Mostrando postagens com marcador Japão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Japão. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de janeiro de 2024

Projeto sobre o "tesouro da fé" dos mártires “cristãos secretos" é lançado no Japão

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de  Walter Sanchez Silva


O projeto Thesaurum Fidei. Missionários, mártires e cristãos escondidos no Japão. 300 anos de heroica fidelidade a Cristo, em que se destaca a figura do beato Angelo Orsucci, martirizado em 1622, foi lançado em Roma na quarta-feira (24).

O projeto chega à Cidade Eterna quase um ano depois de ter sido apresentado na arquidiocese italiana de Lucca e contém uma exposição que pode ser vista na Pontifícia Universidade Gregoriana a partir do dia 19 de fevereiro.

No lançamento do projeto, segundo Vatican News, serviço de informações da Santa Sé, também foi apresentado um volume que reúne pesquisas de estudiosos italianos, japoneses e americanos, sob a curadoria do arcebispo de Lucca, dom Paolo Giulietti, e do professor Olimpia Niglio, da Universidade de Pavia.

A ocasião inicial do projeto foi o 400º aniversário do martírio do beato Orsucci (1622-2022) e o 450º aniversário de seu nascimento (1573-2023).

Dom Paolo Giulietti destacou que o projeto é importante porque ao fazer ‘surgir o corajoso testemunho dos mártires missionários, destes cristãos que foram conservando o tesouro da fé por gerações, inclusive em um contexto tão difícil, é verdadeiramente um grande estímulo, porque a Igreja será missionária se conservar o tesouro da fé em grande honra para a própria vida, para a vida do mundo’.

O bispo também enfatizou que o testemunho dos chamados ‘cristãos secretos’ e mártires ‘serve para certificar um protagonismo leigo na transmissão da fé na família, na sociedade e, depois para dizer que não existe nenhuma condição em que seja impossível ser cristão’, mesmo com ‘exemplos particulares de heroísmo e fidelidade’.

Os ‘cristãos secretos’ do Japão

A perseguição no Japão foi uma das mais terríveis da história. Em 1597, 50 anos depois da chegada dos jesuítas e antes da chegada dos franciscanos e dominicanos, o imperador acreditava que o apostolado dos religiosos era, na realidade, um projeto de conquista militar.

Desde então, os cristãos foram perseguidos e tiveram que se esconder nas catacumbas. Como não havia padres porque eles tinham sido expulsos, eram os próprios pais que batizavam seus filhos e transmitiam a fé a eles.

Muitas pessoas foram mortas por ódio à fé, entre elas 26 mártires em Nagasaki e 188 pessoas que perderam a vida na segunda onda de perseguições entre 1603 e 1639.

Apesar da severa perseguição, a comunidade cristã ressurgiu em 1865, quando o Japão reabriu suas portas aos missionários franceses, que celebraram a Sexta-Feira Santa com dez mil fiéis.

O arcebispo Giuletti comentou que é possível que ‘nesta época não tenha menos mártires do que o Japão no século XVII’, referindo-se não apenas àqueles que morrem por ódio à fé, mas também àqueles que são discriminados ‘em sociedades secularizadas por suas profissões de fé’.

Beato Angelo Orsucci

Angelo Orsucci foi um dominicano de Lucca, nascido em uma família nobre, e foi missionário na Espanha, nas Filipinas e depois no Japão.

Ele se destaca por seus inúmeros testemunhos escritos, preservados no convento de San Romano, em Lucca, e por suas cartas aos seus familiares, na qual falava dos cristãos que viviam escondidos e que ele os visitava à noite disfarçado de comerciante. Ele foi descoberto e preso em 1618.

Apesar de viver em condições péssimas, em um espaço apertado e com pouquíssima comida, o beato escreveu : ‘ Sou muito feliz nesta prisão’.

Em 10 de setembro de 1622, junto com seus companheiros, foi condenado a morte na fogueira. Ele é um dos 205 mártires liderados pelo beato Afonso Navarrete, que foram beatificados em 1867.

Hoje, no Japão, a porcentagem de cristãos é de apenas 0,01%, em uma população de aproximadamente 126 milhões de pessoas.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.acidigital.com/noticia/57228/projeto-sobre-o-tesouro-da-fe-dos-martires-cristaos-secretos-e-lancado-no-japao

terça-feira, 10 de maio de 2022

Cristãos no Japão: a Igreja de Nakanoura espelhada na água

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Lu Yama A.


‘Os cristãos no Japão não são maioria na população. Vale recordar que os cristãos no país sofreram perseguições no país logo que chegaram por ali.

Assim, a religião não conseguiu criar raízes muito fortes por ali e a maior parte da população é budista ou xintoísta. Obviamente que, além dos cristãos, também existem muçulmanos. Entretanto, eles são em menor número.

Porém, os cristãos no Japão conseguiram fazer Igrejas incríveis, entre elas a de Nakanoura, que está em cima d’água e é uma verdaeira atração não somente para os cristãos esplahados pelo planeta, mas por qualquer um que tenha interesse em saber mais sobre a cultura japonesa e as religiões que existem no país.

 


A Igreja de Nakanoura, perto da parte sul da Ilha Nakadori, compensa o que falta em termos de antecedentes históricos com o cenário surpreendente. Se não fosse pelos pequenos barcos de pesca com seu kanji (alfabeto japonês) de costume, você poderia facilmente fingir que estava em uma vila à beira do lago na Suíça, uma sensação rara para o Japão, onde as vilas são cheias de personalidade, mas muitas vezes sem cenários perfeitos.

A igreja, também conhecida como Igreja de Mizumi-Kagami (espelho d’água), é uma estrutura de madeira que data de 1925. A padroeira da Igreja é a Virgem Maria. 

A estrutura da Igreja é toda feita em madeira, o que dá um ótimo aspecto para o local e torna a experiência ainda mais incrível. Além disso, toda essa estrutura reflete na água.

Em um dia nublado, é fácil perder o modesto prédio de Nakanoura. Mas em um dia ensolarado, ele se transforma em uma visão digna de uma viagem por conta própria. O reflexo perfeito da igreja nas águas imóveis da baía circundante é uma visão cativante.

E, como se trata do Japão, o Wi-Fi gratuito está disponível juntamente com instruções sobre como baixar um vídeo detalhando a história da igreja.

Se você tiver a oportunidade de ir até lá, faça bons planos para que consiga ficar na ilha e experimentar a paisagem do dia ensolarado sem arrependimentos.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://coisasdojapao.com/2022/05/cristaos-no-japao-a-igreja-de-nakanoura-espelhada-na-agua/

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

A história da igreja que os católicos cuidam como um tesouro no Japão


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Igreja Sakitsu


‘O escritor Timothy Nerozzi recontou a história da Igreja Sakutsi, depois de visitar este importante templo que os católicos guardam como um tesouro no Japão, especialmente agora que foi certificado como um lugar oficial da UNESCO, a organização das Nações Unidas dedicada à ciência e à cultura.

Em um artigo publicado em 15 de agosto em CNA – agência em inglês do Grupo ACI –, Nerozzi informou que esta igreja se encontra em Amakusa, uma pequena vila de pescadores nas montanhas costeiras da província de Kumamoto, na ilha de Kyushu.

Da mesma forma, a certificação concedida pela UNESCO também foi concedida a uma dúzia de lugares emblemáticos para a história da perseguição cristã em Nagasaki, no Japão.

A Igreja Sakitsu é o único local dos 12 que não está em Nagasaki, a capital do catolicismo no Japão. Sakitsu está localizada na província de Kumamoto e sua inclusão foi uma boa surpresa para os moradores da pequena vila de pescadores que a cerca’, disse Nerozzi.

A paróquia foi fundada em 1569 por um missionário jesuíta português, Pe. Luís de Almeida.

Nerozzi explica que a população local acolheu a fé ‘com entusiasmo’ e, portanto, ‘estabeleceu um importante centro do cristianismo na área que durou mais de um século’.

Contudo, após a divisão do Japão no século XVII e a restrição das religiões estrangeiras, a Igreja Sakitsu e sua congregação foram destruídas. Os católicos de Amakusa foram assassinados, esconderam-se ou renunciaram à fé diante de funcionários do governo. Todos os missionários europeus restantes foram mortos ou deportados’, conta.

O escritor narra que a Igreja Sakitsu foi reconstruída em 1937 por um missionário francês designado para a cidade, chamado Padre Halbout. O sacerdote francês decidiu que a nova casa de culto seria construída na antiga residência do chefe do povoado, o oficial responsável pela apostasia forçada dos cristãos japoneses.

Depois de conversar com vários moradores da área, que o ajudaram a chegar até o local, Nerozzi conta que, ao ver o templo pela primeira vez, percebeu que era ‘uma igreja pequena em comparação com as que podemos encontrar nos países modernos de maioria cristã’.

Está construída em estilo gótico simples e renuncia a um estilo ou decoração desnecessários. A fachada da igreja é feita de pedra com a parte traseira com um revestimento branco liso. Suas janelas são vitrais, mas não têm ícones de Jesus ou santos em seu desenho. Consistem principalmente de quadrados simples em uma variedade de cores pastel’, comenta.

Embora possa ser simples, é agradável de contemplar, e seu icônico campanário, coroado com um grande crucifixo, dá um toque de personalidade. A arquitetura ocidental se destaca no meio da antiga vila de pescadores japoneses, mas o interior da igreja é claramente japonês’, acrescentou.

Nerozzi relata que todos os fiéis que desejam entrar no templo devem tirar os sapatos e caminhar pelo tradicional piso de tatame que cobre a área destinada à adoração.

É uma decisão excêntrica : o tatame nunca é usado em igrejas modernas, mas em Sakitsu, contribui ao espírito do Oriente e do Ocidente para uma casa de culto tão importante culturalmente’, destacou.

O escritor assinala que fora da igreja, escondida na área lateral do pórtico, há um pequeno carimbo com uma almofadinha de tinta.

Os carimbos podem ser vistos em outros lugares emblemáticos da UNESCO, mas nunca tinham sido oferecidos antes como lembrança em uma igreja. Tradicionalmente, estes artigos são deixados do lado de fora para viajantes que chegam a santuários e templos japoneses, para que os turistas marquem seus diários ou carimbem livros e sigam os pontos de referência que visitaram’, acrescenta.

Nerozzi acredita que a Igreja Sakitsu deve ter ‘herdado’ a prática do carimbo ‘de seus vizinhos religiosos de outras religiões’.

Em seguida, o escritor observou outra ‘característica distintiva’ da Igreja Sakitsu : que existem outras duas casas de culto a curta distância.

Na colina da igreja Sakitsu, um santuário xintoísta está escondido entre as árvores. Não muito longe, há um templo budista. Os moradores locais das três religiões veem esta convivência como um testemunho do progresso do povo japonês na tolerância religiosa. Há menos de 200 anos, tal tolerância era impensável, e onde a igreja está agora, os católicos japoneses foram forçados a apostatar diante da ameaça de tortura ou morte’, explica Nerozzi.

Nesse contexto, referiu-se aos chamados ‘fumies’, imagens de Jesus Cristo ou de Nossa Senhora que eram apresentadas aos supostos católicos; se estes pisassem na imagem, isso era considerado um ato de apostasia, mas se não o fizessem, eram condenados.

Os rumores dizem que o altar da Igreja Sakitsu foi construído diretamente no local onde a cerimônia dos fumies era realizada’.

Ao final de seu percurso, Nerozzi comentou que o fato de ‘construir a igreja e seu altar naquele exato lugar era um ato de vitória tardia para uma comunidade cristã que tinha conhecido muito mais medo do que felicidade nos séculos anteriores, mas foi uma comunidade que sobreviveu muito, apesar de seus perseguidores’.

Embora hoje ninguém se lembre dos nomes dos chefes da aldeia ou dos juízes encarregados dos fumies, Amakusa aprecia cada peça da Igreja Sakitsu, e a cidade finalmente recebeu o reconhecimento que merece de uma comunidade global que está ansiosa por visitá-la’, conclui.


Fonte :