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segunda-feira, 26 de setembro de 2022

A Igreja Católica precisa repensar o papel dos padrinhos

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Ted Kennedy Jr

Tradução : Ramón Lara


No ano passado, aos 59 anos, escolhi uma nova madrinha.

Um ano antes, minha madrinha e tia, Jean Kennedy Smith, havia falecido, Jean e eu construímos uma vida inteira de memórias e confidências, trabalhamos de perto para expandir as oportunidades artísticas para pessoas com deficiência, e sua perda me deixou diante de um vazio emocional e espiritual.

Meu relacionamento com Jean não poderia ser substituído, mas era importante para mim construir outro relacionamento único com alguém que incorporasse integridade, uma profunda espiritualidade e uma profunda gratidão pela vida. Gradualmente, uma imagem de uma potencial nova madrinha se formou na mente : minha tia Ethel Kennedy.

Minha tia Ethel e eu compartilhamos um vínculo especial há muito tempo. Nossos jantares juntos são recheados de histórias e seguidos de canções. (Ethel adora quando canto um sucesso atual da Broadway ou uma velha balada) Adoramos velejar juntos no Nantucket Sound, e finge surpresa quando peço para assumir o leme, o que sempre faço. Nós rimos juntos e choramos juntos. Sempre valorizei profundamente sua perspectiva e orientação únicas, especialmente em momentos difíceis e dolorosos. Sinto que minha tia Ethel possui mais sabedoria, compaixão, fé, gratidão e aceitação do que qualquer outra pessoa que conheço.

No entanto, hesitei em pedir que assumisse esse novo papel. Como matriarca de nossa família, minha tia Ethel tem muitas outras responsabilidades familiares. E ela tem muitos filhos, netos e bisnetos que já exigem seu amor e atenção. Eu não queria sobrecarregá-la ou aumentar sua longa lista de obrigações.

Mas quanto mais pensava nisso, mais percebia que era a única pessoa em minha vida que incorporava o tipo de fé que mais admiro e respeito. Resolvi escrever uma carta e convidá-la para ser minha madrinha.

Certa noite, antes de um de nossos jantares à beira da lareira, decidi ler a carta em voz alta. Tia Ethel estava sentada em seu lugar habitual em seu sofá azul, com seu cachorro, Rascal, descansando ao seu lado. Levantei-me e tirei a carta manuscrita do bolso da camisa. Limpei minha garganta. Com lágrimas começando a brotar em meus olhos, li minha carta para ela. Expliquei o quanto a amava e estimava, e como esperava que ela considerasse esse novo e especial papel de madrinha.

Eu nunca vou esquecer o amor e a emoção que nós dois sentimos quando ela aceitou com entusiasmo. Eu estava sobrecarregado de alegria.

Minha tia Ethel sugeriu que de alguma forma formalizássemos nosso novo relacionamento e eu concordei. Convidamos nossa família e alguns amigos próximos para assistir à missa juntos, após o que ambos demos um testemunho de amor um pelo outro, bem como nossas esperanças para nosso novo relacionamento espiritual. (Fomos abençoados por ter Matt Malone, S.J., da America Media, para celebrar esta cerimônia) Concluímos o culto pedindo a todos os presentes que se unissem para renovar nossas promessas batismais, que nos uniram e reafirmaram nosso relacionamento com nossa comunidade cristã maior.

Um novo começo

Ao compartilhar esta história com um grupo mais amplo de familiares e amigos católicos, muitos ficaram surpresos ao saber do meu status de novo afilhado. Eles nunca imaginaram que fosse possível, quando adultos, escolher um novo padrinho depois de perder um antigo. Também compartilhei minha história com vários padres. Eles me disseram que não conseguiam se lembrar de um único caso em que um adulto convidou alguém para se tornar seu novo padrinho.

Alguns dos meus amigos descreveram o luto pela perda de seus padrinhos, por morte ou desconexão, enquanto outros não se lembram de ter conhecido seus padrinhos. É um papel que significa coisas diferentes para pessoas diferentes, mas a Igreja Católica tem uma compreensão específica disso. Para batismos infantis, normalmente um padrinho é um amigo próximo ou parente dos pais da criança. Eles são escolhidos para testemunhar o batismo de uma criança e devem orientar a criança em seu desenvolvimento de caráter e formação espiritual. E na igreja primitiva, os padrinhos juravam assumir a responsabilidade legal e financeira por seu afilhado em caso de negligência ou morte dos pais.

Contudo, muitas vezes, entendemos que a relação padrinho/afilhado se estende apenas até a infância do afilhado. Acredito que nossa comunidade católica precisa expandir nossa noção atual desse relacionamento sagrado para aqueles de nós batizados quando crianças, a fim de enfatizar que o papel é aquele que dura e é necessário por toda a vida. Se não fizermos isso, estaremos perdendo uma enorme oportunidade de fortalecer nossos laços espirituais e intergeracionais.

A necessidade e o desejo de orientação espiritual, amor, apoio e orientação pessoal não terminam quando atingimos a idade adulta. Todos nós continuamos a precisar de ajuda com decisões difíceis e desafios pessoais ao longo de nossas vidas. Quando o papel ativo de um padrinho termina, seja por apatia, distanciamento ou morte, devemos nos sentir à vontade para pedir a outra pessoa que assuma esse papel. É uma bela maneira de reconhecer, homenagear e celebrar um indivíduo que já abriu seu coração e, ao abraçar esse novo papel, pode fazer uma diferença importante. Minha experiência em forjar esse novo relacionamento já aprofundou meu relacionamento com minha nova madrinha e fortaleceu meu senso de conexão com minha fé católica.

Isso não quer dizer que nosso relacionamento mudou de repente em um curto período de tempo. Mas há definitivamente um novo sentimento de união e um senso mais profundo de confiança. Há uma segurança e conforto que vem de poder falar honestamente e ser vulnerável com alguém no contexto desse relacionamento. Tia Ethel compartilhou comigo que ela sente o mesmo.

Há muitas maneiras pelas quais a Igreja Católica pode procurar expandir nosso conceito atual e muitas vezes limitado de padrinho, quer isso signifique ajudar as pessoas a encontrar novos padrinhos entre uma comunidade paroquial, celebrar uma missa para padrinhos e afilhados ou oferecer palestras sobre a história, o futuro e o significado do papel de guia. Mas não precisamos esperar por uma mudança institucional para dar esse passo. Se está faltando um padrinho, você pode pensar em homenagear uma pessoa em sua vida com um convite para esse novo relacionamento agora mesmo. Todos os membros de nossa comunidade de fé merecem a chance de procurar e identificar um mentor espiritual e uma presença respeitada e amorosa.

Hoje em dia, minha tia Ethel e eu ainda fazemos as mesmas coisas que sempre fizemos, compartilhando jantares e músicas, esperanças e sonhos, mas esses momentos juntos agora parecem ainda mais especiais, porque agora compartilhamos esse vínculo único um com o outro.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://domtotal.com/noticias/?id=1589499

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Como saber se você está sendo orientado(a) pelo Espírito Santo

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Philip Kosloski,

escritor e designer gráfico


‘Nós sempre pedimos a orientação do Espírito Santo, em vários momentos da nossa vida, especialmente quando precisamos tomar uma decisão importante.

No entanto, às vezes nos frustramos, pois o Espírito Santo nem sempre nos dá uma orientação audível.

Mas como reconhecer a voz do Espírito Santo?

1. Reveja o estado da sua alma

Santo Inácio de Loyola fala sobre discernimento em seus Exercícios Espirituais, e observa que é importante compreender o estado de nossa alma antes de podermos reconhecer a voz de Deus.

Por exemplo, Inácio escreve que se a alma está se movendo de ‘bom para melhor’, o Espírito Santo pode nos cutucar ‘docemente’, com sentimentos de paz.

Por outro lado, se nossa alma está indo de ‘mal a pior’, então o oposto é verdadeiro. Neste caso, o Espírito pode parecer penetrante, tentando nos empurrar de volta na direção certa.

Precisamos ser honestos conosco e entender se estamos seguindo os mandamentos de Deus ou nos afastando deles.

2. Sentimentos de paz

Em geral, se estamos nos esforçando para nos aproximar de Deus, ele nos falará no silêncio de nossos corações com paz e alegria. Provavelmente não será na forma de um terremoto, relâmpago ou chamas de fogo, mas como Elias ouviu, em ‘voz mansa e delicada’.

Ao contemplar uma decisão que estamos prestes a tomar, se nosso coração estiver em paz, então o Espírito pode estar nos movendo nessa direção.

Se nosso coração estiver ansioso, isso pode ser um sinal de que o Espírito quer que reconsideremos nossa situação.

Nunca pare de invocar o Espírito Santo e abrir seu coração para qualquer coisa que ele tenha a lhe dizer.

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://pt.aleteia.org/2021/05/31/como-saber-se-voce-esta-sendo-orientadoa-pelo-espirito-santo/

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

A orientação política da Igreja

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


 Papa Francisco cumprimenta peregrinos durante audiência geral no Vaticano.
*Artigo de Mirticeli Dias de Medeiros,
jornalista e mestre em História da Igreja, uma das poucas brasileiras
credenciadas como vaticanista junto à Sala de Imprensa da Santa Sé


‘Por trás de toda a rejeição a Francisco está a ideia de que o papa deva ser de direita para poder ‘governar como se deve’. E não só : está a ideia de que a Igreja deva apoiar e sustentar os governos de direita, considerando-os ‘o mal menor’. Porém, as atitudes de muitos contradizem tal intenção. Em vez de mal menor, parece que as pessoas acreditam ter escolhido um bem absoluto e quase personificado.

É nessas horas que vemos o quanto as ideologias nocivas, instrumentalizando a doutrina da instituição para fins políticos, são capazes de causar grandes estragos. Criou-se uma geração de católicos que atacam o papa gratuitamente, muitos dos quais influenciados por formadores de opinião cuja preocupação não é defender a fé, mas aproveitar-se dela para chegar ao sentimento das pessoas.

Ninguém quer ir para o inferno elegendo um ‘governo comunista’, não é mesmo? Sendo assim, elejamos um ‘de direita’, independente do que venha no pacote. O próximo se torna o inimigo a ser combatido, não as mentalidades corrompidas, presentes em todos os espectros políticos. Tudo o que esvazia o sentido de ser cristão deveria ser denunciado, independente da bandeira que eu, de acordo com minha consciência, tenha assumido.

Comunistas!’, ‘Nazistas!’, ‘Fascistas!’ : gritos que expressam uma nostalgia totalitária sem fim, pautada por uma ignorância histórica e política sem precedentes. A extrema-direita denuncia a volta do comunismo (sem luta armada?), mas se esquece que, se continuar assim, a associação dela aos ideais fascistas passará a ser inevitável. Mussolini sabia da piedade popular de um povo e da força do catolicismo na Itália, e não perdeu a oportunidade de fazer uso disso para estabelecer sua estatolatria.

Tais católicos, desprovidos de uma formação humana e doutrinal consistentes, viram massa de manobra de uma engenharia política arquitetada por pseudo-iluminados. Não tenhamos dúvida : há muito dinheiro angariado com a difusão dessas cartilhas virtuais de teorias da conspiração, além de muito ‘peixe grande’ que, como Constantino ou Carlos Magno, não estão preocupados com evangelização ou difusão dos valores.

Um papa ser chamado de comunista por defender imigrantes ou acolher os homossexuais  algo incentivado pelo próprio catecismo da Igreja Católica  é só um dos sintomas desse devaneio que se instalou. Sendo assim, é por culpa dos católicos que os pilares do cristianismo foram reduzidos a meros ideais da esquerda. O papa é cristão, não de ‘esquerda’. Ele adotou um estilo pastoral, não uma ideologia política.

Vemos combatentes de uma guerra ideológica prontos para defender seus ‘correligionários’, não o próprio líder espiritual. E, mais do que nunca, é hora de denunciarmos tais posturas, folheando as páginas empoeiradas do compêndio da doutrina social da Igreja, a começar do artigo 424 : ‘A Igreja respeita a legítima autonomia da ordem democrática e não assume nem exprime preferências por uma ou outra solução institucional e constitucional’.


Fonte :