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terça-feira, 29 de julho de 2025

Tráfico, o novo relatório de Talitha Kum: ajuda para 400 mil mulheres e crianças

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo de Federico Piana - Vatican News

 

‘Não são números, são esperança. Por exemplo, anotem este número : 939.185. Representa os homens, mulheres e crianças em todo o mundo que ‘Talitha Kum’ — a rede internacional da vida consagrada contra o tráfico de pessoas, nascida em 2009 no seio da União Internacional das Superioras Gerais — conseguiu ajudar no ano passado. Ponham esses números em fila, um por um, e terão diante dos olhos um povo oprimido pela violência e pela injustiça que encontrou forças para continuar a existir. Nada a ver com estatísticas frias e anônimas.

Sobretudo mulheres e crianças

Graças a todos os dados contidos no Relatório Anual 2024, publicado na véspera do Dia Mundial contra o tráfico de seres humanos, que se celebra neste dia 30 de julho, descobrimos que ‘Talitha Kum’ conseguiu alcançar, graças aos seus programas de apoio e sensibilização, mais de 400 mil mulheres e crianças. Em particular, mais de 46 mil mulheres e meninas receberam cuidados diretos como vítimas sobreviventes, registrando um aumento de 19% em relação ao ano anterior. E, se o número de vítimas aumentou, também cresceram os serviços de apoio, como alojamento seguro, apoio psicológico especializado em trauma, assistência jurídica e cursos de formação profissional : um aumento médio de 26%, especialmente na Ásia e nas Américas. ‘Essas intervenções’, lê-se no relatório, ‘foram realizadas principalmente por freiras e apoiadores da nossa rede, cuja presença compassiva e contínua encarna a missão de Talitha Kum : caminhar ao lado dos sobreviventes com dignidade’.

O problema da justiça

Na Europa e na África, registrou-se uma queda de 26% nos serviços necessários para garantir o acesso adequado à justiça, enquanto a Ásia segue uma tendência contrária : aqui, alguns progressos foram alcançados graças a colaborações eficazes no âmbito jurídico e a atividades concretas de assistência jurídica. O relatório, no entanto, ressalta cada vez mais ‘a urgência de reforçar o acompanhamento jurídico e replicar as boas práticas nos contextos menos atendidos por esses serviços’.

Prevenção, arma eficaz

A prevenção continua a ser uma das armas mais eficazes para combater o fenômeno da trata de seres humanos. Só em 2024, os projetos destinados a formar, educar e informar alcançaram quase 700 mil pessoas, um aumento de 11% em relação a 2023. Um sucesso particularmente marcante nas Américas, na Ásia, no Oriente Médio e na África, fruto de uma verdadeira mobilização popular e de uma colaboração inter-religiosa assídua. O dossiê também destaca os esforços de sensibilização, a chamada ‘advocacy’, que alcançou mais de 78.000 pessoas em espaços públicos da Europa, Américas, Oceania e África : ‘Enraizada nas vozes dos sobreviventes e na experiência vivida pelas comunidades, a ação política da nossa rede continua a reforçar o seu papel nos processos de diálogo político e nos fóruns da sociedade civil’.

Apoio ampliado

Os conflitos que hoje sangram o mundo, como os de Mianmar, Ucrânia e Oriente Médio, estão tendo um impacto considerável na gestão das atividades da rede internacional de freiras contra o tráfico humano. ‘Essas crises’, afirma Talitha Kum, ‘causam o deslocamento de comunidades inteiras, aumentando os riscos para mulheres, crianças, migrantes e refugiados. Apesar desses desafios, ampliamos nosso apoio às vítimas e sobreviventes. Nossa ação de ‘advocacy’ se fortaleceu em todas as regiões do mundo’. De Gana à Coreia do Sul, do Brasil à Irlanda, o objetivo das irmãs contra o tráfico, apoiadas por um grupo consistente de organizações da sociedade civil, tem sido influenciar as políticas públicas, também graças à sabedoria dos sobreviventes e das comunidades locais, bem como envolvendo jovens líderes capazes de mobilizar outros para a ação concreta.

Visão global

Além disso, o relatório apresenta uma avaliação mais geral do fenômeno do tráfico de pessoas, que parece estar crescendo a cada ano : ‘é complexo e difícil de compreender totalmente, também devido à escassez de dados atualizados e confiáveis. Trata-se, no entanto, de uma realidade em constante evolução, intimamente ligada a tendências globais emergentes, desigualdades e vulnerabilidades’. De acordo com as estatísticas mais recentes do Escritório das Nações Unidas para o Controle de Drogas e Prevenção do Crime, ‘em 2022, foi registrado um aumento global de 25% no número de vítimas em relação a 2019. Os casos de trabalho forçado cresceram 47% e as vítimas menores de idade, 31%, com um aumento de 38% entre as meninas. Vinte e dois por cento das ONGs relatam que mais de um terço dos sobreviventes que elas apoiam foram vítimas de tráfico mais de uma vez’. Dados que confirmam que as mulheres e meninas continuam, infelizmente, ‘representando a maioria dos casos, enquanto em muitos países a maioria das vítimas de tráfico são menores’.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2025-07/trafico-novo-relatorio-talitha-kum-ajuda-400-mil-mulheres.html

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Nigéria: religiosa cria grupo de ação comunitária para lutar contra o tráfico de pessoas

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
A Ir. Anthonia Essien e sua equipa em Akwa Ibom, na Nigéria 

*Artigo da Irmã Oluwakemi Akinleye


A irmã Anthonia M. Essien é membro da Congregação das Servas do Santo Menino Jesus, na Nigéria. É professora de sociologia da religião e atual vice-chanceler da Universidade de Uyo, na Nigéria. Apesar da sua agenda sobrecarregada como professora universitária, a irmã Anthonia respondeu ao flagelo das vítimas do tráfico, aderindo de todo o coração à luta contra o tráfico de seres humanos através de programas de sensibilização e de aquisição de competências. «Fiquei comovida com as histórias das vítimas. Não conseguia dormir. Tinha que fazer alguma coisa por elas», disse a irmã Anthonia.

Vidas de crianças e adolescentes salvas

Desde 2021, a irmã Anthonia tem levado a cabo várias atividades pastorais nas aldeias rurais do Estado de Akwa Ibom, sensibilizando a população para os males do tráfico de seres humanos. Ela trabalha ativamente em colaboração com as agências locais de aplicação da lei para facilitar a detenção de traficantes e garantir que respondam à lei.

Recentemente, os seus esforços levaram ao resgate de várias crianças e adolescentes que tinham sido vendidos a traficantes no país. «Fiquei impressionada ao saber que algumas das crianças tinham sido vendidas por um adulto que conheciam», disse a irmã Anthonia. «A minha primeira reação, quando o pai de duas das crianças me disse que elas tinham desaparecido, foi envolver a polícia e o departamento estatal de combate ao tráfico. A sua resposta imediata levou ao salvamento das crianças».

Grupo de Ação Comunitária

A irmã Anthonia criou o conceito de um Grupo de Ação Comunitária (Yak Iyamma no dialeto da região para mobilizar a comunidade local na prevenção do tráfico de pessoas. Isto implica a formação dos líderes comunitários e dos jovens para que se tornem embaixadores da proteção dos membros da sua comunidade local contra os traficantes, e a capacitação dos jovens para a sua subsistência.

Graças ao apoio das suas religiosas, aos financiamentos de doadores locais e à Fundação Arise do Reino Unido, a irmã Anthonia e a sua equipa têm conseguido chegar a muitas pessoas vulneráveis nas comunidades rurais de Abiaokpo Ikot Abasi Inyang, no Estado de Akwa Ibom. «Todos os dias agradeço a Deus e rezo por quantos apoiam este trabalho, especialmente os nossos benfeitores», realçou a irmã Anthonia.

Campanhas contra o tráfico

Algumas das campanhas contra o tráfico do Yak Iyamma no Estado de Akwa Ibom foram realizadas nos mercados, nas ruas e nas aldeias do interior. A irmã Anthonia e a sua equipa foram ao encontro das pessoas sob o calor abrasador e as fortes chuvas. O seu objetivo era sensibilizar para as recentes atividades dos traficantes que roubam crianças e aliciam adolescentes da comunidade local e para a forma de unir esforços para travar este mal. «Temos de continuar a educar o nosso povo sobre as várias formas como os traficantes de seres humanos os enganam e as nossas vozes têm de ser mais altas, especialmente nos casos em que alguns membros da comunidade se tornaram vítimas», exortou a irmã Anthonia. Por vezes, o Team Yak Iyama teve de caminhar muitas horas para chegar a algumas comunidades locais, mas levou a cabo estas atividades de sensibilização com alegria e satisfação. 

Infelizmente, os traficantes de seres humanos na Nigéria continuam a alvejar as comunidades mais vulneráveis e marginalizadas. No entanto, a irmã Anthonia e a sua equipa, apesar de terem recebido muitas ameaças, não se deixaram intimidar na sua determinação de continuar a sensibilizar as comunidades rurais e a oferecer programas de aquisição de competências para responsabilizar os jovens, na sua luta contra o tráfico de seres humanos e no seu esforço por promover a proteção dos menores e dos mais vulneráveis na sociedade.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2024-05/projeto-sisters-nigeria-irma-yak-lyamma-luta-trafico-pessoas.html


quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Tráfico de pessoas, a outra pandemia

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo da Irmã Benjamine Kimala Nanga, 

Missionária Comboniana

 

‘O meu trabalho principal como missionária é colaborar com a Red Kawsay da Conferência de Religiosos do Peru, uma rede de vida consagrada que começou em 2010 e cujo principal objetivo é lutar contra o tráfico e a exploração de seres humanos. «Kawsay» é um termo quéchua que significa «viver». A Palavra de Deus que inspira o nosso compromisso cristão é o texto evangélico de João (10,10), onde Jesus diz : «Vim para que eles possam ter vida, e vida em abundância.» A rede é constituída por mais de 38 congregações religiosas e alguns padres diocesanos.

Eu e três irmãs de outras congregações acompanhamos um grupo de mulheres e menores de Riveras de Cajamarquilla, um bairro do município de San Juan de Lurigancho, na periferia de Lima, que sofreu muito por causa dos deslizamentos de terra. O objetivo do nosso trabalho é a prevenção, sensibilização e formação em relação ao tráfico de pessoas. Fazemo-lo por meio de diversos cursos de capacitação, que visam fortalecer as mulheres, nomeadamente reforçando a auto-estima das menores e promovendo uma cultura de prevenção e cuidado contra os abusos sexuais.

A minha principal atividade é realizar cursos de formação para professores, administradores, gestores, assistentes, pessoal de apoio, autoridades (polícia, fiscais e pessoal de centros de admissão de menores), catequistas e pais. Fiz um curso de formação ministrado pelo Ministério do Interior do Peru; isso permitiu-me conhecer as leis e falar com fundamento, e não apenas com a experiência.

O sofrimento das vítimas

Conheci diferentes realidades no Peru e contactei muitos jovens que partilharam a sua situação pessoal : falta de trabalho, dificuldade em estudar, situação familiar complicada, etc. São essas situações que facilitam o tráfico humano, um problema de dimensões cada vez maiores. Esta forma de escravidão moderna realiza-se com diferentes propósitos e afeta, sobretudo, as pessoas mais vulneráveis. Em muitos ambientes, a maioria das vítimas são jovens e, em particular, raparigas com menos de 18 anos. 

Um dos casos que mais me impressionou foi o de uma rapariga de 17 anos, originária de uma aldeia da selva peruana. No final da escola secundária foi para a cidade para se preparar para o exame de acesso à universidade. Não passou, pois tinha um nível de estudos mais baixo do que os estudantes da cidade. Para permanecer na cidade, as necessidades foram-se acumulando : estudo, renda do quarto, alimentação... Sem querer, caiu na exploração sexual.

Foi contratada para trabalhar num cibercafé, um local que fornecia serviços de Internet. Um dia, quando lhe liguei, ela disse-me calmamente : «Irmã, podes ligar-me mais tarde?» Ao ouvi-la responder dessa forma, pensei que alguma coisa não estava bem. Dias depois, liguei-lhe novamente. Ela contou-me que já não trabalhava no cibercafé porque tinha sido obrigada a assinar um contrato por um mês para prestar serviços sexuais a homens. Ouvi-a sem a julgar. Com o problema acrescido da pandemia, não pode continuar e regressou à sua aldeia.

As distâncias são um dos principais problemas que enfrentamos, pois muitos dos nossos destinatários (jovens e professores) vivem em áreas muito remotas e de difícil acesso, o que dificulta a continuidade. Outra dificuldade é que, em muitos casos, as pessoas não sabem bem o que significa a expressão «tráfico humano». Muitos ficam confusos e pensam que tem que ver com «tratar bem as pessoas».

Ignoram que o tráfico de seres humanos é uma prática que viola os direitos humanos fundamentais. Um crime que não distingue fronteiras e que tem cada vez mais vítimas no Peru : há menores e adultos que são raptados, coagidos, detidos e reduzidos a vários tipos de exploração sexual; forçados a mendigar nas ruas, onde vivem em condições sub-humanas; ou sofrem com a remoção ilegal dos seus órgãos. Este é um grande problema e tem muitas facetas. Os mais afetados são as crianças e adolescentes.

Tráfico de pessoas em tempo de pandemia

Por causa da pandemia, este ano a situação é muito difícil também para as mulheres, por isso ajudamo-las com produtos alimentares e de higiene básicos, e aproveitamos a oportunidade para sensibilizar e protegê-las da covid-19 e contra o tráfico de seres humanos. Noutras paróquias criámos as chamadas «ollas comunes» [panelas comuns] : compramos os alimentos e as mães, organizadas em grupos, revezam-se para cozinhar e distribuir a comida de acordo com o número de pessoas em cada família. 

Embora as fronteiras estivessem fechadas devido à covid-19, o tráfico de seres humanos aumentou. Os traficantes usam outras formas para continuar a atrair e enganar potenciais vítimas, principalmente através da Internet e das redes sociais. Basta pensar em qualquer jovem que perdeu o emprego durante a pandemia e ainda está desempregado, e se alguém lhe oferecer uma oportunidade de emprego no estrangeiro, dizendo-lhe : «Quando a pandemia acabar e as fronteiras abrirem, convido-te para ires a esse país... ou podes ir para os Estados Unidos ou para a Europa, onde podes trabalhar e estudar ao mesmo tempo.» Aquele jovem vai acreditar, pensando que essa oferta é verdadeira.

Por impossibilidade de nos deslocarmos no país devido à pandemia, oferecemos cursos de formação para jovens e professores por videoconferência. Informamos sobre as estratégias que os traficantes usam para convencer as pessoas, alertamos para o perigo que é dar informação pessoal ao primeiro que encontram e de aceitar desconhecidos nas redes sociais. Que investiguem e descubram primeiro se será verdade quando recebem propostas de trabalho. Na ausência de aulas presenciais, difundimos vídeos em que falamos de tráfico, das suas causas e consequências físicas e psicológicas com o objetivo de prevenir este flagelo.

Graças ao nosso trabalho, temos visto resultados e as pessoas começaram a reportar mais frequentemente o tráfico. Não há muito tempo, uma jovem disse-me : «Irmã, ontem à noite vi uma oferta de emprego na Internet. E como nos tinhas falado disto, perguntei-lhe se era verdade. Depois de dois dias, a informação tinha desaparecido. Era um anúncio falso

Nestes anos também aprendi a relativizar muitas questões específicas da minha cultura. No meu país, o Chade, falar de sexo é tabu, mas aqui tenho de falar claramente com jovens que chamam as coisas pelo seu nome, sem complexos, mas com respeito. No início não foi fácil. Também vejo que é necessário adaptar a nossa linguagem ao contexto onde trabalhamos.

Aqui a vida é muito simples, somos muito próximas das pessoas e trabalhamos com elas. É uma população vulnerável que precisa de se envolver na procura de soluções, pois só assim podem avançar. Quando termino um curso com jovens, pergunto-lhes : «O que farias? Que compromisso assumes para ser um agente multiplicador desta formação?» Às vezes dizem que querem fazer alguma coisa, mas não sabem, por isso digo-lhes que ponham as ideias na mesa e falem sobre o tema. Muitos grupos ligam-me para me falar das atividades que estão a fazer. Tudo isso me encoraja e ajuda-me a continuar a trabalhar, porque esse era o sonho de São Daniel Comboni : formar líderes que gerem a mudança, formar a Igreja local.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://www.combonianos.pt/alem-mar/actualidade/6/602/trafico-de-pessoas-a-outra-pandemia/

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Consagradas de Talitha Kum cuidam de sobreviventes do tráfico de pessoas

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo da redação da ACI


‘A rede mundial contra o tráfico Talitha Kum está promovendo a campanha ‘CareAgainstTrafficking’ (cuidado contra o tráfico) por ocasião do Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas 2021, celebrado no dia 30 de julho. A rede internacional Thalita Kum foi fundada em 2009 pela União Internacional das Superioras Gerais (UISG), que abrange mais de 30 mil religiosas católicas além de outros membros amigos.

Em declarações à ACI Prensa, a coordenadora internacional da Talitha Kum, irmã Gabriella Bottani, afirmou que ‘esta campanha está sendo feita, sobretudo, nas redes sociais e quer mostrar a importância da atenção como um ponto fundamental na luta contra o tráfico de pessoas’.

A irmã Gabriella convidou quem queira ‘apoiar a pastoral que as religiosas realizam através da atenção, sobretudo às sobreviventes’, a colaborar entrando AQUI.

Segundo dados oficiais atualizados, Talitha Kum coordena cerca de ‘50 redes em mais de 90 países’.  Em 2020, elas ‘atenderam 17.000 sobreviventes do tráfico, proporcionando-lhes lares seguros, oportunidades educativas e de emprego, atenção médica e psicossocial e apoio para o acesso à justiça e à reparação’.

Além disso, em 2020, ‘quase 170 mil pessoas foram beneficiadas com as atividades de prevenção e sensibilização organizadas por Talitha Kum’.

A campanha ‘CareAgainstTrafficking’ pretende demonstrar que ‘o cuidado atento pode fazer a diferença em cada etapa da luta contra o tráfico de pessoas : atenção às pessoas em risco, assistência às vítimas e assistência aos sobreviventes’.

Por isso, Talitha Kum frisou que, ‘por sua experiência de campo, as consagradas sabem que as abordagens a longo prazo centradas na atenção podem reduzir o risco de que os sobreviventes voltem a ser vítimas do tráfico e da exploração’.

Essas abordagens requerem uma participação institucional que as irmãs não podem proporcionar sozinhas’, diz a organização. Por isso, a irmã Gabriella pede a ‘união de todas as pessoas de boa vontade para enfrentar as causas sistêmicas do tráfico de pessoas, para transformar a economia do tráfico em uma economia do cuidado’.

Em particular, pedimos aos governos que se comprometam a apoiar os sobreviventes a longo prazo, garantindo educação de qualidade, oportunidades e licenças para trabalhar, acesso à justiça e à reparação e à assistência médica e psicossocial’, afirmou.

Por sua vez, a secretária executiva da UISG, irmã Patricia Murray, disse que Talitha Kum ‘está comprometida não só com o apoio às comunidades vulneráveis e marginalizadas de todo o mundo, mas também com o desmantelamento dos sistemas que permitem a sua opressão e exploração’.

Impulsionadas pela força de seu compromisso espiritual, estas religiosas ajudaram dezenas de milhares de pessoas a escapar do tráfico e a encontrar um caminho para reconstruir vidas livres e dignas’, afirmou.

Em diversas ocasiões, o papa Francisco lançou apelos contra o tráfico de pessoas.

Em 2014, o papa Francisco criou o Grupo de Santa Marta, nome de sua residência no Vaticano, para reunir líderes católicos e chefes da polícia internacional para lutar contra este problema.

No mesmo ano, 60 especialistas de 33 países representantes de diversas organizações da Igreja, liderados pela Caritas Espanhola e Caritas Internationalis, reuniram-se, de dois em dois anos aproximadamente, para encontrar novas formas de combate contra o ‘segundo negócio clandestino mais lucrativo do mundo, depois do tráfico de armas e acima do tráfico de drogas’.

Em 2015, o papa Francisco dedicou sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz a este problema, assumido como prioridade pela diplomacia internacional da Santa Sé.

Em 2016, dom Bernardito Auza, observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas, recordou que o pontífice se pronunciou reiteradamente sobre esse ‘horror’ e todas as ‘formas de escravidão moderna’, e que institutos católicos religiosos, programas nacionais e diocesanos e fiéis lutam contra esse problema, cuidam das vítimas e conscientizam as pessoas.

Em 2019, a União Internacional de Superioras e Superiores Gerais organizou a Jornada Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, promovida pelo papa Francisco e celebrada a cada 8 de fevereiro por ocasião do dia de são Josefina Bakhita, sequestrada aos 9 anos para ser escravizada e torturada. Ela é reconhecida por sua espiritualidade e fortaleza contra as adversidades.

No dia 8 de fevereiro de 2021, por ocasião do Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, o papa Francisco pediu orações ‘pelo apoio às vítimas do tráfico e pelas pessoas que acompanham os processos de integração e reinserção social’. Ele também afirmou que a oração deve impulsionar ‘ações concretas’ que permitam a cada pessoa escravizada voltar a ‘ser protagonista livre de sua vida’, em benefício do bem comum.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://www.acidigital.com/noticias/consagradas-de-talitha-kum-cuidam-de-sobreviventes-do-trafico-de-pessoas-15957

terça-feira, 28 de abril de 2020

Freiras na linha de frente contra o tráfico de seres humanos

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 GABRIELLA BOTTANI
Irmã Gabriella Bottani

*Artigo de Sivia Constantini

‘Um provérbio etíope diz que ‘quando as aranhas juntam suas redes, elas podem abater um leão’. Esse é o espírito que anima Talitha Kum, a rede internacional de vida consagrada contra o tráfico de seres humanos.

Hoje, a rede fundada em 1990 está em 92 países dos cinco continentes. Um pequeno exército de cerca de 2.000 colaboradores, dos quais a maioria são religiosas, mas também há leigos e religiosos, dedicando suas vidas à tarefa de tentar salvar os escravos do século XXI.

Sim, estamos falando mesmo de ‘escravos’. Porque, de acordo com a Organização Mundial do Trabalho, estima-se que cerca de 40 milhões de pessoas estejam reduzidas à escravidão no mundo, em 182 países. E os números parecem estar aumentando.

Para entender a dinâmica dessa triste e ampla realidade, conversamos com a irmã Gabriella Bottani, missionária comboniana e coordenadora da rede Talitha Kum, e perguntamos a ela como ainda podemos falar de escravidão em 2020.

Uma das causas dessa situação se deve à grave vulnerabilidade, que piorou nos últimos anos. De fato, a vulnerabilidade não é o problema, mas a exploração. E, para nós da Talitha Kum, é importante enfatizar isso, porque a vulnerabilidade pode se tornar um ponto de encontro, de solidariedade, não necessariamente um espaço onde se possa explorar com fins lucrativos.’

– Quem são os escravos hoje?

Atualmente, os que são mais explorados em sua vulnerabilidade são mulheres, crianças (meninos e meninas) e populações migrantes.

As estatísticas são bastante consistentes ao afirmar que 30% são crianças menores de 18 anos e jovens adultos. Logicamente, a idade está ligada à capacidade prestar serviços, como acontece no mercado do sexo ou na servidão doméstica.

– Quais são as formas mais comuns de escravidão?

A exploração sexual é uma das formas de escravidão, embora com várias conotações. Porque, além da prostituição, há a pornografia.

Outra forma de escravidão é a exploração do trabalho, em que um nicho importante é a servidão doméstica. Mas há também escravos na área de pastoreio, construção, mineração, pesca, principalmente na pesca em alto mar. Os contextos são muito diversos.

E depois há o tráfico de meninas para casamentos forçados. Trata-se de um fenômeno que afeta não apenas a Ásia e a África, porque também foram registrados casos no mundo ocidental, por exemplo, nos Estados Unidos, mas também na Itália. Muitas vezes, esses fenômenos estão ligados às comunidades de migrantes que residem em nossos países e, em outros casos, são casamentos combinados na internet.

– Como alguém se enquadra na rede de tráfico de pessoas?

O fenômeno é extremamente complexo. Mas o que está na base é o desejo de uma vida melhor, de encontrar um emprego melhor.

Às vezes, essas pessoas recebem propostas concretas de trabalho escravo, às vezes emigram porque ouviram, de boca a boca ou por um anúncio, que em um determinado país se vive bem. Assim como nós, quando pensamos nos Estados Unidos ou Alemanha e temos certeza de que, nesses locais, é mais fácil encontrar um emprego melhor, sem ter feito uma análise séria da situação.

Às vezes, eles simplesmente tentam escapar da pobreza, uma pobreza digna, nem sempre da miséria desesperada.

Em geral, aqueles que vivem em um contexto de miséria são explorados dentro do país. É mais difícil para eles nos alcançar.

– Portanto, você entra no sistema de tráfico por um ato da própria vontade?

Devemos nos perguntar o que é vontade e liberdade. Entram temas na definição de ‘tráfico’ hoje, o que nos leva a profundas questões existenciais. Porque, se banalizamos, dizemos ‘coitadinho, eles o/a recrutaram e o/a levaram contra sua vontade.’ Mas nós, quando vamos à rua e conversamos com os meninos e meninas que vivem nessa situação, percebemos que isso não se encaixa realidade.

Na Sicília, por exemplo, meninos e meninas que se prostituem estavam passando fome. Eles queriam ou não? Que alternativa eles receberam? É muito complexo, porque alternativas são dadas quando uma pessoa tem um conjunto de possibilidades para escolher.

As desigualdades e ferimentos causados ​​por um modelo perverso impedem a possibilidade de escolha.

Por exemplo, eu trabalhei no Brasil com meninas que nasceram nas favelas, em barracos, e algumas foram abusadas e viveram em uma pobreza terrível.

Essas meninas chegavam à escola e atingiam o terceiro e o quarto ano da escola primária sem saber ler nem soletrar. Elas tinham uma desorganização tão grande do seu eu que eram completamente fragilizadas.

Essas meninas eram automaticamente recrutadas para exploração sexual.

Uma delas um dia veio me ver, estava feliz, ela tinha 10 anos e trazia um bebê nos braços. ‘Tia, ela me disse, olha a coisa mais linda que já fiz! Eu não sabia que poderia fazer uma coisa tão bonita!’ O filho nasceu dessa situação de abuso.

Às vezes, definimos e rotulamos ‘tráfico’ em categorias que não correspondem à realidade.

Existem situações em que o ‘sim’ da pessoa é a única opção possível.

É um sistema perverso que cria dinâmicas de grande pobreza.

Pensemos agora no problema do coronavírus. Fizeram confinamentos em todos os lugares e as pessoas estão morrendo de fome. Estão sendo criadas áreas assustadoras de vulnerabilidade. Quais serão as consequências, não sabemos.


– O que a rede Talitha Kum está fazendo nesta fase da pandemia de Covid-19?

Neste momento, muitas irmãs são forçadas a ficar em casa porque não podem sair devido ao confinamento.

Em alguns casos, com algumas organizações da Conferência Episcopal Italiana, estamos preparando e distribuindo kits de mantimentos para levar às pessoas que, de outra forma, passariam fome. Como aquelas que são forçadas à prostituição e que, sem clientes, não têm como sobreviver.

Colocamos trabalhadores para fazer máscaras. Em outros casos, as freiras levam o material para a casa das pessoas em fase de recuperação, para que a terapia ocupacional possa continuar e não interromper essa atividade produtiva, como crochê, artesanato… ou outras coisas que estavam fazendo.

– Qual é o carisma das irmãs de Talitha Kum?

O que nos une na rede Talitha Kum é a ‘abordagem centrada na vítima’, ou seja, a pessoa é o centro.

Então, dependendo do contexto, nosso acompanhamento é abrangente: formação humana, espiritual e apoio psicossocial, o que leva à reintegração econômica e, em vários casos, trabalhamos juntos na comunidade.

Por exemplo, há o trabalho manual, e os produtos são vendidos posteriormente. A anuidade é certamente um dos pontos comuns dos diferentes centros.

– Quantas pessoas vocês já salvaram?

Pelo contrário, são eles que nos salvam!

Mas falemos mais sobre a recuperação da vida. Em 2018, fizemos uma espécie de censo e percebemos que havíamos oferecido serviço a cerca de 15.500 pessoas em um ano.

Os serviços são diversos : acompanhamento espiritual, serviços de formação, etc. O serviço é muito extenso e costumamos fazer isso em conjunto com outras organizações. Nós não estamos sozinhos. Contribuímos para o processo de cicatrização, que é lento e traumático.

– O Papa Francisco fez da ação de vocês uma prioridade de seu pontificado. Que palavras ele quis compartilhar com vocês?

O Papa Francisco nos informou em várias ocasiões que se importa com a nossa ‘missão’, como ele a definiu. Por exemplo, ele insistiu na capacidade de colaborar. E acho que esse é o grande desafio.

O apoio do Papa é um dom que nos impulsiona a continuar com responsabilidade.

– O que a leva a continuar nessa luta contra a escravidão?

Neste momento, recolho também o trabalho que as outras irmãs fazem, e há histórias de fracasso, e são também essas que nos levam a seguir em frente.

Mas lembro-me do abraço no final da última Assembléia Geral, dado a nós por uma sobrevivente do tráfico : essa mulher descobriu que sua vida não era inútil e que ela podia fazer a diferença.

Ela havia escapado da Nigéria, chegou à Itália após mil incidentes e entrou no círculo da prostituição contra sua vontade. Então ela conseguiu escapar e se viu em um centro de acolhida administrado por freiras. Aqui ela fez todo o seu caminho de recuperação, de resgate à vida. Agora com 23 anos, ela retomou seus estudos e está reconstruindo sua vida. É isso que nos leva a continuar.

– E o que nós católicos podemos fazer?

Antes de tudo, é necessário não fechar os olhos. Tentar entender qual é a dinâmica, e não adquirir bens e produtos que provenham do trabalho escravo. Por exemplo, a Igreja nos Estados Unidos lançou uma campanha em favor de pescados que não empreguem mão de obra escrava na pesca.

E então, trabalhe para mudar a mente das pessoas, e essa é a responsabilidade especial dos educadores.

Outra ajuda é apoiar projetos. Um que é especialmente querido por nós é o Super Nuns, uma coleta de fundos à qual artistas de rua, designers e cartunistas se juntaram, para contar o que Talitha Kum está tentando fazer. Com as doações recebidas, eles nos ajudam a apoiar nossas redes.’



Fonte :
* Artigo na íntegra

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

“Juju”: o vínculo surpreendente e assustador entre magia negra e tráfico humano

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 juju


 ‘São crescentes as notícias sobre mulheres nigerianas que foram subjugadas pelas máfias da exploração sexual e do tráfico de pessoas mediante o recurso ao terror provocado nelas por ritos de magia negra relacionados com o assim chamado ‘juju’.

Esse termo não se refere a um ritual específico, mas sim, de modo geral, a um conjunto tradicional de crenças animistas presentes na África Ocidental, em particular na Nigéria, e relacionadas com a magia negra. A palavra ‘juju’, em certo sentido, evoca um conceito semelhante ao de ‘tabu’ nas sociedades polinésias : tem a ver com o que é sobrenatural, assustador, poderoso e que não deve ser desafiado. É uma dimensão obscura do sobrenatural. Envolve seres malignos e vingativos com os quais seria possível fazer determinados pactos, selados durante rituais que incluem oferendas e sacrifícios de animais.

Ficará mais fácil começar a entender este conceito difuso com o exemplo que relataremos a seguir.

Em algumas regiões da Nigéria, mulheres jovens, muitas vezes ainda adolescentes, são recrutadas em seus povoados com falsas promessas de trabalho na Europa ou na Ásia. Pressionadas por suas famílias, que vislumbram nessas promessas a ilusória oportunidade de sair da pobreza, as jovens são induzidas a aceitar tais propostas – às vezes, no fundo, sabendo que o ‘trabalho’ envolverá a venda do próprio corpo, mas, na maioria dos casos, sem suspeitar do inferno que realmente as espera.

Aceitar essas ofertas de ‘trabalho’ implica aceitar também uma dívida altíssima, a ser paga em dólares ou euros : as máfias recrutadoras explicam que, do salário que vierem a receber, as jovens terão que destinar uma parte a saldar os seus custos com passagem, visto, hospedagem, alimentação. O que elas não sabem é que os valores da dívida serão inflados de modo impagável, amarrando-as a uma escravidão sem perspectivas de libertação. As dívidas, arbitrariamente determinadas pelos exploradores, frequentemente ultrapassam os 100 mil dólares.

Mas não é a soma estratosférica em dinheiro o que subjuga com mais eficácia as escravas nigerianas do terceiro milênio : é a aterrorizante ‘dívida espiritual’ que, sob pressão, elas acreditam que também estão assumindo ao aceitarem a ‘oferta de trabalho’.

É aqui que entra o ‘juju’.

Para comprovar o seu comprometimento em pagar a dívida, as jovens são submetidas a rituais de magia negra. Nessas cerimônias, são colhidas amostras de suas unhas, cabelos e até pelos púbicos. Tudo é misturado com o sangue de animais oferecidos em sacrifício durante o mesmo rito e levado em oferenda a obscuras divindades como um pacto irrevogável. Esse pacto é simples : as mulheres se comprometem a saldar completamente a dívida em dinheiro; do contrário, assumirão consequências espirituais aterrorizantes.

O ritual funciona, portanto, como uma espécie de ‘caução’, uma garantia ‘espiritual’ de que essas jovens de baixa educação formal, profundamente crédulas em tradições tribais imemoriais, pagarão a dívida assumida com os seus ‘recrutadores’ para não sofrerem a pavorosa maldição que recairia sobre elas próprias e sobre as suas famílias se rompessem o pacto. Apavoradas, elas se tornam reféns de corpo e de mente : longe de casa, transferidas quase sempre clandestinamente a países como Itália, Espanha, Turquia, vigiadas implacavelmente o tempo todo, elas são forçadas pela impossibilidade de pagar o impagável a se prostituírem diariamente, até dezenas de vezes por dia, durante anos e anos a fio, em condições de absoluta e abominável desumanização e terror psicológico.

Importante : quando se fala em ‘exploradores’, não se está falando apenas em vilões do sexo masculino. De acordo com o Escritório contra Drogas e Crime (Unodc), departamento da ONU, quase a metade dos traficantes humanos da Nigéria são mulheres. Conhecidas como ‘madames’, elas são, na maioria dos casos, ex-vítimas que se tornaram uma combinação de cafetinas, recrutadoras e sequestradoras : para tentarem escapar elas próprias da prostituição, passam a enganar outras mulheres e, por conseguinte, eternizam o ciclo de escravização humana sem que a consciência as consiga impedir.

O ‘juju’

Os rituais de ‘juju’ se contextualizam na complexa teia de crenças animistas que permeia as culturas tribais da África Ocidental.

animismo não é uma religião hierárquica e dogmaticamente organizada, mas uma visão de mundo em que, grosso modo, não há uma clara separação entre o material e o espiritual : praticamente tudo pode ser ‘habitado’ por espíritos, inclusive plantas, rochas, rios, trovões, o vento, as sombras. Essa visão de mundo engloba um conjunto amplo e polifacético de mitos cosmológicos e ritos mágicos que, no geral, não se voltam prioritariamente ao louvor de divindades ou à busca da salvação da alma, e sim à obtenção de soluções imediatas para problemas do dia-a-dia. Embora o animismo em si mesmo não seja uma religião institucionalizada, foram surgindo dele, ao longo do tempo, inúmeras manifestações religiosas mais definidas, que, trazidas com o tráfico de escravos entre África e América, estão hoje arraigadas em várias partes do Novo Mundo : é o caso, por exemplo, do vodu haitiano, da ‘santería’ cubana e das religiões afro-brasileiras, que, pelo processo de sincretismo religioso, foram também incorporando diversos aspectos do cristianismo.

A influência dessa ancestral visão de mundo também perdura na África Ocidental em paralelo com as grandes religiões monoteístas. De fato, na Nigéria, o Estado de procedência de quase 90% das escravas sexuais traficadas para a Europa é majoritariamente cristão : Edo, com cerca de 3 milhões de habitantes. Apesar de nominalmente cristã, grande parte da população local mantém vivos muitos elementos culturais caracteristicamente animistas.

Um deles é o sombrio conceito de ‘juju’.’


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