Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘A Europa dominou quase o mundo inteiro ao longo de
vários séculos desde que começou a viajar para outros continentes, sobretudo, a
partir da expansão comercial capitalista dos séculos XV e XVI, o que levou à
formação de grandes impérios coloniais nos continentes periféricos do mundo.
Nesse assunto, normalmente nos lembramos do
continente africano, que foi tomado, retalhado e explorado pelos diversos
países europeus dentro do regime do Imperialismo que consolidou especialmente
no final do século XIX. A África, porém, não foi totalmente dominada e temos
dois países, Etiópia e Libéria, que escaparam da colonização. Deles falaremos
num outro texto.
A divisão do continente africano
A divisão do continente africano que já
acontecia desde o século XV, teve sua fase mais marcante na segunda parte do
século XIX. A Conferência de Berlim celerada entre 1884 e 1885
organizou a delimitação das fronteiras da África entre as várias nações
envolvidas. Nesta conferência foram definidas as normas que deveriam
ser obedecidas pelas potências colonizadoras. Apesar do objetivo inicial da
reunião ter sido o de acertar os limites conforme os interesses econômicos
destes países na região, não foi possível alcançar um equilíbrio entre as
ambições imperialistas de cada nação. A partilha da África foi decidida por
Rússia, Estados Unidos e mais 14 países da Europa.
Líder do imperialismo na época, a
Inglaterra dominou do norte do Mar Mediterrâneo até o extremo Sul do
continente africano, região onde do Cabo da Boa Esperança. Benjamin Disraeli
foi o grande nome da Inglaterra nessa discussão, pois conseguiu tomar o Canal
de Suez do domínio francês e egípcio. Este canal encurtava a distância
entre os centros da indústria europeia e as áreas de colonização da Ásia e
além disso, ligava o mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho.
Disraeli adquiriu ações do governo egípcio, fazendo
com que o canal de Suez e todo Egito tivessem dupla administração : inglesa e
francesa. Já em 1904, o governo inglês apoiou a França na conquista
do Marrocos, tendo como moeda de troca o abandono dos franceses das terras
egípcias. Por fim, em 1885, a Inglaterra ainda anexou o Sudão, país localizado
ao Sul do Egito.
A França, apesar de ter perdido o Egito para os
britânicos, ficou com a maior parte do norte do continente dominando Argélia, Tunísia,
ilha de Madagascar, Somália Francesa, Marrocos e Sudão que depois seria
dominado pela Inglaterra.
A constante presença dos europeus no continente
africano fez com que se desencadeassem diversas disputas colonialistas. Uma
delas foi a Guerra dos Bôeres (1899-1902). A Inglaterra, que dominava
há muito tempo a Colônia do Cabo, hoje África do Sul, entrou em conflito com os
bôeres que eram colonos holandeses que dominavam as regiões de Orange e
Transvaal.
A descoberta de ouro e diamantes na região de
Joanesburgo, área dominada pelos bôeres, foi o que atraiu o interesse
britânico. A Guerra dos Bôeres estourou em 1899 durando até 1902. A Inglaterra
saiu vitoriosa e anexou o território de Orange e Transvaal às suas colônias.
A Alemanha, outro país colonizador, dominava a
região que atualmente é conhecida como República dos Camarões, Togo,
sudeste e oriente da África. Já a Itália deteve o litoral da Líbia, Somália e
Eritréia. A Bélgica ficou com o Congo.
Consequências do colonialismo
Esta divisão, feita de acordo com os interesses
coloniais, criou diversos conflitos na sociedade africana, gerou sérios
problemas étnicos, econômicos e políticos.
Essa partilha da África entre as nações
pretendentes além de gerar uma forte exploração dos recursos vegetais, minerais
e animais do continente gerou a miséria que toma a população do continente,
originando também a dívida externa que cresce a cada ano.
A divisão artificial das fronteiras fez com que os
países que foram sendo formado a partir dessa divisão tivesse em seu interior
povos e tribos oponentes, o que explica várias guerras e massacres que
continuam acontecendo no continente.
Somente no período posterior à Segunda Guerra
Mundial as nações colonizadoras foram se retirando, dando início ao processo de
formação das modernas nações africanas que em algumas regiões ainda não foi
concluído.’
Fonte : *Artigo na íntegra
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