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quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Os mares e os desertos não se tornem cemitérios de migrantes

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do L'Osservatore Romano


‘Há cemitérios feitos de cruzes e lápides. Mas há também cemitérios feitos de água e areia : são os mares e desertos que engolem as numerosas vítimas das rotas migratórias. É este o núcleo da sentida denúncia que o Papa Francisco quis dedicar a sua reflexão «às pessoas que — até neste momento — atravessam mares e desertos para chegar a uma terra onde viver em paz e segurança».

Interrompendo a habitual catequese centrada no tema «A Esposa e o Espírito», o Pontífice dirigiu-se aos fiéis presentes na praça de São Pedro e aos que estavam ligados através dos meios de comunicação social para reiterar que «naqueles mares e desertos mortais, os migrantes de hoje não deveriam estar — mas infelizmente estão». No entanto, advertiu o Papa, «não é através de leis mais restritivas, não é mediante a militarização das fronteiras, não é através de rejeições que conseguiremos alcançar um resultado». Pelo contrário, devem ser promovidas vias de acesso «seguras» e «regulares» para os migrantes, «facilitando o refúgio a quem foge das guerras, da violência, da perseguição e das várias calamidades». É também fundamental, disse o Santo Padre, promover «de todas as formas uma governação global das migrações fundamentada na justiça, na fraternidade e na solidariedade», combatendo o tráfico de seres humanos e os crimes de quem explora «sem piedade» a miséria dos outros.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.osservatoreromano.va/pt/news/2024-08/por-035/os-mares-e-os-desertos-nao-se-tornem-cemiterios-de-migrantes0.html

domingo, 30 de junho de 2024

Aumento de casamentos forçados e mutilação genital feminina

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo da Vatican News


‘Os numerosos casos de casamentos forçados e precoces e de mutilação genital feminina alarmam cada vez mais a comunidade internacional. De fato, até a presente data, aproximadamente 650 milhões de mulheres no mundo casaram antes dos dezoito anos, enquanto 230 milhões sofreram mutilação genital.

Mas a situação também é grave na Itália e é por isso que a ONG ActionAid decidiu lançar o projeto ‘Join our Chain’. ‘É um modelo multissetorial que opera em três níveis, com vista à prevenção e intervenção em situações de risco’, explica Benedetta Balmaverde, diretora do projeto ActionAid, à Rádio Vaticano – Vatican News.

Os números do fenômeno

Os casamentos forçados e a mutilação genital feminina registaram um aumento de 15% desde 2016. São dados oficiais, fornecidos pelo Unicef, mas que descrevem apenas parcialmente a gravidade dos dois fenômenos. Na verdade, os casamentos forçados e a mutilação genital feminina continuam ser práticas generalizadas em muitos países, especialmente na África Subsaariana, no Médio Oriente e no Sudeste Asiático.

A Europa, e especificamente a Itália, não está isenta deste triste fenômeno. Os últimos dados disponíveis, publicados em 2019, indicam que mais de 87 mil mulheres foram vítimas destes episódios, com uma concentração significativa de casos nas comunidades nigeriana, etíope e egípcia. ‘O número total absoluto destas práticas está aumentando – explica Balmaverde – uma vez tratar-se de países que registram um forte crescimento demográfico. E o crescimento ocorreu especialmente após a pandemia. Contudo, quando estas mulheres chegam à Itália, a implementação destas práticas diminui. Mas faltam pesquisas atualizadas em nível nacional’.

O projeto ‘Junte-se à nossa Corrente’

Promovido pela ActionAid em Milão e agora ampliado também a Roma, o projeto visa combater o fenômeno da mutilação genital feminina e do casamento precoce.

‘A cadeia de intervenção – continua Balmaverde – está dividida em três fases : emergência, para coleta de relatórios de situações de risco; despacho, para reportar casos às instituições presentes na área; e assistência e proteção, para proteger e apoiar as vítimas.’

A iniciativa consiste em uma abordagem integrada que, para combater estas duas práticas nocivas, conta com a participação de diferentes profissionais e setores : escolas, serviços sociais e de saúde, autoridades policiais e linguística-culturais mediadoras.

‘Um papel fundamental - conclui Balmaverde - é desempenhado pelos formadores comunitários, figuras-chave nas atividades de sensibilização e apoio nas comunidades envolvidas. A nossa intervenção pretende ser uma resposta concreta a estas graves violações de direitos, integrando prevenção, assistência e proteção.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2024-06/casamento-forcado-e-precoce-e-mutilacao-genital-feminina.html