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sexta-feira, 5 de agosto de 2022

A Assunção de Nossa Senhora

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo da Irmã Maria Freire da Silva,

Diretora Geral Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria


‘O mês de agosto chega com muitas novidades para nós, Irmãs do Imaculado Coração de Maria. Tem em seus dias, nossos padroeiros : Afonso de Ligório (01), Santa Clara de Assis (11) e São Bernardo de Claraval (20).

Agosto está prenhe da presença dos Padres, mártires dos primeiros séculos da Igreja : Hipólito de Roma (13), São Lourenço (10), Santa Filomena (10), entre tantos outros. Destaca-se também a figura do grande pilar teológico da Igreja, Agostinho de Hipona (20). No entanto, percebe-se a presença de Maria Mãe de Deus, através de diversos títulos. É justamente com o título de Nossa Senhora da Assunção, que quero focar minha reflexão.

A definição dogmática da Assunção à Glória Celeste em corpo e alma, da parte de Pio XII, foi um evento eclesial marcado com pedra branca nas páginas da História (PAMI, 2001). Nos séculos VII e VIII através das homilias de São Modesto de Jerusalém (634) sobre a Dormição da Mãe de Deus como o primeiro discurso bizantino sobre a festa de 15 de agosto, dá-se o primeiro momento da teologia grega onde afirma a doutrina católica da Assunção. São João Damasceno é notável por suas três célebres homilias sobre a Dormição da Beata Virgem, comenta sobre a sepultura de Maria como algo normal aos humanos, porém que não conhece a corrupção, dando a entender a transfiguração do corpo, como participação na Ressurreição do Filho, tornando-se morada mais nobre e divina, pelos séculos dos séculos (ibidem). A chegada do Concílio Vaticano II assiste a um grande crescimento mariológico, a partir do movimento bíblico-litúrgico-patrístico-ecumênico e da teologia kerigmática. Pode-se dizer que a proclamação da Assunção em 1950 representa o cume da mariologia pré-conciliar com o triunfo do movimento assuncionista no contexto da II Guerra mundial.

Opiniões se dividem entre a contingência substancialmente histórica, unida à uma exigência de natureza psicológica, que almejava distanciar-se dos horrores do corpo destruído, desumanizado pela guerra, para olhar um modelo de humanidade realizada e gloriosa, como a Beata virgem Maria. É a valorização do corpo como espaço de salvação, habitação da Trindade Santa. Nos dois últimos dogmas marianos nos deparamos com um novo modelo do desenvolvimento da história dos dogmas : a Imaculada Conceição e Assunção fundamentados na argumentação da Tradição. Em um contexto de indagações histórico e teológica se insere a Constituição Apostólica Munificentissimus Deus de Pio XII em 01 de novembro de 1950. Não são dogmas proclamados em Concílios para defender a fé de heresias(controvérsias).

O papa apresentava a Assunção de Maria como dom e sentido de reconciliação e de esperança. A Assunção da Virgem encontra razão de ser na entrega incondicional de Maria à pessoa e a missão redentora de Jesus, o Filho de Deus encarnado. Portanto, evidencia-se a questão seja personalógica do privilégio da singular pessoa de Maria, seja cristocêntrica e soteriológica, único Cristo redentor e glorificado. Trata-se de uma transfiguração sobrenatural e pascal do corpo humano. A Assunção oferece em Maria uma imagem antropológico-teológica exemplar na plenitude da integralidade da pessoa, da corporeidade feminina, ícone escatológico da Igreja e da comunidade discipular do Ressuscitado. Maria é a mulher do início (kairós de Deus) e da promessa divina. Maria assunta indica de modo antecipado o destino da humanidade. Maria é ícone do Deus trinitário e da nova humanidade.  

A Assunção conclui a maternidade divina de Maria, o abraço do Espírito Santo que a cobriu com sua sombra (Lc 1,35). Essa realidade nos convida à contemplação do mistério trinitário de Deus presente em Maria, provocando uma abertura para o futuro, onde o corpo não é objeto do mercado, mas espaço do movimento do Espírito Santo, na realização da vida nova em Cristo. Há um chamado à liberdade, a ética e a verdade, uma ligação forte entre Maria e Cristo em uma extensa participação no mistério de salvação.

O corpo glorioso refuta o corpo visto de modo utilitarista, como objeto de prazer exposto ao dinamismo da moda, da sexualidade, do passageiro, do descartável, como também, maltratado pela fome, pelas marcas da guerra, pelo desprezo, pela ausência da ternura e do amor comprometido. A Imaculada representa o paradigma da vocação humana pensada e querida por Deus, é um sinal profético. Em Maria, toda humanidade vem reconduzida às suas origens, à beleza inicial. Em Maria temos a primazia e a antecipação   da humanidade no esplendor da sua plenitude (Ef 1,18). É preciso pensar a Assunção na dimensão relacional da corporeidade (PAMI, 2001).’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://domtotal.com/noticias/?id=1585884

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Ascensão de Jesus e Assunção de Maria: qual é a diferença?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 The Ascension | History Today
*Artigo da Redação da Aleteia

‘O calendário litúrgico da Igreja Católica apresenta duas celebrações de nomes parecidos e significados análogos, mas que são essencialmente diferentes : a Ascensão de Jesus, que celebramos 40 dias após a Páscoa, e a Assunção de Maria, que celebramos em 15 de agosto.

A palavra ‘ascensão’ se refere exclusivamente a Jesus Cristo, pois significa ‘subida’ : Ele ascendeu ao Céu, subiu ao Céu, por Si mesmo, pelo Seu próprio poder como Deus.

Já a palavra ‘assunção’ quer dizer que Maria ‘foi assunta’, ‘foi assumida’, ‘foi tomada’, ‘foi levada’ por Deus. Ela também foi levada ao Céu, mas não por seu próprio poder e sim pelo poder de Deus.

O dogma da Assunção de Nossa Senhora afirma que Maria, Mãe de Jesus, foi glorificada em corpo e alma e levada ao Céu ao final da sua vida terrena. Promulgada em 1º de novembro de 1950 mediante a constituição apostólica Munificentissimus Deus, do Papa Pio XII, esta verdade da fé nos diz que ‘a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial’.

A Ascensão de Jesus

A Ascensão do Senhor é celebrada 40 dias depois da Páscoa da Ressurreição, embora grande parte das Igrejas locais a estabeleçam no primeiro domingo após esses 40 dias, para que mais fiéis possam participar da respectiva missa. É o caso do Brasil.

O que diz a Bíblia

Depois de dizer isto, Jesus foi elevado, à vista deles, e uma nuvem o retirou aos seus olhos. Continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apresentaram-se a eles então dois homens vestidos de branco, que lhes disseram : ‘Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que, do meio de vós, foi elevado ao céu, virá assim, do mesmo modo como o vistes partir para o céu’’ (At 1, 9-11).

Sentido

Na Ascensão, que se emoldura dentro do Tempo Pascal, Jesus se despede apóstolos, mas apenas no sentido visível : embora eles agora estejam prontos para levar a Igreja adiante, o Senhor continua, invisível, a agir na Igreja. Além disso, esta ‘separação’ é temporária, porque Jesus voltará.

Ao retornar ao Pai, Jesus encerra o ciclo da Sua existência humana, mas, ao mesmo tempo, supera a dicotomia entre os céus e a terra : Ele parte, mas, mais precisamente, nos precede no Paraíso, reiterando que o céu é o nosso destino a ser buscado. A natureza humana, encarnada pelo Verbo em toda a sua pobreza, é elevada aos céus por Ele e, assim, glorificada.

Fontes históricas

Os Evangelhos falam pouco da Ascensão : Mateus e João terminam suas narrações com a aparição de Jesus depois da Ressurreição; Marcos dedica-lhe a última frase do texto, enquanto que Lucas descreve muito mais, principalmente nos Atos dos Apóstolos. Nos Atos, Lucas detalha que 40 dias depois da Páscoa – um número muito simbólico em toda a Bíblia – Jesus conduz os apóstolos para Betânia e, ao chegar no Monte das Oliveiras, chamado por isso de Monte da Ascensão, os abençoa e lhes fala antes de subir ao céu. Neste discurso, Jesus confirma a promessa da vinda do Espírito, que não os deixará sós, e prefigura a Sua própria segunda vinda, no final dos tempos.

Origens da solenidade

A celebração da Ascensão já é testemunhada por Eusébio de Cesareia e pela peregrina Egéria nos primeiros tempos da Igreja. No início, era comemorada junto com a festa de Pentecostes, mas, entre os séculos V e VI, sabemos que ambas as celebrações já estavam separadas, pois existem homilias de São João Crisóstomo e de Santo Agostinho dedicadas especificamente à Ascensão.

‘À direita do Pai’

Nos Evangelhos, há passagens em que Jesus prefigura o que acontecerá na Ascensão. Durante a Última Ceia, por exemplo, Ele anuncia : ‘Voltarei ao Pai’.

A expressão ‘à direita do Pai’ indica o lugar de honra do Filho de Deus que, junto d’Ele, tem a glória eterna. Se Jesus não retornasse ao Pai, não haveria redenção para o homem : é voltando ao Pai que Ele completa a Sua Ressurreição e, em seguida, envia ao mundo o Espírito Santo Consolador.’



Fonte :
*Artigo na íntegra

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Assunção de Nossa Senhora - Mãe de Deus

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Imagem relacionada


‘Hoje, solenemente, celebramos o fato ocorrido na vida de Maria de Nazaré, proclamado como dogma de fé, ou seja, uma verdade doutrinal, pois tem tudo a ver com o mistério da nossa salvação. Assim definiu pelo Papa Pio XII em 1950 através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus : ‘A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial.

Antes, esta celebração, tanto para a Igreja do Oriente como para o Ocidente, chamava-se ‘Dormição’, porque foi sonho de amor. Até que se chegou ao de ‘Assunção de Nossa Senhora ao Céu’, isto significa que o Senhor reconheceu e recompensou com antecipada glorificação todos os méritos da Mãe, principalmente alcançados em meio às aceitações e oferecimentos das dores.

Maria contava com 50 anos quando Jesus subiu ao Céu. Tinha sofrido muito : as dúvidas do seu esposo, o abandono e pobreza de Belém, o desterro do Egito, a perda prematura do Filho, a separação no princípio do ministério público de Jesus, o ódio e perseguição das autoridades, a Paixão, o Calvário, a morte do Filho e, embora tanto sofrimento, São Bernardo e São Francisco de Sales é quem nos aponta o amor pelo Filho que havia partido como motivo de sua morte.

É probabilíssima, e hoje bastante comum, a crença de a Santíssima Virgem ter morrido antes que se realizasse a dispersão dos Apóstolos e a perseguição de Herodes Agripa, no ano 42 ou 44. Teria então uns 60 anos de idade. A tradição antiga, tanto escrita como arqueológica, localiza a sua morte no Monte Sião, na mesma casa em que seu Filho celebrou os mistérios da Eucaristia e, em seguida, tinha descido o Espírito Santo sobre os Apóstolos.

Não subiu ao Céu, como fez Jesus, com a sua própria virtude e poder, mas foi erguida por graça e privilégio, que Deus lhe concedeu como a Virgem antes do parto, no parto e depois do parto, como a Mãe de Deus.

Nossa Senhora da Assunção, rogai por nós!


Fonte :

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Assunta ao Céu

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Cardeal Dom Orani João Tempesta, O. Cist.,
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


‘Neste próximo final de semana iremos cantar as glórias de Nossa Senhora Assunta ao Céu, Nossa Senhora da Glória e outras denominações; quando Maria entra no céu de corpo e de alma. Esta é a festa da Assunção; a festa da entrada de Maria na glória, da sua plenitude como criatura, como mulher, como mãe, como discípula de Cristo Jesus. Como um rio, que após longa corrida deságua no mar, a Virgem Toda Santa deságua na glória de Deus : transfigurada no Espírito Santo, derramado pelo Cristo, ela está na glória do Pai!

Para compreendermos o profundo sentido do que celebramos, tomemos as palavras de São Paulo : ‘Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada’. – Eis a nossa fé, o centro da nossa esperança : Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que adormeceram. Ele é o primeiro a ressuscitar, Ele é a causa e o modelo da nossa ressurreição. Os que Nele nascem pelo batismo, os que Nele creem e Nele vivem, ressuscitarão com Ele e como Ele : logo após a morte ressuscitarão naquela dimensão imaterial que temos, núcleo da nossa personalidade, a que chamamos ‘alma’; e, no final dos tempos, quando todo o Universo for glorificado, ressuscitaremos também no nosso corpo. Assim, em todo o nosso ser, corpo e alma, estaremos um dia, revestidos da glória de Cristo, nosso Salvador, estaremos plenamente conformados a Ele!

 Nosso Senhor Jesus venceu e nos faz participantes da sua vitória, dando-nos o seu Espírito Santo! Neste mundo, em que só se crê no que vê, que só leva a sério o que toca, que só dá valor ao que cai no âmbito dos sentidos, cremos que Cristo está vivo e é Senhor, primícia, princípio de todos os que morrem unidos a Ele. Cristo, que ressuscitou, que venceu, concedeu plenamente a sua vitória à sua Mãe, a Santíssima Virgem Maria, que esteve sempre unida a Ele. Ela, totalmente imaculada, nunca se afastou do filho : nem na longa espera do parto, nem na pobreza de Belém, nem na fuga para o Egito, nem no período de exílio, nem na angústia de procurá-lo no Templo, nem nos anos obscuros de Nazaré, nem nos tempos dolorosos da pregação do Reino, nem no desastre da cruz, nem na solidão do sepulcro no Sábado Santo... Nem mesmo após, nos dias da Igreja, quando, discretamente, ela permanecia em oração com os irmãos do Senhor. Sempre imaculada, sempre perfeitamente unida ao Senhor! Assim, após a sua preciosa morte, ela foi elevada à glória do céu, isto é, à glória de Cristo, que ressuscitou e é primícia da nossa ressurreição.

A presente solenidade é a exaltação da glória do Cristo : n´Ele está a vida e a ressurreição; n´Ele, a esperança de libertação definitiva! Por isso, todo aquele que crê em Jesus e é batizado no seu Espírito Santo no sacramento do Batismo, morrerá com Cristo e com Cristo ressuscitará. Imediatamente após a morte, nossa alma será glorificada e estaremos para sempre com o Senhor. Quanto ao nosso corpo, será destruído e, no final dos tempos, quando nossa vida aparecer, será também ressuscitado em glória e unido à nossa alma. Será assim com todos nós. Mas, não foi assim com a Virgem Maria! Aquela que não teve pecado também não foi tocada pela corrupção da morte! Imediatamente após a sua passagem para Deus, ela foi ressuscitada, glorificada em corpo e alma, foi elevada ao céu! Podemos, portanto, exclamar como Isabel : ‘Bendita és tu entre as mulheres! Bendito é o fruto do teu ventre! Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu’!

Esta é, portanto, a festa de plenitude de Nossa Senhora, a sua chegada à glória, no seu destino pleno de criatura. Nela aparece claro a obra da salvação que Cristo realizou! Ela é aquela Mulher vestida de sol, pisando a instabilidade deste mundo, representada pela lua inconstante, toda coroada de doze estrelas, número da Israel e da Igreja! A leitura do Apocalipse mostra-nos tudo isso, mas termina afirmando : ‘Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus e o poder do seu Cristo’! Eis : a plenitude da Virgem é realização da obra de Cristo, da vitória de Cristo nela’.

Olhemos para o céu, voltemos para lá o nosso coração! Celebremos! Com a Virgem Maria, hoje vencedora da morte, com a Igreja, que espera um dia triunfar totalmente como Maria, cantemos as palavras da Filha de Sião, da Mãe da Igreja, pensando na nossa vitória : ‘A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor’! A ele, a glória pelos séculos dos séculos. Amém!’


Fonte :
* Artigo na íntegra de http://www.news.va/pt/news/artigo-assunta-ao-ceu

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Assunção de Nossa Senhora

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


A Liturgia das Horas e a reflexão no dia da Assunção de Nossa Senhora :

Ofício das Leituras

Segunda leitura
Da Constituição Apostólica Munificentíssimus Deus, do papa Pio XII
(AAS42 [1950], 760-762. 767-769)     (Séc.XX)

Teu corpo é santo e cheio de glória
Nas homilias e orações para o povo na festa da Assunção da Mãe de Deus, santos padres e grandes doutores dela falaram como de uma festa já conhecida e aceita. Com a maior clareza a expuseram; apresentaram seu sentido e conteúdo com profundas razões, colocando especialmente em plena luz o que esta festa temem vista : não apenas que o corpo morto da Santa Virgem Maria não sofrera corrupção, mas ainda o triunfo que ela alcançou sobre a morte e a sua celeste glorificação, a exemplo de seu Unigênito, Jesus Cristo.

São João Damasceno, entre todos o mais notável pregoeiro desta verdade da tradição, comparando a Assunção em corpo e alma da Mãe de Deus com seus outros dons e privilégios, declarou com vigorosa eloquência : ‘Convinha que aquela que guardara ilesa a virgindade no parto, conservasse seu corpo, mesmo depois da morte, imune de toda corrupção. Convinha que aquela que trouxera no seio o Criador como criancinha fosse morar nos tabernáculos divinos. Convinha que a esposa, desposada pelo Pai, habitasse na câmara nupcial dos céus. Convinha que, tendo demorado o olhar em seu Filho na cruz e recebido no peito a espada da dor, ausente no parto, o contemplasse assentado junto do Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse tudo o que pertence ao Filho e fosse venerada por toda criatura como mãe e serva de Deus’.

São Germano de Constantinopla julgava que o fato de o corpo da Virgem Mãe de Deus estar incorrupto e ser levado ao céu não apenas concordava com sua maternidade divina, mas ainda conforme a peculiar santidade deste corpo virginal : ‘Tu, está escrito, surges com beleza (cf. Sl 44,14); e teu corpo virginal é todo santo, todo casto, todo morada de Deus; de tal forma que ele está para sempre bem longe de desfazer-se em pó; imutado, sim, por ser humano, para a excelsa vida da incorruptibilidade. Está vivo e cheio de glória, incólume e participante da vida perfeita’.

Outro antiquíssimo escritor assevera : ‘Portanto, como gloriosa mãe de Cristo, nosso Deus salvador, doador da vida e da imortalidade, foi por ele vivificada para sempre em seu corpo na incorruptibilidade; ele a ergueu do sepulcro e tomou para si, como só ele sabe’.

Todos estes argumentos e reflexões dos santos padres apóiam-se como em seu maior fundamento nas Sagradas Escrituras. Estas como que põem diante dos olhos a santa Mãe de Deus profundamente unida a seu divino Filho, participando constantemente de seu destino.

De modo especial é de lembrar que, desde o segundo século, os santos padres apresentam a Virgem Maria qual nova Eva para o novo Adão : intimamente unida a ele – embora com submissão – na mesma luta contra o inimigo infernal (como tinha sido previamente anunciado no proto-evangelho [cf. Gn 3,15]), luta que iria terminar com a completa vitória sobre o pecado e a morte, coisas que sempre estão juntas nos escritos do Apóstolo das gentes (cf. Rm 5 e 6; 1Cor 15,21-26.54-57). Por este motivo, assim como a gloriosa ressurreição de Cristo era parte essencial e o último sinal desta vitória, assim também devia ser incluída a luta da santa Virgem, a mesma que a de seu Filho, pela glorificação do corpo virginal. O mesmo Apóstolo dissera : Quando o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá o que foi escrito : A morte foi tragada pela vitória (1Cor 15,54; cf. Os 13,14).

Por conseguinte, desde toda a eternidade unida misteriosamente a Jesus Cristo, pelo mesmo desígnio de predestinação, a augusta Mãe de Deus, imaculada na concepção, virgem inteiramente intacta na divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor, que obteve pleno triunfo sobre o pecado e suas consequências, ela alcançou ser guardada imune da corrupção do sepulcro, como suprema coroa dos seus privilégios. Semelhantemente a seu Filho, uma vez vencida a morte, foi levada em corpo e alma à glória celeste, onde, rainha, refulge à direita do seu Filho, o imortal rei dos séculos.


Fonte :
‘In Liturgia das Horas IV’, 1197, 1199


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Oração a Nossa Senhora da Assunção

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB) 

 
 Ó dulcíssima soberana, rainha dos Anjos,
bem sabemos que, miseráveis pecadores,
não éramos dignos de vos possuir neste vale de lágrimas,
mas sabemos que a vossa grandeza
não vos faz esquecer a nossa miséria e,
no meio de tanta glória, a vossa compaixão, longe de diminuir,
aumenta cada vez mais para conosco.

Do alto desse trono em que reinais
sobre todos os anjos e santos,
volvei para nós os vossos olhos misericordiosos;
vede a quantas tempestades e mil perigos
estaremos, sem cessar,
expostos até o fim de nossa vida.

Pelos merecimentos de vossa bendita morte,
obtende-nos o aumento da fé,
da confiança e da santa perseverança
na amizade de Deus, para que possamos, um dia,
ir beijar os vossos pés e unir as nossas vozes
às dos espíritos celestes,
para louvar e cantar as vossas glórias eternamente no céu.

Assim seja!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Assunção Nossa Senhora

Por Maria Vanda (Ir. Maria Silvia, Obl. OSB)


                                             (Assunção de Maria. Tiziano Vecellio, século XVI.)


O dogma da Assunção refere-se a que a Mãe de Deus, no fim de sua vida terrena foi elevada em corpo e alma à glória celestial. Este dogma foi proclamado ex cathedra pelo Papa Pio XII, no dia 1º de novembro de 1950, por meio da Constituição Munificentissimus Deus:






"Depois de elevar a Deus muitas e reiteradas preces e de invocar a luz do Espírito da Verdade, para glória de Deus onipotente, que outorgou à Virgem Maria sua peculiar benevolência; para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte; para aumentar a glória da mesma augusta Mãe e para gozo e alegria de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória do céu".





O Novo Catecismo da Igreja Católica declara:
"A Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos" (n. 966).



Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


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