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domingo, 8 de setembro de 2019

Curiosidades do casamento

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Os primeiros povos a utilizarem esses anéis foram os Egípcios, no séc. III a.C.
*Artigo de Evaldo D´Assumpção,
médico e escritor


‘Chegou setembro. Início da primavera, mês de casamentos. Ainda que afirmem o declínio desses eventos, não nos parece que seja uma realidade. Talvez o seu formato e a sacralidade dos matrimônios estejam passando por transformações, mas eles continuam existindo, e com certeza assim o será enquanto houver vida inteligente sobre a Terra.

Existem, porém, alguns detalhes e fatos dessas celebrações, que poucas pessoas conhecem em sua totalidade, e menos ainda do seu significado. Aliás, acredito mesmo que muitos ignoram a importância do casamento religioso, o que ele é, por que ele se realiza, e a razão de ser celebrado como o é, especialmente na Igreja Católica.  

Muitos casais não se preocupam com isso, nem o valorizam, contentando-se com a cerimônia civil, ou então fazendo apenas um evento social. Por isso, hoje multiplicam-se as empresas e profissionais para tal. E com esse ato, bastante teatral, objetivando especialmente os convivas e as colunas sociais, seus fautores lucram com isso, e os noivos e seus convidados se divertem bastante, acreditando que realmente houve um sacramento matrimonial. Bem, houve o espetáculo, mas não o sacramento.  

Mas, o que pretendo abordar nesse artigo não é uma crítica ou julgamento, apenas narrar dois detalhes dessa cerimônia, cujas razões e significados quase não são conhecidos.

Começo pelas alianças. Os primeiros povos a utilizar esses anéis foram os Egípcios, no século 3 a.C. Entre os hindus, na Índia, também havia o hábito de usá-los para simbolizar o casamento. Posteriormente, Alexandre, o Grande, conquistando o Egito conheceu esse hábito e introduziu-o entre os gregos, com o nome de diatheke, que significa relação mútua, acordo, união, pacto. Conforme os gregos, e depois os romanos, elas deveriam ser colocadas no quarto dedo da mão esquerda, no qual se pensava que havia a veia do amor, ligada diretamente ao coração. 

Eram feitas de ferro imantado, com a função de atrair e prender o coração do(a) companheiro(a) para sempre. Na acupuntura e no do in, métodos de terapia orientais e milenares, afirma-se que há um meridiano (que é onde fluem as energias internas) passando no dedo anular – nome que vem do latim anularis, anel – da mão esquerda, indo diretamente para o coração. É bom recordar que o coração sempre foi considerado a sede do amor.

A aliança era uma espécie de certificado de propriedade da noiva, que usando-a, demonstrava que já não estava disponível para outros interessados. No século 9º, o papa Nicolau I adotou-a como símbolo da união e felicidade entre casais, passando a ser obrigatório o seu uso no casamento cristão. Daí surgiram lendas, como a escocesa, de que a mulher que perdesse a aliança, certamente perderia o marido.

Entre os judeus, a aliança (em hebraico: bérith) tem o sentido de compromisso e proteção, sendo colocado no dedo indicador da mão predominante da noiva.

Nas cerimônias de casamento, os noivos ‘trocam’ alianças, como símbolo de que um se torna ‘amo e escravo’ do outro. Obviamente que, hoje, num sentido puramente simbólico. Esta é a razão pela qual nos conventos a noviça recebe do sacerdote, como legítimo representante de Deus, uma aliança que a torna esposa mística de Deus, portanto serva do Senhor. Alguns sacerdotes também costumam usar a aliança, explicitando a sua condição de homem compromissado com a condição presbiteral.

Outra curiosidade sobre as alianças é que, até o século 12, elas não eram usadas como símbolo de noivado, somente de casamento. Como tal, foram instituídas pelo papa Inocêncio III, que declarou haver necessidade de um período de espera entre o pedido aceito de casamento e a cerimonia nupcial. Durante esse interregno, a que chamamos de noivado, as alianças eram usadas na mão direita, simbolizando assim o compromisso de que se uniriam pelo matrimônio, uma vez completado o tempo para melhor conhecimento mútuo. O primeiro anel de noivado foi dado pelo rei da Alemanha Maximiliano I à sua futura esposa Maria, em 1447.

Outro fato curioso sobre o matrimônio, são as celebrações de bodas, a cada aniversário de casamento. As mais antigas e também mais conhecidas são as de prata, celebradas aos 25 anos de casados; e as de ouro, quando se completam 50 anos. Essas comemorações tiveram origem em alguns vilarejos da Alemanha medieval e, quando o casal atingia tal tempo de vida matrimonial, recebiam uma coroa de prata, e depois, a de ouro. 

Posteriormente, para cada ano foi-se instituindo uma comemoração com denominação própria, e com significado implícito no material que dá o nome a cada celebração. À do primeiro ano, dá-se o nome de bodas de papel, que representa a fragilidade da união, e a necessidade de se ter delicadeza e zelo, para sua preservação. A do segundo ano, bodas de algodão, ainda representando a fragilidade, porém com maior consistência. Para cada ano seguinte, há um símbolo, com significado próprio. A de 20 anos, é chamada de bodas de porcelana, material mais firme e precioso, mas quebrável, demonstrando que o casal que chegou a esse tempo de união, soube cultivar bem a relação, preservando-a. E serve para nos recordar que, para se evitar a ruptura, é importante o diálogo, o respeito mútuo, a resiliência, o perdão, a cumplicidade. Resumindo, o amor verdadeiro.


Fonte :

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Papa critica modos individualistas da celebração da missa


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Assembleia Plenária da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos acontece no Vaticano até a sexta-feira, 15.
Assembleia Plenária da Congregação para o Culto Divino e a
Disciplina dos Sacramentos acontece no Vaticano (Vatican Media)



Falando na antessala da Sala Paulo VI aos cerca de 80 participantes do encontro, que incluem 22 cardeais, 8 arcebispos e 11 bispos, além de funcionários e consultores, o Pontífice enfatizou que a liturgia é a epifania da comunhão eclesial. Para melhorar sua qualidade, é preciso mudar o coração, evitar cair em estéreis polarizações ideológicas e cultivar a formação permanente do clero e dos leigos. A mistagogia – afirmou – é um caminho idôneo para entrar no mistério da liturgia.

Os primeiros passos de um caminho

O Papa começou recordando a instituição da Congregação para o Culto Divino por Paulo VI, em 8 de maio de 1969, com o objetivo ‘de dar forma à renovação desejada pelo Vaticano II’. A tradição orante da Igreja, de fato, ‘tinha necessidade de expressões renovadas, sem perder nada de sua riqueza milenar, antes pelo contrário, redescobrindo os tesouros das origens’.

Francisco recordou então os primeiros passos de um caminho, ‘sobre o qual prosseguir com sábia constância’, citando a promulgação do 'Moto ProprioMysterii paschalis sobre o  Calendário Romano e o Ano Litúrgico e a importante Constituição Apostólica Missale Romanum,  com a qual o Santo Papa promulgou o Missal Romano. No mesmo ano, recordou, veio à luz ‘Ordo Missae e vários outros Ordo, entre os quais, o do Batismo das crianças, do Matrimônio e das Exéquias’. 

Sabemos - disse o Pontífice - que não basta mudar os livros litúrgicos para melhorar a qualidade da liturgia. Somente isto seria um engano. Para que a vida seja verdadeiramente um louvor agradável a Deus, é preciso de fato mudar o coração’, e para esta conversão que ‘é orientada a celebração cristã, que é um encontro da vida com o 'Deus dos vivos.'’

Colaboração entre a Sé Apostólica e as Conferências Episcopais

Também hoje este é o objetivo do trabalho exercido pela Congregação do Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, voltado a ‘ajudar o Papa a exercer o seu ministério em benefício da Igreja em oração espalhada por toda a terra’. E na ‘comunhão eclesial, atuam tanto a Sé Apostólica como as Conferências Episcopais, em espírito de cooperação, diálogo e sinodalidade’ :

‘A Santa Sé, de fato, não substitui os bispos, mas colabora com eles para servir, na riqueza das várias línguas e culturas, a vocação orante da Igreja no mundo. Nesta linha colocou-se o Motu proprio Magnum principium (3 de setembro de 2017), com o qual eu quis favorecer, entre outras coisas, a necessidade de uma ‘constante cooperação, plena de confiança recíproca, vigilante e criativa, entre as Conferências Episcopais e o Dicastério da Sé Apostólica que exerce a missão de promover a sagrada liturgia’.

O voto – disse o Papa – é ‘de prosseguir no caminho da mútua colaboração, conscientes das responsabilidades envolvidas pela comunhão eclesial, na qual a unidade e a variedade encontram harmonia. É um problema de harmonia’.

Estéreis polarizações

Aqui também está inserido o desafio da formação - observa o Santo Padre - sublinhando que ‘a liturgia é vida que forma, não uma ideia a ser aprendida’. A este propósito – acrescentou - é útil recordar que ‘a realidade é mais importante do que a ideia’ :

‘E é bom por isso, na liturgia como em outros âmbitos da vida eclesial, não acabar em estéreis polarizações ideológicas que nascem muitas vezes quando, considerando as próprias ideias válidas para todos os contextos, chega-se a assumir uma atitude de perene dialética em relação a quem não as compartilha. Assim, começando quem sabe pelo desejo de reagir a algumas inseguranças do contexto atual, corre-se o risco de voltar-se a um passado que não existe mais ou de fugir para um futuro presumido como tal. O ponto de partida, pelo contrário, é reconhecer a realidade da sagrada liturgia, tesouro vivo que não pode ser reduzido a gostos, receitas e correntes, mas deve ser acolhido com docilidade e promovido com amor, enquanto alimento insubstituível para o crescimento orgânico do Povo de Deus’.

A liturgia não é ‘o campo do faça-você-mesmo’ – alerta o Pontífice – ‘mas a epifania da comunhão eclesial’ :

‘Portanto, nas orações e nos gestos ressoa o ‘nós’ e não o ‘eu’; a comunidade real, não o sujeito ideal. Quando se recordam nostalgicamente tendências passadas ou se querem impor novas, corre-se o risco de antepor a parte ao todo, o eu ao Povo de Deus, o abstrato ao concreto, a ideologia à comunhão, e na raiz, o mundano ao espiritual’.

Formação litúrgica do Povo de Deus

‘A formação litúrgica do Povo de Deus’ é o tema desta Assembleia Plenária, e ‘a tarefa que nos espera – diz Francisco - é ‘essencialmente difundir entre o povo de Deus, o esplendor do mistério vivo do Senhor, que se manifesta na liturgia’ :

‘Falar da formação litúrgica do Povo de Deus significa antes de tudo tomar consciência do papel insubstituível que a liturgia desempenha na Igreja e para a Igreja. E pode ajudar concretamente o povo de Deus a interiorizar melhor a oração da Igreja, a amá-la como experiência de encontro com o Senhor e com os irmãos e, diante disso, redescobrir nela o conteúdo e observar seus ritos’.

Sendo a liturgia ‘uma experiência voltada à conversão da vida pela assimilação do modo de pensar e de comportar-se do Senhor - observa - a formação litúrgica não pode limitar-se simplesmente em oferecer conhecimentos - isso é errado -, mesmo necessários, sobre os livros litúrgicos, e tampouco tutelar o cumprimento das disciplinas rituais’. Mas para que a liturgia possa cumprir sua função formativa e transformadora, enfatiza o Papa, ‘é necessário que os pastores e leigos sejam introduzidos a compreender dela o significado e a linguagem simbólica, incluindo a arte, o canto e a música a serviço do mistério celebrado’.

Mistagogia, caminho idôneo para entrar no mistério da liturgia

O próprio Catecismo da Igreja Católica – recorda Francisco - adota o caminho mistagógico para ilustrar a liturgia, valorizando nela a oração e os sinais :

‘A mistagogia : eis um caminho idôneo para entrar no mistério da liturgia, no encontro vivo com o Senhor crucificado e ressuscitado. Mistagogia significa descobrir a vida nova que no Povo de Deus recebemos mediante os Sacramentos, e redescobrir continuamente a beleza de renová-la’.

Formação permanente

A formação permanente do clero e dos leigos, especialmente aqueles envolvidos nos ministérios ao serviço da liturgia, foi outro aspecto destacado pelo Santo Padre em seu pronunciamento :

‘As responsabilidades educativas são compartilhadas, mesmo que cada diocese esteja mais envolvida na fase operativa. A reflexão de vocês vai ajudar o Dicastério a amadurecer linhas e diretrizes para oferecer, no espírito de serviço, a quem - Conferências Episcopais, dioceses, institutos de formação, revistas - tem a responsabilidade de cuidar e acompanhar a formação litúrgica do Povo de Deus’.

Queridos irmãos e irmãs - foi a exortação final do Pontífice – ‘todos somos chamados a aprofundar e reavivar a nossa formação litúrgica’,  e diante de vocês está esta grande e bela tarefa : ‘trabalhar para que o povo de Deus redescubra a beleza de encontrar o Senhor na celebração de seus mistérios, e encontrando-o, tenha vida em seu nome (...). E peço a vocês para reservarem a mim sempre um lugar - amplo - em suas orações’.’


Fonte :