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quarta-feira, 11 de junho de 2025

As relíquias que contam a vida de Santo Antônio

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo do Frei Augusto Luiz Gabriel, OFM

 

Santo Antônio de Pádua, também conhecido como Santo Antônio de Lisboa (1195-1231), é celebrado não apenas por sua fecunda pregação e amor à Eucaristia, mas também pelo mistério da incorruptibilidade das relíquias que permanecem visíveis até hoje. Dentre essas preciosidades, destaca-se a relíquia de sua língua, conservada em um relicário na Capela do Tesouro da Basílica de Pádua, cujo estado preservado desafia a compreensão científica e enche de fé os peregrinos.

A língua incorrupta de Santo Antonio

Conta a história que, logo após sua morte, em 1231, durante o processo de canonização começaram a ser distribuídas várias relíquias de Santo Antônio. Em 30 de maio de 1232, o Papa Gregório IX, antigo amigo pessoal de Antônio, inscreveu-o no catálogo dos santos em cerimônia na catedral de Espoleto. 

Em 8 de abril de 1263, o ministro-geral da Ordem dos Frades Menores, São Boaventura da Bagnoregio, ao trasladar o corpo de Antônio para a basílica do santo em Pádua, encontrou sua língua incorrupta e mandou colocá-la em relicário. Em 14 de junho de 1310, o túmulo foi transferido para outra capela da mesma basílica.

Em 15 de fevereiro de 1350, o Cardeal Guy de Boulogne mandou colocar o queixo em um relicário e inventários posteriores mencionam fragmentos de braço, mão, dente, parte da túnica, cabelos, rádio, dedo e pele da cabeça. Parte do rádio foi, em 1968, remetida à Catedral de Lisboa.

De 6 de janeiro a 15 de fevereiro de 1981, realizou-se um segundo reconhecimento dos restos mortais, confirmando que as cartilagens do aparelho fonador continuavam incorruptas.

A relíquia mais famosa, sua língua, permanece visível e intacta no relicário da Capela do Tesouro da Basílica de Pádua, mistério que a ciência não explica e milagre que a fé celebra e reforça a devoção dos peregrinos.

Da vida de Fernando ao Frade Antonio

Originalmente batizado como Fernando, ingressou na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho em Lisboa. Em 1220, diante das relíquias dos cinco primeiros mártires franciscanos – que partiriam para o Marrocos e ali deram a vida –, Fernando sentiu o impulso de imitar seu testemunho. Pediu para deixar os agostinianos e, adotando o nome de Antônio, quis partir para o norte da África, não fosse uma enfermidade que o obrigou a retornar à Itália, marcando-lhe outro destino.

Em 1221, participou do Capítulo das Esteiras em Assis, onde conheceu pessoalmente São Francisco de Assis. Reconhecendo seu talento, Francisco o convidou a ensinar Teologia aos frades, missão que Antônio exerceu em Bolonha e Paris, lançando as bases do pensamento franciscano que inspiraria depois São Boaventura e Duns Scotus e sendo o primeiro professor dos frades franciscanos. 

As relíquias não são apenas vestígios materiais, mas lembretes do sacrifício de Cristo e do chamado à santidade. Francisco alertou Antônio em carta a ensinar teologia aos frades “sem extinguir o espírito da santa oração e devoção” (Carta a Antônio), mostrando que estudo e contemplação caminham juntos.

Dotado de extraordinária eloquência, Santo Antônio pregava com poder e compaixão, convertendo muitos que se afastaram da Igreja. Seu zelo pastoral incluía o atendimento a confissões e o aconselhamento, mesmo enfrentando problemas de saúde. 

Diz‑se que qualquer fragmento de sua túnica ou contato com sua pessoa era causa de grande graça. Um exemplo famoso envolve a Irmã Oliva : após beijar-lhe as mãos, ela sofreu dores violentas até aplicar um pedaço da túnica, quando imediatamente foi curada, provando que qualquer relíquia sua era instrumento de graça (relato extraído da Biografia e Sermões de Santo Antônio).

Até hoje, peregrinos de todas as partes do mundo visitam a Basílica de Pádua para contemplar a língua incorrupta de Santo Antônio, testemunhando um milagre que une ciência e fé. Essa relíquia não apenas lembra o poder do testemunho cristão, mas também conserva viva a memória de um santo cuja palavra se fez vida para tantos corações. 

Santo Antônio, rogai por nós!’

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/as-reliquias-que-contam-a-vida-de-santo-antonio.html

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Santo Antônio de Pádua (Lisboa), Presbítero e Doutor da Igreja

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


Nasceu em Lisboa (Portugal), no final do século XII. Foi recebido entre os Cônegos Regulares de Santo Agostinho, mas pouco depois de sua ordenação sacerdotal transferiu-se para a Ordem dos Frades Menores com a intenção de dedicar-se à propagação da fé entre os povos da África. Foi, entretanto, na França e na Itália que ele exerceu com excelentes frutos o ministério da pregação, convertendo muitos hereges. Foi o primeiro professor de teologia na sua Ordem. Escreveu vários sermões, cheios de doutrina e de unção espiritual. Morreu em Pádua no ano de 1231.


A Liturgia das Horas e a reflexão no dia de Santo Antônio de Pádua,
presbítero e doutor da Igreja :

Ofício das Leituras

Segunda leitura
Dos Sermões de Santo Antônio de Pádua, presbítero
(I.226)      (Séc. XII)

Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando os outros as veem em nós mesmos. A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas. Diz São Gregório: “Há uma lei para o pregador: que faça o que prega”. Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.

Os apóstolos, entretanto, falavam conforme o Espírito Santo os inspirava (cf. At 2,4). Feliz de quem fala conforme o Espírito Santo lhe inspira e não conforme suas ideias! Pois há alguns que falam movidos pelo próprio espírito e, usando as palavras dos outros, apresentam-nas como suas, atribuindo-as a si mesmos. Destes e de outros semelhantes, diz o Senhor por meio do profeta Jeremias: Terão de se haver comigo os profetas que roubam um do outro as minhas palavras. Terão de se haver comigo os profetas, diz o Senhor, que usam suas línguas para proferir oráculos. Eis que terão de haver-se comigo os profetas que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, que os contam, e seduzem o meu povo com suas mentiras e seus enganos. Mas eu não os enviei, não lhes dei ordens, e não são de nenhuma utilidade para este povo – oráculo do Senhor (Jr 23,30-32).

Falemos, portanto, conforme a linguagem que o Espírito Santo nos conceder; e peçamos-lhe humilde e devotamente que derrame sobre nós a sua graça, a fim de podermos celebrar o dia de Pentecostes com a perfeição dos cinco sentidos e na observância do decálogo. Que sejamos repletos de um profundo espírito de contrição e nos inflamemos com essas línguas de fogo que são os louvores divinos. Desse modo, ardentes e iluminados pelos esplendores da santidade, mereceremos ver o Deus Uno e Trino.


Fonte :
‘In Liturgia das Horas III’, 1357, 1359