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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

50 anos após a morte de Merton, 'finalmente o estamos entendendo'

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Merton “continua sendo uma fonte de inspiração espiritual e um guia para muitas pessoas”, disse o papa.
Merton continua sendo uma fonte de inspiração espiritual
e um guia para muitas pessoas, disse o papa.

*Artigo da National Catholic Reporter/ IHU
Tradução : Moisés Sbardelotto


Embora a passagem citada do livro de 1960, Disputed Questions, fosse sobre a Europa na Segunda Guerra Mundial, Cuomo disse que as palavras de Merton são ‘exatamente aquilo que está acontecendo aqui agora – assustadoramente exatas’.

Cuomo não é o único a divulgar a relevância contemporânea de Merton. Apesar do entusiasmo morno de algumas lideranças da Igreja, os escritos de Merton sobre relações inter-religiosas, racismo, justiça social e contemplação continuam inspirando os católicos 50 anos após sua morte.

Sua mensagem parece durar e ser tão profética hoje, senão até mais, do que quando ele a escreveu’, disse Paul Pearson, diretor do Thomas Merton Center, um arquivo dos documentos de Merton, um museu e um centro de pesquisas na Bellarmine University, em Louisville, Kentucky.

Sobre espiritualidade, justiça social e diálogo inter-religioso, ‘tudo o que Merton diz ainda é relevante hoje’, observou Pearson, acrescentando que, se ainda estivesse vivo, Merton provavelmente estaria escrevendo ‘fundamentalmente sobre os mesmos problemas’.

Dez de dezembro, marca o 50º aniversário da trágica morte acidental de Merton – ele foi eletrocutado por um ventilador perto de Bangkok, onde ele participava de um congresso monástico inter-religioso. O aniversário está sendo marcado por eventos em todo o mundo, da Rússia à Argentina, de Cleveland à Abadia de Gethsemani, no Kentucky, onde Merton viveu e está enterrado.


O padre trapista Thomas Merton em uma foto no  eremitério da Abadia de Gethsemani (Foto: CNS/Merton Legacy Trust/Thomas Merton Center)
O padre trapista Thomas Merton em uma foto no  eremitério da Abadia de Gethsemani

Pearson faz parte das dezenas de estudiosos de Merton – muitos dos quais não haviam nascido quando Merton morreu – que se apresentarão em um congresso na Catholic Theological Union, em Chicago, neste fim de semana.

Intitulado ‘Desaparecer de vista? Thomas Merton, 50 anos depois e além’, o encontro começou nessa sexta-feira à noite com uma conferência do padre franciscano Richard Rohr – que alguns veem como um sucessor espiritual de Merton – e continuará com um cronograma de palestras, painéis e missa neste sábado (as inscrições estão esgotadas).

O congresso é copromovido pelo Bernardin Center da Catholic Theological Union, pelo Hank Center for the Catholic Intellectual Heritage da Loyola University Chicago, e pelo Capítulo de Chicago da Sociedade Internacional Thomas Merton.

Pearson vê o interesse em Merton ‘crescer em vez de diminuir’, não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo, com mais dissertações sobre a sua obra, provenientes da Europa Oriental e da Ásia, e um número crescente de cursos sendo ministrados sobre ele.

Em Bellarmine, uma aula sobre Merton é oferecida a cada semestre e geralmente tem uma lista de espera, apesar de muitos jovens católicos não conhecerem Merton ou a sua obra. Os estudantes gostam de aprender sobre contemplação, oração e silêncio, mas Merton é frequentemente a primeira exposição deles ao catolicismo como algo diferente de dogmas e leis morais, disse Gregory Hillis, professor associado de teologia, que leciona o curso.

Há um desejo por uma vida espiritual mais profunda, que vem de um profundo sentimento de ansiedade que as pessoas têm’, disse Hillis, observando que ‘a maioria desses estudantes nunca viveu em uma situação em que não estivéssemos em guerra’.

Guia espiritual

Assim como muitos de uma geração anterior, Hillis leu a autobiografia best-seller de Merton de 1948, ‘A montanha dos sete patamares’, quando era jovem, e ela influenciou profundamente a sua vida. Ele se candidatou ao emprego em Bellarmine, em parte, para estudar Merton e está escrevendo um livro sobre o catolicismo de Merton. Em um impulso de ‘exuberância juvenil’, ele até fez uma tatuagem de um desenho de Merton.

A jornalista e escritora espiritual Judith Valente também leu a autobiografia de Merton enquanto estava na faculdade e ficou inicialmente impressionada com a sua magistral escrita de poesia e prosa. ‘Ele era alguém que podia fazer com que a preparação de uma tigela de aveia soasse como o evento mais fascinante do mundo’, disse ela ao NCR em uma entrevista por e-mail.

Ela releu ‘A montanha dos sete patamares’ nos seus 30 anos, quando precisava ouvir a mensagem dele para desacelerar, estar mais atenta ao sofrimento dos outros e ‘olhar para dentro de mim, para encontrar aquela centelha que me faz ser quem eu sou’.

A famosa oração de Merton, que começa com ‘Meu Senhor Deus, eu não tenho nem ideia de para onde estou indo...’, apresentou Michael Brennan a Merton nos anos 1970, quando ele enfrentava uma possível convocação para a Guerra do Vietnã.

Atual coordenador do Capítulo de Chicago da Sociedade Internacional Thomas Merton, Brennan vê o escritor espiritual como um ‘herói contemporâneo’, que fala às questões sociais e eclesiais de hoje.

Ele tem muito a dizer nos dias de hoje, particularmente sobre compaixão, paz, justiça e empatia’, disse Brennan. ‘Eu acho que ele é tão relevante hoje quanto foi na sua época.’

Brennan chama Merton de ‘diretor espiritual de longe’, com uma ‘abordagem do senso comum à vida’. Ele atende ao pedido de contemplação de Merton reservando tempo para o silêncio na capela do aeroporto O’Hare, onde trabalha como encarregado de bagagens.

Mas é a escrita de Merton sobre justiça – e particularmente sobre raça – que muitos dizem que precisa ser mais lida hoje. Desde cedo, Merton viu o racismo como um problema do privilégio branco e como um pecado estrutural.

A autora e cineasta Cassidy Hall acredita que a obra de Merton é estranhamente relevante. ‘É uma lembrança constante do trabalho ainda em andamento pela paz, a justiça social, a igualdade, os direitos humanos e muito mais’, disse ela em um e-mail ao NCR.

Depois de ler Merton pela primeira vez há sete anos, Hall ficou inspirada a fazer uma peregrinação a todos os 17 mosteiros cistercienses/trapistas nos Estados Unidos, o que resultou no documentário In Pursuit of Silence [Em busca de silêncio, em tradução livre]. Ela está trabalhando agora em um pequeno documentário sobre os últimos anos de Merton no eremitério.




Abaixo, um trailer de Day of a Stranger [Dia de um estranho], 
documentário de Cassidy Hall sobre Thomas Merton, 
apresenta gravações da voz de Merton.



Hall elogia a honestidade de Merton e a sua capacidade de lidar com os paradoxos, o que ela acredita que fala a uma cultura contemporânea atolada no medo.

Thomas Merton apontou para outro modo de vida, um modo que abraçava os paradoxos da vida e apontava para a beleza do mistério, um modo que navegava o amor pela própria vida, um modo que empurrava para o verdadeiro eu, um modo que abraçava o estranho e o deixava entrar amorosamente como um vizinho, um modo que realmente acolhia todos à mesa a que eles pertencem’, disse Hall.

‘Fiel inquieto’

Mas a abertura de Merton ao diálogo inter-religioso deixou alguns católicos nervosos – à época e agora. Em 2005, quando os bispos dos Estados Unidos estavam criando um Catecismo para jovens adultos, no qual cada capítulo começa com o perfil de um católico exemplar, Merton foi originalmente incluído, mas depois removido.

Charge do National Catholic Reporter de 11-03-2005 ilustra a polêmica sobre a remoção de Thomas Merton de um Catecismo católico para jovens adultos (Ilustração: Pat Marrin)
Charge do National Catholic Reporter de 11-03-2005 ilustra a polêmica sobre a remoção de Thomas Merton de um Catecismo católico para jovens adultos 


A geração com a qual estávamos falando não tinha nem ideia de quem ele era’, disse na época o bispo Donald Wuerl, presidente do conselho editorial da instituição. Mas ele também fez alusão a preocupações de que os estudos de Merton sobre as religiões orientais implicassem uma falta de compromisso com o catolicismo.

Nada poderia estar mais longe da verdade, dizem estudiosos de Merton. E o Papa Francisco deve concordar, tendo escolhido Merton como um dos quatro estadunidenses que ele destacou em seu discurso ao Congresso dos Estados Unidos em 2015.

Merton ‘continua sendo uma fonte de inspiração espiritual e um guia para muitas pessoas’, disse o papa. ‘Merton foi, acima de tudo, um homem de oração, um pensador que desafiou as certezas do seu tempo e abriu novos horizontes para as almas e para a Igreja. Ele também foi um homem do diálogo, um promotor da paz entre os povos e as religiões.’

O organizador do congresso de Chicago, Steven Millies, disse que Merton era um ‘fiel inquieto’, que pode falar com os ‘nones’ de hoje e com outros que lutam com a religião institucional.

Ele lutou com a tradição, assim como queria viver dentro dela’, disse Millies, diretor do Bernardin Center.

Eu acho que é útil voltar para alguém que foi um comentador e observador pensativo, confiante, questionador e crítico da condição social, que estava tentando encontrar uma maneira de se conectar com o mundo fora da Igreja’, disse ele.

Na Loyola, os estudantes respondem à conexão de Merton com a contemplação e a ação social, e a sua abertura ao diálogo inter-religioso que não desvaloriza outra tradição teológica, disse Michael Murphy, diretor do Hank Center.

Merton pode ser um modelo em um tempo de profunda polarização, disse ele. ‘Mesmo que tenham se passado 50 anos desde que ele morreu, eu acho que finalmente o estamos entendendo.’’


Fonte :

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Thomas Merton e a Meditação

Por Dom Alexandre de Andrade, OSB

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A meditação cristã é uma versão cristã da meditação oriental silenciosa. Aqui o que mais importa é a experiência de silêncio e de interioridade – mais do que qualquer coisa que possa ser dito a respeito dessa experiência, além do ensinamento essencial de como fazê-la, que pode ser resumido simplesmente em três pontos :

  • procurar um lugar adequado e silencioso;
  • Sentar-se confortavelmente e fechar levemente os olhos;
  • Repetir mentalmente um mantra escolhido da Sagrada Escritura;
  • Concentrar-se sempre neste mantra e voltar a ele sempre que se perder;
  • Preferivelmente repetir este exercício duas vezes ao dia por 20 minutos : ao início das atividades do dia e ao início das atividades da noite.

Este formato de meditação silenciosa é recente no Cristianismo. Podemos dizer que seria uma tradução ou adaptação cristã da prática Oriental. Isso hoje é possível devido a alguns contextos, dos quais gostaríamos de comentar alguns.

Meditação Cristã é também o nome de uma comunidade cristã internacional – a WCCM – de natureza ecumênica e inter-religiosa que propõe o ensinamento da prática da meditação, tal como foi recomendado pelo seu idealizador e fundador, Dom John Main, um monge beneditino Inglês, falecido em 1982.

Hoje, a Comunidade Mundial de Meditação Cristã – WCCM – nos seus muitos Grupos de Meditação, promove iniciativas de formação contínua, que possibilita o amadurecimento e fundamentação a todos que têm o desejo de fazer este caminho espiritual, que é a prática da meditação, no contexto cristão, por meio de Retiros, Palestras, Cursos e Grupos semanais de prática.

Podemos encontrar semelhantes iniciativas contemplativas como a Contemplative Outreach, divulgada pelo Abade Thomas Keating OCSO, no formato da Oração Centrante. Também encontramos atualmente outros nomes, por exemplo ‘A Oração do Repouso' – como uma proposta de tradução e atualização de termos próprios deste tipo de espiritualidade.

Um dos objetivos da formação contínua, por exemplo, é a compreensão de alguns contextos que tornaram possível cristãos expressarem sua fé através de uma prática, percebida a princípio, como não cristã.

Embora não tenhamos pretensão de explicar em poucas linhas a complexidade da história das Tradições, podemos, ainda que sumariamente, ao menos considerar alguns pontos relevantes sobre mudança de paradigmas – no sentido mais amplo do termo. Por isso podemos sugerir ao menos três contextos cristãos  interessantes :

1) Estamos num contexto de celebração dos quinhentos anos da Reforma Protestante. A historiografia Católica do século XX consegue reconhecer que o monge agostiniano Lutero (1483-1546) não foi simplesmente um herético e um cismático, parecendo ter causado uma revolução na maneira medieval de compreensão do que poderia ser uma sociedade cristã e sobre o monopólio do sagrado. Embora nem Lutero e nem a Igreja Católica da época tenham sido exemplos de ecumenismo ou de diálogo inter-religioso no sentido moderno do termo, a história mostrou que pessoas corajosas e mártires, de ambos os lados, testemunharam que, para que uma Comunidade de fé possa amadurecer, é preciso reformar-se começando por dentro, pelo íntimo. A história pessoal de Lutero e dos reformadores é dramática o bastante para prová-lo. Poder ler o nosso texto sagrado em nossa própria língua foi uma das consequências desse drama pessoal de fé.

2) Pouco mais de cinquenta anos atrás, aconteceu uma outra revolução cristã, por assim dizer, de que talvez poucos cristãos conheçam a história : fazemos a  memória de um senhor pouco conhecido, o Papa João XXIII, falecido em 1963 e canonizado recentemente pelo Papa Francisco. Foi eleito para o trono papal aos 77 anos como uma proposta de transição. Para a surpresa de todos, inicia uma reforma interna na Igreja com uma expressão leve e informal dizendo que ’era preciso abrir as janelas e fazer o ar circular.’ 

Vale lembrar que há 1.700 anos atrás, o Abade Pastor, um monge do deserto Egípcio, deixou o seguinte registro : ‘Se você tiver um armário cheio de roupas e deixá-las lá por muito tempo, irão apodrecer. Acontecerá o mesmo com os pensamentos em seu coração. Se não os trouxermos para fora por meio de trabalho físico, após muito tempo eles estragam e tornam-se ruins.’ (Thomas Merton, A Sabedoria do Deserto, Martins Fontes  Ed., 2004, p. 47)

Assim aconteceu o Concílio Vaticano II (1962-65) e por causa disso, hoje podemos expressar o maior mistério de nossa fé – a Missa, a Celebração Eucarística – em nossa própria língua, o que nos permite compreender para crer melhor; podemos dialogar com o mundo moderno e com as várias Tradições religiosas e culturais; reconhecer e acolher os mais pobres, no sentido material e espiritual; voltar às fontes cristãs e descobrir que podemos e devemos, sim, meditar nos moldes orientais, fundamentados nos melhores mestres espirituais católicos, pois, de acordo com a mais recente edição do Catecismo da Igreja Católica, ‘O Homem é capaz de Deus’ (Catecismo da Igreja Católica n. 26 – Primeira Seção, Capítulo I).

3) Neste contexto propício, podemos perceber uma outra revolução na esfera da expressão da fé, mais discreta, silenciosa na prática, possibilitada pelo monge beneditino Inglês, Dom John Main, mencionado anteriormente. Tendo aprendido a meditar por ocasião de sua viagem à Malásia, a serviço da Coroa Britânica, foi orientado, pela delicadeza de seu Mestre oriental, a fazer a prática da meditação usando um ‘mantra’ que poderia ser tirado do texto sagrado da sua própria tradição, a Bíblia judaico-cristã. Dom John Main tinha muito apreço pela palavra sagrada ‘Maranäthä’ que se encontra no final do Livro do Apocalipse (Ap. 22, 20).

Mais tarde, inspirado pela curiosidade religiosa de um de seus alunos sobre a possibilidade de praticar a meditação oriental no contexto cristão, teve como sistematizar a prática, encontrando na história da própria Tradição Cristã, as Raízes  teológico-espirituais para o ensinamento seguro e eficaz da prática da Meditação a  todos que sentem necessidade de preencher essa lacuna na expressão de sua fé cristã.

Além da compreensão dos contextos, a formação contínua proposta pela Escola da Meditação Cristã – WCCM – bem como pelo GETM – Grupo de Estudos Thomas Merton– consiste em estudar e tornar conhecidos os textos dos muitos mestres espirituais da sabedoria mística cristã.

Por exemplo, poderíamos dizer, em grandes linhas, que no contexto cristão, a ideia da prática da meditação, na forma oriental tal como conhecemos hoje, começa a aparecer discreta e oficialmente nos escritos do monge Trapista americano Thomas Merton, falecido durante uma peregrinação ao Oriente em 1968. Num dos seus escritos (de uma tradução Brasileira de 1962) ele diz :

A meditação é mais do que pensar.’ (Thomas Merton, Direção Espiritual e Meditação, Vozes  Ed., 1962, p. 64)

A meditação é, na realidade, coisa simples e não há necessidade de técnicas complicadas para nos ensinar como nos sairmos bem nessa tarefa. Mas isso não significa que possa ser praticada sem uma constante disciplina interior.’ (Thomas Merton, Direção Espiritual e Meditação, Vozes  Ed., 1962, p. 93)

Para meditar, tenho que afastar meu pensamento de tudo que me impeça de estar atento a Deus presente em meu coração. Ora, isso é impossível se não recolho meus sentidos.’ (Thomas Merton, Direção Espiritual e Meditação, Vozes  Ed., 1962, p. 94)

A Fé é o primeiro passo, porque é um tipo de conhecimento que adere, na obscuridade, sem imagens nem representações, por meio de uma identificarão amorosa ao Deus vivo.’ (Thomas Merton, Novas Sementes de Contemplação, Fisus Ed., 1999, p. 134)

O Filho Pródigo da parábola evangélica (Lc 15, 11ss) pode servir-nos de modelo : depois de ter esbanjado seus bens em terras longínquas, morria de fome, sem conseguir alimentar-se nem mesmo com os restos lançados ao porcos que cuidava. Mas ‘entrando em si’, meditou sobre sua condição. A meditação foi curta. Disse de si para si : ‘Voltarei a casa de meu Pai e lhe direi : ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti; não sou mais digno de ser chamado teu filho. O senhor me receberia como um dos teus empregados?’’ (Thomas Merton, Direção Espiritual e Meditação, Vozes  Ed., 1962, p. 96)

‘De modo geral, a melhor posição para meditar é sentado, mas a alguém que deseja seriamente meditar deve se permitir certa liberdade nessa matéria. Citamos como prova desse fato um trecho de Richard Rolle, um simpático místico Inglês do século XIV, no seu  ‘Form of Perfect Living :

Tem me agradado muito estar sentado; não por penitência ou fantasia, ou por desejo de que falem de mim ou algo semelhante, mas só por saber que assim mais amava a Deus e por mais tempo demorava em mim a consolação do amor, do que quando andava, ou estava em pé, ou ajoelhado. Pois, sentado, estou em maior repouso e meu coração mais se eleva. Todavia, pode acontecer a outro não estar bem quando sentado (como a mim sucede – e pretendo continuar até a morte) a não ser que esteja ele nas mesmas disposições de alma em que acho.’’ (Thomas Merton, Direção Espiritual e Meditação, Vozes  Ed., 1962, p. 100).

A meditação está contida quase inteiramente nesta única ideia : despertar o nosso ser interior, sintonizando-nos intimamente com o Espírito Santo, de maneira a correspondermos a Sua graça.’(Thomas Merton, Direção Espiritual e Meditação, Vozes  Ed., 1962, p. 125)

A verdadeira finalidade da meditação cristã é praticamente a mesma da oração litúrgica e a recepção dos sacramentos, isto é, uma união mais profunda, pela graça e a caridade, com o Verbo da Vida, a pessoa de Jesus Cristo.’ (Thomas Merton, Direção Espiritual e Meditação, Vozes  Ed., 1962, p. 123)


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