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sábado, 26 de novembro de 2022

Uma vida ao serviço dos mais pobres

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


*Artigo da Redação da Além-Mar


‘José Ambrosoli nasceu a 25 de Julho de 1923 em Como, no Norte da Itália. Depois do ensino secundário, José inscreveu-se na Faculdade Médico-Cirúrgica da Universidade de Milão, mas teve de interromper os seus estudos por causa da Segunda Guerra Mundial.

Após o armistício de 8 de Setembro de 1943 [Armistício de Cassibile, mais propriamente a rendição incondicional da Itália], arriscando a sua vida, comprometeu-se a ajudar um grande número de judeus, ex-militares e desertores da República Italiana, destinados aos campos de concentração nazis, a procurar refúgio na Suíça. As autoridades da República de Salò alistaram-no e enviaram-no com outros estudantes de Medicina para a Alemanha para o campo de treino em Heuberg (Estugarda). Durante este tempo, amadureceu a sua vocação missionária.

Após a guerra, retomou os seus estudos médicos e formou-se em 1949. Ingressou nos Missionários Combonianos do Coração de Jesus. Fez os seus primeiros votos e foi ordenado sacerdote a 17 de Dezembro de 1955. Partiu para África um mês e meio depois. Na missão de Kalongo fundou o hospital que serviu como médico-cirurgião por mais de trinta anos.

Médico da caridade

Em Kalongo, José contribuiu com o seu trabalho incansável para levar a pleno florescimento as obras de saúde da missão. Com o seu trabalho desenvolve o centro de saúde de Kalongo e consegue que seja declarado hospital. A estrutura é grande e funcional : 350 camas e 30 pavilhões. Também inicia uma escola para preparar obstetras e enfermeiras. Mais tarde, associou também o hospital de Kalongo aos centros que podiam atender os doentes de lepra.

O serviço do P.e José, realizado com tenacidade e fortaleza, foi constantemente inspirado por uma frase sua que o definiu e o fez entrar no coração de todos os que eram tratados por ele com total dedicação, infinita ternura e competência : «Deus é amor e eu sou seu servo para o povo sofredor.» O P.e José caracterizava-se pela sua grande hospitalidade e generosidade, foi para todos os que o encontravam a boa notícia do Deus Pai misericordioso.

Em 1984, os médicos detectaram-lhe uma insuficiência renal significativa e aconselharam-no a não voltar a África ou, no máximo, a dedicar-se apenas a tarefas administrativas e a abster-se de fazer trabalho que ocasionasse um grande desgaste físico, nomeadamente realizar operações.

Entretanto, a guerra civil, que varreu o Norte do Uganda, causou bastante problema ao P.e José. Os soldados do Norte, enfurecidos pela derrota, procuravam pessoas do Sul para vingar-se. O hospital estava cheio de ugandeses do Sul que tinham procurado refúgio. Mais de uma vez, o missionário teve de enfrentar soldados armados no portão do hospital, pois queriam entrar à procura de «inimigos escondidos».

Em Janeiro de 1986, o novo regime de Yoweri Kaguta Museveni instalou-se em Campala. Após alguns meses de relativa calma, os soldados acholis reorganizaram-se e lançaram um movimento guerrilheiro. Em Janeiro de 1987, o exército, incapaz de resistir à situação de assédio constante por parte dos guerrilheiros, forçou todo o pessoal de Kalongo a abandonar a missão.

Os missionários foram para a cidade de Lira. A única preocupação do P.e José era encontrar um novo lugar para a escola de parteiras, para que as alunas não perdessem o ano letivo. Depois de um mês de esforços e dificuldades intermináveis, a escola estabeleceu-se na missão de Angal, na região ugandesa do Nilo Ocidental.

A saúde do P.e José, já minada por graves insuficiências renais, agravou-se em resultado destes enormes esforços e sacrifícios. Quando regressou a Lira, no início de Março de 1987, para organizar a transferência das alunas e das religiosas responsáveis pela escola, adoeceu com insuficiência renal aguda.

Colaborou em tudo para se preparar e partir ao encontro de Deus. Coube ao P.e Marchetti, seu companheiro, colher as suas últimas palavras no dia 27 de Março de 1987 : «Senhor, faça-se a tua vontade – depois como um suspiro – mesmo que fosse uma centena de vezes.»

Beatificação

O P.e José foi beatificado no dia 20 deste mês de Novembro (a cerimónia foi adiada dois anos por causa da pandemia), na paróquia de Kolongo, lugar onde viveu e trabalhou como missionário. No dia 28 de Novembro de 2019, o Papa Francisco tinha autorizado a Congregação para as Causas dos Santos da Santa Sé a publicar os decretos relativos a três milagres, de entre os quais o milagre atribuído à intercessão do novo beato: uma senhora com um tumor maligno foi curada miraculosamente no hospital de Kalongo.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://domtotal.com/noticias/?id=1594553

sábado, 3 de novembro de 2018

Beatificada Madre Clélia Merloni, fundadora das Apóstolas do SCJ

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Imagem relacionada


 ‘O Cardeal Giovanni Angelo Becciu, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, presidiu na manhã deste sábado (03.11) na Basílica de São João de Latrão, sede da diocese de Roma, à Santa Missa de Beatificação de Madre Clélia Merloni, fundadora do Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus.

Biografia

Clélia Cleópatra Merloni nasceu em Forlì, na Itália, em 10 de março de 1861. À medida que crescia, se sentia sempre mais atraída para a oração e a intimidade com Deus do que para a vida social da elite ou administrar os negócios da família, conforme o desejo do seu pai.

Mulher inteligente, dotada de muitas qualidades, respondeu com grande generosidade ao chamado de Deus, consagrando-se totalmente a Deus na vida consagrada.

Em 30 de maio de 1894, Madre Clélia fundou o Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, colocando a serviço dos mais necessitados e marginalizados todo o seu potencial carismático, suas energias, seu zelo apostólico e a considerável herança deixada por seu pai. Na virada do século XIX para o século XX, enviou as primeiras Apóstolas Missionárias às Américas e ao Exterior.

O ideal de vida de Madre Clélia era a Santidade : ‘Quero ser santa’, dizia para cumprir plena e totalmente a vontade de Deus, junto com suas filhas religiosas. Neste seu percurso, teve que passar por tempos de purificação e enfrentar provações difíceis, como profundas humilhações, dores físicas, morais e espirituais. Porém, ela aceitou tudo com amor e por amor ao Sagrado Coração de Jesus, ao qual dedicara toda a sua vida.

Madre Clélia faleceu em Roma, em 21 de novembro de 1930. Seu corpo, exumado em 1945, foi encontrado incorrupto, e descansa na Capela da Casa Geral das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, em Roma.

O Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração (IASCJ), está presente em 15 países e com forte presença em território brasileiro.

Milagre

A Congregação das Causas dos Santos, com a junta médica de especialistas, Bispos e Cardeais, aprovou o milagre, por intercessão de Madre Clélia, do médico Pedro Ângelo de Oliveira Filho, brasileiro, de Ribeirão Preto (SP).

O milagre, que passou por uma minuciosa análise, teve início em 14 de março de 1951, quando o médico brasileiro, Pedro Ângelo, foi, repentinamente, acometido por uma progressiva paralisia dos quatro membros; sendo hospitalizado, com urgência, na Santa Casa de Misericórdia de Ribeirão Preto, foi-lhe diagnosticado um paralisia ascendente progressiva, chamada síndrome de Landry ou Guillain Barré. Em poucos dias, a paralisia piorou causando insuficiência respiratória aguda e atingindo a glote, o que lhe dificultava deglutir.

Devido ao péssimo diagnóstico, à gravidade da doença e aos remédios insuficientes da época, os médicos suspenderam o tratamento e, em 20 de março, informaram à família que o paciente não passaria daquela noite.

Diante desta grave situação, sua esposa, Angelina Oliva, pediu orações à Irmã Adelina Alves Barbosa. A religiosa propôs-lhe fazer uma novena a Madre Clélia, com uma foto e uma relíquia, que continha uma partícula do véu da Madre. Assim, a religiosa, a esposa, os filhos e outros parentes começaram a rezar com fervor. No entanto, a Irmã Adelina aproximou-se do paciente, deu-lhe de beber e colocou sobre seu peito a pequena relíquia.

Até então, o paciente não conseguia engolir nada, até que, momentos depois, perceberam que ele engoliu a água e não perdia mais a saliva. Todos ficaram maravilhados com a rápida melhora do paciente.

No dia seguinte, o médico foi visitar Pedro Ângelo e, vendo que ele estava completamente curado, exclamou que era um milagre!

Após 25 anos do milagre, o doutor Pedro Ângelo faleceu, em 25 de setembro de 1976, por uma parada cardíaca.’


Fonte :

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Mártires da Argélia serão beatificados


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Os monges cistercienses mártires na Argélia
Os monges cistercienses mártires na Argélia
 *Artigo de Vatican News


‘8 de dezembro de 2018 é uma data que entrará para a história da Igreja argelina. O dia foi escolhido para celebrar na Basílica de Santa Cruz, em Oran, a beatificação de 19 mártires, religiosos e religiosas francesas assassinados na década de 1990, década sombria para a Argélia.

Os bispos argelinos falam em um comunicado de uma ‘grande alegria’ e de uma ‘boa notícia’. Deve-se dizer que o caminho foi longo, pois a Causa da Beatificação foi aberta em 2006 em Argel.

21 anos após o assassinato, seis religiosas e onze monges, incluindo os 7 cistercienses de Tibhirine, tiveram seu martírio reconhecido. Em janeiro passado o Santo Padre aprovou a promulgação dos decretos de beatificação. Beatificação que será presidida pelo cardeal Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos,  enviado pessoal do Papa Francisco.
  
Década sombria para a Argélia 

Os monges de Tibhirine foram sequestrados em março de 1996 em seu mosteiro Nossa Senhora do Atlas, Argélia. Somente suas cabeças foram encontradas poucos meses mais tarde.

As seis religiosas, menos conhecidas do grande público, foram mortas nesta mesma década, em 1994 e 1995, em Argel.

Dom Pierre Claverie, Bispo de Oran, foi assassinado em 1º de agosto de 1996 com a explosão de uma bomba em frente ao bispado. Ele tinha 58 anos de idade. Um atentado que ocorreu logo após a visita à Argélia do ministro das Relações Exteriores da França, Hervé de Charette, que foi ao túmulo dos monges de Tibhirine.

‘Que o exemplo deles nos ajude em nossa vida de hoje’, foram os votos dos bispos da Argélia, assegurando que essa beatificação será, para a Igreja e o mundo, um apelo para  ‘construir juntos um mundo de paz e de fraternidade’. Um caminho para a Igreja da Argélia e todo o país, para virar esta página sombria da história.

Os novos Beatos

Esta beatificação diz respeito a um total de 19 pessoas consagradas, alguns deles bem conhecidos, como o irmão Christian de Chergé ou Dom Pierre Claverie. Os nomes dos outros religiosos e religiosas são menos familiares ao grande públicos.

Esses mártires que viveram a serviço do povo argelino serão homenageados em nome das milhares de vítimas, principalmente muçulmanas, da guerra civil dos anos 90.
Aqui a lista dos futuro Beatos, na ordem cronológica de seu assassinato :

08 de maio de 1994 em Argel : Irmão Henri Vergès, nascido em 15 julho de 1930 em Matemale, religioso marista e professor de francês e Irmã Paul-Hélène Saint-Raymond, nascida em 24 de janeiro de 1927 em Paris, religiosa francesa das Pequenas irmãs da Assunção.

23 de outubro de 1994 em Bab El Oued : Irmã Esther Paniagua Alonso, nascida em 07 de junho de 1949 em Izagre, freira espanhola das Irmãs Agostinianas Missionárias e Irmã Caridad AlvarezMartin, nascida 09 de maio de 1933, em Santa Cruz de la Salceda, freira espanhola das Irmãs Missionárias Agostinianas.

Em 27 de dezembro de 1994, em Tizi Ouzou : quatro Padres Brancos, incluindo três cidadãos franceses : padre Jean Chevillard, nascido 27 agosto de 1925 em Angers, padre  Alain Dieulangard, nascido em 21 de maio de 1919 em Saint-Brieuc, e o padre Christian Chessel, nascido em 27 de outubro de 1958 em Digne, e um belga, padre Charles Deckers, nascido em 26 de dezembro de 1924 na Antuérpia.

Em 03 de setembro de 1995, em Belouizdad : Irmã Angèle-Marie Littlejohn, nascida em 22 de novembro de 1933 em Túnis, religiosa francesa das Irmãs Missionárias de Nossa Senhora dos Apóstolos, e a Irmã Bibiane Leclercq, nascida em 08 de janeiro de 1930 em Gazeran, religiosa francesas das Irmãs Missionárias de Nossa Senhora dos Apóstolos.

10 de novembro de 1995 em Argel : Irmã Odette Prévost,  nascida em 17 de julho de 1932 em Oger, religiosa francesa das Pequenas Irmãs do Sagrado Coração.

Em 21 de maio de 1996, próximo a Medéia, sete monges de Tibhirine (dois outros irmãos escaparam do sequestro).

Irmão Christian de Chergé : nascido em 18 de janeiro de 1937 em Colmar, padre cisterciense francês, prior da comunidade desde 1984, monge desde 1969, na Argélia desde 1971.

Irmão Luc Dochier : nascido em 31 de janeiro de 1914 em Bourg-de-Péage, monge cisterciense francês desde 1941, na Argélia desde agosto de 1946. Médico, viveu cinquenta anos em Tibhirine.  Tratou todos de forma gratuita, sem distinção de religião.

Irmão Christophe Lebreton : nascido em 11 de outubro de 1950 em Blois, sacerdote cisterciense francês, monge desde 1974, na Argélia desde 1987.

Irmão Michel Fleury : nascido em 21 de maio de 1944 em Sainte-Anne-sur-Brivet, monge cisterciense francês desde 1981, na Argélia desde 1985. Membro do Instituto de Prado, era o cozinheiro da comunidade.

Irmão Bruno Lemarchand : nascido em 1º de março de 1930 em Saint-Maixent l'École, sacerdote cisterciense francês, monge desde 1981, na Argélia e no Marrocos desde 1989.

Irmão Célestin Ringeard : nascido em 27 de março de 1933 em Touvois, sacerdote cisterciense francês, monge desde 1983, na Argélia desde 1987.

Irmão Paul Favre-Miville : nascido em 17 de abril de 1939 em Vinzier, religioso cisterciense francês desde 1984, na Argélia desde 1989. Era responsável pelo sistema de irrigação do jardim do mosteiro.

1º de agosto de 1996 : Dom Pierre Claverie, nascido em 8 de maio de 1938 em Argel, padre dominicano, bispo de Oran desde 1981.’


Fonte :