Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Originalmente
existiram na África vários povos que formaram reinos ou confederação de tribos
bem avançadas do ponto de vista econômico, militar e organizadas socialmente.
No norte do continente existiram grandes civilizações com a que se formou
durante milênios no Egito que se desenvolveu ao longo do Rio Nilo e a de
Cartago que chegou a enfrentar a grande potência romana. No sul do Deserto do
Saara existiram grandes civilizações, mas a história também mudou a partir dos
séculos XV e XVI com a chegada das nações europeias e depois, a partir do
século XIX, com a formação dos grandes impérios coloniais.
Diversas
áreas do continente africano também passaram por profundas mudanças,
especialmente a partir do século VII ao serem assimiladas e integradas ao
Império Muçulmano ao final da primeira onda de conquistas. Egito e África do
Norte foram as regiões que mais sofreram modificações em sua organização graças
a esse processo de assimilação.
O Egito
Islâmico e a expansão muçulmana
O Egito
islâmico se tornou uma importante província muçulmana entre o século VII e o
final do século XI mesmo que afastada do califado, sendo transformada no centro
do potente Império dos Fatímidas, originalmente simples celeiro, posteriormente
principal entreposto comercial entre o Mediterrâneo e o Oceano Índico. Em
várias ocasiões o Egito exerceu grande influência no destino de outras partes
da África; sendo o ponto de partida da conquista árabe no século VII. Essa
primeira onda islamizou a África do Norte e a do século XI, levou ao processo
completo de arabização.
Foi a partir
do Egito que os beduínos árabes iniciaram um movimento rumo ao Sul, penetrando
em outras regiões, levando ao declínio alguns reinos cristãos existentes na
antiga Núbia e Sudão, próximos ao Rio Nilo.
O Egito
durante este período deixou de ser uma terra cristã e a maioria da sua
população se converteu ao islã, mas algumas igrejas monofisistas da Núbia e da
Etiópia continuaram resistindo ao avanço do islã.
Ao longo dos
séculos XII e XIII, o Egito se consolidou como uma potência islâmica fazendo
frente aos cruzados ocidentais e aos invasores mongóis do período medieval.
Dificuldades
no meio do caminho
Na região do
Magreb, os conquistadores árabes enfrentaram grande resistência dos berberes e
somente ao final do século VII lograram submeter as principais regiões.
A maioria dos
berberes converteu‑se então ao islã e, malgrado o ressentimento que lhes
inspirava a dominação política árabe, se tornaram partidários da nova fé,
contribuindo para propagá‑la do outro lado do estreito de Gibraltar, na
Península Ibérica e além do Saara.
Esses
guerreiros berberes formavam grande parte dos exércitos muçulmanos que
conquistaram a Espanha, que arrancaram a Sicília dos bizantinos e conduziram
vitoriosas campanhas no Egito e na Síria.
Desse modo, a
África do Norte passou a ocupar uma posição‑chave no mundo muçulmano, política
e economicamente.
Sob o domínio
muçulmano, a região do norte da África esteve novamente ligada a uma economia
de importância mundial, desempenhando papel de primeiro plano, passando por um
novo crescimento demográfico, urbanização e retomada da prosperidade econômica
e social.
Isso explica
o fato do Egito, mesmo tendo decaído de importância, ainda é um dos principais
países do mundo árabe, tendo feito frente à expansão de Israel durante várias
décadas do século XX e XXI.
Expansão
religiosa e militar
Deve-se aos berberes,
depois de aderirem a algumas seitas do islã, a introdução da religião muçulmana
ao Sul do Saara, pois as caravanas de comerciantes berberes que atravessavam o
grande deserto em direção às regiões mais férteis da África não transportavam
somente mercadorias, mas ajudavam a propagar as novas concepções religiosas e
culturais.
Esta expansão
rumo ao sul trouxe uma nova dimensão econômica para a África do Norte. O ouro
retirado do Sudão afluía para a costa do Mar Mediterrâneo em quantidades cada
vez maiores, provocando a ascensão econômica de numerosas dinastias muçulmanas
reinantes no Oeste.
Além disso, a
exploração das minas de sal do Saara intensificou‑se, como resposta à
crescente demanda da África subsaariana por esta indispensável substância mineral.
Essas trocas com a África subsaariana constituíram, durante vários
séculos um ramo de um frutuoso comércio.
Nas últimas
décadas do século XX e XXI a África continua a sofrer com a ação de grupos
islâmicos radicais como o Boko Haran que agem em diversos países tanto do norte
como do sul do Saara, levando imenso sofrimento à população, especialmente das
comunidades cristãs.’
Fonte : *Artigo na íntegra
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