira que se abrem a uma galeria, que permite aceder sem sofrer demasiado pela intempérie do tempo aos lugares de vida comunitária : A igreja, o refeitório e o Capítulo.

Depois de seis anos de aprazível vida solitária, Bruno foi chamado pelo Papa Urbano II (que fora seu aluno em seu tempo de maestro) ao serviço da Sede Apostólica. Crendo sua novel comunidade que não poderia continuar sem ele, sua Comunidade pensou primeiramente em separar-se, mas finalmente se deixou convencer por continuar a vida na qual tinham sido formados. Conselheiro do Papa, Bruno não se sentia à vontade na Corte Pontifícia. Ele permaneceu somente uns meses em Roma. Com a aprovação do Papa fundou um novo eremitério nos bosques da Calábria, ao sul da Itália, com alguns novos colegas. Ali faleceu a seis de outubro do ano de 1101.’


Fonte  :
* Artigo na íntegra de http://www.chartreux.org/pt/
  

domingo, 6 de outubro de 2013

São Bruno

Por Maria Vanda (Ir. Maria Silvia, Obl. OSB)

 

Oração atribuida a São Bruno 

‘Tu, que és meu Senhor,
Tu, cuja vontade prefere à minha.
Não me é possível contentar-me com palavras
ao apresentar-te minha oração.
Escuta meu grito que te suplica
como um imenso clamor… 

Tu, de quem me constituis servo :
Te rogo-te com insistência,
até merecer atingir teu favor.
Pois não almejo um bem da terra;
não peço mais do que o que devo pedir :
só a Ti…

Tem piedade de mim!
E como imensa é tua misericórdia
e grande meu pecado, tem piedade de mim imensamente
em proporção à tua misericórdia. 
Então poderei cantar teus louvores,
contemplando-te, Senhor.
Te bendirei com uma bênção
que perdurará ao longo dos séculos;
te louvarei com o louvor e a contemplação,
neste mundo e no outro,
como Maria, de quem nos diz o Evangelho,
que escolheu a parte melhor.
Amém.’
Fonte :