Mostrando postagens com marcador casamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador casamento. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Como a família é um “apostolado” da Igreja

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 FAMILY BLESSING
*Artigo de Philip Kosloski, 
escritor e designer gráfico


‘Embora, oficialmente, a missão de evangelização esteja a cargo de padres e religiosos da Igreja Católica, toda família recebe uma missão apostólica de Deus.

Na verdade, de muitas maneiras, a família é uma das instituições mais importantes na proclamação do Evangelho.

Tudo isso está detalhado no documento Apostolicam Actuositatem do Concílio Vaticano II. Nele, o casamento e a família são considerados a célula mais básica da sociedade :

‘Desde que o Criador de todas as coisas estabeleceu a sociedade conjugal como o começo e a base da sociedade humana e, por Sua graça, tornou um grande mistério em Cristo e na Igreja (cf. Ef 5,32), o apostolado de pessoas casadas e famílias é de importância única para a Igreja e a sociedade civil.’

A Igreja reconhece o casamento e a família como um ‘apostolado’, uma instituição encarregada da tarefa de evangelização. Em primeiro lugar, essa evangelização ocorre no contexto da família, na criação dos filhos :

‘Maridos e esposas cristãs são cooperadores na graça e testemunhas de fé um para o outro, seus filhos e todos os outros em sua casa. Eles são os primeiros a comunicar a fé a seus filhos e educá-los com palavras e exemplos para a vida cristã e apostólica. Eles os ajudam prudentemente na escolha de sua vocação e promovem cuidadosamente qualquer vocação sagrada que possam discernir neles.’

Esta é a tarefa mais importante da família, mas não é a única. Depois de estabelecer uma base sólida, é um dever necessário deste apostolado sair e procurar oportunidades para ser uma força de caridade na sociedade :

‘Entre as várias atividades do apostolado da família, podem ser enumeradas as seguintes: adoção de bebês abandonados, hospitalidade com estranhos, assistência no funcionamento das escolas, conselhos úteis e assistência material para adolescentes, ajuda a casais noivos a se prepararem melhor para o casamento, o trabalho catequético, o apoio de casais e famílias envolvidas em crises materiais e morais, ajudar os idosos, não apenas fornecendo-lhes as necessidades da vida, mas também obtendo para eles uma parcela justa dos benefícios de uma economia em expansão.’

Em outras palavras, as famílias são essenciais para a entrega bem-sucedida da mensagem do Evangelho ao mundo. Como São João Paulo II observou : ‘O futuro da humanidade passa pelo caminho da família’.

A maneira de restaurar a sociedade é, antes de tudo, através da família.’


Fonte :

domingo, 8 de setembro de 2019

Curiosidades do casamento

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Os primeiros povos a utilizarem esses anéis foram os Egípcios, no séc. III a.C.
*Artigo de Evaldo D´Assumpção,
médico e escritor


‘Chegou setembro. Início da primavera, mês de casamentos. Ainda que afirmem o declínio desses eventos, não nos parece que seja uma realidade. Talvez o seu formato e a sacralidade dos matrimônios estejam passando por transformações, mas eles continuam existindo, e com certeza assim o será enquanto houver vida inteligente sobre a Terra.

Existem, porém, alguns detalhes e fatos dessas celebrações, que poucas pessoas conhecem em sua totalidade, e menos ainda do seu significado. Aliás, acredito mesmo que muitos ignoram a importância do casamento religioso, o que ele é, por que ele se realiza, e a razão de ser celebrado como o é, especialmente na Igreja Católica.  

Muitos casais não se preocupam com isso, nem o valorizam, contentando-se com a cerimônia civil, ou então fazendo apenas um evento social. Por isso, hoje multiplicam-se as empresas e profissionais para tal. E com esse ato, bastante teatral, objetivando especialmente os convivas e as colunas sociais, seus fautores lucram com isso, e os noivos e seus convidados se divertem bastante, acreditando que realmente houve um sacramento matrimonial. Bem, houve o espetáculo, mas não o sacramento.  

Mas, o que pretendo abordar nesse artigo não é uma crítica ou julgamento, apenas narrar dois detalhes dessa cerimônia, cujas razões e significados quase não são conhecidos.

Começo pelas alianças. Os primeiros povos a utilizar esses anéis foram os Egípcios, no século 3 a.C. Entre os hindus, na Índia, também havia o hábito de usá-los para simbolizar o casamento. Posteriormente, Alexandre, o Grande, conquistando o Egito conheceu esse hábito e introduziu-o entre os gregos, com o nome de diatheke, que significa relação mútua, acordo, união, pacto. Conforme os gregos, e depois os romanos, elas deveriam ser colocadas no quarto dedo da mão esquerda, no qual se pensava que havia a veia do amor, ligada diretamente ao coração. 

Eram feitas de ferro imantado, com a função de atrair e prender o coração do(a) companheiro(a) para sempre. Na acupuntura e no do in, métodos de terapia orientais e milenares, afirma-se que há um meridiano (que é onde fluem as energias internas) passando no dedo anular – nome que vem do latim anularis, anel – da mão esquerda, indo diretamente para o coração. É bom recordar que o coração sempre foi considerado a sede do amor.

A aliança era uma espécie de certificado de propriedade da noiva, que usando-a, demonstrava que já não estava disponível para outros interessados. No século 9º, o papa Nicolau I adotou-a como símbolo da união e felicidade entre casais, passando a ser obrigatório o seu uso no casamento cristão. Daí surgiram lendas, como a escocesa, de que a mulher que perdesse a aliança, certamente perderia o marido.

Entre os judeus, a aliança (em hebraico: bérith) tem o sentido de compromisso e proteção, sendo colocado no dedo indicador da mão predominante da noiva.

Nas cerimônias de casamento, os noivos ‘trocam’ alianças, como símbolo de que um se torna ‘amo e escravo’ do outro. Obviamente que, hoje, num sentido puramente simbólico. Esta é a razão pela qual nos conventos a noviça recebe do sacerdote, como legítimo representante de Deus, uma aliança que a torna esposa mística de Deus, portanto serva do Senhor. Alguns sacerdotes também costumam usar a aliança, explicitando a sua condição de homem compromissado com a condição presbiteral.

Outra curiosidade sobre as alianças é que, até o século 12, elas não eram usadas como símbolo de noivado, somente de casamento. Como tal, foram instituídas pelo papa Inocêncio III, que declarou haver necessidade de um período de espera entre o pedido aceito de casamento e a cerimonia nupcial. Durante esse interregno, a que chamamos de noivado, as alianças eram usadas na mão direita, simbolizando assim o compromisso de que se uniriam pelo matrimônio, uma vez completado o tempo para melhor conhecimento mútuo. O primeiro anel de noivado foi dado pelo rei da Alemanha Maximiliano I à sua futura esposa Maria, em 1447.

Outro fato curioso sobre o matrimônio, são as celebrações de bodas, a cada aniversário de casamento. As mais antigas e também mais conhecidas são as de prata, celebradas aos 25 anos de casados; e as de ouro, quando se completam 50 anos. Essas comemorações tiveram origem em alguns vilarejos da Alemanha medieval e, quando o casal atingia tal tempo de vida matrimonial, recebiam uma coroa de prata, e depois, a de ouro. 

Posteriormente, para cada ano foi-se instituindo uma comemoração com denominação própria, e com significado implícito no material que dá o nome a cada celebração. À do primeiro ano, dá-se o nome de bodas de papel, que representa a fragilidade da união, e a necessidade de se ter delicadeza e zelo, para sua preservação. A do segundo ano, bodas de algodão, ainda representando a fragilidade, porém com maior consistência. Para cada ano seguinte, há um símbolo, com significado próprio. A de 20 anos, é chamada de bodas de porcelana, material mais firme e precioso, mas quebrável, demonstrando que o casal que chegou a esse tempo de união, soube cultivar bem a relação, preservando-a. E serve para nos recordar que, para se evitar a ruptura, é importante o diálogo, o respeito mútuo, a resiliência, o perdão, a cumplicidade. Resumindo, o amor verdadeiro.’


Fonte :