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terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Artesãos de misericórdia

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Irmão Darlei Zanon


A Igreja Católica não é uma ONG ou uma associação de voluntariado, isso já enfatizou o Papa em diversas ocasiões. No entanto, a Igreja é fonte de caridade e dentre as suas ações há muito espaço – e necessidade – do trabalho voluntário. Exatamente isso é o que enfatiza o Papa Francisco no seu vídeo do mês de dezembro, no qual pede orações pelos voluntários e pelas organizações de voluntariado. Mais especificamente, Francisco convida-nos a rezar ‘para que as organizações de voluntariado e promoção humana encontrem pessoas desejosas de empenhar-se pelo bem comum e procurem caminhos sempre novos de colaboração a nível internacional.’

Num mundo sempre mais individualista e marcado pela cultura do descarte, é interessante refletir sobre o significado e a importância do voluntariado, dentro e fora da Igreja. Voluntário é aquele que age por vontade própria, que se compromete com um trabalho ou assume a responsabilidade de uma tarefa sem ter a obrigação de o fazer, que realiza alguma ação movido pelo desejo sincero de fazer o bem, sem esperar nada em troca, sem pretender nenhum pagamento pelo trabalho exercido. Alguém que quer colaborar com a construção de um mundo melhor, agindo por empatia, ou seja, com a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa.

Ser voluntário nos enche de alegria. E vai muito além, pois nos abre à justiça social, ao amor ao próximo, ao desenvolvimento humano, ao crescimento pessoal e comunitário. Exatamente isso é o que destaca o Papa Francisco no seu vídeo do mês : ‘o mundo precisa de voluntários comprometidos com o bem comum’. Precisa de pessoas que se comprometam com o outro, com a comunidade, que estejam dispostos a ‘multiplicar a esperança’.

Para ilustrar a importância do voluntariado, o Sumo Pontífice utiliza uma expressão muito bonita e cheia de significado : a imagem do artesão, tantas vezes já utilizadas por Francisco, junto ao conceito de misericórdia, sentimento ou virtude ao qual dedicou inclusive um ano jubilar (2016). Francisco afirma que ‘ser voluntário é ser artesãos de misericórdia : com as mãos, com os olhos, com o ouvido atento, com a proximidade’.

Artesão é aquele pequeno produtor que exercita a sua arte com paciência, cansaço, cuidado e constância, mas também com grande maestria. Produz objetos cuja realização exige uma particular capacidade técnica e um específico gosto estético. O artesão é um profissional no seu campo, mas é também um artista, criativo, inovador, minucioso. Empenha-se e envolve-se profundamente na sua criação, vê a sua obra como uma extensão da sua pessoa. O artesão dá vida, ‘põe a mão na massa’ diríamos popularmente.

O conceito de artesão exprime bem a visão e a metodologia de trabalho a serem concretizadas para alcançar a misericórdia e a comunhão. É um trabalho feito de pequenos e grandes gestos, a cada dia, em cada situação, colocando atenção a cada pequeno detalhe, como fizeram Jesus e os seus discípulos. Ser artesão significa, como indicou o Papa Francisco em outra ocasião, «praticar a paciência, o diálogo, o perdão, a fraternidade» (Angelus, 19 de fevereiro de 2017).

A imagem do ‘artesão’ é utilizada pelo Papa com frequência. Poderíamos recordar, por exemplo, de quando incentivou os participantes no Concerto Beneficente ‘Avrai’, realizado na Sala Paulo VI em 2016, a serem ‘artesãos de misericórdia a cada dia’; ou quando nos falou dos ‘artesãos de justiça e de paz’, na mensagem para a LIII Jornada mundial da Paz (1° de janeiro de 2020); de ‘artesãos de fraternidade’, na mensagem na Praça do Campidoglio, Roma (26 de março de 2019); ou então dos ‘artesãos de hospitalidade’, durante a cerimônia de boas-vindas na Tailândia (21 de novembro de 2019); e ainda de ‘artesãos de paz’, no Angelus de 1° de janeiro de 2019. Comum a todos esses discursos, inclusive à imagem do voluntário como um ‘artesão de misericórdia’, está a certeza de que a atividade artesanal requer trabalho exigente e contínuo, e pode dar resultados esplêndidos, gerando verdadeiras obras de arte.

A misericórdia que somos convidados a construir artesanalmente através do voluntariado se torna sinal potente do amor de Deus no mundo e por isso um testemunho forte de comunhão, de fraternidade e de alegria do Evangelho. Tema provocador para refletir e rezar especialmente durante o Advento, enquanto esperamos alegres e ansiosos pela encarnação do Filho de Deus, expressão maior do seu amor e misericórdia.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2022-12/artesaos-misericordia-papa.html

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Oficina de Santa Rita 'São João de Sahagun'

Por Cecilia F. Angelo e Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

  
A Associação e Oficinas de Caridade Santa Rita de Cássia é uma fundação da Ordem de Santo Agostinho.

Sua origem remonta a 1901, por iniciativa de uma jovem da nobreza de Madri. Ao acatar o conselho de seu confessor, dedicou parte de seu tempo à costura e distribuição de roupas para crianças pobres. Seu entusiasmo era tanto, que animou as amigas. E as amigas animaram outras mulheres que também se prontificaram a participar. Dali em diante, todas trabalharam por uma mesma causa.

O Padre Salvador Font, agostiniano, percebendo a propagação e dinamismo da iniciativa, amparou a criação de outros centros, regulamentando-os sob a proteção de Santa Rita.

Em pouco tempo, a obra amplificou-se pelas demais províncias da Espanha. O papa Leão XIII concedeu-lhes a benção e várias indulgências.


 CINQUENTENÁRIO DA OFICINA  
  SÃO JOÃO DE SAHAGUN    

Colégio Cristo Rei, das Irmãs Agostinianas Missionárias – São Paulo, capital – possuía na década de 60 uma APM (Associação de Pais e Mestres) muito ativa. Por intermédio de ações sociais e culturais, conseguia integrar a escola e a família de seus alunos.
Com o total empenho da Madre Angélica, nasceu entre as mães a idéia de formar uma Oficina de Santa Rita, confeccionando enxovais para os recém-nascidos, no intuito de auxiliar famílias carentes. Assim, em 12 de junho de 1962 surgiu o embrião da centésima unidade.
Para conselheiro, convidaram Padre MarianoFoi dele a sugestão de batizá-la de SÃO JOÃO DE SAHAGUN. E 12 de junho, além disso, corresponde ao culto deste santo de notória devoção à Santíssima Eucaristia.



Foi uma graça divina ter Padre Mariano como Conselheiro por tantos anos : ele era extremamente atuante, frequentador assíduo das reuniões, sempre com palavras de carinho e incentivo ao trabalho.
As dificuldades eram colossais, no entanto, a força de vontade e o empenho eram maiores.

Estes enxovais até hoje são distribuídos ao Hospital Amparo Maternal e às mães extremamente necessitadas. Contribuímos também com os idosos da Casa Comunitária São José ( levamos roupas, materiais de higiene e remédios ).

Sendo um movimento auto-suficiente, precisamos arrecadar fundos e custear despesas : dependemos da doação espontânea em dinheiro de alguns colaboradores, elaboramos diferentes tipos de artesanato, que são expostos no Bazar Anual das Oficinas de Santa Rita, e promovemos chás beneficentes.

Aproveitamos a ocasião para agradecer o magnífico apoio das Irmãs Maria Eline Lopes Oliveira, Angela Cecília Traldi e Ana Maria de Paula Brandão, às destemidas voluntárias e àquelas que presidiram tão condignamente esta empreitada nestes cinquenta anos :
. Maria José Felissati – a primeira presidente, mulher dinâmica, que se empenhou de corpo e alma
. Olga Pereira de Castro
. Olimpia M. Rego Barros
. Catharine M. Pinheiro
. Dulce Nabuco
. Terezinha de Siqueira
. Isaurina Barros Peixoto

PATRONO


SÃO JOÃO DE SAHAGUN ou João de São Facundo, nascido em 11 de junho de 1430 como Juan Gonzales de Castrillo Martinez de Sahagun y Cea.  Estudou em sua cidade natal no mosteiro Beneditino de San Fagondez e desde pequeno mostrava sinais de santidade.

Apesar de uma vida abastada, João renunciou aos benefícios oferecidos por seus pais, pois achava que eles eram contrários aos desígnios de Deus. Após ordenar-se padre, acreditando que uma melhor compreensão da teologia lhe permitiria uma entrega mais completa a Deus, pediu permissão ao seu Bispo e foi estudar em Salamanca.

Em busca de um caminho mais próximo de Deus, optou pela ordem dos Agostinianos, tornando-se FREI JOÃO ao emitir seus votos em 28 de agosto de 1464 :

ü  era profundamente devoto da Eucaristia – O próprio Deus se manifestava a ele no Santíssimo Sacramento

ü  tinha o dom de penetrar nos segredos da consciência, quem o procurava acabava por fazer uma boa confissão

ü  visitava os mais necessitados e enfermos, consolando-os com palavras e pedindo auxílio aos que podiam socorrê-los com bens materiais

ü  mediador da paz e da concórdia, colocou fim às hostilidades em Salamanca e tornou-se um de seus padroeiros.  Infatigável pregador e defensor dos direitos, era muito corajoso, por isto amargou inúmeras perseguições; depois de sofrer uma tentativa de homicídio (seus assassinos se arrependeram ao chegar perto dele), finalmente foi assassinado em 11 de junho de 1479, com veneno administrado por uma mulher de origem nobre, cujo amante se converteu e retornou à vida familiar.

Prontamente foi aclamado APÓSTOLO DE SALAMANCA e começaram as peregrinações ao seu túmulo, onde ocorriam milagres. 


Cronologia

v  NASCIMENTO – 1430 – Vila San Facundo – León-Reino de Castela  (atual Espanha) 
v  MORTE – 11 de Junho de 1479 em Salamanca

v  BEATIFICAÇÃO – 1601 – Roma – Papa Clemente VIII

v  CANONIZAÇÃO – 16 de outubro de 1690 – Roma – Papa Alexandre VIII

v  PRINCIPAL TEMPLO – Catedral Nova de Salamanca e Ermita de San Juan de Sahagún

v  FESTA LITURGICA – 12 de Junho – dia em que foi declarado Santo pela igreja em 1690


Aceitamos doações de lã e estamos sempre abertas para receber novas voluntárias. Temos somente uma reunião mensal, a contribuição em dinheiro é facultativa e o que se pede é boa vontade em auxiliar o próximo. Se souber executar algum trabalho manual, ajuda muito.
Para participar contate Eliana Marufuji (11) 98482-4272.