Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Aqueles que
puderam ler ou ouvir os últimos textos que postamos sobre a História da África
puderam ver como o continente abrigou grandes civilizações e impérios antes da
chegada dos europeus, sobretudo, a partir do século XVI. Essas civilizações e
impérios em nada ficam a dever às grandes civilizações que existiram em outros
tempos e em outros lugares de nosso planeta.
Falamos hoje
de outro sistema de organização sócio-política que existiu no continente
africano que pouco é conhecido : A confederação de aldeias africanas.
É sempre
importante relembramos que a África é o maior continente do mundo em extensão e
que somente nas últimas décadas é que sua história começou a ser estudada e
compreendida fora do contexto da periodização usada para se estudar a história
da Europa.
A organização
das aldeias africanas
Falar de
Confederação de Aldeias é entender um pouco mais da organização social e
política de muitas tribos africanas, principalmente as que existiram na região subsaariana.
Independentemente de estudarmos um grande e complexo reino ou um pequeno reino
africano, a maioria das tribos se organizava em torno da fidelidade ao ‘chefe’
e das relações de parentesco existentes.
Este ‘chefe’
normalmente era o membro mais velho ou então um membro mais jovem, porém capaz
de liderar a tribo, sendo responsável pela aplicação da justiça, pela sua
condução em caso de luta contra outra tribo, decidindo sobre a divisão do
trabalho e dos alimentos de forma justa, pela punição às pessoas que não
cumprissem suas obrigações ou causavam algum mal a outra pessoa da mesma tribo,
enfim, o ‘chefe’ era o responsável pelo bem-estar global da tribo.
Nestas
tarefas geralmente era auxiliado por um conselho, dependendo do tamanho e
importância da tribo, mas como fosse mais desafiador a condução das tribos
maiores, se fazia necessário um maior apoio administrativo, com atribuições a
um número maior de conselheiros que auxiliavam o ‘chefe’ no governo. Em algumas
tribos este ‘chefe’ era também o líder religioso do povo. Em outras, o líder
religioso era o conselheiro mais importante. Apesar de alguns elementos comuns,
a organização sempre variava de uma tribo para outra.
Confederações
de Aldeias - Definição
Uma
confederação era a união de uma ou mais aldeias em torno de interesses comuns,
sejam comerciais, familiares ou militares. A integração entre uma ou mais
aldeias podia se dar pelo casamento entre membros de aldeias diferentes ou pela
união de duas ou mais aldeias em vista da autodefesa em relação a um inimigo
comum.
Essa parceria
entre as aldeias poderia resultar na criação de um grande reino, mas não necessariamente
porque podia ser uma união temporária ou permanente. Em geral as confederações
eram lideradas por um conselho de ‘chefes’, que decidiam qual o melhor rumo a
ser tomado numa determinada questão.
Mesmo quando
as tribos se uniam não perdiam sua autonomia, pois somente as decisões mais
importantes ou urgentes eram levadas ao conselho de ‘chefes’, que não tinha um
líder principal, sendo que a opinião de todos os ‘chefes’ tinha o mesmo valor.
Quando existia um líder entre várias aldeias, aí sim se podia considerar aquela
união como um reino.
Quando a
escravidão começou a trazer os negros escravizados para as Américas, no Brasil
surgiram algumas organizações sociais semelhantes às confederações africanas,
organizadas pelos próprios negros escravizados, adaptadas para a realidade
encontrada no Brasil. Essa organização foi muito importante no processo de
resistência do negro à escravidão. Alguns quilombos como o de Palmares pode ser
considerado como a maior ‘Confederação’ que existiu no Brasil. Criado por volta
de 1590 e liderado por Zumbi, Palmares sobreviveu por mais de 100 anos
defendendo-se das investidas de expedições militares financiadas principalmente
pelos senhores de engenho, que viam no quilombo não só uma defesa contra a
escravidão como também uma afronta à autoridade colonial.
As
confederações de aldeias foram importantes porque ajudaram na diminuição dos
conflitos entre as aldeias e pela solução de questões pelo acordo, evitando
guerras e conflitos.’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2026-02/foco-historia-grandes-civilizacoes-africanas.html
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