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terça-feira, 24 de setembro de 2019

Mês da Bíblia: as cartas de São Paulo, as Epístolas Católicas e o Apocalipse

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

  
*Artigo de Mário Scandiuzzi, 
jornalista


‘Vamos falar das Cartas de São Paulo, apresentando a ordem cronológica, situando-as no livro dos Atos dos Apóstolos.

Tessalonicenses I e II – na primeira carta, Paulo fala sobre a pregação do Evangelho, da alegria ao saber da fidelidade da comunidade de Tessalônica, faz um convite para que todos sejam perseverantes na fé e fala também da ressurreição dos mortos. Na segunda alerta os fiéis sobre as falsas ideias da segunda vinda de Cristo, exorta todos sobre a confiança em Deus e para que se fortaleçam na luta contra o mal.

Gálatas – esta carta foi escrita porque alguns judeus cristãos queriam obrigar os pagãos recém convertidos ao cristianismo a seguirem a Antiga Lei.

Romanos – nesta carta o apóstolo fala sobre o estado de pecado no qual se encontra o homem e que a salvação não é mérito de nossos atos. A carta ainda traz os fundamentos de uma vida verdadeiramente cristã, com os deveres para com as outras pessoas.

Coríntios I e II – carta dirigida a uma comunidade marcada por disputas e abusos. Na primeira carta Paulo prega a união e a humildade. Ele ainda aconselha os fiéis sobre o casamento e a virgindade e dá conselhos escrevendo sobre a caridade (capítulos 12 a 14). Na segunda carta, Paulo se defende contra aqueles que se opunham às suas pregações, justificando-se contra todas as acusações que lhe foram feitas em Corinto.

Efésios, Filipenses e Colossenses – são chamadas de ‘epístolas do cativeiro’ por terem sido escritas no período em que Paulo ficou preso em Éfeso e em Roma, entre os anos de 60 e 62. Ele trata do mistério de Cristo na Igreja e apresenta diversos conselhos aos fiéis que vivem uma vida nova em Cristo. A carta aos Filipenses tem um caráter mais pessoal, marcado pelas expressões de alegria.

Filemon – é dirigida a um rico cristão de Colossos, cujo escravo havia fugido e procurado refúgio junto ao apóstolo. Paulo implora pelo perdão para o escravo.

Timóteo I e II e Tito – são chamadas de epístolas pastorais. Timóteo é discípulo de Paulo e companheiro de viagem. Foi colocado à frente da comunidade de Éfeso. A primeira carta é lembra dos conselhos já recebidos e propõem um programa de vida para homens, mulheres, bispos e diáconos. Paulo também fala sobre as viúvas, os anciãos e os escravos. Quando escreveu a segunda carta a Timóteo, Paulo já estava preso e pressentindo o martírio dá aos discípulos suas últimas recomendações. Tito era grego e também colaborador de Paulo. Nesta carta ele dá conselhos sobre a organização das comunidades na ilha de Creta.

Hebreus – esta carta reflete as ideias centrais da pregação de Paulo, ela não parece ter sido escrita por ele, já que possui um estilo diferente. A carta é dirigida a uma comunidade de judeus convertidos que viviam um dilema por ter que abandonar o culto do templo e da sinagoga ao se tornarem cristão. O texto se fundamenta na Lei de Moisés para mostrar que o Evangelho é a realização efetiva do culto israelita.

As epístolas católicas – este é o nome que se dá a um conjunto de sete cartas dirigidas a um conjunto de igrejas.

Tiago – era bispo de Jerusalém e presidiu uma importante reunião dos apóstolos no ano de 49. O texto tem como base o Sermão da Montanha, com conselhos voltados para o cristão fervoroso com virtudes para uma nova vida.

Pedro – a primeira carta de Pedro provavelmente foi escrita por Silvano, discípulo de Paulo que se tornou também colaborador de Pedro. O texto fala sobre a alegria do cristão batizado e a união em Jesus. Para aqueles que sofre pela fé, a carta lembra do sofrimento de Cristo, pregando uma vida de santidade e de boas práticas.

A segunda carta de Pedro e a carta de Judas parecem ter sido escritas pela mesma pessoa e alertam contra as falsas doutrinas que começavam a ser disseminadas e encorajam os fiéis a se manterem firmes na fé e no amor de Deus.

João – são três epístolas escritas pelo ‘discípulo que Jesus amava’. A primeira delas afirma que Deus é amor e luz e o cristão, como filho da luz, deve fugir da escuridão, seguir os mandamentos e arrepender-se caso cometa algum pecado. As duas cartas seguintes são dirigidas a comunidades da Ásia (Kyria – ‘a eleita’ e Gaio) e tratam de temas particulares.

Apocalipse – no grego essa palavra significa revelação. Este livro foi escrito por São João no fim de sua vida como uma carta destinada às Igrejas da Ásia Menor. Considerado um texto de difícil interpretação, é preciso que se entenda o momento em que foi escrito. Os cristãos da Ásia começavam a sofrer perseguições. Aqueles que esperavam pela libertação com a segunda vinda de Cristo, viam com tristeza que este retorno demorava. João quis fazer de seu livro uma mensagem de esperança e, ao mesmo tempo, anunciar aos fiéis a inevitável luta entre o bem e o mal e predizer a vitória de Deus. Para isso usa de um recurso literário muito usado entre os judeus, presente também no livro do profeta Daniel. O gênero apocalíptico não quer dar uma descrição antecipada de fatos futuros, mas apresentar a realidade com símbolos diferentes, numa linguagem figurada para provocar a atenção do leitor. Para uma boa leitura deste livro é importante saber alguns dos simbolismos apresentados : O Cordeiro simboliza Cristo; a mulher, a Igreja Cristã; o dragão, as forças contrárias ao Reino de Deus; as duas feras (cap. 13), o império romano e o culto ao imperador; as vestes brancas, a vitória. O Apocalipse anuncia aos fiéis que não é possível escapar da luta do sofrimento no plano terrestre e também que a vitória final se dá em Cristo ressuscitado que venceu a morte.


Fonte :

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Mês da Bíblia: o Evangelho e os Atos dos Apóstolos

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Mário Scandiuzzi, 
jornalista


‘A palavra Evangelho é de origem grega e significa a Boa Nova. O Evangelho narra a boa nova, a vinda de Deus entre os homens, daquele que se fez ‘filho do homem’ para que possamos nos tornar ‘filhos de Deus’.

Antes de ser escrito, o Evangelho foi anunciado. Assim como o próprio Jesus falou aos discípulos, estes continuaram a missão depois da morte e ressurreição do Senhor. E este ensinamento foi escrito a fim de que fosse conservado com fidelidade.

Mateus, que se chamava Levi era coletor de impostos antes de ser chamado por Jesus para segui-lo. Escreveu seu evangelho em aramaico, um dialeto do hebraico, por volta do ano 60. O texto não foi conservado, mas rapidamente traduzido para o grego. Mateus escreveu na Palestina para leitores judeus; seu texto tem várias referências ao Antigo Testamento.

Marcos é o sobrenome de João, primo de Barnabé, que é citado no livro dos Atos dos Apóstolos 12, 12. É discípulo de Pedro e acompanhou Paulo em sua primeira viagem missionária. O Evangelho reflete os ensinamentos de Pedro em Roma pouco antes do ano 64. Por vários detalhes acredita-se que se trata de um testemunho direto da vida e da atividade de Jesus. Marcos quer apresentar Jesus aos pagãos, mostrando o que de havia de extraordinário e de valor de sua missão nos milagres que realizou.

Lucas é de origem grega e também foi companheiro nas missões de Paulo. Lucas também é o autor do Livro dos Atos dos Apóstolos. Embora não tenha sido testemunha dos fatos, teve o cuidado de documentar seu relato, utilizando-se dos textos de Mateus e Marcos. Lucas também escreveu aos pagãos, destacando a bondade e a misericórdia de Jesus.

João é o apóstolo, irmão de Tiago e filho de Zebedeu. Foi um dos mais próximos do Mestre e a quem Jesus confiou o cuidado de sua mãe. O texto foi escrito nos últimos anos do primeiro século, mais de 30 anos depois dos três primeiros. Era dirigido aos cristãos e buscava mostrar a divindade manifestada aos homens na pessoa de Jesus. Apresenta-o como ‘a água da vida eterna’, ‘o pão vivo descido do céu’, ‘a luz do mundo’, ‘o bom pastor’, ‘o caminho, a verdade e a vida’. João não narrou somente os fatos e discursos de Jesus, mas também nos deixou sua experiência pessoal junto do Mestre.

Apesar de serem quatro autores, a Igreja tem vivo o sentimento que se trata de uma só Boa Nova de salvação, apresentada sob quatro formas : segundo Mateus, segundo Marcos, segundo Lucas e segundo João.

Os Atos dos Apóstolos são a sequência do evangelho segundo Lucas, também autor deste livro. Aqui encontramos o nascimento da Igreja primitiva, a ascensão de Jesus, o Pentecostes, a conversão de Paulo e suas viagens missionárias pela Ásia Menor e Grécia. A narrativa mostra ainda a prisão e a transferência de Paulo para Roma, mas não relata a libertação dele e as viagens antes do martírio. Na primeira parte os Atos dos Apóstolos falam sobre a influência do Espírito Santo na formação das primeiras comunidades cristãs. Na segunda parte, mostra como Paulo, a exemplo de Pedro, é o grande responsável pela entrada de vários pagãos na Igreja.

A leitura dos Atos dos Apóstolos é muito importante para uma boa compreensão das Epístola de São Paulo.


Fonte :