Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Para quem
conhece um pouco de história sabe que a maior parte do mundo já foi
colonizado, em especial pela Europa. Primeiro veio a colonização da América,
depois da Oceania, depois da Ásia e por último veio a colonização da África. E,
quando falamos da África, já publicamos aqui nessa coluna 25 textos e gravamos
25 áudios, o continente foi retalhado pelas grandes potências europeias que
formaram diversas colônias. Mas existem dois países que apresentam uma grande
novidade porque nunca foram colonizados.
O continente
africano é formado hoje por 54 países reconhecidos pelas Nações Unidas, sendo o
continente com o maior número de países no mundo, distribuídos em cinco regiões
principais: Norte, Meridional (Sul), Central, Ocidental e Oriental.
Contexto
Até o fim do
século XIX, a maior parte do continente africano era desconhecida,
principalmente a região central desse continente. As grandes potências
europeias da época, com exceção de Portugal, estavam até então mais focadas em
suas colônias na Ásia.
Em 1885, foi
realizada a Conferência de Berlim que leva esse nome por ser a cidade alemã o
lugar de sua realização. Um dos objetivos dessa reunião entre as potências
europeias era a de se reorganizar o mapa geográfico do mundo. Para isso era
preciso fazer a divisão e partilha da África entre essas nações colonizadoras.
Ao final da referida conferência praticamente todo o continente africano
já havia sido repartido em colônias e pertenciam as potências europeias. Mas,
no entanto, havia apenas dois países que permaneceram independentes :
A Etiópia e a Libéria.
Etiópia livre
A Etiópia,
era um país bem antigo e independente possuindo uma bem sucedida relação com
outros países.
Fato curioso
é que em 1896, a Itália, que também havia ganho alguns poucos territórios no
continente africano durante a conferência subestimou a Etiópia, tentando
coloniza-la, porém ao invadir o país africano foi repelido e sofreu uma
derrota, que chamou a atenção do mundo inteiro na época, pelo fato de um país
africano pobre conseguir derrotar um país europeu, visto como uma potência
emergente. A Itália havia surgido como país unificado há menos de 30 anos, em
1879, sendo considerado ‘o primo pobre da Europa’.
Em outros
momentos, como no início da Segunda Guerra Mundial, acontecida entre 1939 e
1945, a Itália tentou reconquistas a Etiópia, mas também desta vez foi
malsucedida em seu intento, pois a Etiópia contou com a ajuda de outros países.
Apesar dessa
aparente liberdade, a Etiópia passou por situações complexas em sua história
como no tempo da ditadura de Hailé Selassié, e hoje enfrenta uma grave crise
humanitária marcada pela insegurança alimentar aguda, seca e riscos de novos
conflitos no Norte (Tigray). O país também lida com tensões geopolíticas,
desafios econômicos e instabilidade
Um país formado
por ex-escravos
O outro país
africano que nunca foi colonizado pelos europeus tem uma história bastante
curiosa. Isso porque foi fundado em 1824, por escravos libertos dos EUA.
Naquela época, uma organização americana chamada American Colonization Society
(em tradução livre, Sociedade Americana de Colonização) havia sido criada com o
propósito de levar escravos libertos e negros nascidos livres de volta para a
África.
Na época a
ideia parecia bem absurda afinal, tanto os ex-escravos quanto os nascidos livres
eram americanos. Mas, naquele tempo, o pensamento racista e escravista permitia
esse tipo de conclusão. Levar a população negra para a África seria, na visão
desta organização, um modo de impedir o aumento da criminalidade ou os
casamentos interraciais.
Hoje, essa
ideia parece absurda e até mesmo bizarra, mas na época foi bastante apoiada nos
Estados Unidos. O projeto foi financiado através da arrecadação de dinheiro em
vários estados, recebendo o apoio até mesmo do presidente, James Monroe.
Em meados de
1821, o território da já Libéria havia sido definido, e os primeiros migrantes
já haviam chegado. Em 1822, foi criada a capital, Monróvia, nomeada em
homenagem ao presidente Monroe.
Apenas em
1824 o país foi fundado oficialmente sob esse nome, que tencionava indicar ‘país
da liberdade’. Apesar da conexão bastante próxima com seu país de origem, os
agora liberianos declararam sua independência em 1847. Mesmo assim, sua ligação
próxima com os Estados Unidos manteve de fora os demais colonizadores europeus.
Quando a
região da Libéria foi demarcada, não havia sido levado em consideração os povos
que já viviam na região. A divisão forçada do território foi um dos fatores que
levaram aos conflitos e guerras civis enfrentadas no país no século seguinte,
gerando um país hoje muito pobre e devastado.
Hoje a
Libéria está em processo de estabilização após uma cruel guerra civil,
reconstruindo suas forças armadas e consolidando a democracia. Sendo também
considerada um dos países mais pobres do mundo, enfrenta desafios econômicos e
sociais, com grande dependência da agricultura e mineração. A segurança
melhorou, mas viajantes devem ter cautela.
Etiópia e
Libéria, os dois
países têm histórias muito curiosas : um deles conseguiu expulsar os colonos, e
o outro tinha acabado de ser formado por imigrantes negros que fugiram da
escravidão no Estados Unidos, mas na atualidade enfrentam os mesmos problemas e
desafios que marcam a realidade de outros países do continente.’
Fonte : *Artigo na íntegra
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