Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
Foto : Museu de Lisboa/Coleção on-line
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR
Chegada dos colonizadores portugueses
‘Os portugueses chegaram a Angola pela primeira vez
através do navegador Diogo Cão (isso mesmo), entre 1483 e 1485, mas a
colonização efetiva do território só foi iniciada bem mais tarde, já no século
XVI, a partir de 1575, quando cerca de 400 colonos, sob a liderança de Paulo
Dias de Novais, se fixaram na região, fundando a cidade de São Paulo de Luanda.
Em Angola foi implantado o sistema de divisão do território em capitanias
também utilizado no Brasil, bem como uma política de exploração de recursos
naturais.
Angola possuía um território muito rico,
destacando-se as minas de prata da região do Cambambe. Contudo a grande fonte
de lucro passou a ser o tráfico de mão de obra escrava, destinada aos engenhos
de açúcar do Brasil ou da Ilha Madeira, e também para São Tomé. Nesta fase o
território de Angola se resumia a uma faixa litoral, que se foi se estendendo
para o interior à medida que a exploração foi acontecendo e à medida que foram
crescendo as exigências do tráfico de escravos.
Moçambique se torna colônia de Portugal
Moçambique foi visitado pela primeira vez pelos
portugueses quando aí aportou a armada de Vasco da Gama que se destinava a
Índia. Mas é possível que Pero da Covilhã possa ter estado em Moçambique,
quando da sua estadia em Sofala em 1490. No ano de 1537 foi criada a feitoria
de Tete, e em 1544, foi estabelecida a feitoria de Quelimane, que se tornou o
local de concentração dos escravos que eram embarcados para Portugal, Brasil e
outros destinos.
Moçambique também se revelou uma região rica em
minerais preciosos como a prata, ouro, peles, marfim, especiarias e pérolas,
recursos que tinha a exploração controlada pelos portugueses. Durante o século
XVII foi conquistado e ocupado o reino de Zambéze. No século XVIII, Moçambique
deixou de ser controlado pelo vice-reino da Índia passando a ser administrado
diretamente por Portugal.
No século XIX, Moçambique, assim como Angola, e o
corredor que existia entre as duas que regiões que hoje forma as atuais Zâmbia
e Zimbabwe figuravam no chamado ‘Mapa Cor de Rosa’ que, de acordo com o projeto
português ligava os dois territórios, controlando assim uma enorme faixa
geográfica que se estendia do Oceano Atlântico ao Índico, de costa a costa.
Outras colônias portuguesas na África
A Guiné tornou-se uma importante colónia
portuguesa, sobretudo pela produção de ouro, fator que atraiu os portugueses,
que aí chegaram após a transposição do Cabo Bojador por Gil Eanes, em 1434.
Desde o século XVII desenvolveram-se vários centros de colonização, sendo o território
administrado por um capitão-mor.
As ilhas de Cabo Verde foram alcançadas por
navegadores portugueses que voltavam da costa da Guiné, entre 1460 e 1462. As
ilhas foram rapidamente povoadas por colonos provenientes da metrópole, não só
cristãos, como também mouros e judeus, inclusive por pessoas deportadas.
Escravos vindos da Guiné também foram levados para as ilhas e com isso a
miscigenação racial e cultural ainda hoje é uma das características deste
local.
O arquipélago de São Tomé e Príncipe foi descoberto
por dois navegadores portugueses, Pero Escobar e João de Santarém, em 1470. Era
um território desabitado e coberto por florestas virgens. Seu povoamento teve
início em 1485, através de Álvaro de Caminha, capitão-donatário desta colónia.
Mantendo nesta região uma vasta quantidade de mão de obra, sobretudo escravos
oriundos de Angola e Moçambique, mas também judeus e mouros vindos da
metrópole, aconteceu uma exploração em larga escala, primeiro do açúcar, depois
do cacau e por fim do café. Também aqui a heterogeneidade da população é uma
marca característica.
Durante os séculos de colonização os portugueses
criaram numerosas instituições e infraestrutura, à semelhança da metrópole, mas
permitir que se perdesse a condição de colónia, com a dependência política e econômica.
As colónias portuguesas da África foram as últimas
das colónias africanas, dependentes de países europeus, a alcançar sua
independência. Na sequência da Revolução de 25 de abril de 1974 em Portugal,
chamada de ‘Revolução dos Cravos’, começou a luta pela independência que em
algumas realidades aconteceu de forma violenta, gerando a guerra civil. A Guiné
tornou-se independente em 23 de agosto de 1974, Moçambique em 25 de junho de
1975, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe em julho de 1975 e, por fim, Angola em
11 de novembro do mesmo ano.
Existe um traço do passado que liga estes países a
Portugal, seja com as marcas da colonização que ainda continua forte, como
também o passado comum, a língua portuguesa e os traços culturais.’
Fonte : *Artigo na íntegra
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