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domingo, 30 de novembro de 2025

Quem foi Pôncio Pilatos?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR


‘Existem alguns personagens que meio ‘sem querer, querendo’ acabaram entrando para a história, ficando seus nomes registrados para a posteridade. Esse é o caso de Pôncio Pilatos, que participou do julgamento de Jesus, tendo o gesto de ‘lavar as mãos’ eternizado, figurando hoje como atitude de quem não deseja se comprometer. Tanto assim, que seu nome entra, inclusive, na oração do Credo, o Símbolo Apostólico do cristianismo.

O que se sabe sobre Pôncio Pilatos

Pilatos tornou-se um dos governadores romanos mais conhecidos da história, principalmente por seu papel na condenação de Jesus Cristo à morte na cruz.

Ele governou a Judeia entre os anos 26 e 36 d.C., residindo na cidade de Cesareia, localizada na costa do Mediterrâneo. Por ser o representante de Roma na região, tinha autoridade sobre questões administrativas, financeiras, militares e judiciais, sendo ainda o responsável por manter a ordem e a paz entre a população local, majoritariamente judaica, com forte identidade religiosa e nacional.

Sabe-se que foi muito conturbada sua administração, pela falta de habilidade em lidar com as questões judaicas. Entre outras coisas, ele foi acusado de usar os recursos do Templo de Jerusalém para construir um aqueduto que levaria água para Cesareia. Os judeus se revoltaram e o acusaram de roubar o dinheiro sagrado. Ele ordenou que seus soldados se infiltrassem entre a multidão para reprimir a manifestação com violência, acarretando a morte de muitos judeus. Mas, o caso mais famoso e controverso de Pilatos foi o julgamento de Jesus Cristo que, preso pelos líderes religiosos dos judeus através do Sinédrio, foi acusado de blasfêmia e de incitar o povo contra Roma. Jesus foi então levado a Pilatos, que tinha autoridade para condená-lo ou determinar a sua liberdade.

O julgamento de Jesus

Os quatro evangelhos narram com detalhes o julgamento de Jesus, cada um acrescentando novos detalhes, mas todos são unânimes ao afirmar que Pilatos não encontrou nenhum motivo para condenar Jesus, e que tentou libertá-lo, oferecendo ao povo a escolha entre soltar Jesus ou Barrabás, um criminoso.

E, convocando Pilatos os principais dos sacerdotes, e os magistrados, e o povo, disse-lhes : Haveis-me apresentado este homem como pervertedor do povo; e eis que, examinando-o na vossa presença, nenhuma culpa, das de que o acusais, acho neste homem.  Nem mesmo Herodes, porque a ele vos remeti, e eis que não tem feito coisa alguma digna de morte. 16 Castigá-lo-ei, pois e soltá-lo-ei. E era-lhe necessário soltar-lhes um detento por ocasião da festa. Mas toda a multidão clamou à uma, dizendo : Fora daqui com este e solta-nos Barrabás. Barrabás fora lançado na prisão por causa de uma sedição feita na cidade e de um homicídio. Falou, pois, outra vez Pilatos, querendo soltar a Jesus. Mas eles clamavam em contrário, dizendo : Crucifica-o! Crucifica-o! Então, ele, pela terceira vez, lhes disse : Mas que mal fez este? Não acho nele culpa alguma de morte. Castigá-lo-ei, pois e soltá-lo-ei. Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E os seus gritos e os dos principais dos sacerdotes redobravam.  Então, Pilatos julgou que devia fazer o que eles pediam. E soltou-lhes o que fora lançado na prisão por uma sedição e homicídio, que era o que pediam; mas entregou Jesus à vontade deles. Lucas 23, 13 a 25.

O destino de Pôncio Pilatos

Não há uma comprovação histórica exata sobre o destino de Pilatos após o julgamento de Jesus. O historiador judeu Flávio Josefo afirma que Pilatos foi destituído do cargo por causa de outro conflito com os samaritanos, povo que vivia na região da Samaria.

Fontes antigas dão diferentes versões sobre o fim de Pilatos, mas uma tradição cristã, afirma que Pilatos foi exilado nas Gálias, onde encontrou a morte. Segundo a Igreja Etíope, Pilatos se converteu ao cristianismo e, sendo martirizado, passou a ser venerado como santo.

Pilatos, porém, passou para a história como símbolo de covardia, de injustiça, de ambiguidade, de pragmatismo, de ironia, de falta de piedade ou de arrependimento. Numa linguagem moderna pode-se dizer que Pilatos ‘ficou em cima do muro’ com medo de se comprometer. Por outro lado, ele é um personagem que revela a complexidade das relações os conflitos entre o poder político e religioso, entre a cultura romana e a cultura judaica, entre a história e a tradição.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2025-07/curiosidades-biblia-quem-poncio-pilatos.html

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

A Babilônia

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR

 

‘Enquanto os seus oficiais a cercavam, o próprio Nabucodonosor veio à cidade. Então Joaquim, rei de Judá, sua mãe, seus conselheiros, seus nobres e seus oficiais se entregaram; todos se renderam a ele. Conforme o Senhor tinha declarado, ele retirou todos os tesouros do templo do Senhor e do palácio real, quebrando todos os utensílios de ouro que Salomão, rei de Israel, fizera para o templo do Senhor. Levou para o exílio toda Jerusalém : todos os líderes e os homens de combate, todos os artesãos e artífices. Era um total de dez mil pessoas; só ficaram os mais pobres.  Nabucodonosor levou prisioneiro Joaquim para a Babilônia. Também levou de Jerusalém para a Babilônia a mãe do rei, suas mulheres, seus oficiais e os líderes do país. O rei da Babilônia também deportou para a Babilônia toda a força de sete mil homens de combate, homens fortes e preparados para a guerra, e mil artífices e artesãos. Segundo Livro dos Reis, Capítulo 24, versículos de 11 a 16

Uma das páginas mais tristes da história do Povo de Israel que aparece em diversas narrativas bíblicas é, sem dúvida alguma, o chamado ‘Cativeiro da Babilônia’. Essa tragédia será para sempre lembrada como resultado da desobediência do povo para com a aliança de Deus.

A Babilônia aos poucos passa a ser vista não apenas como uma potência de importância histórica, mas desempenha um papel central na narrativa bíblica como símbolo da rebelião humana contra Deus. No Novo Testamento, a Babilônia assume um significado ainda mais profundo, representando um sistema mundial que se opõe ao Reino de Deus e que persegue aos cristãos. A queda de Babilônia passa a ser vista então como a queda do mal diante de Deus.

Em outras citações bíblicas, como no capítulo 10 do livro do profeta Isaías, aparece uma profecia sobre a Assíria, país que conquistou o reino de Israel aproximadamente entre 725 e 721 a.C. Nos capítulos 13 e 14, Isaías fala sobre a Babilônia, o país que conquistou Judá aproximadamente entre 600 e 588 a.C.

Potência política e mundanismo

A antiga Babilônia é hoje considerada um dos impérios mais ricos e mais mundanos da história. Originários dos povos amoritas que habitavam a região sul do deserto árabe, os babilônios criaram uma das civilizações que ocuparam a Mesopotâmia, região localizada entre os rios Tigre e Eufrates, onde hoje se encontra o moderno Iraque e parte da Turquia.

Promovendo a dominação dos acadianos que já ocupavam a região, o povo amorreu realizou um processo de expansão territorial que anexou várias cidades da Mesopotâmia, até que em meados do século XVIII a.C., o rei Hamurábi consolidou o Primeiro Império Babilônico.

Durante o seu governo centralizador e autoritário, Hamurábi ergueu a cidade de Babilônia, que se transformou em um dos mais importantes centros urbanos e comerciais da Antiguidade. Além disso, ele também foi responsável pela compilação de um importante conjunto de leis talhadas em um monumento de pedra conhecido como o Código de Hamurábi de onde se originou a tristemente célebre Lei de Talião, instrumento jurídico que de forma geral determinava a execução de penas que se igualassem aos prejuízos causados por algum delito, falha ou acidente.

Umas das maravilhas dos tempos antigos

Apesar de promover o crescimento e a prosperidade do Império Babilônico, uma série de revoltas internas somada com a invasão dos cassitas e dos hititas provocaram a queda e o desparecimento do Primeiro Império Babilônico que foi retalhado em diferentes reinos menores.  O tempo passou e no ano de 1300 a.C., os assírios, potência militar de então, subjugaram todos os reinos que outrora formaram o Primeiro Império Babilônico.

Mais tarde, no século VII a.C., ocorreu, por sua vez, a queda dos assírios devido às invasões dos caldeus e dos medos, vindos da região onde hoje se situa o moderno Irã.

As invasões possibilitaram a criação do Segundo Império Babilônico que atingiu o seu apogeu no governo do rei Nabucodonosor. Durante o seu reinado a civilização babilônica viveu um tempo de grandes conquistas militares e de execução de diversas obras públicas. Data dessa época os famosos Jardins Suspensos da Babilônia que causavam inveja e espanto em todos os que os conheciam e que hoje figuram entre as principais construções arquitetônicas do Mundo Antigo, sendo considerados umas das sete maravilhas do tempo antigo.

No governo do rei Nabucodonosor os hebreus foram escravizados e levados ao cativeiro. Esse episódio, lembrado como o período do Cativeiro da Babilônia seria cantado nos salmos e em outras citações bíblicas e nunca mais esquecido.  Segundo as narrativas bíblicas, depois de 50 anos, os hebreus ganharam autorização para retornarem para suas terras vindo um período de reconstrução com os sacerdotes Esdras e Neemias.

Após a morte de Nabucodonosor, os persas invadiram, saquearam e dominaram a Babilônia que nunca mais se reergueu.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2025-06/curiosidades-biblia-babilonia.html

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Quem eram os Gentios?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR


Conforme diz a Escritura : ‘Todo o que nele crê jamais será decepcionado’.  Portanto, não há distinção entre judeus e gentios, pois o mesmo Senhor é Senhor de todos e abençoa ricamente todos os que o invocam.  Porque : ‘Todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo!’ (Rom 10, 11-13)


‘Ao ler a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, frequentemente encontramos a palavra gentios, razão pela qual muitas pessoas perguntam sobre o seu significado.

A palavra, geralmente empregada no plural, designa as nações distintas do povo judeu. Originária do hebraico ‘goyim’ e do grego ‘ethnos’, os termos significam nações ou povos e ao longo dos textos bíblicos, o termo gentios é utilizado para descrever aqueles povos que não faziam parte do povo judeu escolhido por Deus.

Descendentes de Abraão, os judeus se consideravam, antes da vinda de Cristo, como o povo escolhido por Deus. Como as nações não-judaicas não adoravam o verdadeiro Deus, tendo práticas religiosas diferentes, eram consideradas até mesmo idólatras ou imorais. O termo gentios muitas vezes nas Escrituras Sagradas assumia um significado depreciativo.

Os hebreus estabeleciam uma divisão entre o povo, que definiam como eleito e os gentios, posteriormente denominados pagãos. Os povos asiáticos e europeus que se converteram ao cristianismo, nos seus primórdios eram considerados gentios.

Eles podiam, porém, conviver com os judeus, fazendo negócios e morando entre eles. A Lei de Moisés não permitia maltratar estrangeiros (Lev 19,33-34). Mas um gentio não tinha o mesmo estatuto que um judeu, não podendo se casar com um judeu e nem entrar em seu templo. Porém, se um gentio se convertesse ao judaísmo e fosse circuncidado, ficaria mais integrado na comunidade e seus bisnetos seriam considerados judeus de pleno direito (Dt 23,7-8).

O Apóstolo dos gentios

No início de sua missão, aos poucos a Igreja saiu do mundo judaico, entrando no mundo greco-romano. A unidade política chamada de Pax Romana e o contexto cultural do helenismo favoreceram muito sua expansão.

Num contexto religioso pluralista havia espaço para a propagação do cristianismo, até que começasse a ser considerado uma religião perigosa por desestabilizar o status quo reinante do império, com a pregação de um único Deus vivo e verdadeiro, advindo um processo de perseguição que duraria mais de 300 anos.

A religião popular do império era composta de formas variadas de superstição como a consulta à astrologia, crença no destino, magia, interpretação de sonhos, oráculos e profecias. E acima de tudo estava o culto ao imperador considerado como Deus. O fato de o cristianismo não admitir essas práticas religiosas e pelo fato de a religião ser uma das bases de sustentação do império, as mudanças propostas pelo cristianismo não foram bem aceitas.

A cultura helênica com sua filosofia provocou um sincretismo religioso e cultural que ajudou muito na difusão do cristianismo. O fato de existir uma língua comum chamada de Koiné que era o grego popular usado no comércio e no trato diário favoreceu a expansão do cristianismo.

Neste contexto é que Paulo, acertadamente denominado como ‘Apóstolo dos Gentios’, desenvolveu sua missão, realizando diversas viagens missionárias. Em cada cidade visitada, primeiro pregava aos Judeus nas Sinagogas, mas como em geral sua pregação não era bem aceita, buscava então os gentios e prosélitos.

A pregação de Paulo chamava à conversão e a partir dela vinha a fundação de comunidades independentes das sinagogas. Depois de sua estadia numa comunidade ele a animava com visitas e com cartas, das quais diversas foram conservadas no Novo Testamento.

Não fosse a pregação de Paulo e de seus companheiros como Barnabé e a abertura aos gentios o rosto da Igreja seria bem diferente, não tendo hoje a projeção geográfica que possui.

A evangelização dos gentios se normatiza

Inicialmente houve muita discussão entre os apóstolos se deviam ou não pregar o Evangelho de Jesus Cristo aos gentios e se o evangelho deveria ter ou não o colorido próprio da cultura e da religião dos judeus como a necessidade de circuncisão.

Paulo, o ‘Apóstolo dos Gentios’, assumiu então a missão de evangelizar as pessoas, judeus ou gentios, certificando-se de que todos conhecessem a mensagem e a obra salvadora de Jesus Cristo. Ele se tornou um dos primeiros a propor uma evangelização ‘inculturada’.

Inicialmente a salvação era vista como exclusiva do povo de Israel, mas ao longo dos textos bíblicos, vai ficando mais claro que Deus tem um plano de salvação para todos os povos, incluindo os gentios. No Novo Testamento, a vinda de Jesus Cristo é apresentada como o cumprimento desse plano de salvação e a mensagem do evangelho é estendida a todas as nações, não apenas aos judeus.

A queda de Jerusalém no ano 70 d.C libertou o cristianismo do messianismo judeu favorecendo a expansão missionária da Igreja nascente junto aos gentios que não haviam conhecido Cristo.

Em sua pregação Paulo se dirige primeiro aos Judeus, depois aos pagãos e também ao povo e aos apóstolos em Jerusalém.

Aos poucos vai se constituindo então um Querigma central da evangelização dos apóstolos, tendo entre eles a Paulo; o ensinamento direto é feito como testemunho da vida e da ação de Cristo, acompanhado do testemunho de vida e de sinais sobrenaturais. E assim o cristianismo se abre aos gentios e a salvação é dada a conhecer a todos os povos!’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2025-08/curiosidades-biblia-quem-eram-gentios.html

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

A cidade de Jerusalém

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR


‘Nenhuma cidade do mundo recebe tanta evidência, seja pelo sentido religioso, político, ou pelos desafios da violência e da tensão que lá se vive, como a cidade de Jerusalém, atual capital religiosa do moderno estado de Israel.

Os principais acontecimentos da vida de Jesus Cristo se centram nesta cidade, considerada a capital religiosa de quatro grandes religiões. A comunidade cristã que nasceu em Jerusalém com os eventos da Páscoa e Pentecostes se transformou na comunidade mãe do cristianismo.

Origem histórica

Os historiadores têm dificuldades para localizar a origem histórica da cidade de Jerusalém e o conhecimento a respeito de seus primeiros habitantes é bastante limitado. As maiores cidades da região conhecida como Terra de Canaã surgiram por volta de 3,2 mil anos antes de Cristo, mas não é possível precisar com exatidão quando se deu o surgimento de Jerusalém.

Por volta do século XX a.C., a região de Canaã recebia forte influência do Egito, a grande potência de então, que manteve a influência até o século XV a.C mais ou menos. Por certo tempo, o povo hurrita invadiu a região, exercendo influência sobre Jerusalém e, um século mais tarde, aconteceram diversas guerras entre as cidades-estado cananeias e seu poder foi diminuindo. Como os egípcios estavam mais preocupados com os problemas internos, outro povo, os jebuseus, aproveitou para se estabelecer em Jerusalém onde ficou até o até o ano 1000 a.C mais ou menos, quando o povo hebreu, liderado pelo rei Davi, conquistou a cidade.

Apogeu e decadência da Cidade Santa

Depois da escravidão no Egito e da Era dos Juízes que ajudaram o povo a reconquistar a Terra de Canaã, na Era dos Reis o povo hebreu viveu apogeu de sua história com os reis Saul, Davi e Salomão.

Davi que conquistou Jerusalém e a cidade foi posteriormente engrandecida por Salomão, famoso pela sua sabedoria e pela construção do Templo, do qual resta hoje apenas os fundamentos. Como expressa o salmo 122 visitar Jerusalém era o sonho de todo e qualquer judeu :

‘Que alegria quando me disseram : Vamos à casa do senhor e agora nossos pés já se encontram às tuas portas, ó Jerusalém!’

Após Salomão o reino se dividiu, decaiu, sendo sucessivamente dominado por povos estrangeiros. O Cativeiro da Babilônia, por exemplo, marcou duramente a histórica do povo hebreu. Quando Jesus nasceu, a cidade de Jerusalém e a atual Palestina, dominadas pelos romanos, foram transformadas numa de suas províncias. No ano 70 d.C. Jerusalém foi destruída pelos romanos depois de uma revolta, sendo transformada numa cidade pagã com o nome de Aedes Capitolina.

A cidade permaneceu dominada até o ano de 476 d.C., quando aconteceu a queda e a desagregação do poderoso Império Romano do Ocidente. Com isso, a cidade passou ao domínio do Império Romano do Oriente, conhecido como Império Bizantino, com sua capital em Constantinopla.

O controle e o poder dos bizantinos sobre Jerusalém encerraram-se quando a cidade foi conquistada pelos muçulmanos, mas apesar da conquista, os judeus e os cristãos obtiveram o direito de continuar com a prática de sua religião, desde que pagassem um imposto e não oferecessem resistência.

A cidade de Jerusalém foi mantida como propriedade de diversos califas com alternância de períodos mais duros e outros de maior liberdade para os judeus e para os cristãos até que na Idade Média, em 1095, o Papa convocou as cruzadas para libertar a Terra Santa e a cidade de Jerusalém das mãos dos muçulmanos. Ao todo foram realizadas sete cruzadas, que no geral fracassaram em seus objetivos.

Após trocar de mãos várias vezes, em 1517, Jerusalém foi conquistada pelos otomanos, que lá permaneceram até 1917, quando chegaram os ingleses e outras potências europeias dominando e dividindo não apenas a Palestina, mas todo o Oriente Médio.

A cidade de Jerusalém hoje

Desde a destruição de Jerusalém pelos romanos no ano 70 d.C. os judeus foram se espalhando pelo mundo num processo conhecido como Diáspora. Em cada cidade onde se estabeleciam formavam um bairro fechado, como o de Varsóvia que foi destruído na Segunda Guerra Mundial.

Em 1948, no contexto do final da Segunda Guerra e da reorganização política do mundo, os ingleses influenciaram as Nações Unidas que permitiram a criação do Novo Estado de Israel, o retorno dos judeus que estavam espalhados pelo mundo e que haviam sofrido o grande holocausto na Segunda Guerra.

Começava então um novo capítulo na história da cidade e da região que vém até os nossos dias. Hoje a cidade de Jerusalém continua sendo a cidade que tem em seu interior a presença de quatro grandes religiões : judeus, muçulmanos, cristãos romanos e cristãos ortodoxos.

A cidade de Jerusalém mante o simbolismo de se transformar na terra tão sonhada de todos, lugar de paz, de justiça e igualdade. Por isso, não apenas os judeus, mas todos nós, continuamos a sonhar com a Nova Jerusalém, como expressa o Livro do apocalipse :

‘Em breve eu virei! Guarde o que você tem, para que ninguém tome a sua coroa. Farei do vencedor uma coluna no santuário do meu Deus, e dali ele jamais sairá. Escreverei nele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce dos céus da parte de Deus; e também escreverei nele o meu novo nome. (Apocalipse 3,11-12)’.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2025-07/curiosidades-biblia-cidade-jerusalem.html

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

A história de Caim e Abel

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
Caim mata Abel, por Sebastiano e Marco Ricci (séc. XVII)

*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR

 

‘Uma das mais intrigantes histórias da Bíblia é a que trata da diferença entre os irmãos Caim e Abel, colocada bem no começo da narrativa bíblica, no Livro do Gênesis, diretamente ligada com a origem da humanidade sobre a face da terra.

Caim e Abel eram filhos de Adão e Eva, o primeiro casal criado por Deus. Abel era pastor de ovelhas, enquanto Caim trabalhava como agricultor. Ambos decidiram oferecer sacrifícios a Deus em gratidão por suas colheitas e criações. Abel ofereceu o melhor de seu rebanho, enquanto Caim apresentou os melhores frutos da terra.

De acordo com a narrativa, Deus aceitou com agrado a oferta de Abel, mas rejeitou a de Caim. As razões exatas para isso não são explicitamente detalhadas, mas a tradição interpreta que Deus preferiu a oferta de Abel devido à sua sinceridade e dedicação, enquanto Caim teria sido menos generoso ou de coração impuro em sua oferta.

Tomado pelo ciúme e ressentimento, Caim, em vez de buscar melhorar o seu comportamento, deixou que a ira o consumisse. Deus advertiu Caim, dizendo-lhe que o pecado estava à porta e que deveria dominá-lo. No entanto, Caim não deu ouvidos à advertência divina e chamando Abel para o campo em um ato de violência brutal, matou seu irmão.

E aconteceu que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante.

E o Senhor disse a Caim : Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar.

E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou. E disse o Senhor a Caim : Onde está Abel, teu irmão? E ele disse : Não sei; sou eu guardador do meu irmão?

E disse Deus : Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra. E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão.  (Gên 4,3-11)

Após o assassinato, Deus confrontou Caim, perguntando : ‘Onde está Abel, teu irmão?’. Caim respondeu : ‘Não sei; serei eu o responsável pelo meu irmão?’. Então, Deus revelou que o sangue de Abel clamava da terra por justiça. Como punição, Caim foi amaldiçoado e condenado a vagar pelo mundo como um errante, sem uma terra para cultivar.

Embora Deus tenha infligido a punição a Caim, Ele também o protegeu, colocando um sinal sobre ele para que ninguém o matasse durante seu exílio.

Chegando nesse ponto a narrativa bíblica provoca uma séria inquietação nos leitores : Em suas andanças pela terra Caim encontrou outras pessoas fora do Paraíso, chegou a contrair matrimônio. Mas como, havia outras pessoas fora do paraíso que Deus criou?

E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Node, do lado oriental do Éden. E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque (Gên 4,16,17).

O drama das relações humanas

A história de Caim e Abel frequentemente é interpretada como uma lição sobre os perigos da inveja, a importância da sinceridade no relacionamento com Deus e as consequências da violência. Também é uma reflexão sobre a fragilidade das relações humanas e a responsabilidade de cada indivíduo em cuidar de seu próximo. A frase ‘Sou eu o cuidador do meu irmão?’ tornou-se emblemática, destacando o dever moral que os seres humanos têm uns com os outros.

A história de Caim e Abel narrada no Livro de Gênesis, é também um dos primeiros relatos de conflito humano, representando o drama da inveja, do ciúme e da violência entre irmãos.

O célebre biblista Carlos Mester escreveu um livro intitulado 'Paraiso terrestre, saudade ou esperança’ no qual retoma a narrativa bíblica do paraíso e da criação dos primeiros seres humanos não em sua versão literal, com suas múltiplas contradições como a que levou Caim a encontrar pessoas fora do éden, mas numa versão simbólica dos primórdios da humanidade.

O povo hebreu sustentou durante muito tempo uma tradição na qual as histórias eram passadas de geração em geração de forma oral. Até que os primeiros textos bíblicos passassem a ser redigidos, receberam muitas influências dos povos vizinhos. Certas ‘lendas’ e mitos são repetidos nas páginas da bíblia para tentar explicar as perguntas fundamentais que a humanidade sempre se fez : Quem sou eu? de onde eu vim? para onde eu vou? como se explica o mal na face da terra?

A história da criação, o fratricídio entre Caim e Abel, o dilúvio e outras narrativas bíblicas são chamados de ‘mitos originais’, uma tentativa de resposta a estas perguntas fundamentais.

Primeiramente o paraíso designa não um espaço geográfico, mas um lugar de paz e felicidade, que pode ser encontrado em qualquer lugar e depois expressa o mundo espiritual pós-morte reservado para todos os que serão salvos.

Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais subirão ao coração. Porém vos alegrareis e exultareis perpetuamente no que eu crio; porque eis que crio para Jerusalém uma alegria, e para o seu povo, um regozijo (Is 65,17-18).’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2025-09/curiosidades-biblia-historia-caim-abel.html

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

A Arca da Aliança – verdade ou ficção

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


 *Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR

 

‘De acordo com a narrativa bíblica, o povo hebreu ao assumir uma aliança com Javé, selada com a aspersão do sangue de um cordeiro, recebeu dez mandamentos gravados em duas placas de pedra. Os mandamentos eram pontos fundamentais que regeriam os hábitos, as crenças e toda a vida do povo.

Para manter as tábuas da lei, Deus mandou que se construísse uma arca que, além de proteger as placas representaria sua aliança selada com o povo. A arca assinalaria a presença de Deus no meio do povo. O Livro do Êxodo traz regras exatas para a sua construção no capítulo 25, versículos de 10 a 22 :

Diga aos israelitas que façam uma arca de madeira de acácia, de um metro e dez de comprimento por sessenta e seis centímetros de largura e sessenta e seis de altura. Revistam de ouro puro essa caixa, por dentro e por fora. E em toda a volta coloquem um remate de ouro. Façam também quatro argolas de ouro e ponham nos quatro pés, ficando duas argolas de cada lado. Façam cabos de madeira de acácia e revistam de ouro. Enfiem os cabos nas argolas nos lados da arca, para que ela possa ser carregada. Os cabos ficarão nas argolas da arca e não serão tirados dela. Eu lhe darei as duas placas de pedra, onde estão escritos os mandamentos; e você porá essas placas na arca.

Faça também uma tampa de ouro puro, de um metro e dez de comprimento por sessenta e seis centímetros de largura. Faça dois querubins de ouro batido, um para cada ponta da tampa. Isso deve ser feito de modo que os querubins formem uma só peça com a tampa. Os querubins ficarão de frente um para o outro, olhando para a tampa. As suas asas ficarão abertas, cobrindo a tampa. Coloque dentro da arca as duas placas de pedra que eu vou lhe dar e ponha a tampa na arca. Ali eu me encontrarei com você e, de cima da tampa, do meio dos dois querubins, eu lhe darei as minhas leis para o povo de Israel. 

A Arca da Aliança se tornou a mais preciosa relíquia do judaísmo, mostrando a evolução religiosa do povo que passa das influências politeístas para o culto ao Deus vivo e verdadeiro. Ela era levada em procissão quando o povo caminhava pelo deserto até ser depositada no Tempo construído por Salomão em Jerusalém.

A sacralidade da Arca da Aliança

O mais antigo relato sobre a Arca da Aliança é do período do cativeiro do povo no Egito, por volta de 1.300 a.C, Segundo a narrativa o Livro do Êxodo fala que Deus selou uma aliança com o povo, através de Moisés, aos pés do Monte Sinai.

Como as narrativas do livro do Êxodo foram elaboradas muito tempo depois de os fatos terem acontecido, especialistas da história bíblica explicam que os eventos iniciais da história hebraica podem ter sido formulados durante o cativeiro hebreu na Babilônia. Neste sentido, além de ser descrita como uma demonstração do favor divino, a Arca da Aliança era dotada de poderes sobrenaturais. Por isso, somente os sacerdotes levitas podiam entrar na tenda onde a Arca era conservada. Mais tarde, durante as batalhas pela reconquista da Terra de Canaã, a Arca da Aliança era levada aos locais de batalha para animar os que lutavam e garantir as vitórias.

O caráter sagrado da Arca também foi descrito no livro de Samuel, quando os filisteus a roubaram, sendo acometidos de diferentes punições misteriosas.

E enviaram, e congregaram a todos os príncipes dos filisteus, e disseram : Enviai a arca do Deus de Israel, e torne para o seu lugar, para que não mate nem a nós e nem ao nosso povo. Porque havia mortal vexame em toda a cidade por onde a arca passava, e a mão de Deus muito se agravara ali. Primeiro Livro de Samuel, capítulo 5, versículo 11.

Depois que o povo entrou na Terra Prometida, no reinado do rei Salomão, entre 970 e 931 a.C. se construiu o Templo de Jerusalém, onde a Arca foi mantida. Após o reinado do Salomão houve a decadência que levou à separação do reino entre Judá e Israel. O povo perdeu sua liberdade e a localização da arca passou a depender do destino do povo devido à dominação estrangeira.

No ano de 586 a.C os babilônios conquistaram a cidade de Jerusalém e de acordo com o livro dos Macabeus, o profeta Jeremias teria escondido a Arca no monte Nebo, depois de profetizar a destruição de Jerusalém. Mas é possível que ela tenha sido levada como troféu ou espólio pela vitória e nunca mais se teve certeza sobre o seu paradeiro. Quando os hebreus voltaram à Jerusalém, no ano de 539 a.C., reconstruíram o templo mantendo o local da Arca vazio, pois ela nunca mais foi encontrada.

Esta constatação foi feita pelo general romano Pompeu que ao tomar a cidade de Jerusalém, no ano 70 d.C. indagou sobre os motivos pelos quais os judeus mantinham um quarto vazio em seu templo. A tomada de Jerusalém e sua transformação numa cidade pagã com o nome de Aedes Capitolina provocou a chamada Diáspora Judaica, mantendo o mistério sobre o destino da Arca da Aliança.

No século XII, no período das cruzadas que tentavam libertar a Terra Santa do domínio dos mouros, apareceram relatos não comprovados de que a Ordem dos Templários tivesse resgatado e mantido em segredo várias relíquias do tempo dos judeus como a Arca da Aliança e também outras relíquias do cristianismo como o Santo Graal.

Onde está a Arca da Aliança

A existência da Arca da Aliança e o seu destino é um grande mistério que volta e meia ganha destaque em filmes, documentários e obras literárias todas bastante fantasiosas. As explicações sobre o paradeiro desta e de outras relíquias da narrativa bíblica confundem os limites entre fé e Ciência.

Antes reservadas aos estudiosos da bíblia, as histórias sobre a Arca da Aliança ganharam o mundo com as aventuras de Indiana Jones no filme Os Caçadores da Arca Perdida. Se o destemido arqueólogo do cinema é bem-sucedido em sua busca, o paradeiro e a existência real da relíquia continuam mais misteriosos do que nunca.

Existe até um grupo religioso etíope que afirma manter a Arca escondida. Segundo eles, os monges da Igreja Santa Maria de Sião teriam recebido a arca das mãos de Menelik, filho que o Rei Salomão teve com a rainha de Sabá, em 950 a.C. Segundo os monges, a Arca da Aliança permanece escondida em um templo e até hoje ninguém recebeu autorizado para entrar neste templo e, finalmente, desvendar o mistério sobre ela.

Sem maiores comprovações, volta e meia fala-se de arqueólogos que realizam buscas na cidade de Jerusalém e em outros lugares. Mesmo não sendo encontrada ou sendo uma mera invenção mítica, a Arca tem importante significado religioso para os judeus e mesmo para os cristãos que expressam sua devoção em Maria, a Arca da Nova e Eterna Aliança que nunca mais terá fim, pois é o próprio Jesus.’

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2025-06/curiosidades-biblia-arca-alianca-verdade-ficcao.html

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Sodoma e Gomorra de fato existiram?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR


‘Uma das narrativas bíblicas do Antigo Testamento que, com certeza, mais chama a atenção dos leitores é o diálogo de Abraão com Deus, quando o patriarca da nação invoca sua clemência para com duas cidades. Na passagem o Senhor anuncia a destruição de Sodoma e Gomorra. O motivo apresentado seria o elevado nível de promiscuidade e corrupção do povo. Assim está escrito :

‘Disse mais o Senhor : Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito’ (Livro do Gênesis, capítulo 18, versículo 20).

Abraão intercedeu pelo povo diversas vezes, perguntando ao Senhor que se houvesse homens justos no meio dos ímpios, ele pouparia a cidade :

‘Disse mais : Ora, não se irrite o Senhor, que ainda só mais esta vez falo : Se porventura se acharem ali dez justos? E Deus disse : Não a destruirei por amor dos dez’ (Livro do Gênesis, capítulo 18, versículo 32).

As Sagradas Escrituras contam que o Senhor poupou a família de Abraão enviando dois anjos à casa de Ló, seu sobrinho, que habitava a região a ser destruída. Eles o orientam a deixar a cidade, junto com sua família. Os anjos orientam ainda que ao sair da cidade não olhassem para trás, para não virarem estátua de sal. E por não haver ali sequer dez homens justos, a cidade foi destruída. A mulher de Ló, entretanto, ao se virar para traz imediatamente foi transformada numa estátua de sal. Assim está escrito no Livro de Gênesis

 ‘Então o Senhor fez chover enxofre e fogo desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra’ (Livro do Gênesis, capítulo 19, versículo 24).

Localização das cidades de Sodoma e Gomorra

Pouco se sabe de concreto sobre as cidades de Sodoma e Gomorra. Elas estavam situadas próximas ao mar Morto. A primeira referência bíblica a seu respeito está no livro do Gênesis (Gn 10,19). São as duas mais conhecidas, porém, na verdade, havia outras três cidades ao longo do Rio Jordão. Essas cinco cidades eram conhecidas como as Cidades da Planície.

Nas passagens que nos referenciam a destruição das cidades é motivada pela promiscuidade de seus moradores. Porém, outra versão indica que as cidades tenham sido destruídas porque seus habitantes eram cruéis e pouco hospitaleiros com os estranhos. A falta de hospitalidade comum naquela época era muito criticada por ser uma atitude contrária à fraternidade como está no evangelho de Mateus (Mt 10, 14-15) que diz :

‘E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para o país de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.’

Outras informações históricas mostram que essas Cidades da Planície tiveram um passado difícil por serem cobiçadas. Bem antes do evento apocalíptico acontecer, Sodoma e Gomorra foram realmente devastadas pela guerra. Quedorlaomer, Rei de Elon, atacou as cidades, massacrou seus moradores e roubou todas as suas riquezas e alimentos.

Quem sabe por isso mesmo, seus habitantes tenham justificado o não seguimento da vontade de Deus, ao se tornarem rudes e hedonistas. Mas, no final, eles pagaram por isso da pior maneira possível.

O pecado de Sodoma e Gomorra

A Bíblia não deixa muito claro a razão da destruição de Sodoma e Gomorra, mas o profeta Ezequiel (EZ 16,49) já apresenta as cidades como expressão de pecado ao dizer :

‘Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã : Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado.’

O Profeta Jeremias (Jr 23,14), por sua vez, acrescenta um detalhe a mais nesta questão :

‘Mas nos profetas de Jerusalém vejo uma coisa horrenda : cometem adultérios, e andam com falsidade, e fortalecem as mãos dos malfeitores, para que não se convertam da sua maldade; eles têm-se tornado para mim como Sodoma, e os seus moradores como Gomorra.’

Uma leitura mais simples mostra estas cidades completamente sem lei, devido a sua riquezas e vida fácil proporcionadas pela fertilidade das planícies próximas ao Rio Jordão. Um homem, porém, foi digno de escapar da destruição se transformando em sinal de retidão daqueles que andam à luz do Senhor.

A segunda carta de Pedro (Pd 2, 6-9) enfatiza como Ló foi salvo por Deus, por ser ele um homem piedoso e justo. Ló e suas filhas conseguiram escapar sãos e salvos. A esposa de Ló, no entanto, não conseguiu porque ela desobedeceu a Deus e olhou para trás. Por isso ela foi transformada numa estátua de sal.  Na bíblia, o olhar para traz tem a interpretação de quem não conseguiu se desvencilhar das riquezas e da vida fácil.

Os antigos romanos tinham também sua versão da história. O escritor romano Ovídio escreveu uma fábula que mistura elementos da mitologia grega e romana, na história de Baucis e Filémon. Nessa história, os deuses Zeus e Hermes (ou Júpiter e Mercúrio, respectivamente na mitologia romana) viajaram para uma cidade disfarçados de homens, para tristemente descobrir que seus habitantes não eram hospitaleiros a não ser Filémon e sua esposa, Baucis, que os recebem e lhes dão comida. Os deuses então se revelam, avisando o casal para fugir, pois eles destruiriam a cidade.

Existe também uma versão da história no islamismo. A Sura Hude 11, 81 do livro do Alcorão tem uma versão ainda pior. Lá está escrito :

‘Então viaje com sua família no escuro da noite, e não deixe nenhum de vocês olhar para trás, exceto sua esposa. Ela certamente sofrerá o destino dos outros.’

Razões da destruição das cidades

Não existe uma clareza nos motivos que levaram à destruição das cidades impenitentes, mas em 2005, arqueólogos descobriram uma área na Jordânia conhecida como Telel Hamã. As ruinas e os objetos ali encontrados indicam possivelmente a localização das Cidades da Planície, com evidências de que o lugar foi devastado pelo fogo. Objetos de cerâmica que lá foram desenterrados mostram que a cerâmica se transformou em vidro depois de ser exposta a temperaturas extremamente altas.

A falta de água, as altas temperaturas do deserto e a terra que se tornou imprópria para a produção agrícola podem explicar as razões dos habitantes abandonarem as cidades. Mas nas Sagradas Escrituras, mais importante do que o fato em si, está a simbolização das cidades de Sodoma e Gomorra como lugares de pecado que são abomináveis para Deus, que sempre oferece, porém, a sua misericórdia e a possibilidade de conversão.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2025-06/curiosidades-biblia-sodoma-gomorra-existiram.html