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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Quem eram os Gentios?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR


Conforme diz a Escritura : ‘Todo o que nele crê jamais será decepcionado’.  Portanto, não há distinção entre judeus e gentios, pois o mesmo Senhor é Senhor de todos e abençoa ricamente todos os que o invocam.  Porque : ‘Todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo!’ (Rom 10, 11-13)


‘Ao ler a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, frequentemente encontramos a palavra gentios, razão pela qual muitas pessoas perguntam sobre o seu significado.

A palavra, geralmente empregada no plural, designa as nações distintas do povo judeu. Originária do hebraico ‘goyim’ e do grego ‘ethnos’, os termos significam nações ou povos e ao longo dos textos bíblicos, o termo gentios é utilizado para descrever aqueles povos que não faziam parte do povo judeu escolhido por Deus.

Descendentes de Abraão, os judeus se consideravam, antes da vinda de Cristo, como o povo escolhido por Deus. Como as nações não-judaicas não adoravam o verdadeiro Deus, tendo práticas religiosas diferentes, eram consideradas até mesmo idólatras ou imorais. O termo gentios muitas vezes nas Escrituras Sagradas assumia um significado depreciativo.

Os hebreus estabeleciam uma divisão entre o povo, que definiam como eleito e os gentios, posteriormente denominados pagãos. Os povos asiáticos e europeus que se converteram ao cristianismo, nos seus primórdios eram considerados gentios.

Eles podiam, porém, conviver com os judeus, fazendo negócios e morando entre eles. A Lei de Moisés não permitia maltratar estrangeiros (Lev 19,33-34). Mas um gentio não tinha o mesmo estatuto que um judeu, não podendo se casar com um judeu e nem entrar em seu templo. Porém, se um gentio se convertesse ao judaísmo e fosse circuncidado, ficaria mais integrado na comunidade e seus bisnetos seriam considerados judeus de pleno direito (Dt 23,7-8).

O Apóstolo dos gentios

No início de sua missão, aos poucos a Igreja saiu do mundo judaico, entrando no mundo greco-romano. A unidade política chamada de Pax Romana e o contexto cultural do helenismo favoreceram muito sua expansão.

Num contexto religioso pluralista havia espaço para a propagação do cristianismo, até que começasse a ser considerado uma religião perigosa por desestabilizar o status quo reinante do império, com a pregação de um único Deus vivo e verdadeiro, advindo um processo de perseguição que duraria mais de 300 anos.

A religião popular do império era composta de formas variadas de superstição como a consulta à astrologia, crença no destino, magia, interpretação de sonhos, oráculos e profecias. E acima de tudo estava o culto ao imperador considerado como Deus. O fato de o cristianismo não admitir essas práticas religiosas e pelo fato de a religião ser uma das bases de sustentação do império, as mudanças propostas pelo cristianismo não foram bem aceitas.

A cultura helênica com sua filosofia provocou um sincretismo religioso e cultural que ajudou muito na difusão do cristianismo. O fato de existir uma língua comum chamada de Koiné que era o grego popular usado no comércio e no trato diário favoreceu a expansão do cristianismo.

Neste contexto é que Paulo, acertadamente denominado como ‘Apóstolo dos Gentios’, desenvolveu sua missão, realizando diversas viagens missionárias. Em cada cidade visitada, primeiro pregava aos Judeus nas Sinagogas, mas como em geral sua pregação não era bem aceita, buscava então os gentios e prosélitos.

A pregação de Paulo chamava à conversão e a partir dela vinha a fundação de comunidades independentes das sinagogas. Depois de sua estadia numa comunidade ele a animava com visitas e com cartas, das quais diversas foram conservadas no Novo Testamento.

Não fosse a pregação de Paulo e de seus companheiros como Barnabé e a abertura aos gentios o rosto da Igreja seria bem diferente, não tendo hoje a projeção geográfica que possui.

A evangelização dos gentios se normatiza

Inicialmente houve muita discussão entre os apóstolos se deviam ou não pregar o Evangelho de Jesus Cristo aos gentios e se o evangelho deveria ter ou não o colorido próprio da cultura e da religião dos judeus como a necessidade de circuncisão.

Paulo, o ‘Apóstolo dos Gentios’, assumiu então a missão de evangelizar as pessoas, judeus ou gentios, certificando-se de que todos conhecessem a mensagem e a obra salvadora de Jesus Cristo. Ele se tornou um dos primeiros a propor uma evangelização ‘inculturada’.

Inicialmente a salvação era vista como exclusiva do povo de Israel, mas ao longo dos textos bíblicos, vai ficando mais claro que Deus tem um plano de salvação para todos os povos, incluindo os gentios. No Novo Testamento, a vinda de Jesus Cristo é apresentada como o cumprimento desse plano de salvação e a mensagem do evangelho é estendida a todas as nações, não apenas aos judeus.

A queda de Jerusalém no ano 70 d.C libertou o cristianismo do messianismo judeu favorecendo a expansão missionária da Igreja nascente junto aos gentios que não haviam conhecido Cristo.

Em sua pregação Paulo se dirige primeiro aos Judeus, depois aos pagãos e também ao povo e aos apóstolos em Jerusalém.

Aos poucos vai se constituindo então um Querigma central da evangelização dos apóstolos, tendo entre eles a Paulo; o ensinamento direto é feito como testemunho da vida e da ação de Cristo, acompanhado do testemunho de vida e de sinais sobrenaturais. E assim o cristianismo se abre aos gentios e a salvação é dada a conhecer a todos os povos!’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2025-08/curiosidades-biblia-quem-eram-gentios.html

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

A conversão de São Paulo

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Bartolomé Esteban Murillo (1617–1682), domínio público

*Artigo do livro ‘O Evangelho de Paulo’, 

de José Maria González Ruiz, 

publicado pela Editora Vozes.


‘Eu sou judeu, de Tarso da Cilícia, cidadão de uma cidade de renome (At 21,39), circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu, filho de hebreus. Segundo a Lei, fariseu… Pela justiça da Lei, considerado irrepreensível (Fl 3,5-6).

Esta é a ficha que faz Saulo Paulo de si mesmo.

Como quase todos os judeus que viviam no mundo grego, acrescentara ao próprio nome judeu – Saulo ou Saul – outro nome grego que, quanto possível, se lhe assemelhasse foneticamente : Paulos, ou seja, Paulo.

Tarso era uma cidade culta, mas é de se supor que seus pais, fariseus recém-emigrados da Palestina, continuaram a estrita observância judia, abstendo-se de enviar seu filho às escolas gregas. O certo é que, tão logo completados os quatorze anos, Paulo foi enviado a Jerusalém, para fazer estudos rabínicos na escola mais ilustre da época : Aos pés de Gamaliel (At 22,3).

Alguns autores, deixando-se levar por uma fantasia completamente infundada, supuseram que Paulo, em sua juventude, tenha levado vida licenciosa e, para isto, aduzem a trágica descrição que, na primeira pessoa, ele mesmo faz, no capítulo 7 da ‘Carta aos Romanos’.

Todavia, parece que o que Paulo quer destacar ali não é sua vivência pessoal e individual, mas a trágica situação do próprio ‘eu’ humano, envolto na desgraça coletiva de uma pecaminosidade estrutural.

Por outro lado, temos em suas próprias cartas afirmações sinceras e humildes sobre a conduta irreprovável que o jovem israelita observou sempre, em sua boa fé. Fariseu desde jovem (At 26, 3-5), observador das tradições judaicas (Gl 1,14), irrepreensível em sua conduta (Fl 3,6).

O fariseu de direita – Hoje, graças às recentes descobertas de Qumrân, estamos em melhores condições de enfocar histórica e ideologicamente os acontecimentos que deram origem ao surgimento do cristianismo.

Através da numerosa literatura religiosa, encontrada às margens do Mar Morto, conhecemos o estado religioso daquela interessante época.

A ‘direita’ constituíam-na os fariseus, conservadores das velhas tradições de Israel, inclusive das mais significativas minúcias rituais. Eram integristas e se consideravam os expoentes autênticos e indiscutíveis das mais puras essências religiosas e nacionais. Para isto, a ordem religiosa se identificava com a situação sociológica. Seu sistema se podia qualificar de ‘nacional-judaísmo’.

Não obstante, apesar de seu alardeado nacionalismo, haviam chegado a um status quo em suas relações com o poder romano, regendo-se por um equilibrado modus vivendi que lhes permitia certa estabilidade e flexibilidade de movimentos.

Todavia, os fariseus eram somente minoria, ainda que numerosa, do povo israelita. E é isto que o sensacional achado de Qumrân veio iluminar.

Completamente à margem da fração farisaica, pululava uma multidão de seitas, uma das quais denominada, por Flávio Josefo e por Plínio, ‘essênia’.

O núcleo central deste tipo de seita era constituído por um grupo de homens célibes, que se retiravam para o deserto, para se dedicarem à vida de oração e de estudo da Lei. Eram autênticos monges, cujas regras e modos de vida influíram, sem dúvida, na própria organização do monacato cristão, que nasceu exatamente naqueles mesmos desertos palestinos e egípcios.

Em redor dos mosteiros, e espiritualmente ligados a eles, havia numerosos assistidos, que bem podiam ser comparados às ‘ordens terceiras’ de nossas grandes ordens mendicantes ou aos ‘sócios benfeitores’ de congregações e institutos religiosos. Nem sempre viviam ali; iam e vinham fazendo uma espécie de exercícios espirituais, que vivenciavam no resto do ano.

Pelas descobertas de Qumrãn, sabemos que ali existiu um grande mosteiro, talvez o mais importante de todos, e do qual encontramos uma espécie de sucursal em Damasco, constituída por alguns monges fugidos de Qumrân em época de perseguição.

A espiritualidade ‘qumrânica’ era diferente da farisaica. Sem serem abertamente cismáticos, afastavam-se do legalismo ritual e estreito do culto do templo de Jerusalém, sobre o qual se encontram finas e veladas críticas em suas regras e livros ascéticos.

Diante do orgulho farisaico, professavam uma humildade desconfiada de si mesmos e fortemente baseada num sentimento de absoluta dependência do Criador. Finalmente, eram de tendência universalista e aberta aos demais povos não israelitas.

Saulo militava abertamente na ala extrema do farisaísmo mais estreito e ortodoxo e, no círculo intelectual hierosolimitano, assistira mais de uma vez às ásperas críticas que se faziam freqüentemente àqueles inovadores populares, perigosos para a ortodoxia.

Quando, mais tarde, Saulo volta a Jerusalém e se defronta com o problema da nascente comunidade judeu-cristã, sua indignação chega ao paroxismo. Exatamente os judeu-cristãos, procedentes do movimento ‘qumrânico’, que, de algum modo, coincidiam com os que Lucas denominava ‘helenistas’ (At 6,1), foram os que diretamente se converteram em alvo de suas iras.

Seu chefe era o jovem levita Estêvão. O discurso do protomártir, que Lucas nos refere (At 7, 2-53), é farto das idéias centrais do ‘qumranismo’, sublimadas e superadas numa esplêndida e originalíssima versão cristã.

Decididamente, Estêvão era um elemento demasiado perigoso e, nas reuniões conciliares da ‘direita’ farisaica, chegou a tomar a decisão de que a própria sobrevivência de Israel estava gravemente ameaçada e que, por conseguinte, era preciso eliminar, pela violência, quem assim minava sua própria existência.

Definitivamente, Estêvão foi apedrejado : única pena que as autoridades nacionalistas podiam infligir, quando se tratava de um caso declarado de ‘blasfêmia’.

Durante a macabra execução, os apedrejadores, para ficarem mais livres, puseram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo (At 7, 58). O próprio Paulo orava, mais tarde,

Senhor enquanto era derramado o sangue de tua testemunha,
Estêvão, eu estava presente, de acordo com eles, e guardava as vestes daqueles que o matavam (At 22,20).

Saulo se converteu na peça-chave da primeira perseguição à Igreja nascente, persegui de morte esta doutrina, acorrentando e encarcerando homens e mulheres (At 22,4). Isto, naturalmente, produziu uma fuga dos cristãos, sobretudo dos da ‘ala esquerda’, que se refugiaram em Damasco, onde haveria, certamente, cristãos de tipo ‘qumraniano’. Saulo lutava inteligentemente e dirigiu seus ataques a Damasco : era preciso impedir decididamente que rebrotasse aquela semente envenenada. O resto dos judeu-cristãos não foi molestado e pôde permanecer em Jerusalém.

Caminho de Damasco – O que aconteceu no caminho de Jerusalém a Damasco, conta-o o próprio Paulo, simplesmente assim :

Recebi cartas do Sumo Sacerdote e de todo o colégio dos anciãos para os irmãos de Damasco, aonde fui com o fim de prender os que lá se achassem e trazê-los acorrentados para Jerusalém, onde seriam castigados. Ora, estando eu a caminho e aproximando-me de Damasco, pelo meio-dia, de repente me cercou uma intensa luz do céu. Caí por terra e ouvi uma voz, que me dizia : ‘Saulo, Saulo, por que me persegues’? Respondi : ‘Quem és, Senhor?’E ele me disse : ‘Sou Jesus Nazareno, a quem persegues’. Os meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz daquele que me falava. Eu disse : ‘O que hei de fazer Senhor?’ O Senhor me disse : ‘Levanta-te e entra em Damasco, que ali te será dito o que deverás fazer ‘(At 22,5-10).

Saulo obedeceu. Era muito difícil o que se lhe exigia. Convertendo-se ao cristianismo, teria preferido ser recebido pela ‘ala direita’ da ‘seita’, ou seja, por aqueles que ficaram em Jerusalém e foram tolerados pelo tribunal fariseu de depuração, de que ele era parte principal. Mas, agora, ordenava-se-lhe receber o ingresso da ‘seita’ naquele ambiente de Damasco, plenamente solidário com os ‘helenistas’ (At 6,1), que comandara o odiado Estêvão. A esta dura renúncia se refere, sem dúvida, quando, depois de fazer sua própria ficha, acrescenta, cheio de nostalgia pegajosa : Mas tudo isto, que para mim era vantagem, considero desvantagem por amor de Cristo (FI 3,7).

Esta transformação dolorosa de sua postura mental constitui indubitavelmente a infra-estrutura psíquica daquela atitude combativa, às vezes violenta, que teve que adotar, no seio da comunidade cristã, contra seus antigos correligionários fariseus, que pretendiam manter, dentro do cristianismo, uma posição integrista, sufocando a novidade expansiva do Evangelho.

O noviciado do apóstolo – A princípio, Paulo começou a experimentar sua vocação apostólica pregando a Jesus nas próprias sinagogas de Damasco. Mas, pouco depois, se retirou para o deserto, para ali se preparar, na oração, e quem sabe se uniu a algum grupo monástico judeu-cristão, procedente da ‘Seita da Aliança’, intimamente aparentada como movimento ‘qumrânico’.

Daqueles primeiros anos, narra-nos Lucas alguns fatos cruciais do novel apóstolo. Ao fim de três anos de conversão, subiu a Jerusalém para ‘visitar’ o chefe da Igreja, Pedro (GI 1,18).

Dali, voltou a sua cidade natal de Tarso, de onde teve que sair, finalmente, para se defender de uma conjura, tramada pelos judeus contra ele.

De Tarso, dirigiu-se Paulo a Antioquia, cuja comunidade florescia, devido, em parte, à própria perseguição do ex-fariseu. Na verdade, em conseqüência da rajada de vento anticristã, provocada por Saulo em Jerusalém, muitos cristãos ‘helenistas’ se dispersaram pela Fenícia, Chipre e Antioquia. Estes começaram a pregar a fé. Posteriormente, os apóstolos de Jerusalém enviaram Barnabé, como delegado oficial, e este, seguindo uma inspiração do Espírito, associou-se a Paulo, em sua tarefa apostólica. Por um ano inteiro, Paulo colheu uma messe tão abundante que o fato transcendeu o grande público e este começou a chamar os fiéis pelo nome de ‘cristãos’, como eram chamados ‘pompeanos’ ou ‘cesarianos’ os partidários de algum dos dois rivais do Império.

A carreira apostólica de Paulo chegara a seu ponto culminante e nele se realizariam os projetos de Deus, manifestados desde o primeiro momento de sua conversão : Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido, a fim de levar meu nome perante as nações, os reis e os israelitas (At 9,15).

Um dia, na assembléia litúrgica de Antioquia, o Espírito falou por meio da mesma comunidade de oração : Separai-me Barnabé e Saulo, para a obra a que os chamei (At 13,2).’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://franciscanos.org.br/vidacrista/especiais/a-conversao-de-sao-paulo-2/#gsc.tab=0

sábado, 27 de junho de 2020

Pedro e Paulo : duas referências inspiradoras no seguimento de Jesus

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

 Simão e Saulo passaram por uma profunda transformação a partir do encontro com a pessoa de Jesus Cristo, tornado-se Pedro e Paulo

Simão e Saulo passaram por uma profunda transformação a partir do encontro com a pessoa de Jesus Cristo, tornado-se Pedro e Paulo

*Artigo d0 Padre Adroaldo Palaoro, SJ

‘Os acontecimentos e, sobretudo, as pessoas que encontramos ao longo da existência, são os que vão nos fazendo passar por contínuas transformações. Por isso, quando narramos nossa história de vida, quase sempre mencionamos alguém em particular que nos marcou profundamente. Já não somos mais os mesmos depois de ter conhecido certas pessoas que se tornaram especiais. Nosso olhar e nossa memória retornam a elas frequentemente, por sua constante inspiração e companhia. 

Por isso, a pergunta que Jesus dirige aos discípulos não é superficial : ‘E vós, quem dizeis que eu sou?’. Esta é a questão, a grande pergunta de Jesus que continua ressoando em todos nós, seus(suas) seguidores(as). Dependendo da resposta que damos, isso terá implicações profundas em nossa existência : a centralidade do modo de ser e de agir de Jesus em nossos compromissos, a ressonância de suas palavras em nossa vida, a sintonia com suas grandes opções, a sensibilidade diante dos mais pobres e excluídos, a nova relação com o Pai... Em outras palavras, o encontro com a identidade de Jesus desvela nossa verdadeira identidade e, por isso mesmo, nosso modo de ser e de agir serão cristificados. 

Segundo o Evangelho deste domingo, só reconhecendo a identidade de Jesus estaremos capacitados para escutar o que ele tem a nos dizer. Por isso, quando Pedro declarou quem era de verdade aquele a quem tinham seguido, o Senhor mudou seu nome – ‘tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja’. Só Jesus conhece bem quem somos e o que podemos realizar. 

O ser humano é um ser chamado. Chegamos a ser nós mesmos graças ao chamado, ao olhar, à palavra de outro. E na palavra e no chamado que vem de Jesus, vamos percebendo que o mistério de Deus, totalmente outro e absolutamente íntimo, nos envolve e nos fundamenta. 

Não podemos definir Jesus com dogmas e doutrinas, mas também não podemos deixar de nos perguntar : ‘quem é este homem Jesus?’. Toda tentativa de responder com fórmulas fechadas não solucionará o problema. A resposta deve ser vivencial, não teórica : ‘quê dizes tua vida de mim?’, pergunta Jesus. 

Nossa vida, enquanto seguidores(as), é a que deve dizer quem é Jesus para nós. Do esforço dos primeiros cristãos por compreender Jesus devemos fazer nossas as perguntas que foram feitas, não as respostas que deram. Por mais informações que recebamos sobre ele, por mais normas morais e ritos que aprendamos e pratiquemos, se ninguém nos convida, com sua vida, a prolongar o estilo de vida de Jesus, tudo permanecerá superficial e em nada nos enriquece. 

Dar por definitivas as respostas dos primeiros concílios acabam nos afundando na rotina da repetição de fórmulas. O decisivo é descobrir a qualidade humana de Jesus e deixar que ele desvele o que há de mais humano em cada um de nós. Afinal, o centro da missão do Mestre de Nazaré está em ajudar a sermos um pouco mais humanos, sobretudo nas relações com os outros e com o Pai. 

Se cremos que o importante é a resposta, que já está dada, todos permanecemos em paz e acomodados – isso é grave. Hoje sabemos que o importante é que continuemos fazendo-nos a pergunta. A resposta nos paralisa; a pergunta nos mantém acesos e criativos, pois esta tem impacto no modo cristificado de viver. 

Uma fé, vivida sem perguntas, acaba se esvaziando daquele mesmo impulso vital de Jesus. Somos seguidores(as) de uma Pessoa (Jesus Cristo) e não de respostas teológicas. 

Nossa fé cristã hoje é a mesma de Pedro e de Paulo : seguir Jesus Cristo e, em nossa maneira de viver, oferecer o Evangelho a todos. Assim, compreende-se que a Igreja celebre Pedro e Paulo numa única festa. E, por isso, não devemos nos escandalizar se, com frequência, na Igreja aflore o Simão, ao invés de Pedro : as ânsias de triunfalismos, busca de poder, medos na hora da perseguição... Também não podemos nos escandalizar se, com frequência, aflore o Saulo, ao invés de Paulo : fechamento nas próprias ideias e convicções, desembocando na intolerância, no dogmatismo e na violência, inclusive física. 

Estes dois grandes personagens (Simão e Saulo) passaram por uma profunda transformação, a partir do encontro com a pessoa de Jesus Cristo. Foi um processo lento, sendo lapidados pela graça de Deus até redescobrirem uma nova identidade escondida debaixo das cinzas do auto-centramento e da prepotência, identidade que agora se expressa em novos nomes : Pedro e Paulo. 

Como distinguir, na Igreja, Simão de Pedro? Como distinguir Saulo de Paulo? Onde estão as fronteiras, se, ao mesmo tempo, Simão é Pedro e Pedro é Simão? Onde estão os limites, se, ao mesmo tempo, Saulo é Paulo e Paulo é Saulo? 

Estes dois personagens nos fazem ter acesso à nossa condição humana : somos barro, frágeis, inconstantes... mas carregamos um tesouro que nos dignifica. Nas profundezas de nosso ser, há um Pedro e um Paulo escondidos, esperando uma oportunidade para se manifestar. Exteriormente, talvez tenhamos sido muito mais Simão e Saulo, mas, o que decide nossa vida, é a nossa interioridade, morada do Pedro e do Paulo. É ali que a Graça de Deus trabalha em nós, fazendo emergir, junto a estes dois personagens, o que é mais nobre e mais divino em nós. Deus, na sua eterna paciência, espera momentos especiais para dar o seu ‘toque’ em nosso eu profundo, e assim despertar o Pedro e Paulo que ainda dormem. 

Diante de nós está Jesus Cristo para nos dar a ‘chave’ como a deu a Pedro : ela nos facilitará o acesso ao mistério insondável da Vida. Na perspectiva bíblica ?céus? significa vida em profundidade, vida expansiva, vida que nunca se acaba. Como dinamismo humanizador, a chave da interioridade é mola mestra que movimenta grandes intuições e sonhos, retira-nos do individualismo, cultiva a solidariedade, corrige rotas de vida, excita a imaginação, realça o poder criativo... 

Temos em nossas mãos as chaves da vida. O que fazemos com elas? Podemos abrir ou fechar, ligar ou desligar, atar ou desatar... ‘Ter a chave da vida’ : abrir ou fechar as portas do futuro, das relações, dos sonhos, da missão... Dar direção à vida. Atar e desatar os nós que bloqueiam o fluir da vida.... Aqui está o grande desafio : abrir-nos ou fechar-nos; abrir-nos à vida, ao novo, ao outro, ao desafiante ou diferente... ou fechar-nos no medo, no conhecido, no rotineiro. 

Deus confiou e colocou em nossas mãos a ‘chave da vida’. Ele não impõe, não obriga. Corre o risco de nos criar livres. Aqui está nossa grandeza, enquanto seres humanos : optar por uma vida aberta ou fechada, ser nó ou desatar, ligar ou desligar, expandir ou retrair... 

Sempre há o perigo de construir, dentro de nós, um condomínio onde portas se fecham, chaves se perdem, segredos são esquecidos e, com isso, mergulhamos na mais profunda solidão. 

Nossa própria interioridade é a rocha consistente e firme (‘tu és Pedro’), bem talhada e preciosa que cada um de nós tem, para encontrar segurança e caminhar na vida superando os desafios e as inevitáveis resistências na vivência do seguimento de Jesus. 

É no ‘eu mais profundo’ que as forças vitais se acham disponíveis para nos ajudar a crescer no dia-a-dia, tornando-nos aquilo para o qual fomos chamados a ser. Trata-se da dimensão mais verdadeira de nós mesmos, a sede das decisões vitais, o lugar das riquezas pessoais, onde vivemos o melhor de nós mesmos, onde se encontram os dinamismos do nosso crescimento, de onde partem as nossas aspirações e desejos fundamentais, onde percebemos as dimensões do Absoluto e do Infinito da nossa vida. 

Texto bíblico : Mt 16,13-19

Na oração : A oração torna-nos diáfanos (transparentes). Ela deixa transparecer o Simão e o Pedro de nossa interioridade. Ela desvela o Saulo e o Paulo que atuam em nós.

A interioridade é espaço aberto, onde, a intimidade com Deus não anula nossa personalidade, mas nos capacita a fazer uma contínua passagem do Simão para o Pedro, do Saulo para o Paulo?

  • O que tem predominado em sua vida : Simão ou Pedro? Saulo ou Paulo?’

  

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/noticia/1454639/2020/06/pedro-e-paulo-duas-referencias-inspiradoras-no-seguimento-de-jesus/


quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

DEFINIÇÃO DE SÃO PAULO

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB
Monge do Mosteiro de São Bento de São Paulo


PIRATININGA, ÍNDIOS, TIBIRIÇÁ, BARTIRA, CAIUBI, TABA, ARCO, FLECHA, JESUÍTAS.

MANUEL DA NÓBREGA, JOSÉ DE ANCHIETA, BATINA, CRUZ, PORTUGUESES.

JOÃO RAMALHO, AMADOR BUENO, COROA, PIRES, CAMARGO, BRIGA, POSSE.

FERNÃO DIAS, RAPOSO TAVARES, BANDEIRANTES, VILA.

PÁTEO DO COLÉGIO, SÃO BENTO, SÃO FRANCISCO, SANTO ANTÔNIO, IGREJA, CATEDRAL.

SÉ, PRAÇA, PESSOAS, PAULISTA, BATATA, CHÁ, PROTESTO, MANIFESTAÇÃO.

PICHAÇÃO, GRAFITI, RUA, BECO, EXPRESSÃO, VOZ.

LIBERDADE, PARAÍSO, DO SOCORRO, CONSOLAÇÃO, CEMITÉRIO.

NOITE, RONDA, IPIRANGA, SÃO JOÃO, ESQUINA, CAETANO.

MPB, HIP HOP, CAIPIRA, FUNK, SERTANEJO, FORRÓ, REGGAE, ROCK.

GALERIA, PUNK, METAL, POP, TRIBO, JOVENS, DIREITOS, REIVINDICAÇÃO, RAP.

NEGRA LI, CRIOLO, RACIONAIS, EMICIDA, INCLUSÃO, SOCIAL, POLÍTICA.

REPÚBLICA, AROUCHE, PATRIARCA, RAMOS, MEMÓRIA, CHAFARIZ, ÁGUA.

FRIA, RASA, FUNDA, BRANCA, SUJA, RIO.

TAMANDUATEÍ, TIETÊ, PINHEIROS, ANHANGABAÚ, VALE, PICO.

JARAGUÁ, CANTAREIRA, HORTO, FLORESTA, ÁRVORE, PARQUE.

IBIRAPUERA, ACLIMAÇÃO, VILA-LOBOS, DO CARMO, DA JUVENTUDE, DO POVO.

CORINTHIANS, PORTUGUESA, PALMEIRAS, JUVENTUS, ESTÁDIO.

PACAEMBU, CANINDÉ, MORUMBI, PALESTRA, ITAQUERA, PERIFERIA.

JARDIM ÂNGELA, PARAISÓPOLIS, CAPÃO, GRAJAÚ, PERUS, NORTE.

SUL, LESTE, OESTE, ZONA, CENTRO.

25 DE MARÇO, SANTA IFIGÊNIA, BOM RETIRO, LARGO 13, BRÁS.

BIXIGA, BARRA FUNDA, ALCÂNTARA MACHADO, LITERATURA.

ERAMOS SEIS, SAUDADE, POESIA, PAULO BOMFIM, IMORTAL.

ACADEMIA DE LETRAS, VIEIRA DE CARVALHO, DR. ARNALDO, SANTA CASA, CLÍNICAS.

OSCAR FREIRE, HIGIENÓPOLIS, IGUATEMI, JK, CIDADE JARDIM, GRIFE.

GRAVATA, SALTO ALTO, BERRINI. ITAIM BIBI, FARIA LIMA, BRIGADEIRO.

LUIS ANTÔNIO, VIADUTO, PONTE, ELEVADO.

MINHOCÃO, PISTA, MARGINAL, AVENIDA, ANGÉLICA, SAPOPEMBA, JABAQUARA.

SÃO MIGUEL, SANTANA, PENHA, DO Ó, SANTO AMARO, SÃO MATEUS, CAPELINHA, ORATÓRIO.

CRISTÃOS, JUDEUS, MUÇULMANOS, DEUS, LOUVOR, FLORES.

MANACÁ, QUARESMEIRA, IPÊ, CEREJEIRA, CAMBUCI, ARAÇÁ, PÁSSAROS.

BEM-TE-VI, SABIÁ, MARITACA, ROLINHA, POMBO.

CALÇADÃO, PEDESTRES, PASSEATA, DESFILE.

PARADA, VIRADA, ANHEMBI, CARNAVAL, FOLIA, BLOQUINHO, ALEGRIA, FALATÓRIO.

ITÁLIA, JAPÃO, CHINA, HAITI, MOÇAMBIQUE, NORDESTE, IMIGRANTES, TRABALHADORES.

METRÔ, TREM, ÔNIBUS, CARRÃO, MOTO, BICICLETA, PATINETE, SKATE, TATUAPÉ, MOVIMENTO.

TRANSITO, SEMÁFORO, SINALIZAÇÃO, MARRONZINHO, CET, MULTA.

LOUCURA, CAOS, CORRERIA, PRESSA, DEIXE A ESQUERDA LIVRE, POUPA TEMPO, RELÓGIO.

MOSTEIRO, COPAN, FIESP, BANESPA, MARTINELLI, ARQUITETURA.

PRÉDIO, ESCRITÓRIO, ESTÚDIO, CRIATIVIDADE.

TRAMPO, OPORTUNIDADE, CRESCIMENTO, ECONOMIA.

RESTAURANTE, PIZZARIA, GASTRONOMIA, ENCONTRO, ROLÊ.

AUGUSTA, BALADA, DIVERSÃO, AMIGOS.

NAMORADOS, CASADOS, COMPANHEIROS.

MORADIA, APARTAMENTO, QUITINETE, SOFÁ, CAMA, DESCANSO.

DESCASO, MORADOR DE RUA, RICO, POBRE, QUATROCENTÃO, EMERGENTE, GENTE, ROSTO, MÁSCARA, TEATRO.

MUNICIPAL, OFICINA, PARLAPATÕES, IMPRENSA, CULTURA ARTÍSTICA, ARTE.

MODERNA, VANGUARDA, TARSILA, ANITA, OSWALD, MÁRIO, DESVAIRADA, SAUDOSA.

MALOCA, ADONIRAN, TREM DAS 11, JAÇANÃ, DEMÔNIOS DA GAROA.

CHUVA, TEMPORAL, CASARÃO É 10, ALAGAMENTO, VERÃO.

INVERNO, FRIO, CALOR, CAMISETA, CASACO, CAPUZ, BERMUDA, BONÉ, MOCHILA, CADERNO.

ESCOLA, UNIVERSIDADE, USP, PUC, MACKENZIE, CASPER LÍBERO, JORNALISTA, JORNAL.

FOLHA, ESTADÃO, AGORA, NOTÍCIA, RIQUEZA.

INDUSTRIA, ENGRENAGEM, SINDICATO, PROGRESSO, COMÉRCIO.

LOJA, ACADEMIA, PADOCA, CAFÉ, AÇÚCAR, MORRO DOCE.

SONHO, PASSADO, ANTIGA, CENTRO HISTÓRICO, SUSTENTÁVEL, LOCAÇÃO, GRAVAÇÃO.

FILME, SÉRIE, NOVELA, COMERCIAL, LUZ, CÂMERA, AÇÃO, FICÇÃO.

REALIDADE, CPF NA NOTA, MERCADÃO, SANDUÍCHE DE MORTADELA, PASTEL, FEIRA, BAIRRO.

ORRA MEU, FICA SUSSA, TIPO ASSIM, FOI MAL, MÓ TRETA, FIRMEZA, TEM AS MORAL, TAMO JUNTO, OCUPAÇÃO, CASA, CULTURA.

DAS ROSAS, DE DONA YAYÁ, DO BANDEIRANTE, DO GRITO, MODERNISTA.

MASP, MAC, PINACOTECA, DE ARTE SACRA, DA CASA BRASILEIRA, DA LÍNGUA PORTUGUESA, DO FUTEBOL, ESPORTE.

FÓRMULA 1, AUTÓDROMO, INTERLAGOS, AÍRTON SENNA, CORRIDA.

SÃO SILVESTRE, MARATONA, MEDALHA, 31 DE DEZEMBRO, REVEILLON, FOGOS.

VIBRANTE, COLORIDA, VERDE, CINZA, GIGANTE, ATRAENTE, ENGAJADA.

REVOLUÇÃO, 32, MMDC, 9 DE JULHO, PRESTES.

ESTAÇÃO, ESTRADA DE FERRO, ORQUESTRA, MÚSICA, SALA SÃO PAULO, SP, CGH, 011, PAULICEIA, SAMPA, PIRATININGA.


sábado, 28 de junho de 2014

São Pedro e São Paulo, Apóstolos

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


A Liturgia das Horas e a reflexão no dia de 
São Pedro e São Paulo, Apóstolos :

Ofício das Leituras

Segunda leitura
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermo 295,1-2.4.7-8 :PL38,1348-1352)       (Séc.V)

Estes mártires viram o que pregaram
O martírio dos santos apóstolos Pedro e Paulo consagrou para nós este dia. Não falamos de mártires desconhecidos. Sua voz ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do mundo a sua palavra (Sl 18,5). Estes mártires viram o que pregaram, seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade.

São Pedro, o primeiro dos apóstolos, que amava Cristo ardentemente, mereceu escutar : Por isso eu te digo que tu és Pedro (Mt 16,19). Antes, ele havia dito : Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo (Mt 16,16). E Cristo retorquiu : Por isso eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra construirei minha Igreja (Mt 16,18). Sobre esta pedra construirei a fé que haverás de proclamar. Sobre a afirmação que fizeste : Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo, construirei a minha Igreja. Porque tu és Pedro. Pedro vem de pedra; não é pedra que vem de Pedro. Pedro vem de pedra, como cristão vem de Cristo.

Como sabeis, o Senhor Jesus, antes de sua paixão, escolheu alguns discípulos, aos quais deu o nome de apóstolos. Dentre estes, somente Pedro mereceu representar em toda parte a personalidade da Igreja inteira. Porque sozinho representava a Igreja inteira, mereceu ouvir estas palavras : Eu te darei as chaves do Reino dos Céus (Mt 16,19). Na verdade, quem recebeu estas chaves não foi um único homem, mas a Igreja una. Assim manifesta-se a superioridade de Pedro, que representava a universalidade e a unidade da Igreja, quando lhe foi dito : Eu te darei. A ele era atribuído pessoalmente o que a todos foi dado. Com efeito, para que saibais que a Igreja recebeu as chaves do Reino dos Céus, ouvi o que, em outra passagem, o Senhor diz a todos os seus apóstolos : Recebei o Espírito Santo. E em seguida : A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos (Jo 20,22-23).

No mesmo sentido, também depois da ressurreição, o Senhor entregou a Pedro a responsabilidade de apascentar suas ovelhas. Não que dentre os outros discípulos só ele merecesse pastorear as ovelhas do Senhor; mas quando Cristo fala a um só, quer, deste modo, insistir na unidade da Igreja. E dirigiu-se a Pedro, de preferência aos outros, porque, entre os apóstolos, Pedro é o primeiro.

Não fiques triste, ó apóstolo! Responde uma vez, responde uma segunda, responde uma terceira vez. Vença por três vezes a tua profissão de amor, já que por três vezes o temor venceu a tua presunção. Desliga por três vezes o que por três vezes ligaste. Desliga por amor o que ligaste por temor. E assim, o Senhor confiou suas ovelhas a Pedro, uma, duas e três vezes.

Num só dia celebramos o martírio dos dois apóstolos. Na realidade, os dois eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo o seguiu. Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos apóstolos. Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações destes dois apóstolos.


Fonte :
‘In Liturgia das Horas III’, 1392, 1394