sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

ICE, símbolo da repressão de Trump a migrantes e alvo da resistência civil nos EUA

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Dominique Maia e Rodrigo Borges Delfim

 

‘Enquanto a construção do muro na fronteira com o México se tornou um dos símbolos da política de repressão à migração no primeiro mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, o segundo termo tem se personificado na figura do ICE (sigla em inglês para Departamento de Imigração e Alfândega). Responsável pela detenção e deportação de imigrantes, o órgão se firmou como um pilar da política migratória estadunidense, operando com orçamento bilionário, poderes ampliados e práticas marcadas pelo uso sistemático da repressão.

De acordo com o Conselho Americano de Imigração, que fornece apoio a migrantes nos EUA, o orçamento do ICE sob Trump mais que triplicou e passou de US$ 8 bilhões para US$ 29,9 bilhões ao ano. Um recurso que visa concretizar uma das promessas de campanha de Trump: a de deportar, em média, 1 milhão de imigrantes sem documentos por ano.

Turbinado com esse aporte e com seus agentes tendo carta branca do governo Trump, o ICE tem sido cada vez mais violento em sua abordagem, com ações sem mandado em locais de trabalho, igrejas e escolas para prisões em massa, envio dos detidos para centros distantes e violações de direitos básicos de quem cai sob poder da agência. Além disso, os agentes não têm se limitado aos migrantes indocumentados e agora mira também os que vivem em situação regular e que possuem laços familiares consolidados nos Estados Unidos. Em suma, todo e qualquer indivíduo que não se encaixe no padrão ‘WASP’ – acrônimo em inglês para White Anglo-Saxon Protestant (Branco, Anglo-Saxão e Protestante) – que representa a elite tradicional dos Estados Unidos é um potencial alvo.

A repressão promovida pelo ICE não tem passado batida pela sociedade civil nos Estados Unidos, que vem se mobilizando nas ruas. Os embates chegaram a um ponto culminante – pelo menos até o momento – na cidade de Minneapolis, onde em janeiro dois cidadãos dos Estados Unidos foram mortos pelos agentes de migração durante protestos contra sua atuação.

Da criação à consolidação do poder

O ICE foi criado em 2003, no contexto da Guerra no Iraque e como parte das respostas aos atentados de 11 de setembro de 2001, e rapidamente se consolidou como um dos principais órgãos do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. Com atuação exclusiva em território estadunidense, a agência passou a ocupar posição central na condução das políticas de imigração, fiscalização e deportação. 

Instituído pela Lei de Segurança Interna, o órgão foi concebido para articular controle migratório e investigação sob a lógica da segurança nacional. Desde então, acumulou amplos poderes de detenção, fiscalização e cooperação com forças policiais estaduais e locais, o que contribuiu para a expansão de sua influência institucional e para o fortalecimento de uma política migratória cada vez mais marcada pelo endurecimento e pela repressão.

Com o tempo, esse desenho institucional permitiu ao ICE atuar com margem significativa de discricionariedade. Programas como o 287(g), que autoriza forças policiais estaduais e municipais a colaborar com a agência, ampliaram o alcance das operações e criaram um ambiente de vigilância permanente para comunidades migrantes. Relatórios da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) e da Human Rights Watch (HRW) apontam que essa integração entre imigração e policiamento cotidiano tem aprofundado práticas de perfilamento racial e resultado em violações recorrentes de direitos civis.

Repressão como política de Estado

Durante o primeiro mandato de Trump, o ICE recebeu respaldo político explícito para intensificar ações repressivas. Ordens executivas ampliaram prioridades de deportação, reduziram proteção a pessoas solicitantes de refúgio e pressionaram a agência a elevar números de prisões e remoções. O resultado foi a multiplicação de operações ostensivas, batidas em locais de trabalho e ações que levaram à separação de milhares de famílias.

Esse modelo não apenas permaneceu como foi aprofundado no segundo mandato de Trump. A retórica de criminalização da migração voltou a orientar decisões administrativas, acompanhada de pressões diretas sobre o ICE para intensificar ações de fiscalização. Programas de cooperação com forças policiais locais foram reativados ou ampliados, e proteções temporárias a determinados grupos migrantes passaram a ser sistematicamente revistas ou enfraquecidas. 

O fortalecimento do ICE teve impacto direto sobre o sistema de detenção migratória dos Estados Unidos. O país mantém uma das maiores redes de detenção administrativa de migrantes do mundo, com milhares de pessoas privadas de liberdade diariamente, muitas delas sem acusação criminal. Parte significativa dessas instalações é operada por empresas privadas, o que adiciona interesses econômicos a um sistema já marcado por baixa transparência.

Organizações de direitos humanos documentam, há anos, condições degradantes nos centros de detenção, incluindo superlotação, acesso limitado a cuidados médicos, uso excessivo do isolamento e dificuldades no acesso à defesa legal. Casos de mortes sob custódia do ICE também vêm sendo registrados, frequentemente acompanhados de investigações incompletas ou respostas insuficientes por parte das autoridades. Esse cenário reforça críticas de que a detenção migratória nos Estados Unidos funciona como um mecanismo punitivo, ainda que formalmente classificado como ‘administrativo’.

Um futuro marcado pela disputa

Há, no entanto, movimentos que contestam essa política migratória cada vez mais securitária e buscam limitar o alcance do ICE. Jurisprudências nos tribunais federais e ações judiciais têm desafiado práticas específicas da agência, incluindo limites à detenção sem mandado e restrições que afetam o devido processo legal. Em dezembro de 2025, um juiz federal ordenou a suspensão de uma política que exigia aviso prévio para visitas de membros do Congresso a centros de detenção, considerando que ela interferia na fiscalização e na transparência sobre condições e tratamento de pessoas detidas.

No Congresso, propostas de reforma migratória seguem paralisadas em meio à polarização política, mas incluem iniciativas voltadas ao aumento da supervisão sobre o ICE, à limitação do uso de centros de detenção privados e ao fortalecimento de mecanismos de prestação de contas. Paralelamente, organizações da sociedade civil continuam a documentar abusos, oferecer assistência jurídica a pessoas migrantes e manter a atuação da agência sob escrutínio público, apesar das dificuldades impostas por um aparato estatal cada vez mais robusto.

A trajetória do ICE evidencia como a política migratória dos Estados Unidos tem sido moldada por sucessivos ciclos de endurecimento, nos quais a agência passa a ocupar um espaço cada vez mais central no aparato estatal. A consolidação de uma abordagem securitária no atual governo de Trump reforça esse movimento, mantendo o órgão como um dos principais instrumentos de controle migratório e aplicação coercitiva das leis de imigração.

O debate em torno do ICE expressa ainda uma disputa mais ampla sobre o lugar das pessoas migrantes na sociedade estadunidense e sobre os limites do poder estatal quando a migração é tratada prioritariamente como questão de ‘segurança’.

Recuo?

As mortes de cidadãos natos dos Estados Unidos ocorridas em Minneapolis levaram o governo Trump a anunciar o encerramento do que chama de ‘operação especial’ na cidade. Assim foi anunciado por Tom Homan, encarregado para questões de fronteira e enviado do presidente à cidade.

A mudança de tom pode ser creditada a dois fatores. Um deles foi a ameaça de um novo ‘shutdown’ nome dado à paralisação do governo por falta de verbas aprovadas pelo Congresso. Isso porque parlamentares do Partido Democrata (de oposição) ameaçam não aprovar o orçamento federal com verba extra para o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), responsável pelo ICE.

Também contribuem para isso as eleições legislativas que vão acontecer no final deste ano – as chamadas ‘midterms’, que renovam o Congresso dos Estados Unidos. Segundo dados divulgados pela AP-NORC, 60% dos eleitores entrevistados dizem que Trump ‘foi longe demais’ com sua repressão aos migrantes – ou seja, uma popularidade em queda pode gerar impacto direto no pleito e mudar a correlação de forças no cenário político local.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://migramundo.com/ice-simbolo-da-repressao-de-trump-a-migrantes-e-alvo-da-resistencia-civil-nos-eua/


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

As grandes civilizações africanas - Império de Axum

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR

 

'Durante o período que chamamos de Idade Média até o início da Idade Moderna que classificam a História Europeia (séculos V ao XV), poderosos Estados se desenvolveram na África Ocidental. Por sua enorme riqueza, tornaram-se o principal eixo de comércio entre o Mar Mediterrâneo e o interior da África. Vários deles deram origem a algumas das modernas nações africanas e também influenciaram a cultura e a religião de outras realidades como o Brasil.

Alguns dos reinos existentes na África podiam se rivalizar com qualquer uma das grandes civilizações que existiram no Oriente Médio ou Extremo Oriente. Uma dessas civilizações foi formada pelo Império de Axum.

Império de Axum

O Império de Axum (ou Aksum) foi uma antiga e poderosa civilização africana localizada na região também conhecida como ‘Chifre da África’, norte da atual Etiópia e Eritreia, abrangendo o Djibuti e partes do Sudão, estendendo-se até o sul da Arábia. 

 O Império floresceu entre 100 e 940 d.C., transformando-se aos poucos num importante centro comercial entre o Egito, o Mar Vermelho e a Índia, famoso por sua riqueza.

O Império desenvolveu sua própria escrita, cunhou as próprias moedas e sua capital, Axum, se transformou num grande mercado e centro cultural. Em seu apogeu, Axum foi o principal centro de comércio entre o vale do Rio Nilo e os portos do mar Vermelho, sendo um importante ponto na rota comercial entre o Império Romano e a Índia.

No século IV, já haviam se transformado no Estado de maior expressão do reino da Núbia e, por conta das relações com o mar Vermelho, local de articulação entre populações africanas e árabes, adotaram o cristianismo, que se espalhou em boa parte do território sob o domínio romano, inclusive no Egito.

A cidade de Axum, localizava-se num planalto, acima do nível do mar e longe do litoral, o que facilitava a sua defesa, conseguindo ainda um grande aproveitamento dos recursos minerais, desenvolvendo o cultivo de cereais como a cevada e o sorgo e o Tefé que até os dias atuais compõe a base da alimentação das populações etíopes.

Como controlava algumas das rotas comerciais cruciais do Mar Vermelho, trocando marfim, ouro, incenso e escravos por luxos romanos como tecidos e vinho e asiáticos como especiarias e seda usados, sobretudo, pela nobreza do império, isso garantiu um grande esplendor de vida.

No império o poder era centralizado, e isso facilitava a construção de palácios e outras obras como estátuas e obras de devoção encontradas. Vestígios deste Império mostram que era uma sociedade complexa, hierarquizada e diversa, que tinha como representante máximo o título de negus.

Era comparado a grandes impérios como Roma e Pérsia, sendo uma das quatro maiores potências mundiais em seu auge.

O declínio do império começou a partir do século VII, devido à ascensão do poder árabe muçulmano no comércio do Mar Vermelho e conflitos internos. 

Legado :

Segundo uma tradição religiosa não confirmada, Axum é o suposto local onde estaria guardada a Arca da Aliança com as tábuas dos Dez Mandamentos. A língua falada no império se transformou na língua litúrgica da Igreja Etíope. Axum é também o suposto lar da rainha de Sabá, mencionada na Bíblia, ainda que outras versões, apontem o atual Iêmen como o local de origem da rainha.

Sua herança influenciou o desenvolvimento posterior do Reino da Abissínia e sua cultura cristã única na África Oriental, com a cidade de Axum, localizada no norte da Etiópia, ainda sendo um importante centro espiritual.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2026-01/foco-historia-grandes-civilizacoes-africanas-imperio-axum.html

 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

As grandes civilizações africanas - Império Zimbábue

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR


‘Durante o período que chamamos de Idade Média que classifica a História Europeia (séculos V ao XV), poderosos Estados se desenvolveram na África Ocidental e por sua enorme riqueza, tornaram-se o principal eixo de comércio entre o Mar Mediterrâneo e o interior da África.

Alguns dos reinos existentes na África podiam se rivalizar com qualquer uma das grandes civilizações que existiram no Oriente Médio ou Extremo Oriente. Uma dessas civilizações foi formada pelo Império Zimbábue.

Império Zimbábue

O Império Zimbábue existiu mais ou menos entre os anos de 1200 e 1400, no litoral da África Austral, onde hoje estão localizados Moçambique e o próprio Zimbábue. O território era povoado por populações do tronco linguístico banto, conhecidos como shonas.

O Império do Zimbábue floresceu entre os séculos XI e XV, formando um poderoso reino no sul da África, centrado na capital Grande Zimbábue, famosa por suas impressionantes construções de pedra erguidas sem argamassa, sendo a maior estrutura de pedra pré-colonial da África Austral. 

O Reino de Zimbábue foi formado pelos shonas, um povo falante da lingua banto que havia inicialmente migrado para a África meridional a partir do século II d.C.

Os vestígios materiais desse império foram encontrados somente no século XIX e a principal marca encontrada foi o Grande Zimbábue ou Grande Casa de Pedra, uma construção enorme, complexa, sinal que demonstra ostentação e poder.

Este Império ficou conhecido por seu grande número de construções que são testemunhos do poder alcançado por ele. Foi um poderoso Estado com hegemonia na região localizada entre os rios Zambeze e Limpopo.

Estado poderoso

Formando um Estado poderoso e influente, atuava no comércio de minérios e seus governantes recebiam o título de Mwene Mutapa, mesma coisa que senhor das minas. Havia uma divisão social do trabalho bem estabelecida, com artesãos especializados no trabalho com cobre e ferro, ourives, escultores e tecelões.

A economia prosperou com o comércio de ouro, marfim e ferro, negociando com mercadores árabes, chineses e indianos. Sua sociedade era organizada com um rei e uma aristocracia, sustentada por uma vasta rede de estados tributários.

O império declinou por volta de 1450 devido a fatores como esgotamento de recursos e mudanças climáticas, levando à ascensão de outros reinos como o Monomotapa. 

Fatores ambientais como o desmatamento, solo enfraquecido, exaustão de recursos também contribuíram no processo de decadência.

O Império Monomotapa (ou Mutapa) e, mais tarde, o Império Rozvi, surgiram em seu lugar, mantendo a influência na região, que ainda se beneficiaria do comércio, mas com desafios crescentes devido à interferência europeia. 

Antes da chegada dos europeus, portugueses ao longo do século XV e dos colonos ingleses no século XIX, liderados por Cecil Rhodes de onde surgirá o nome de Rodésia, a região onde hoje é o Zimbábue era habitada pelos povos shona e ndebeles (zulus), sendo o império muito influente numa vasta região

O nome do país moderno, Zimbábue, é uma homenagem a este antigo e avançado império.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2026-01/foco-historia-grandes-civilizacoes-africanas-imperio-zimbabue.html

 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Há luzes e sombras na liberdade religiosa nos EUA, dizem bispos

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo de Giovanni Zavatta


‘Luzes e sombras, medidas encorajadoras apoiadas por decisões da Suprema Corte, mas também questões críticas preocupantes, como o aumento contínuo da polarização e da violência política: o relatório sobre o estado da liberdade religiosa nos Estados Unidos, publicado em 17 de fevereiro pelo Comitê competente da Conferência Episcopal Católica, alterna avaliações favoráveis ​​e decididamente negativas.

O documento resume os desdobramentos (até 2025) de questões nacionais e políticas federais que impactam a liberdade religiosa, incluindo o papel da fé na vida pública do país e os desafios e oportunidades atuais. Esses desenvolvimentos, enfatiza o relatório, estão ocorrendo enquanto os Estados Unidos se preparam para celebrar o 250º aniversário da Declaração de Independência em 4 de julho : um momento oportuno para refletir sobre como esses ideais e valores cristãos moldaram a cultura americana.

A este respeito, os bispos decidiram consagrar a nação ao Sagrado Coração de Jesus no final da Assembleia Plenária do episcopado em junho (provavelmente no dia 12, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus).

Aumento da violência política e da polarização 

O relatório identifica seis áreas de fundamental importância: violência política e antirreligiosa; condições injustas em subsídios federais e falta de prestação de contas do governo; acesso aos Sacramentos para detidos pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) e fiscalização da imigração em locais de culto; liberdade de escolha escolar e crédito tributário federal para bolsas de estudo; revogação de disposições que impedem organizações religiosas de participar de programas governamentais; e maior combate à ideologia de gênero.

O arcebispo Alexander King Sample, de Portland, Oregon, presidente do Comitê para a Liberdade Religiosa, resume os principais pontos no prefácio. Talvez o mais preocupante seja o aumento contínuo da violência política. A polarização há muito lamentada pelos bispos parece estar resultando em ataques graves. E o sentimento e a retórica antissemitas dentro das instituições tradicionais parecem estar em ascensão.

Além disso, o arcebispo Sample observa que ‘a abordagem agressiva do governo na aplicação das leis de imigração gerou preocupações sobre a frequência à igreja, reduzindo a participação nas Missas e levando alguns bispos a isentar os fiéis da observância do domingo’.

Entre outras coisas, o Departamento de Segurança Interna revogou as diretrizes que exigiam que, na ausência de circunstâncias excepcionais, os agentes de imigração obtivessem aprovação da sede da agência antes de realizar verificações em ou perto de áreas protegidas, como hospitais, escolas e igrejas. ‘Grande parte da nossa vida nacional é marcada por inimizade e conflito’, comenta o prelado com amargura, referindo-se a ‘ataques e represálias’ que também tiveram como alvo representantes católicos e a atentados a bomba e tiroteios que interromperam algumas cerimônias religiosas.

Não faltam desenvolvimentos favoráveis

A Conferência Episcopal destaca prontamente os desenvolvimentos positivos. No primeiro ano de seu segundo mandato, o presidente Donald Trump criou uma Comissão sobre Liberdade Religiosa e, posteriormente, emitiu uma ordem executiva exigindo que as agências federais revogassem os regulamentos que impedem as organizações religiosas de participar plenamente de programas que visam o bem comum.

O Congresso também aprovou um projeto de lei que, ‘embora deficiente em muitos aspectos’, inclui uma disposição que pode abrir caminho para uma expansão significativa da escolha escolar.

O relatório também cita várias decisões da Suprema Corte que receberam o apoio da Igreja Católica, como a que reconhece o direito dos pais de isentar seus filhos de programas de escolas públicas sobre identidade de gênero e sexualidade quando estes entram em conflito com as crenças religiosas da família, ou a que se recusou a estabelecer pessoas transgênero como uma categoria ‘igualmente protegida’.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2026-02/estados-unidos-bispos-liberdade-religiosa-luzes-sombras.html

 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O silêncio como vocação: o testemunho de monges e carmelitas em um mundo marcado pelo ruído

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
O silêncio e a oração fazem parte da rotina diária da vida monástica.  (ANSA)

*Artigo de Matheus Macedo


‘O Papa Leão XIV recorda, nesta Quaresma, a importância de cultivar a escuta e moderar as palavras, destacando que ‘a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro’. O convite do Pontífice toca uma dimensão cada vez mais desafiadora na vida contemporânea : o silêncio.

Em uma sociedade marcada pelo excesso de estímulos, notificações constantes e hiperconectividade, permanecer em silêncio tornou-se incomum. No entanto, para comunidades religiosas como os carmelitas e os cistercienses, o silêncio não é apenas uma prática ocasional, mas um verdadeiro estilo de vida : um caminho cotidiano de encontro com Deus e de amadurecimento interior.

O silêncio como caminho de união com Deus no Carmelo

Na espiritualidade carmelitana, o silêncio é parte essencial da vocação. Mais do que ausência de sons, ele é compreendido como uma atitude interior que permite viver continuamente na presença de Deus.

‘O silêncio e a oração na vida dos carmelitas não são apenas a ausência de barulho, mas um estilo de vida e um caminho interior de união com Deus’, explica Frei Emerson, da Ordem dos Carmelitas Descalços. Inspirados por santos como Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, os carmelitas buscam cultivar uma vida interior profunda, onde a escuta se torna fundamental.

Essa vivência nasce da oração e da contemplação, que formam o núcleo da espiritualidade do Carmelo. Frei Higor Fernandes de Oliveira, O.Carm, explica que a própria identidade carmelitana está ligada a esse movimento interior : ‘Somos chamados a subir ao monte da oração, contemplar Jesus e depois descer para testemunhar no mundo aquilo que vimos e ouvimos na intimidade com Ele’.

Segundo o religioso, o silêncio carmelitano é antes de tudo interior. ‘Trata-se de fazer silenciar o barulho dentro de nós, para que a realidade possa aparecer como ela é, e para que possamos escutar a voz de Deus’, afirma.

Essa experiência, no entanto, contrasta com o ritmo da sociedade atual. Frei Emerson observa que o excesso de ruído e a necessidade constante de conexão dificultam esse encontro interior. ‘Se não estou conectado, parece que não existo. Por medo, muitas vezes fugimos da nossa própria interioridade’, diz. Como consequência, surgem ansiedade, vazio e dificuldade de experimentar a presença de Deus.

O silêncio vivido no coração da vida monástica cisterciense

Entre os monges cistercienses, o silêncio também ocupa um lugar central, estruturando a própria rotina do mosteiro.

Na Abadia da Santa Cruz, em Itaporanga (SP), os monges organizam o dia em torno de momentos de oração comunitária, oração pessoal, trabalho e estudo, sempre permeados pelo silêncio. Essa prática encontra suas raízes na Regra de São Bento, que orienta a vida monástica há séculos.

‘O silêncio é uma dimensão essencial da nossa vida, pois nos ajuda a dar sentido à oração e àquilo que vivemos. Ele é uma oferta de amor a Deus e aos irmãos’, explica Ir Elredo, monge cisterciense.

Nesse contexto, o silêncio não é isolamento, mas uma forma de comunhão. Ao silenciar, o monge se torna mais disponível à escuta de Deus e mais atento à realidade.

‘O silêncio permite que acessemos aquilo que é essencial, a voz de Deus que nos chama no hoje da nossa vida’, afirma.

Um testemunho contracultural em meio ao ruído do mundo

A escolha pelo silêncio nas tradições monásticas revela um contraste com a realidade contemporânea, marcada pelo excesso de palavras e pela dificuldade de escutar.

Frei Higor, O. Carm, observa que o barulho exterior reflete um coração inquieto. ‘Muitas pessoas deixam-se hipnotizar pelo ruído do mundo e pela busca de uma felicidade superficial. Isso impede o encontro consigo mesmas, com o outro e com Deus’, afirma.

Ir Elredo também aponta para uma crise mais profunda. ‘Vivemos em uma sociedade em que as pessoas estão cada vez mais voltadas para si mesmas. O silêncio e a escuta se tornam desafiadores porque nos obrigam a enfrentar quem realmente somos.’

Essa reflexão ecoa o ensinamento do Papa Bento XVI, que destacou a importância do silêncio como parte essencial da comunicação : ‘O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos melhor e compreendemos com maior clareza.’

A Quaresma como um convite a redescobrir o silêncio

Neste contexto, a Quaresma surge como um tempo privilegiado para redescobrir o valor do silêncio e da escuta.

Frei Emerson, OCD, descreve esse período como uma oportunidade concreta de recolhimento : ‘A Quaresma pode ser vivida como um grande retiro, um tempo de conversão e de escuta de Deus no silêncio.’

Também para os monges cistercienses, esse tempo tem um significado especial. ‘A Quaresma nos convida a reencontrar o Deus que nos chama à comunhão. O silêncio nos ajuda a corresponder a esse chamado com um coração aberto’, explica Ir Elredo.

Mais do que uma prática reservada aos mosteiros, o silêncio pode ser cultivado na vida cotidiana. ‘Mesmo em meio ao trânsito ou às atividades diárias, é possível viver o silêncio interior quando o coração está em paz’, afirma o monge.

Frei Emerson, OCD, sugere passos concretos: reservar momentos de silêncio, reduzir o uso de redes sociais, cultivar a oração e aprender a escutar antes de falar.

O silêncio que abre espaço para Deus e para o outro

O testemunho das comunidades carmelitas e cistercienses revela que o silêncio não é vazio, mas um espaço de encontro. É nele que o ser humano reencontra a si mesmo, redescobre o outro e se abre à presença de Deus.

Bento XVI sintetiza essa realidade : ‘Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação e nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora.’

Neste tempo de Quaresma, o convite da Igreja é também um convite à escuta. Em meio ao ruído do mundo, o silêncio permanece como um caminho possível — e necessário — para redescobrir aquilo que é essencial.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2026-02/silencio-com-vocacao-e-o-tempo-da-quaresma.html

 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

A Eucaristia no centro

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo do Padre Antonio Jackson, sss

 

No centro e em toda a história da salvação 

‘A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo, seu Senhor, não como um dom, por precioso que ele seja, entre muito outros, mas como o dom por excelência, porque Ele é o dom de si mesmo, da sua Pessoa na sua santa humanidade e da sua obra de salvação.’ (João Paulo II)

São João Paulo II concluiu e coroou seu longo pontificado durante o Ano da Eucaristia, que ele instituiu na sequência da sua Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia. O Pontífice queria reavivar no coração da Igreja a admiração pelo dom por excelência, da sagrada Eucaristia, e suscitar uma renovação da adoração desse Sacramento que contém a própria Pessoa do Senhor Jesus na sua humanidade. 

Esse dom por excelência foi longamente preparado por Deus na história da salvação. A Eucaristia recapitula e coroa, com efeito, uma multidão de dons de Deus feitos à humanidade depois da criação do mundo. Ela leva à sua realização o desígnio de Deus de estabelecer uma aliança definitiva com a humanidade; apesar de ser uma história trágica de pecado e de rejeição que permanece desde as origens, Deus instaura concretamente, por esse Sacramento, a nova aliança selada no sangue de Cristo. Essa aliança sela definitivamente uma longa história da aliança entre Deus e o povo nascido de Abraão, nosso pai na fé. Como a celebração da Páscoa judaica no tempo da promessa, a sagrada Eucaristia acompanha a peregrinação do povo de Deus na história da nova aliança. Ela é um memorial vivo do dom que Jesus Cristo fez do seu corpo e do seu sangue para resgatar a humanidade do pecado e da morte e comunicar-lhe a vida eterna.

Na sua liturgia e oração milenares, o povo judeu aprendeu a celebrar a grandeza do seu Deus santo, criador e libertador. A Páscoa esteve sempre no centro da liturgia, que recorda de geração em geração o acontecimento do êxodo : ‘Esse dia vos servirá de memorial’ (Ex 12,14).

Celebrada por gerações de crentes, ela se relaciona com o acontecimento fundador da primeira aliança : a saída do Egito do povo hebreu e a passagem do mar Vermelho graças à intervenção do Senhor Deus : ‘Israel viu a mão poderosa com que o Senhor atuou contra o Egito. O povo temeu o Senhor, e acreditou nele e em Moisés seu servo’ (Ex 14,31). Esse acontecimento fundacional iria ser selado no Sinai pelo dom sagrado da lei e pelo compromisso do povo : ‘Eis o sangue da aliança que o Senhor concluiu convosco, mediante todas estas palavras’ (Ex 24,8). E o povo respondeu : ‘Tudo o que o Senhor disse, nós o poremos em prática’ (Ex 19,8).

Essa primeira ‘passagem’ duma parte da humanidade da escravidão para a liberdade anunciava e preparava a intervenção decisiva do Deus vivo e Pai em favor da humanidade, o envio da sua última Palavra, pessoal e definitiva, na encarnação do Verbo. Então, num momento particular da história humana, ‘A graça de Deus manifestou-se para a salvação de todos os homens’ (Tt 2,11). A memória reconhecida da Igreja proclama-o : ‘De tal modo amastes o mundo, Pai santo, que, chegada a plenitude dos tempos, enviastes a nós como Salvador o vosso Filho Unigênito’ (Oração Eucarística IV).

A vinda do Verbo à nossa carne marca o cume do dom que Deus faz de si mesmo : ‘Muitas vezes e de muitos modos falou Deus aos nossos pais nos tempos antigos, por meio dos profetas. Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por meio de quem fez o mundo’ (Hb 1,1-2). A Epístola aos Hebreus mostra que a encarnação do Filho de Deus e a oferenda sacrificial da sua vida fundam e estabelecem o culto da nova aliança no seu sangue. Esse culto, instaurado por Jesus Cristo, leva a seu cumprimento os esboços do culto da primeira aliança, oferecendo um só sacrifício, válido uma vez por todas, mas diferente dos sacrifícios de animais da antiga lei, porque é o sacrifício do Cordeiro sem mancha, ‘(…) que se oferece ao Pai no Espírito eterno (…) para que prestemos culto ao Deus vivo’ (Hb 9,14). Esse culto eterno Cristo torna-o presente em nosso tempo e em nosso espaço pela sagrada Eucaristia, cume do dom de Deus, Verbo feito carne e Espírito vivificante na origem do culto da nova aliança.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/a-eucaristia-no-centro-2.html

 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Papa: na Quaresma, abster-se de palavras que ferem o próximo

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Bianca Fraccalvieri


‘Um jejum de palavras ofensivas : este é o convite do Papa Leão XIV aos fiéis que se preparam para viver a Quaresma, ‘tempo em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida’.

Para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano, o Pontífice recorda que é preciso empreender o caminho de conversão, que começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito.

Escutar

Este ano, o Papa destaca, em primeiro lugar, a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, ‘pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro’.

Escutar a Palavra na liturgia, escreve o Pontífice, nos educa para uma escuta mais verdadeira da realidade. ‘Entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta.’

Jejuar

Se a Quaresma é um tempo de escuta, prossegue o Papa, o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Por implicar o corpo, é útil para discernir e ordenar os ‘apetites’, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.

No entanto, adverte o Santo Padre, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade e deve incluir também outras formas de privação.

Leão XIV então convida os fiéis a uma forma de abstinência ‘muito concreta e frequentemente pouco apreciada’, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo.

‘Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias.’

Em vez disso, o Papa propõe aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social e nas comunidades cristãs. ‘Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.’

Juntos

O Pontífice conclui recordando que a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum.

‘As nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento.’

O Papa encerra sua mensagem exortando os fiéis a pedirem a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos.

‘Peçamos a força de um jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor. De coração, abençoo todos vocês e o seu caminho quaresmal.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2026-02/papa-leao-xiv-mensagem-quaresma-2026-jejum-palavras.html


domingo, 15 de fevereiro de 2026

O ano litúgico de 2026

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Antonio Ferreira, cmf


Ano A : Um caminho `a Luz do Evangelho de Mateus 

‘O ano litúrgico de 2026, correspondente ao Ano A, conduz toda a Igreja a uma imersão renovada no Evangelho segundo Mateus, texto que ocupa um lugar privilegiado na tradição cristã e que, de maneira profundamente catequética, apresenta Jesus como o Messias esperado e o Mestre definitivo. A cada domingo, a liturgia oferece à comunidade passagens que revelam a identidade de Cristo, a natureza do Reino de Deus e as exigências da vida discipular. Nesse contexto, Mateus se torna um guia seguro para quem deseja compreender mais plenamente a missão de Jesus e o sentido do seguimento cristão.

Estrutura catequética : Os cinco grandes discursos

 Um dos traços mais marcantes do Evangelho de Mateus é sua estrutura cuidadosamente organizada. Após o relato da infância, o evangelista dispõe sua obra em torno de cinco grandes discursos, que ecoam simbolicamente os cinco livros da lei (Pentateuco). Assim, Mateus apresenta Jesus como o novo Moisés, o intérprete autorizado da vontade divina. Esses discursos são :

  • o Sermão da Montanha (Mt 5-7), verdadeiro manifesto do Reino, em que Jesus propõe um caminho de justiça superior, fundada na misericórdia, na pureza de coração e na vivência radical do amor;
  • O discurso missionário (Mt 10), que envia os discípulos a anunciar o Reino, confiando totalmente em Deus e enfrentando com coragem os desafios da missão;
  • O discurso das parábolas (Mt 13), no qual Jesus revela, por imagens e comparações, o dinamismo misterioso e fecundo do Reino de Deus;
  • O discurso eclesial (Mt 18), que traz orientações para a vida comunitária, destacando o perdão, o cuidado com os pequenos e a responsabilidade fraterna;
  • O discurso escatológico (Mt 24-25), que ilumina a esperança cristã e convida à vigilância, culminando com a parábola do juízo final, em que somos chamados a reconhecer Cristo nos irmãos mais pobres.

Jesus, o Emanuel : O cumprimento das promessas

Em todo o Evangelho, Mateus salienta que Jesus é o cumprimento das Escrituras. Frequentemente, cita o Antigo Testamento para mostrar que a vida e a missão de Cristo não são um improviso, mas a realização das promessas feitas por Deus ao seu povo. Desde o nascimento, quando o evangelista proclama que Jesus é o Emanuel, ‘Deus conosco’, até a ressurreição, com a promessa final de sua presença contínua, Mateus convida os discípulos a reconhecerem que, em Jesus, Deus habita no meio da humanidade.

A comunidade como sinal do Reino

Outro aspecto fundamental em Mateus é a centralidade da vida comunitária. Para ele, seguir Jesus implica viver reconciliado, praticar o perdão e assumir responsabilidades mútuas. O Evangelho evidencia a missão confiada à Igreja : ser espaço de acolhida, de correção fraterna e de anúncio. A figura de Pedro, destacada em alguns momentos, recorda a importância do serviço e da unidade, enquanto o cuidado com os pequenos e os vulneráveis revela o verdadeiro rosto do Reino.

A universalidade da salvação

Embora profundamente enraizado na tradição judaica, Mateus sublinha a abertura universal da mensagem de Jesus. Os magos vindos do Oriente, logo nos primeiros capítulos, antecipam o que será plenamente revelado no fim do Evangelho : ‘Fazei discípulos de todas as nações’ (Mt 28,19). Assim, o Ano A é também um convite a renovar o ardor missionário, compreendendo que a Boa-Nova é destinada a todos os povos.

Um caminho de conversão e maturidade espiritual

Ao longo de 2026, a liturgia proporá leituras que destacam a justiça, a misericórdia, a coerência e a opção pelos pobres. O Evangelho de Mateus é exigente, mas profundamente consolador : chama à conversão interior, mas revela também a paciência e a compaixão de Deus. Nesse itinerário, a comunidade é convidada a amadurecer a fé, fortalecer a esperança e testemunhar a caridade.

Assim, o ano litúrgico de 2026, guiado pelo Evangelho de Mateus, torna-se verdadeira escola de discipulado. Nele, a Igreja aprende a reconhecer a presença amorosa de Cristo, a meditar sua Palavra e a renovar o compromisso missionário, caminhando com confiança rumo ao Reino que já se faz presente entre nós.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/o-ano-litugico-de-2026.html