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domingo, 12 de outubro de 2014

A Vocação de Elias : O profeta de Fogo e Zelo

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 *Artigo de Padre Manuel João P. Correia,
Missionário Comboniano
  
‘Os tempos de Elias foram também difíceis. Exerceu o seu ministério a meados do século IX antes de Cristo, no reino de Israel. Do ponto social e político, foi um momento auge do Reino do Norte, uma época de paz e de prosperidade econômica. Mas também de grande infidelidade idolátrica. Como a nossa!...


Idolatrias

Reinava então em Israel o ímpio rei Acab, que, para cúmulo dos males, casara com a perversa rainha Jezabel, filha do rei de Tiro. Jezabel trouxe consigo o seu ‘senhor’ e ‘esposo’, Baal, o deus da chuva e da fecundidade. Determinada como era, pelas boas e pelas más, acabou por impor por todo o lado o culto a Baal (1 Reis 16,30-33). Também nisto podemos ver uma analogia com a nossa época. Muda só o nome da ‘rainha’ e do seu ‘deus’. Todos seríamos capazes de dar-lhes um nome e um rosto. O método para ofuscar as mentes e escravizar as consciências, a indiferença com que se sacrificam tantas vítimas ao ídolo não diferem substancialmente. A luz da fé parece extinguir-se, a voz das testemunhas é silenciada e até o céu parece ofuscar-se...

É neste contexto que Deus suscita uma testemunha extraordinária na pessoa do profeta Elias. Ele aparece de uma maneira abrupta no capítulo 17 do primeiro Livro dos Reis, anunciando uma carestia. As suas palavras ressoam como um relâmpago em céu sereno no rico e idólatra reino de Israel :  ‘Juro pelo nome do Senhor, o Deus de Israel, a quem sirvo, que não cairá orvalho nem chuva nos próximos anos, excepto mediante a minha palavra.’ E o céu obedece. Não chove, não obstante que Baal se proclame senhor da chuva. E a terra ressequida não pode alimentar a vida. A morte ameaça a todos :  homens e animais.


Fogo e zelo

O profeta Elias é uma das grandes figuras bíblicas. A sua personalidade extraordinária, o seu carácter intrépido e heróico, o carisma profético singular fizeram dele o profeta por antonomásia. Recordemo-nos que Elias aparece com Moisés, falando com Jesus durante a transfiguração. A sua figura continuou a suscitar um fascínio particular ao longo dos tempos na tradição judaica e cristã.

Elias é o profeta de fogo :  ‘Suas palavras queimavam como uma tocha ardente’ (Eclesiástico 48,1). A sua oração faz descer o fogo do céu para devorar o sacrifício preparado para o Senhor no Monte Carmelo, desafiando e desconfessando os profetas de Baal (1 Reis 18). No final da vida, será levado para o céu num carro de fogo.

É profeta de fogo porque o seu coração está ‘cheio de zelo pelo Senhor’, como ele repete por duas vezes na epifania de Deus no monte Sinai (1 Reis 18). Este zelo consome toda a sua vida e o seu ministério. Como Jesus. Também trouxe o fogo sobre a terra e o seu coração consumia-se pelo mesmo zelo :  ‘Eu vim trazer o fogo à terra e que quero eu senão que ele se acenda?’ (Lucas 12,49).

Em grego, a palavra ‘zelo’ tem a conotação de ‘fogo’.

Hoje falta tal fogo no coração do cristão. Onde foi parar a chama ateada pelo coração de Cristo? Abundam os corações apagados, cobertos de cinzas. Tudo se faz sem zelo e sem exaltação. Os nossos ideais não despertam entusiasmo, liquefeitos como são e versados em corações amorfos. Dir-se-ia que nos sentimos incapazes de nos enamorarmos, de nos apaixonarmos verdadeiramente, por uma pessoa ou por um ideal. Até desconfiamos e ficamos de pé atrás quando alguém defende um princípio com certa convicção ou manifesta um pouco mais de zelo no que faz. Não é ‘politicamente correto’, pode ‘ofender a sensibilidade’ dos outros. Impera o relativismo e, por conseguinte, a apatia.

Parece que o zelo hoje é mais característico das forças do mal. Basta pensar, por exemplo, no terrorismo e na sua energia destrutiva intensa, cheia de ódio e violência. Ou a manipulação aguerrida das consciências orquestrada por certos movimentos promotores daquela que João Paulo II apelidou de ‘cultura da morte’. Ou, ainda, o sistema econômico mundial, hoje patrão supremo, que com as suas ‘leis de mercado’ marginaliza populações inteiras, difundindo aquela que o Papa Francisco chama a ‘cultura do desperdício’.


  
À escola de Elias e de Jesus

Hoje temos necessidade de profetas de fogo e zelo como Elias, para testemunhar o Deus vivo e verdadeiro e promover a cultura da vida. Como obtê-los? Como despertar em nós o espírito de Elias? Como herdar uma sua ‘dupla porção’ como pedira o seu discípulo Eliseu? Frequentando a sua mesma escola :  retirando-se na solidão e convivendo com os pobres! Uma dupla escola. Como Jesus. Primeiro, no retiro de Nazaré e do deserto, para receber o ensinamento do Espírito e ser revestido pela sua força. Depois, convivendo com os pobres e a miséria do mundo para experimentar e receber a compaixão do Pai. E por isso proclamará na sinagoga de Nazaré :  ‘O Espírito do Senhor está sobre mim. Ele me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados, a pregar a liberdade aos cativos, a dar a vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar um ano de graça de Senhor’ (Lucas 4,18-9).


Enviado em retiro…

Se a estrutura de um edifício não é suportada por alicerces adequados, o prédio corre o risco de desmoronar-se. O mesmo acontece no caso da pessoa chamada a exercer um ministério na Igreja :  é preciso, antes de tudo, que tenha estado a sós com Deus e que as raízes da sua espiritualidade tenham chegado às águas profundas da contemplação. Caso contrário, será um propagador de ideias mas não uma testemunha. É necessário que o seu ouvido esteja habituado a ‘ouvir’, para que a língua seja capaz de ‘falar’. Sem tempos de deserto e solidão que favorecem o encontro com Deus na oração, não há profecia.

Por isso a primeira coisa que Deus faz com Elias é mandá-lo em retiro :  ‘Retira-te daqui, e vai para o oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Querite…’ (1 Reis 17,3). Saber ‘retirar-se’, ‘orientar’ a própria vida, ‘esconder-se’, eis o abc de todo discípulo. É o mesmo convite que Jesus nos dirige :  ‘Quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente’ (Mateus 6,6).

Só nessa escola conheceremos o nosso verdadeiro nome :  ‘Elias’ (Eli-Ya, ‘o meu Deus é Javé’) e aprenderemos a ‘estar continuamente na presença de Deus’ como Elias (cf. 1 Reis 17,1, 18,15). O testemunho da sua vida ajuda a compreender que a verdadeira tentação e o mal supremo não é o ateísmo, mas a idolatria. O ateísmo pode ser um grito de sofrimento e a dor de uma ausência. A idolatria, pelo contrário, transforma-se pouco a pouco num coma profundo, antecâmara da morte.


Enviado à periferia da cidade…

Da ‘periferia’ do seu retiro situado do ‘outro lado’, à ‘esquerda do Jordão’, Elias é enviado ao norte nas terras pagãs da rainha Jezabel, a uma outra periferia, a da cidade, a dos pobres e desfavorecidos :  ‘Vai imediatamente para a cidade de Sarepta de Sídon e fica por lá. Ordenei a uma viúva daquele lugar que te forneça comida’ (1 Reis 17,9). Partilhar a vida do pobre, regressando à essencialidade e simplicidade de estilo de vida, é o estágio do apóstolo. Trata-se de outro lugar privilegiado da Presença de Deus. Só lá se pode reconhecer o verdadeiro rosto de Deus, o do amor e da justiça. Duas faces inseparáveis. Deus que ama e restabelece a justiça, respondendo ao grito da viúva.

As muitas barreiras criadas pelas diferenças sociais, étnicas, religiosas… separam-nos não só dos ‘outros’ de diferente raça e cor, língua e cultura, mas também do ‘Outro’ que em todos se incarnou. Falta-nos a convivência com os ‘marginais’, embora nunca como hoje estiveram tão perto de nós. De aí a insistência do Papa Francisco a convidar os pastores da Igreja (mas não só eles!) a ir para as ‘periferias’.

Concluo com este seu fogoso apelo dirigido aos sacerdotes na Quinta-Feira Santa :  ‘O nosso povo gosta do Evangelho quando é pregado com unção, quando o Evangelho que pregamos chega ao seu dia-a-dia, quando escorre como o óleo de Aarão até às bordas da realidade, quando ilumina as situações extremas, ‘as periferias’ onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé. As pessoas agradecem-nos porque sentem que rezamos a partir das realidades da sua vida de todos os dias, as suas penas e alegrias, as suas angústias e esperanças…

Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. A diferença é bem conhecida de todos :  o intermediário e o gestor ‘já receberam a sua recompensa’. É que, não colocando em jogo a pele e o próprio coração, não recebem aquele agradecimento carinhoso que nasce do coração; e daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, que acabam por viver tristes, padres tristes, e transformados numa espécie de colecionadores de antiguidades ou então de novidades, em vez de serem pastores com o ‘cheiro das ovelhas’ – isto vo-lo peço :  sede pastores com o ‘cheiro das ovelhas’!’’


Fonte  :
* Artigo na íntegra de http : //www.alem-mar.org/cgi-bin/quickregister/scripts/redirect.cgi?redirect=EFZlEkllpkKDBVZiDw
  

sábado, 12 de janeiro de 2013

O Batismo de Jesus

Por Maria Vanda (Ir. Maria Silvia, Obl. OSB)

O Batismo do Senhor no Rio Jordão
 
                O batismo de Jesus marca o início do ministério público de Jesus. Este evento é narrado nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Lucas e Marcos, enquanto que em João 1:29-33, que não é uma narrativa direta, João Batista testemunha o episódio[1][2]. O batismo é um dos cinco eventos mais importantes da narrativa evangélica sobre a vida de Jesus, os outros sendo a transfiguração, a crucificação, a ressurreição e a ascensão[3][4].

João Batista pregava o "batismo pela água", não de perdão ou contrição, mas para a remissão dos pecados (Lucas 3:3) e se declarava um precursor d'Aquele que iria batizar "com o Espírito Santo e com o fogo" (Lucas 3:16). Ao fazê-lo, ele estava preparando o caminho para o "Senhor"[5]. Jesus veio até o Rio Jordão, onde ele foi batizado por João num lugar que é tradicionalmente conhecido como Qasr al-Yahud ("Castelo dos Judeus")[5][6][7][8][9]. Este evento termina com o céu se abrindo, a descida do Espírito Santo na forma de uma pomba e uma voz divina anunciando: "Tu és o meu Filho dileto, em ti me agrado."[10]. A voz combina frases chave do Antigo Testamento: "Meu Filho" (o rei da linhagem de David adotado como Filho de Deus em Salmos 2:1 e Salmos 10:1, "dileto" (ou "bem-amado" - como Isaque em Gênesis 22:) e "em ti me agrado" (o servo de Deus em Isaías 42:1)[5]

A maior parte das denominações cristãs vêem o batismo de Jesus como um evento importante e a base para o rito cristão do batismo (veja também Atos 19:1-7). A controvérsia reside principalmente com a relação do ato com a heresia do cristianismo primitivo conhecida como adocionismo, que pregava que Jesus só ali se tornou o Filho de Deus.

No cristianismo oriental, o batismo de Jesus é comemorado no dia 6 de janeiro, a festa da Epifania[11] . Na Igreja Católica, na Comunhão Anglicana e em outras denominações ocidentais, ela é relembrada num dia da semana seguinte, a festa do Batismo do Senhor. No catolicismo romano, o batismo de Jesus é um dos Mistérios Luminosos do Santo Rosário.

Por Parmigianino, atualmente na Berlin Staatliche Museen - Gemäldegalerie, em Berlim. Nos evangelhos, os relatos do batismo de Jesus são sempre precedidos por informações sobre João Batista e seu ministério[12][13][14]. Neles, João pregava pela contrição e pelo arrependimento para remissão dos pecados e encorajava as esmolas para os pobres (como em Lucas 3:11) conforme ele ia batizando as pessoas na região do Rio Jordão, próximo da Pereia, por volta do início do período conhecido como ministério de Jesus. O Evangelho de João (João 1:28) especifica "Betânia, além do Jordão", ou seja Bethabara, na Pereia, quando ele se refere pela primeira vez a ele e, depois, João 3:23 se refere a mais batismos num lugar chamado "Enom, perto de Salim" "porque havia ali muitas águas"[15][16].

Os quatro evangelhos não são as únicas referências ao ministério de João na região do Jordão. Em Atos 10:37-38, Pedro se refere a como o ministério de Jesus se iniciou "depois do batismo que pregou João"[17]. Nas Antiguidades Judaicas (18.5.2[18]), o historiador judeu do século I Flávio Josefo também escreveu sobre João Batista e sua morte na Pereia[19][20]. Nos evangelhos, João já vinha profetizando (como em Lucas 3:16) a vinda de alguém "mais poderoso do que eu"[1][21]. Paulo também se refere a esta antecipação por João em Atos 19:4[22]. Em Mateus 3:14, ao se encontrar com Jesus, João diz: "Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?". Porém, Jesus o convence a batizá-lo mesmo assim[23]. Na cena batismal, após Jesus emergir da água, o céu se abre e uma "voz divina" diz: "Tu és o meu Filho dileto, em ti me agrado.". O Espírito Santo então descende sobre Jesus na forma de uma pomba em Mateus 3:13-17, Marcos 1:9 e Lucas 3:21-23[1][21][23]. Em João 1:29-33, ao invés de uma narrativa direta, encontramos João Batista testemunhando o evento[1][2].

Este é um dos casos nos evangelhos onde uma voz divina chama Jesus de "Filho", sendo a outra durante a transfiguração de Jesus[24][25]. Após o batismo, os evangelhos sinóticos seguem descrevendo a tentação de Jesus, mas João 1:35 narra o primeiro encontro entre Jesus e dois de seus futuros discípulos, que eram na época discípulos de João Batista[26][27]. Nesta narrativa, no dia seguinte, João Batista vê Jesus novamente e o chama de Cordeiro de Deus e "Os dois discípulos, ouvindo dizer isto, seguiram a Jesus"[17][28][29]. Um deles é chamado de André, mas o nome do outro não é revelado. Raymond E. Brown levanta a hipótese de que o outro poderia ser o autor do Evangelho de João, João Evangelista[2][30]. Seguindo na narrativa, os dois agora passaram a ser discípulos de Jesus daí em diante e trazem outros para o grupo. Eventualmente, em Atos 18:24 até Atos 19:6, estes discípulos terminam por se misturar ao corpo maior de seguidores de Jesus[2][26].

Qasr el Yahud, o lugar apontado como local do Batismo de Jesus. No Novo Testamento, João Batista é descrito como habitando a região do deserto do Mar Morto. E depois iniciou sua pregação na região da Judeia, tendo instituído o Batismo como doutrina proveniente de Deus e caminho da salvação eterna. Alguns estudiosos descrevem esta região como uma das mais corrompidas da época. Algumas tradições religiosas indicam o local de pregação de João Batista próximo a atual Ponte Allenby. Jesus encontrou João Batista anunciando a palavra de Deus nas margens do rio Jordão e lá foi batizado por ele, marcando o início de seu ministério.

O local de batismo turístico oficial de Israel é onde o Mar da Galileia flui para o Rio Jordão.[31] Este local é muito distante do atual local onde supõe-se que João Batista tenha batizado.[31] Esta realocação foi realizada para evitar conflitos com a Jordânia.[31]

O batismo de Jesus é geralmente considerado como o início do seu ministério, logo após o início do ministério de seu primo, João Batista. [12][14][32]. Em Lucas 3:1-2 podemos ler[33][34]: “ «No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene, sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto.» (Lucas 3:1-2)[35]

Há, porém, duas tentativas de determinar quando o reinado de Tibério César se iniciou[36]. A tradicional é assumir que o reino de Tibério começou quando ele se tornou co-regente, em 11 d.C., o que colocaria o início do ministério de João Batista por volta do ano 26 d.C. Porém, alguns acadêmicos assumem que ele começou com a morte de seu predecessor, Augusto César, em 14 d.C., implicando que o ministério de João teria começado em 29 d.C.[36].

As datas geralmente aceitas para o início do ministério de João baseadas neste trecho ficam, portanto, entre 26-29 d.C., com o ministério de Jesus e o Seu batismo ocorrendo logo em seguida[33][34][37][38][39].

Em Lucas, Jesus é observado por uma grande multidão que se reunira para ver João e ser batizada por ele, enquanto que em Marcos não há menção de mais ninguém fora Jesus e João na ocasião. A cena se inicia em Lucas e Mateus com João proferindo um polêmico discurso, aparentemente contra os fariseus e saduceus, ali presentes. Lucas e Mateus então se reencontram com o relato de Marcos, que não trata dele, retratando Jesus descendo em direção a João e sendo batizado por ele.

Enquanto Lucas é explícito sobre o Espírito de Deus descendo no formato de uma pomba, a escolha de palavras em Mateus é vaga o suficiente para que possa ser interpretada como apenas sugerindo que tal descida teria tomado a forma de uma pomba. Há uma variada gama de simbolismo relacionado às pombas na época em que estas passagens foram escritas. Enquanto Howard Clarke[40] acredita que eles remetem à figura de Noé enviando a pomba para encontrar terra seca, sendo assim um símbolo do renascimento, Albright e Mann[41] notam que em Oséas, a pomba é símbolo do povo de Israel. Seja qual for o significado dos evangelhos sinóticos, a iconografia da pomba se tornou a partir daí o símbolo do Espírito Santo na arte cristã.

O batismo de Jesus aparece nos apócrifos do Novo Testamento e em algumas crenças consideradas heréticas pelo cristianismo majoritário.

De acordo com o Evangelho dos Hebreus, do qual sobraram apenas fragmentos, a sugestão para que Jesus fosse se batizar com João veio da mãe e dos irmãos de Jesus, sendo que Ele originalmente teria resistido, dizendo "Em que eu teria pecado para precisar ser imergido por ele? A não ser, claro, que exatamente isso que agora eu digo seja o pecado da ignorância e da presunção."[42].

O adocionismo, a crença de que o homem Jesus foi adotado como Filho de Deus era uma das duas cristologias mais populares do século II. Um tipo de adocionismo, como o que era mantido pelos ebionitas (judeo-cristãos), defendia que Jesus se tornara o Filho de Deus no seu batismo. O outro defendia que isso teria acontecido na ressurreição.

O proto-gnóstico do século I Cerinto ensinava que Cristo (um espírito) adentrou no homem Jesus em seu batismo, permanecendo distinto dele (guiando-o e ensinando-o), e deixou-o na crucificação[43].

            As representações do Batismo de Jesus são muito antigas e podem ser vistas já nas catacumbas romanas, em um afresco na Catacumba de Calixto, na cripta de Lúcia, do século II. É uma composição simples em que aparecem somente Jesus a João Batista. Mais tarde, a partir do século VI, a cena se enriquece com detalhes, como a presença de anjos que atuam com acólitos. O Rio Jordão muita vezes é destacado e os artistas muitas vezes o representam como as barbas de Deus. Outro elemento recorrente é um cervo que bebe pacificamente nas águas do rio.

Nos séculos XIII e XIV os artistam alteram a cena. Ao invés de ver Jesus submergido nas águas, se vê João que derrama sobre a derrama sobre a cabeça de Jesus com o auxílio de uma concha, como se pode cnmtemplar nos baixos relevos da porta do Batistério em Florença. Muitos artistas do Renascimento representam Jesus orando e recebendo a água derramada, os anjos participam deste ato solene.

                 
Referências:
  • 1. ↑ a b c d Jesus of history, Christ of faith by Thomas Zanzig 2000 ISBN 0884895300 page 118
  • 2. ↑ a b c d The Gospel and Epistles of John: A Concise Commentary by Raymond Edward Brown 1988 ISBN 9780814612835 pages 25-27
  • 3. ↑ Essays in New Testament interpretation by Charles Francis Digby Moule 1982 ISBN 0521237831 page 63
  • 4. ↑ The Melody of Faith: Theology in an Orthodox Key by Vigen Guroian 2010 ISBN 0802864961 page 28
  • 5. ↑ a b c Harrington, Daniel J., SJ. "Jesus Goes Public." America, Jan. 7-14, 2008, pp.38ff
  • 6. ↑ Mateus 3:13-17
  • 7. ↑ II Coríntios 5:21; Hebreus 4:15; I Pedro 3:18
  • 8. ↑ O Evangelho de Mateus, sem paralelo nos demais, inclui uma conversa entre Jesus e João. Este humildemente reluta em batizar Jesus, insistindo ao invés disso que Jesus é quem deveria batizá-lo. A preocupação de João parece ser de duas naturezas: (1) João batizou outros pela contrição e para perdoar os pecados, algo que Jesus, sem pecado, não necessitaria; (2) O ministério de João Batista incluía a vinda de um "mais poderoso" que ele que iria trazer uma nova forma de batismo - não apenas com água, mas com o Espírito Santo e com fogo. Jesus insistiu e João cedeu em batizá-lo. Ao aceitar, Jesus é visto como se identificando e demonstrando toda a sua solidariedade com a humanidade pecadora, pois de acordo com o próprio Novo Testamento, ele era desprovido de pecados.
  • 9. ↑ Ao tomar o lugar dos pecadores, colocando a culpa sobre si e levando-a às profundezas do Jordão, o batismo de Jesus por João marca a sua aceitação da morte dos pecados, enquanto que a sua volta da água representaria a sua ressurreição. - Papa Bento XVI. Jesus de Nazaré (ed. em inglês) Doubleday Religion, 2007. ISBN 978-0-385-52341-7
  • 10. ↑ Marcos 3:11. Ver também Mateus 3:17 e Lucas 3:21-22
  • 11. ↑ http://www.pravoslavieto.com/calendar/feasts/01.06_Bogojavlenie/istoria.htm
  • 12. ↑ a b Jesus and the Gospels: An Introduction and Survey by Craig L. Blomberg 2009 ISBN 0805444823 page 224-229
  • 13. ↑ The Cradle, the Cross, and the Crown: An Introduction to the New Testament by Andreas J. Köstenberger, L. Scott Kellum 2009 ISBN 9780805443653 p. 141-143
  • 14. ↑ a b Christianity: an introduction by Alister E. McGrath 2006 ISBN 9781405109017 pages 16-22
  • 15. ↑ Big Picture of the Bible - New Testament by Lorna Daniels Nichols 2009 ISBN 1579219284 page 12
  • 16. ↑ John by Gerard Stephen Sloyan 1987 ISBN 0804231257 page 11
  • 17. ↑ a b Jesus of Nazareth by Duane S. Crowther 1999 ISBN 0882906569 page 77
  • 18. ↑ Flávio Josefo. Antiguidades Judaicas: HEROD THE TETRARCH MAKES WAR WITH ARETAS, THE KING OF ARABIA, AND IS BEATEN BY HIM AS ALSO CONCERNING THE DEATH OF JOHN THE BAPTIST. HOW VITELLIUS WENT UP TO JERUSALEM; TOGETHER WITH SOME ACCOUNT OF AGRIPPA AND OF THE POSTERITY OF HEROD THE GREAT (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: XVIII.5:2,
  • 19. ↑ Eerdmans Dictionary of the Bible 2000 ISBN 9053565035 page 583
  • 20. ↑ Behold the Man: The Real Life of the Historical Jesus by Kirk Kimball 2002 ISBN 9781581126334 page 654
  • 21. ↑ a b Eerdmans commentary on the Bible by James D. G. Dunn, John William Rogerson 2003 ISBN 0802837115 page 1010
  • 22. ↑ The Book of the Acts by Frederick Fyvie Bruce 1988 ISBN 0802825052 page 362
  • 23. ↑ a b The Synoptics: Matthew, Mark, Luke by Ján Majerník, Joseph Ponessa, Laurie Watson Manhardt 2005 ISBN 1931018316 pages 27-31
  • 24. ↑ Transfiguration by Dorothy A. Lee 2005 ISBN 9780826475954 pages 21-30
  • 25. ↑ The Content and the Setting of the Gospel Tradition by Mark Harding, Alanna Nobbs 2010 ISBN 9780802833181 pages 281-282
  • 26. ↑ a b The people's New Testament commentary by M. Eugene Boring, Fred B. Craddock 2004 ISBN 0664227546 pages 292-293
  • 27. ↑ New Testament History by Richard L. Niswonger 1992 ISBN 0310312019 pages 143-146
  • 28. ↑ The Life and Ministry of Jesus: The Gospels by Douglas Redford 2007 ISBN 0784719004 page 92
  • 29. ↑ A Summary of Christian History by Robert A. Baker, John M. Landers 2005 ISBN 0805432884 pages 6-7
  • 30. ↑ The Disciple Whom Jesus Loved by J. Phillips 2004 ISBN 0970268718 pages 121-123
  • 31. ↑ a b c Walking in the Footsteps of Jesus (em inglês). Slate (18 de janeiro de 2008). Página visitada em 14 de julho de 2011. "We pull off where the Sea of Galilee flows out into the Jordan River, which is Israel's official tourist baptism site. The actual place where John the Baptist baptized is much farther down the river, but it straddles the armed border between Israel and Jordan. So, the Israeli authorities wisely said: Baptize here!"
  • 32. ↑ The Cradle, the Cross, and the Crown: An Introduction to the New Testament by Andreas J. Köstenberger, L. Scott Kellum 2009 ISBN 9780805443653 pages 140-141
  • 33. ↑ a b Eerdmans Dictionary of the Bible 2000 Amsterdam University Press ISBN 9053565035 page 249
  • 34. ↑ a b The Bible Knowledge Background Commentary: Matthew-Luke, Volume 1 by Craig A. Evans 2003 ISBN 0781438683 pages 67-69
  • 35. ↑ Segundo a Tradução Brasileira da Bíblia
  • 36. ↑ a b Luke 1-5: New Testament Commentary by John MacArthur 2009 ISBN 0802408710 page 201
  • 37. ↑ The Cradle, the Cross, and the Crown: An Introduction to the New Testament by Andreas J. Köstenberger, L. Scott Kellum 2009 ISBN 9780805443653 page 114
  • 38. ↑ Christianity and the Roman Empire: background texts by Ralph Martin Novak 2001 ISBN 1563383470 pages 302-303
  • 39. ↑ HOEHNER, Harold W. Chronological Aspects of the Life of Christ. [S.l.]: Zondervan, 1978. 29–37 p. ISBN 0310262119
  • 40. ↑ Clarke, Howard W. The Gospel of Matthew and its Readers: A Historical Introduction to the First Gospel. Bloomington: Indiana University Press, 2003.
  • 41. ↑ Albright, W.F. and C.S. Mann. "Matthew." The Anchor Bible Series. New York: Doubleday & Company, 1971.
  • 42. ↑ Contra os pelagianos (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 2, Página visitada em 23/01/2012.
  • 43. ↑ "Cerinthus" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.
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