Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Diante
desses questionamentos, observamos que existe um convite, e não respostas
prontas, pré-estabelecidas ou pré-determinadas. Por que uma palavra tão
concisa, composta em média de três a sete letras (pax - ειρήνη - shlama (שלמא) - Shalom (שָׁלוֹם) - pace -
paz - peace - paix - vrede - Frieden - 平和 (Heiwa)), é
tão almejada?
Atinge
precisamente a realidade mais sublime, da qual o Criador não abdica, (mesmo
naqueles humanos que almejam a Paz, mediante o custo das guerras, dos conflitos
e com o sacrifício de inúmeras pessoas inocentes), da genuína Liberdade,
fundamento da Sua Fidelidade, conforme reiteradamente expressamos : ‘Deus é
fiel por ser fiel à Sua própria Liberdade’, e concedeu-nos de forma nobre ao
criar-nos à Sua Imagem e Semelhança, dotados de plena liberdade (liberum
arbitrium).
Em virtude
disso, o que se manifesta são indícios (Vestigia Dei). Esta reflexão
teve como premissa uma apreciada composição do nosso estimado Padre Zezinho : ‘Estou
Pensando Em Deus/Estou pensando no Amor… Eu me angustio quando vejo/Que depois
de dois mil anos/Entre tantos desenganos/Poucos vivem Sua Fé/Muitos falam de
Esperança/Mas esquecem de Você… /Tudo seria bem melhor/Se o Natal não fosse um
dia/E se as mães fossem Maria/E se os pais fossem José/E se a gente
parecesse/Com Jesus de Nazaré….
Recentemente,
o Papa Leão XIV, em uma de suas alocuções, advertiu-nos sobre uma paz que não
se fundamenta no medo ou em armamentos, mas que desarma corações e fomenta a
confiança. Tal preceito constitui um convite ao diálogo e à empatia (colocar-se
no lugar do outro), em detrimento do ódio, e um encorajamento aos jovens para
que se tornem sementes de paz em um contexto de hostilidade. O Sumo Pontífice
define a paz como ‘um processo ativo de Vida e Esperança’.
O Papa
Francisco descreve a Paz como uma ‘construção ativa’, bem como ‘um dom de Deus
concedido a corações abertos e humildes’. Todos almejamos a paz, mas
frequentemente o que desejamos é estar em paz, ser deixados em paz, não ter
problemas, apenas tranquilidade. Na verdade, a paz requer ser edificada.
Aqueles que deflagam a guerra negligenciam a humanidade. Deus está com aqueles
que promovem a paz, e não com aqueles que recorrem à violência. Sejam
peregrinos de esperança e construtores da Paz.
A única forma
de violência admissível é aquela proclamada por Nosso Senhor : ‘o Reino dos
Céus é tomado à força, e são os violentos que o arrebatam’ (Mateus 11, 12) – o
esforço integral no caminho da santidade; uma luta cotidiana contra as próprias
inclinações, a tendência ao mal inerente à Liberdade, que se afastam da
Santíssima Vontade de Deus (Uno e Trino); a vigilância constante contra as
ciladas do diabo, da concupiscência, do mistério da iniquidade, tantas vezes
disfarçado de ‘bem’ e/ou de ‘pessoa virtuosa’.
O Papa Bento
XVI ensinou que a paz verdadeira emana de Deus e requer uma profunda
transformação interior, enfatizando a liberdade religiosa, a justiça e o
perdão, e condenando a violência, a indiferença e o olvido (demoras) de Deus
como impedimentos, e asseverando (afirmando com grande certeza) que ‘onde Deus
não é glorificado não há paz’ e que a paz constitui O Caminho, não um mero
destino, demandando que sejamos ‘operários da paz’.
São João
Paulo II expressa veementemente que, não é razoável supor que a simples
ausência de conflitos, embora seja um anseio legítimo, constitua a paz
verdadeira. A paz autêntica apenas se materializa quando é complementada pela
equidade (tratar as pessoas de forma justa), verdade, justiça e solidariedade.
As razões
fundamentais, de natureza teológica e espiritual, pelas quais o Deus encarnado
e ‘Príncipe da Paz’ (Isaías 9, 6) se manifesta e se torna acessível,
encontram-se na Sua exortação : ‘Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não
vo-La dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.’
(João 14, 27).
O ‘Príncipe
da Paz’ optou por nascer de uma Mãe Imaculada, preparada desde a preexistência
da criação. Ela constitui a intercessora que orienta os fiéis rumo ao Caminho
da Paz, mesmo em meio às maiores adversidades, configurando-se como um símbolo
de serenidade e fortaleza, notavelmente associada às aparições em Medjugorje,
onde se apresenta como ‘Rainha da Paz’.
Jesus Cristo
é o Rei que trouxe a verdadeira Paz ao mundo. Como Sua Mãe, Maria é a Rainha
que nos apresenta a Ele, o Caminho para a Paz. Ela nos convida à oração do
Santo Rosário (em meditação sobre a Palavra e Seus Mistérios revelados), à
Confissão Sacramental (realizada com um Sacerdote ou Bispo), e à recepção da
Sagrada Comunhão (em estado de Graça); pois, ‘aquele que o come e o bebe sem
distinguir o Corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação’ (1
Coríntios 11, 29). Quantas comunhões sacrílegas há no mundo!
O Santo
Rosário é uma oração centrada em Cristo, na qual a Virgem Maria, em união
conosco, suplica pela Paz mundial e pela presença de Seu Filho, como nas
aparições de Fátima e Medjugorje. Maria, em total conformidade com a Vontade
Divina, é um modelo de Paz por meio do Amor e do Serviço. Sua Realeza é de Amor
e Misericórdia, e Ela nos convida a seguir Cristo (‘fazei tudo o que Ele vos
disser’ - João 2, 5), intercedendo pelos sofredores e oprimidos por conflitos e
angústias.
Maria
colaborou na obra de Cristo, o Rei, e, em virtude disso, é coroada Rainha,
exercendo a realeza com Ele e por Ele, sempre dedicada à nossa salvação e
reconciliação. A sua existência encerra um apelo central à obediência plena a
Jesus, o Rei do Universo, que lhe confere o poder e os dons extraordinários que
Lhe aprouver, Ele quer.
Ela é, por
fim, Rainha da Paz, pois é a Mãe do Rei da Paz. Ela nos conduz a Ele, intercede
por nós e nos instrui sobre como vivenciar a Paz de Cristo, um título que, por
excelência, reflete sua Missão e seu Amor Maternal. Salve Rainha! ‘Esta é a Paz
que excede (vai além) todo o entendimento’. (Filipenses 4, 7).
Ó Maria
Santíssima, Rainha da Paz, doce Mãe de Jesus Cristo, ‘Príncipe da Paz’, eis a
vossos pés vossos filhos tristes, conturbados, cheios de confusão, pois a Paz
se afastou de nós em decorrência de nossos pecados e transgressões. Quando
nasceu em Belém, os Anjos nos anunciaram a Paz. Afastai para longe de nós os
sentimentos de amor próprio, expulsai de nós o espírito de inveja, maldição e
discórdia.
Abençoai-nos,
dirigindo os nossos passos no Caminho da Paz, da união e mútua caridade, para
que, formando aqui a Vossa Família, possamos no Céu bendizer-vos e a vosso
Divino Filho, por toda a Eternidade Feliz.
Assim seja.’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2025-12/urgencia-paz-coracao-humano.html