terça-feira, 3 de março de 2026

As grandes civilizações africanas - Cidades Iorubás

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR

 

‘A partir do século IX, na região da atual Nigéria foram formadas várias cidades da civilização iorubá. Essa região já era habitada por esse povo desde o século IV. 

Os iorubás nunca unificaram suas cidades, porém, mantiveram a mesma cultura como língua, religião e costumes. Era uma espécie de cidades-estado que existiram em outras regiões, sendo cada uma delas relativamente autônoma em relação às demais.

A cidade iorubá mais importante foi Ifé, sendo considerada sagrada, por ser o berço dos iorubás, segundo a crença local. Outra cidade importante era Oyo, um centro militar que no final do século XVII, já tinha se expandido até Daomé, no atual Benin.

Ifé foi um grande centro artesanal e artístico, sendo governada por um rei-sacerdote que tinha o título de Oni, enquanto nas outras cidades os governantes recebiam o título de Oba.

Outros grandes centros históricos eram Ibadan, Abeokuta), Ilorin, Ondo, Oxobô (Oshogbo), Ilesha e a cidade existente onde hoje temos moderna metrópole de Lagos, capital da Nigéria.

Essas cidades-estado formaram uma rica civilização que se organizava em torno de centros como Ifé e Oió, com forte tradição política e religiosa

Apesar do cristianismo e do islamismo terem chegado até os iorubás, a maioria desse povo sempre se manteve fiel às antigas tradições politeístas locais, sendo os orixás os seus deuses. Daí provém uma influência muito grande nas religiões de matriz africanas existentes, por exemplo, no Brasil.

Ao contrário do que se acredita, a crença nos orixás não se expandiu pela África, mantendo-se exclusivamente iorubá. Mas como muitos iorubás também chamados de nagôs ou anagôs pelos portugueses foram transformados em escravos e levados à força para a América, o culto aos orixás se misturou ao cristianismo imposto por portugueses e espanhóis, criando vários sincretismos religiosos que fazem parte da cultura americana como, por exemplo, o Candomblé e a Umbanda, no Brasil e o Vodu no Haiti, apesar de o Vodu também receber influências de outras culturas africanas.

A partir do século XV, as cidades iorubás também entraram num processo de declínio, apesar da cidade de Oyo ter se mantido até o século XIX. Muitos pesquisadores acreditam que a falta de unidade política foi uma das causas desse declínio, já que os iorubás não tiveram condições de se fortalecer para enfrentar o processo de escravização que lhes foi imposto.

Onde floresceram essas cidades estão hoje alguns países independentes como Nigéria, Benim e Togo. O iorubá é um dos mais de 250 idiomas falados na Nigéria e em alguns outros países da África Ocidental.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2026-01/foco-historia-grandes-civilizacoes-africanas-imperio-iorubas.html

 

domingo, 1 de março de 2026

As grandes civilizações africanas - As Confederações de Aldeias Africanas

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR

 

‘Aqueles que puderam ler ou ouvir os últimos textos que postamos sobre a História da África puderam ver como o continente abrigou grandes civilizações e impérios antes da chegada dos europeus, sobretudo, a partir do século XVI. Essas civilizações e impérios em nada ficam a dever às grandes civilizações que existiram em outros tempos e em outros lugares de nosso planeta.

Falamos hoje de outro sistema de organização sócio-política que existiu no continente africano que pouco é conhecido : A confederação de aldeias africanas.

É sempre importante relembramos que a África é o maior continente do mundo em extensão e que somente nas últimas décadas é que sua história começou a ser estudada e compreendida fora do contexto da periodização usada para se estudar a história da Europa.

A organização das aldeias africanas

Falar de Confederação de Aldeias é entender um pouco mais da organização social e política de muitas tribos africanas, principalmente as que existiram na região subsaariana. Independentemente de estudarmos um grande e complexo reino ou um pequeno reino africano, a maioria das tribos se organizava em torno da fidelidade ao ‘chefe’ e das relações de parentesco existentes.

Este ‘chefe’ normalmente era o membro mais velho ou então um membro mais jovem, porém capaz de liderar a tribo, sendo responsável pela aplicação da justiça, pela sua condução em caso de luta contra outra tribo, decidindo sobre a divisão do trabalho e dos alimentos de forma justa, pela punição às pessoas que não cumprissem suas obrigações ou causavam algum mal a outra pessoa da mesma tribo, enfim, o ‘chefe’ era o responsável pelo bem-estar global da tribo.

Nestas tarefas geralmente era auxiliado por um conselho, dependendo do tamanho e importância da tribo, mas como fosse mais desafiador a condução das tribos maiores, se fazia necessário um maior apoio administrativo, com atribuições a um número maior de conselheiros que auxiliavam o ‘chefe’ no governo. Em algumas tribos este ‘chefe’ era também o líder religioso do povo. Em outras, o líder religioso era o conselheiro mais importante. Apesar de alguns elementos comuns, a organização sempre variava de uma tribo para outra.

Confederações de Aldeias - Definição

Uma confederação era a união de uma ou mais aldeias em torno de interesses comuns, sejam comerciais, familiares ou militares. A integração entre uma ou mais aldeias podia se dar pelo casamento entre membros de aldeias diferentes ou pela união de duas ou mais aldeias em vista da autodefesa em relação a um inimigo comum.

Essa parceria entre as aldeias poderia resultar na criação de um grande reino, mas não necessariamente porque podia ser uma união temporária ou permanente. Em geral as confederações eram lideradas por um conselho de ‘chefes’, que decidiam qual o melhor rumo a ser tomado numa determinada questão.

Mesmo quando as tribos se uniam não perdiam sua autonomia, pois somente as decisões mais importantes ou urgentes eram levadas ao conselho de ‘chefes’, que não tinha um líder principal, sendo que a opinião de todos os ‘chefes’ tinha o mesmo valor. Quando existia um líder entre várias aldeias, aí sim se podia considerar aquela união como um reino.

Quando a escravidão começou a trazer os negros escravizados para as Américas, no Brasil surgiram algumas organizações sociais semelhantes às confederações africanas, organizadas pelos próprios negros escravizados, adaptadas para a realidade encontrada no Brasil. Essa organização foi muito importante no processo de resistência do negro à escravidão. Alguns quilombos como o de Palmares pode ser considerado como a maior ‘Confederação’ que existiu no Brasil. Criado por volta de 1590 e liderado por Zumbi, Palmares sobreviveu por mais de 100 anos defendendo-se das investidas de expedições militares financiadas principalmente pelos senhores de engenho, que viam no quilombo não só uma defesa contra a escravidão como também uma afronta à autoridade colonial.

As confederações de aldeias foram importantes porque ajudaram na diminuição dos conflitos entre as aldeias e pela solução de questões pelo acordo, evitando guerras e conflitos.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2026-02/foco-historia-grandes-civilizacoes-africanas.html