Mostrando postagens com marcador intransigência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador intransigência. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A pérola do deserto reanima-se

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
  
*Artigo de Fernando Félix, Jornalista, 
e Christian Media Center


O Mali reconstruiu os 14 mausoléus da cidade de Timbuctu que foram destruídos pelos extremistas islâmicos quando ocuparam o Norte do país em 2012. A pérola do deserto do Saara recobra parte do seu corpo, mas uma parte da alma do seu saber quase milenar já não vai renascer das cinzas.


‘Durante o conflito no Mali, entre 2012 e 2013, os extremistas islâmicos destruíram 14 dos 16 mausoléus da cidade de Timbuctu, Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1988.

Quando, naquele ano de 2012, um golpe de Estado depôs o presidente malinês democraticamente eleito, Amadou Toumani Touré, o consequente derrube do poder estatal deu ao grupo separatista tuaregue do Movimento Nacional de Libertação do Azauade (MNLA) a possibilidade de declarar unilateralmente a independência da parte norte do país. Estes dois acontecimentos precipitaram o surgimento de três grupos islamistas : Ansar Dine, MUJAO (Movimento para a Unidade e a Jihad na África Ocidental) e Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQIM). Estes grupos encontraram o caminho livre e, em poucos dias, conquistaram as cidades setentrionais do Mali, entre as quais Timbuctu, nas mãos dos tuaregues do MNLA. A partir desse momento, o grito de guerra santa ressoou por todo o Norte do país e, em particular, na histórica cidade malinesa, que foi meta de peregrinação para os fiéis muçulmanos da África Ocidental, centro da cultura islâmica entre os séculos XIII e XVII e se afirmou como foco cultural do mundo árabe, atraindo milhares de estudantes de todo o mundo. Os movimentos islamitas trataram de implantar um governo fundamentado numa interpretação rigorosa da lei islâmica – a sharia – nas zonas sob o seu controlo.

A capital religiosa e cultural malinesa foi sempre considerada o El Dorado do mundo árabe, ao ponto de na Europa se discutir a sua existência ou não até inícios de 1800, quando teve finalmente a prova, com o regresso do explorador francês René Caillé.

Dois séculos antes, em 1526, o diplomata, geógrafo e explorador mourisco Leão, o Africano, quando chegou a Timbuctu, escreveu encantado e fascinado com a beleza desta cidade com as cores do deserto do Saara : «Aqui havia uma grande quantidade de doutores, juízes, sacerdotes e outros homens de cultura […] Aqui chegaram diversos manuscritos e livros escapados da barbárie, que são vendidos a um preço mais alto do que qualquer outro bem.»

Não obstante, a beleza desta pérola do deserto não conseguiu travar a brutalidade da ideologia da guerra santa, segundo a qual «o dever do muçulmano é defender o Islã aniquilando os infiéis», como infundem os imãs (pregadores do culto islâmico) radicais. De fato, tudo o que, segundo eles, vai contra os princípios do fundamentalismo sunita tem de ser destruído – o sunismo deriva da palavra «suna» (sunna), que se refere aos preceitos estabelecidos no século VIII, baseados nos ensinamentos de Maomé e dos quatro califas ortodoxos.

Foi em nome deste fundamentalismo que, em Timbuctu, foram destruídos e vandalizados manuscritos antigos, mesquitas, mausoléus, santuários e tumbas sagradas dos pais fundadores da cidade, venerados por séculos como santos. A Unesco qualificou tais atos como trágicos e solicitou a todos os países envolvidos no conflito que atuassem com responsabilidade.

Graças à intervenção do Exército francês em apoio ao Governo do Mali, em Junho de 2013 assinou-se um acordo de paz entre o Governo e as forças tuaregues, que foi violado por diversas vezes, até nova assinatura em 20 de Fevereiro de 2015. Entretanto, a cidade de Timbuctu ficou livre dos fundamentalistas islâmicos e foi assim que, em Março de 2014, puderam ter início os trabalhos de reconstrução dos mausoléus destruídos. Fundamental foi também o apoio logístico da Missão das Nações Unidas no Mali (Minusma) e as ajudas internacionais, de Andorra, Bahrain, Croácia, ilhas Maurício, da Unesco e da União Europeia.

Se os monumentos recobram a vida, recorrendo mesmo à técnica artesanal da arquitetura feita de barro, o mesmo não sucederá com o conhecimento milenar e plural dos livros e manuscritos queimados.


Os monumentos de Timbuctu

No princípio do século XII, Timbuctu, situada na margem norte do rio Níger, era um acampamento temporário dos tuaregues, um povo nômade do deserto. Em finais do século XIII, já tinha crescido e o sultão do Mali mandou construir a torre da Grande Mesquita. Dois séculos mais tarde, já possuía três importantes mesquitas e uma prestigiada universidade, onde chegaram mais de 25 mil estudantes que ali encontravam os melhores professores de Teologia, Direito, Gramática, História ou Astrologia.

Atualmente, a cidade era já uma sombra do seu passado. No entanto, ainda havia reflexos da sua rica história, como a muralha de cerca de cinco quilômetros, as três mesquitas, a biblioteca famosa que guardava manuscritos e foi incendiada pelos islamitas, o centro de estudos Ahmed Baba, que tinha uma coleção de 20.000 manuscritos árabes antigos, o palácio Buctú, as residências dos exploradores, o museu Almansour Korey, o mercado, os 16 mausoléus de santos, a arquitetura feita de barro e as, também típicas e únicas no mundo, portas requintadamente trabalhadas, arte que requereu uma dedicação longa dos artesãos.

O grupo islamita Ansar al-Dine justificou a destruição dos mausoléus, dizendo que «os santuários são uma forma de idolatria, o que não é permitido pela lei do Islã». E a queima dos manuscritos tem por base uma crença já com os mesmos resultados ao longo da História : as bibliotecas seriam como um repositório das memórias, crenças, valores, fantasias, criações, histórias e sabedoria de pessoas, coisas que, ou não estão no Alcorão e, por isso, são obra dos infiéis, ou estão no Alcorão, e, portanto, estão a mais.’


Fonte :


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Bangladesh : Assassinado cooperador humanitário italiano



‘O cooperador humanitário, César Tavella, estava correndo quando três homens atiraram contra ele em um bairro de Daca, capital de Bangladesh. Os assassinos, que fugiram de moto, estão ligados a grupos de fundamentalistas islâmicos, visto que o assassinato foi reivindicado na internet por uma base local do Estado Islâmico (EI). A confiabilidade da mensagem está sendo investigada.

Tavella nasceu em Milão e trabalhava para a ONG holandesa ICCO Cooperation em um projeto no setor de agricultura e alimentação. Imediatamente ficou claro para a polícia local que o assassinato não foi uma tentativa de assalto’ : a vítima morreu antes de chegar ao hospital e havia consigo todos os seus pertences.

Teme-se agora outro ataque aos não-muçulmanos, como ameaçado pelo EI. Em Bangladesh estão presentes grupos jihadistas ligados à al-Qaeda e aos homens do califado que muitas vezes competem entre si. ‘Estamos preocupados com o crescimento da violência e do fundamentalismo no país e apelamos ao governo para que a situação não fique fora de controle’, disse à Agência Fides Dom Theotonius Gomes, bispo auxiliar de Daca, em nome da Conferência Episcopal. ‘Há uma apreensão geral com a presença do EI em Bangladesh - acrescentou -. Sabemos que é um fenômeno mundial e que grupos de militantes locais agora podem ser influenciados pela Estado Islâmico’.

Sobre a notícia do assassinato do italiano, o Bispo auxiliar de Daca destacou : ‘Estamos desapontados e amargurados. Como Igreja Católica, condenamos o gesto execrável e expressamos solidariedade à família e à nação italiana. Muitos funcionários do governo e líderes da sociedade condenaram o assassinato’.’ 


Fonte :
* Artigo na íntegra http://www.zenit.org/pt/articles/bangladesh-assassinado-cooperador-humanitario-italiano