Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘A saúde materna torna-se uma preocupação urgente,
muitas vezes ofuscada em zonas de guerra. Lá onde a vida de todos está em
risco, a atenção social decai enormemente em relação aos riscos e dificuldades
enfrentados por gestantes e seus filhos ainda não nascidos, um efeito colateral
adicional dos processos de desumanização desencadeados por conflitos armados.
Por essa razão, a Organização Mundial da Saúde
(OMS) denunciou nos dias passadps que até 60% das mortes relacionadas à
gravidez em todo o mundo ocorrem em países onde há conflitos ou que são caracterizados
por forte instabilidade política e social.
O Relatório de Mortalidade Materna (Rmm o Mmr -
Maternal Mortality Ratio), que indica a taxa de mortes maternas durante a
gravidez e o parto, em países em guerra é de 504 mortes por 100.000 gestações.
A organização internacional também divulgou outros
dados para fornecer um panorama mais completo da situação : em países
caracterizados por instabilidade política, a razão cai para 368 mortes por
100.000 gestações. Para países que não se enquadram em nenhuma dessas
categorias, a RMM é de 99 mulheres por 100.000 gestações.
Outro fator que agrava ainda mais a situação é que
os países em guerra abrigam aproximadamente 10% das mulheres em idade fértil do
mundo. O fato de essas mulheres poderem ser vítimas de violência sexual como
arma de guerra e terem que lidar com uma gravidez resultante de estupro ilustra
ainda mais os riscos que as mulheres enfrentam em países em guerra devido à
falta de serviços de saúde adequados.
O continente onde o problema é mais prevalente é a
África, onde se concentra o maior número de conflitos, de acordo com a
classificação da OMS com base em dados de 2023 do Banco Mundial (BM). As áreas
mais afetadas são o Sahel e a África Subsaariana, com as situações mais graves
registradas na República Democrática do Congo e em Moçambique.
Na África Subsaariana, a taxa de MMA ultrapassa
quinhentas mortes por ano, tanto em países em guerra quanto em países afetados
por instabilidade social 100.000 gestações. Outras regiões com altas taxas
de mortalidade materna são o Oriente Médio, o Sul da Ásia e o Sudeste Asiático.
No primeiro caso, o número de mortes relacionadas à gravidez está concentrado
em países instáveis, enquanto no segundo, está concentrado em países assolados
por conflitos, como o Afeganistão.
Em alguns países atingidos por conflitos e
condições crônicas de violência generalizada, medidas foram adotadas para lidar
com o problema. A OMS destacou essas iniciativas como formas potenciais de
conter a emergência, levando em consideração os contextos frequentemente
trágicos em que foram implementadas.
Na Colômbia, medidas foram tomadas para fortalecer
a rede de sistemas de saúde locais com o objetivo de promover o parto seguro.
Na Etiópia, o problema foi abordado por meio da presença de equipes móveis e do
treinamento de parteiras — uma contribuição significativa para o cuidado
materno-infantil também realizada pela Médicos para a África-CUAMM — bem como
pelo trabalho para melhorar os serviços para gestantes.
Mesmo no Haiti, um país marcado por uma situação
social terrível e um estado perene de violência, semelhante ao que aconteceu na
Etiópia, esforços foram feitos para proteger os serviços destinados a gestantes.’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2026-02/mortes-durante-parto-zonas-guerra.html
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