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sábado, 4 de novembro de 2023

Tudo o que você precisa saber sobre: a leitura espiritual

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Padrefaus.Org


O que é a ‘leitura espiritual’?

Há muitos tipos de leitura religiosa, mas não vou falar agora de todos nem de vários deles. Apenas falarei de um : daquele que, na linguagem clássica cristã, se chama «leitura espiritual», em sentido estrito, e que costuma fazer parte do programa diário das pessoas que querem levar a sério a sua vida interior.

Consiste na leitura atenta e bem assimilada de um livro que trate de assuntos de «vida espiritual», com seriedade e boa doutrina, e que os focalize de maneira prática, de modo que nos ajude a aplicá-los à nossa vida diária.

Tenha em conta que, dentro do conceito estrito de «vida espiritual» ou de «vida interior», não só entram as práticas de oração, de adoração, a Eucaristia, o amor a Nossa Senhora e outras devoções… – que são, sem dúvida, elementos básicos de uma vida espiritual autêntica-, mas entram também as virtudes e o modo de melhorá-las (fé, caridade, paciência, firmeza, temperança, constância, etc.), bem como os defeitos (vaidade, preguiça, ira, inveja, desordem sensual, etc.) e o modo de vencê-los; e ainda o esforço por santificar a família, por achar Deus no trabalho, por levar Deus a outras almas, etc, etc. Em suma, entra tudo quanto nos ajuda a procurar a santidade e o apostolado no dia-a-dia.

Como fazer a leitura espiritual?

1) Antes de mais nada, é preciso convencer-se da sua necessidade e tomar a decisão de fazê-la, sempre que possível, diariamente.

2) Ao tomar essa decisão deverá ter em conta :

a) Primeiro : que é importante escolher o melhor momento do dia – o ‘seu’ melhor momento -para essa leitura. Antes do café da manhã? No escritório, antes de começar o trabalho? No começo da tarde (hora que pode ser útil para estudantes, para algumas mães de família…)? Ao visitar uma igreja, antes de voltar para casa? No ônibus ou no metrô, desde que possa sentar-se? Pense, tire experiências, e defina.

b) Pense que será mais fácil definir o horário, se tiver consciência de que a leitura não precisa ser longa : ordinariamente bastam dez ou quinze minutos para tirar bom fruto dessa prática espiritual. Vivendo-a com constância, em pouco tempo terá lido, e aproveitado, mais livros bons do que imagina.

c) É importante que você defina – volto a dizer – o lugar, o momento e a duração dessa leitura espiritual. E acrescento um conselho, fruto da experiência : se você definir dez minutos de leitura, faça sempre dez minutos como ‘norma’, nunca menos. Caso queira esticar essa leitura por mais tempo, ou deseje ler mais em outra hora, não há problema, mas considere isso como ‘leitura extra’. É só em relação ao seu programa diário, aos seus dez ou quinze minutos, que deve se sentir comprometido, com sincera exigência.

d) Escolha bem, em cada momento, o livro de leitura espiritual. Para isso, é muito útil pedir conselho a uma pessoa de critério que conheça a sua alma e as lutas da sua vida. Em todo o caso, sempre que possível, procure ler um livro que vá ao encontro das suas necessidades espirituais daquela temporada.

e) Uma vez definido o livro, leia-o devagar, pausadamente, em sequência, e do começo ao fim (lendo, relendo, refletindo, rezando). Quem borboleteia nas leituras, ‘debicando’ por curiosidade pedacinhos de vários livros ao mesmo tempo, sem completar nenhum, tira pouco proveito e permanece superficial na sua vida interior.

f) Não importa quanto tempo demorar a terminar um livro, mesmo que seja breve. Também não importa, antes pelo contrário, reler vários dias em seguida os mesmos trechos do livro, se a sua intenção é assim gravá-los melhor, para tirar deles mais fruto. Um livro bom pode ser relido todos os anos (por exemplo, um clássico sobre a Paixão de Cristo, no tempo da Quaresma; ou um bom livro sobre Nossa Senhora, em Maio, mês de Maria).

g) Depois da leitura diária, ao fechar o livro e pergunte-se : O que foi que eu li, o que compreendi, o que me ficou mais gravado?

3. É muito bom ter o desejo de conhecer (de ler) as obras clássicas de espiritualidade, que têm ajudado inúmeras pessoas a se aproximarem de Deus e a melhorar. Como diz São Josemaria : «A leitura tem feito muitos santos» (Caminho, n. 116). Para ter ideia de que tipo de livros estou falando, vou citar alguns, apenas alguns, dentre os mais conhecidos :

─ Tomás de Kempis : A imitação de Cristo

─ São Francisco de Sales : Introdução à vida devota (também chamado Filotéia), Tratado do Amor de Deus (mais ‘teológico’)

─ Santo Afonso Maria de Ligório : A oraçãoA prática do amor a Jesus CristoAs glórias de Maria

─ Santa Teresa de Lisieux (Santa Teresinha) : História de uma alma (também chamadoManuscritos autobiográficos)

─ Santa Teresa de Ávila : O livro da vidaCaminho de perfeição

─ Santa Catarina de Sena : O diálogo

E muitos outros, que agora seria impossível citar, além de numerosas obras excelentes de autores antigos e contemporâneos, que podem fazer um bem imenso à nossa alma. Pesquise, pergunte, consulte a quem lhe puder dar um bom conselho. Acredite na leitura espiritual. A ela se pode aplicar perfeitamente o dito de Jesus: Pelos seus frutos os conhecereis (Mt 7,16).

4. Mas, antes de encerrar esta conversa, queria dar dois esclarecimentos :

a) Não confunda a «leitura espiritual» com a «oração mental» (ou a «meditação»). É muito frequente o engano de pessoas que utilizam determinados livros para fazer a sua oração mental (ou a sua meditação), e acham que com isso estão fazendo leitura espiritual. Misturam e confundem conceitos diferentes. Veja o que já dissemos a respeito da oração e da meditação. Para a oração mental ou meditação, cada dia, se quiser, você pode escolher à vontade textos de livros diferentes, os que achar que lhe podem servir de apoio para meditar sobre a sua vida e ‘falar com Deus’. A «leitura espiritual», porém, como acabamos de ver, é coisa diferente : trata-se de ler em sequência, quase que de ‘estudar’ um livro inteiro, completo, que garanta o aprofundamento da sua formação. Não esqueça essa distinção;

b) Há outras leituras, que também nos fazem muito bem; mais ainda, que nos fazem muita falta : as que nos proporcionam formação doutrinal. Entre elas, podem-se destacar os catecismos : desde o Primeiro Catecismo ou o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, até o próprio Catecismo da Igreja Católica, amplo, profundo, excelente, ainda que exige certo preparo doutrinário para entendê-lo bem. Um bom livro de teologia para leigos, que não hesito em recomendar, é a obra do americano Leo Trese, A fé explicada; excelente, pedagógico e claro. Em bastantes casos, pode ser usado também como ‘leitura espiritual’.

Todos deveríamos achar algum tempo (não precisa ser diário, pode ser semanal, mais longo nas férias) para ler obras doutrinais. Hoje, num mundo de ideias confusas, é uma necessidade vital.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2017/07/16/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-leitura-espiritual/

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

A leitura infantilizada da Bíblia

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

 

*Artigo de Fabrício Veliq,

teólogo protestante

‘Uma das coisas mais comuns em nossos dias, principalmente no meio cristão, é a leitura infantilizada do texto bíblico. Não dificilmente vemos ou ouvimos pregações, palestras, e até mesmo pseudoestudos que tratam as diversas narrativas das Escrituras de uma maneira simplista e literal, não conseguindo extrair dali qual a mensagem que o autor do texto quis passar.

Esse tipo de leitura, por sua vez, além de trazer grande mal para a sociedade, uma vez que pegar um texto fora do seu contexto é sempre usá-lo com algum pretexto para se dizer o que quiser, também faz com que a compreensão dos ricos ensinamentos que constam ali sejam colocados em segundo plano, o que, sem dúvida, coopera para a vivência de um cristianismo sem sentido e, muitas vezes, desconectado da realidade.

As leituras infantilizadas do texto bíblico são caracterizadas como aquelas que não conseguem aprofundar no sentido do texto, ficando somente na superfície do que está escrito. Como exemplos clássicos desse tipo de leitura têm-se as diversas pregações que, baseando-se no mito de Adão e Eva relatados nos capítulos iniciais do Gênesis, tomam-no como algo real e de valor factual, como se no início de todas as coisas houvesse somente um homem e uma mulher responsáveis por popular toda a terra e que, por algum milagre, eles efetivamente conseguem fazer isso. Ou ainda, tratam como real a ideia de que uma serpente tenha falado com uma mulher e ela tenha agido com total normalidade frente a isso e, ainda, conversado com essa serpente que, boa de lábia, conduz a humanidade à desobediência da ordem divina.

Da mesma forma, ao se tomar o mito do Dilúvio, também encontrado nas primeiras páginas do Gênesis, são muitas as pessoas que o leem como fato, imaginando que um homem tenha construído sozinho uma arca (que pela metragem teria 150 metros de comprimento, 25 metros de largura e 15 metros de altura) para colocar toda espécie de animais existentes, em pares, mais sua família, flutuando pelas águas por 40 dias até que as águas baixassem e pudessem sair para, novamente, povoarem a Terra.

Apenas esses dois exemplos servem para mostrar o que uma leitura infantilizada do texto bíblico pode fazer : retirar toda a riqueza simbólica que se encontram nesses mitos usados para ensinamento do povo da Bíblia e, mais ainda, torná-los sem o menor sentido para uma sociedade que passou por uma revolução científica já há algum tempo, como o é a nossa.

Ler o mito da tentação como fato, é não compreender o profundo ensinamento que o autor quis passar de que todo ser humano deve fazer uma opção fundamental entre a obediência a Deus que gera vida (representado pela árvore da vida), ou o conhecimento por meio da própria experiência, que gera a distorção daquilo que Deus deseja para a humanidade (representado pela árvore do conhecimento do bom e do ruim). Da mesma forma, ler o mito do Dilúvio como fato, é perder a linda e profunda mensagem ali contida de que a justiça de um só humano (representado por Noé) é capaz de produzir um espaço de vida e esperança trazido por Deus no meio de todo o caos trazido pelo pecado.

Diante desse cenário, é tarefa de teólogos e teólogas insistirem que o texto bíblico não seja lido e ensinado de maneira infantilizada, o que gera fundamentalismos e propoem uma mensagem cristã sem sentido para pessoas do nosso tempo.

Se naquela época, os autores dessas narrativas já tinham consciência de que os símbolos ajudam a compreender melhor as mensagens que queriam trazer, por que, numa época tão esclarecida como a nossa, ainda se insistem em leituras infantilizadas e literais dos textos bíblicos? A quem esse tipo de leitura serve, senão à dominação por parte daqueles e daquelas que, por meio dessas leituras, conduzem o povo à subserviência?’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/noticia/1479387/2020/10/a-leitura-infantilizada-da-biblia/

 

sexta-feira, 17 de abril de 2020

O que as irmãs e sacerdotes enclausurados têm a nos ensinar sobre a quarentena?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Dom Geraldo González, OSB e madre Maria Letícia, OSB: aproveitar o momento para refletir a própria vida
Dom Geraldo González, OSB e madre Maria Letícia, OSB : aproveitar o momento para refletir a própria vida
(Divulgação de ThiagoVentura/DomTotal)

*Artigo de Thiago Ventura,
jornalista

Leitura, silêncio e meditação são ferramentas para superar o isolamento social e a vida confinada em casa. Quarentena pode ser tempo de autoconhecimento de descoberta de novos talentos


‘De uma hora para outra, mais de metade da população mundial foi chamada a ficar confinada em casa devido à pandemia do novo coronavírus. O isolamento social, segundo cientistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a melhor forma de reduzir o contágio da Covid-19, uma doença que ainda não tem vacina nem tratamento. Mas o que é novidade para milhões de pessoas ao redor do planeta é um hábito milenar de várias ordens religiosas, entre elas os beneditinos, trapistas e cartuxos, por exemplo. Mas, o que as irmãs e sacerdotes enclausurados têm a nos ensinar sobre a quarentena?

Surgida no século VI, a Ordem de São Bento já passou por momentos semelhantes na história da humanidade, como a peste negra ou a gripe espanhola. E desde aquela época, homens e mulheres têm como regra a meditação, a escuta e o trabalho, dentro dos muros de mosteiros e abadias. Em tempos como estes, da pandemia do novo coronavírus, tal fortaleza interior pode ser um diferencial para superar o isolamento social.

A madre abadessa do Mosteiro Nossa Senhora das Graças, em Belo Horizonte, irmã Maria Letícia Silva, OSB, aponta para a importância de se valorizar o silêncio e escuta pessoal em tempos de quarentena. ‘Nossa cultura nos volta ao barulho, ao muito falar e argumentar, à tentativa de sempre convencer o outro. Além disso, somos voltados para eventos de multidões, shows e shopping centers. Muitas vezes, essa fuga é um subterfúgio para não nos encontrarmos conosco mesmo, para não nos depararmos com questões essenciais de nossa vida, de nossas famílias’, afirma a monja.

Segundo dom Geraldo Gonzalez y Lima, OSB, monge espanhol com nacionalidade brasileira que vive na Abadia Primacial de Sant'Anselmo, em Roma, apesar dos desafios, esse recolhimento compulsório pode ser de grande crescimento. Com inúmeros seguidores nas principais redes, dom Geraldo tem espalhado mensagens de esperança pelas mídias sociais.

 Dom Geraldo na abadia primacial: ´na Bíblia, Deus nos fala, nos acolhe e nos conforta”,
Dom Geraldo na abadia primacial : 'na Bíblia, Deus nos fala, nos acolhe e nos conforta’

Não é a primeira vez que ocorre a privação da vida sacramental e comunitária na História da Igreja mas hoje contamos com recursos tecnológicos que nos facilitam certa participação e convívio à distância e esperamos que tudo isto seja passageiro’, afirma o monge em entrevista ao DomTotal.

A própria Igreja nos dá saídas : a comunhão espiritual, os atos penitenciais  e as suas celebrações, a Indulgência plenária’, completa dom Geraldo, que é o tesoureiro mundial da Ordem de São Bento e trabalha também na AIM Alliance Inter Monastere em Paris.

´Ora et Labora´: trabalho dentro dos muros é incentivado pela Regra de São Bento. Redescobrir sua casa é uma opção para tempos de pandemia 
'Ora et Labora': trabalho dentro dos muros é incentivado pela Regra de São Bento. Redescobrir sua casa é uma opção para tempos de pandemia.

Na mesma linha, a madre do Mosteiro Nossa Senhora das Graças aponta que essa quarentena pode trazer frutos positivos, em que as famílias podem se redescobrir. ‘Estamos em um tempo valioso e único, tempo em que os pais podem estar ao lado de seus filhos, podem brincar com eles, podem valorizá-los e corrigi-los. Tempo em que o esposo pode olhar sua esposa, realçando a importância que ela tem em sua vida. Tempo de celebrar as festas cristãs junto às pessoas que amamos. Tempo da família. Instituição em crise? A família é o lugar onde Deus quis habitar e quer ainda se fazer presente’, afirma madre Maria Letícia.

Dom Geraldo indica a leitura como grande aliada para superar a angústia e o medo gerados em época de pandemia. ‘O contato com a Palavra de Deus através da Lectio Divina. Na Bíblia, Deus nos fala, nos acolhe e nos conforta’, recomenda.

O monge conta que a abadia primacial, complexo que reúne universidade, colégio, mosteiro e a cúria do superior geral dos beneditinos, tem seguido toda as recomendações eclesiásticas e governamentais para evitar o contágio da Covid-19. Dom Geraldo indica que nesse período de recolhimento é propício para encontrar consigo mesmo. ‘Deve-se retomar ou privilegiar o contato com Deus e redescobrir o deserto como lugar dos três ‘esses’, silêncio, solidão e o Senhor; e também dos dois ‘tês’, tentação e teofania. Reconheço que será um grande desafio, mas também trará um grande crescimento e maturidade espiritual’, afirma.

Em Belo Horizonte, a madre Maria Letícia conta que o mosteiro também tomou cuidados especiais devido à pandemia. As monjas passaram a transmitir suas orações pelas redes sociais, para evitar aglomerações na abadia. ‘Ninguém está fora, ninguém pode pensar que está livre dos sofrimentos humanitários. Estamos todos juntos louvando, intercedendo e suplicando ao Senhor, confiantes de que Ele está ao nosso lado’, explica.

Dom Geraldo ainda recorda que a ‘solidão’ forçada das pessoas não pode limitar a solidariedade. São Bento viveu em tempos de crise e de convulsão social assim, toda a sua regra é rica nesses conselhos práticos, tais como ‘nada antepor ao amor de Cristo’, ‘nunca desesperar da misericórdia de Deus’, ou mesmo o lema ‘Ora et labora’, ensina.

Madre Maria Letícia lembra do voto de estabilidade feito pelos monges e monjas segundo a recomendação de São Bento. Para a religiosa, tal postura ajuda a diferenciar o que é essencial do que é descartável, numa reflexão que está à disposição de todos nessa época de quarentena. ‘O autoconhecimento é um caminho seguro, indicado por muitos místicos da Igreja para alcançar a Deus. Conhecendo-nos, com coragem e transparência, podemos potencializar os talentos que, naturalmente, nos foram confiados; podemos trabalhar e fazer crescer as aptidões que não recebemos de forma natural’, indica a monja.'


Fonte :

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Lectio Divina (Método Leitura Orante)

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)



Antes de tudo, colocar-se à luz do Espírito de Deus e pedir sua ajuda. 

Depois, seguir os quatro degraus da Leitura Orante da Bíblia:  

Leitura, Meditação, Oração, Contemplação


            1º - Leitura 

            O que o texto diz? 

       A leitura é o primeiro passo, ou degrau da Leitura Orante da Bíblia. Ler na Biblia, reler, tornar a ler, cada vez mais, conhecer bem o que está escrito, até assimilar o próprio texto; respeitar o texto tal como ele é, sem interpretações precipitadas, sem achar que já conhece esse texto. A Sagrada Escritura é como uma fonte de água. A cada instante brota uma água nova que não é a mesma água do segundo anterior. É como um copo de água que você bebe. Só se bebe aquele copo d’água uma vez na vida. Assim cremos que seja a Palavra de Deus é sempre nova e atual. Ao ler o texto da Escritura, fazê-lo com o respeito de quem se encontra pela primeira vez. Estar atento para as palavras, as repetições, o jeito como está escrito, quem aparece no texto, em que lugar, o que fazem, o que falam... Muitas vezes precisaremos lançar mão de algum subsídio que ajude a entender o texto e o seu contexto histórico/social; usar estudos, dicionários bíblicos, livros, a ciência, a teologia e outros meios. De acordo com Dt 30,14 -“A Palavra está muito perto de ti: na tua boca” - é chegar perto da Palavra de Deus; a Palavra está na boca. Aqui descobrimos o que o texto diz em si mesmo. 


2º - Meditação 

O que Deus está me falando?  

A meditação é o segundo degrau. Depois de ouvir e ler a Sagrada Escritura, de assimilá-la criativa e ativamente, vamos usar a imaginação, palavras, a repetição mental ou oral de uma palavra, uma frase, um versículo. Repetir de memória, com a boca, o que foi lido e compreendido. Vamos ruminar até que, da boca e da cabeça, passe para o coração. Já não é mais só o que o texto diz, mas o que esta palavra está dizendo hoje, o que me diz concretamente dentro da realidade em que estamos vivendo. O que Deus falou no passado e o que está falando hoje, através deste texto? É uma forma simples de meditação, um jeito de saborear o texto com cores e cheiros de hoje, da nossa realidade. “A Palavra está muito perto de ti: na tua boca e no teu coração”.  

Questionamentos: O que o texto me diz? (Ruminar, trazer o texto para a própria vida e a realidade pessoal e social.)   


3º - Oração 

O que o texto me faz dizer a Deus?  

A meditação nos faz subir o terceiro degrau. A leitura e meditação se transformam em um encontro mais direto, íntimo e pessoal com Deus. Entramos em diálogo, em comunhão amorosa com Deus. Respondemos a Deus, pedimos que nos ajude a praticar o que a sua Palavra nos pede. O texto bíblico e a realidade de hoje nos motivam a rezar. O terceiro passo é a oração pessoal que pode desabrochar em oração comunitária, expressão espontânea de nossas convicções e sentimentos mais profundos. “A Palavra está muito perto de ti: ... no teu coração”.  

(Rezar – suplicar, louvar, dialogar com Deus, orar com um salmo...) 


4º - Contemplação 

Qual o meu novo olhar? A partir da Palavra. 

É o transbordamento do coração em ação transformadora. “Para que ponhas em prática” (Dt 30,14). Contemplar não é algo intelectual, que se passa na cabeça, mas é um agir novo que envolve todo nosso ser. É contemplativa a pessoa que tem o “jeito novo” de ser, viver, ver e assumir a vida, conforme o projeto daquele que é o nosso único Mestre e que nos diz: “Vocês são todos irmãos” (Mt 23,8). A Leitura Orante se torna uma atitude continuada no dia-a-dia por uma ação transformadora – pessoal, comunitária, social, mundial.