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domingo, 6 de dezembro de 2020

Francisco 'metralha' moralistas, defende mulheres e faz revelações

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

 

*Artigo de Mirticeli Dias de Medeiros,

jornalista e mestre em História da Igreja, uma das poucas brasileiras

credenciadas como vaticanista junto à Sala de Imprensa da Santa Sé


‘Comecei a ler o livro calmamente. Pensei, de início, que seria uma leitura ‘como outra qualquer’; mais uma para acrescentar ao meu arquivo sobre o papa Francisco. Estava enganada. A cada página que eu lia, me deparava com uma surpresa. Depois de tantos anos cobrindo o Vaticano, mais uma vez, atesto : o imprevisível é o motor do atual pontificado. É o ‘dinamismo bergogliano’ que até os jornalistas mais experientes têm dificuldade para acompanhar.

Francisco não só trata de temas polêmicos nesse livro, mas tira os filtros ao dizer o que pensa a respeito de cada um deles. Se a encíclica Fratelli Tutti, a terceira do seu pontificado, publicada em outubro deste ano, foi o seu testamento magisterial, essa última entrevista, concedida ao seu biógrafo, o jornalista inglês Austen Ivereigh, é o seu testamento pessoal. Trata-se de uma reflexão sobre o mundo pós-pandemia (uma lista de conselhos para o próximo papa, quem sabe?).

Ele cita Chesterton, Dostoiévski e Romano Guardini (cuja teologia é tema de seu doutorado não concluído na Alemanha). A intenção era atingir um público mais amplo. Esse foi o acordo. Estava claro isso quando o pontífice e Ivereigh se reuniram para compor uma série de entrevistas sobre temas variados. O pós-quarentena fez o papa refletir a respeito de uma série de coisas. Foram três meses de colóquios com o escritor inglês (entre junho e agosto deste ano; ou seja, logo depois da reabertura da Itália após 4 meses de lockdown total).

Diferente de um documento pontifício, o papa participou diretamente da organização do texto - sem intermediários - e revisou palavra por palavra. Coube ao jornalista condensar, dentro de uma sequência lógica, as falas do santo padre, juntamente com outros colaboradores. Também foi Francisco quem definiu os capítulos e impôs algumas condições quando aceitou o convite do jornalista. Queria que, no texto, a filosofia de vida da congregação a qual pertence estivesse presente. O resultado foi um tratado jesuíta sobre como orientar a própria vida, tanto em âmbito cristão quanto social em tempos sombrios como estes. É o método ver-julgar-agir.

Mais uma vez, o pontífice fala que ‘está no fim da vida’, algo que fez questão de frisar em entrevista à agência italiana Adnkronos, publicada há dois meses. Por isso, escreve um texto visionário para que os cristãos tomem consciência, de uma vez por todas, que uma fé sem testemunho está fadada a desaparecer. Francisco senta a mão nos moralistas na mesma medida em que ‘bate’ nos católicos ‘de vanguarda’ que defendem ideais que não condizem com o Evangelho e com a Tradição, segundo a visão do santo padre.

Ele tem consciência de que tudo o que ele disser daqui pra frente entrará para a cartilha de conceitos-chave do seu papado. Que o seu sucessor se prepare. A Igreja pós-Francisco será exigente. Já expurgou o espírito de corte e quer mantê-lo distante. Está pronta para escancarar as suas portas, ainda mais, ‘para os coxos, doentes e aleijados’. Os ‘príncipes’ terão que reavaliar sua postura e pertença, enquanto membros desse corpo. A ‘plebe’ é a Igreja. O Santo Povo de Deus, termo cunhado pela teologia do povo argentina, seguida pelo papa Francisco, é quem redimensiona o papel da Igreja Católica, ‘dita as regras’ da pastoral.

O livro é um ‘hemograma completo’, que apresenta ‘as taxas alteradas’ que Francisco identifica no mundo e na Igreja Católica. Depois de sete anos de pontificado, ele faz as contas. Há males enraizados que precisam ser exterminados. Não bastam mais os paliativos. É hora de agir e de transformar, de um tratamento de choque.

Por isso senti o dever, para além do que já foi divulgado nos últimos dias (as referências que ele faz à etnia uigur, o apoio ao movimento Me too e aos protestos anti-racistas desencadeados após a morte George Floyd), de aprofundar outras reflexões que Francisco faz. São colocações importantes, sobretudo para quem tem o interesse de compreender melhor esse pontificado. Dá a impressão que, a qualquer momento, ele nomeará os atores do processo, tamanha é a clareza de seu pronunciamento.

As 'metralhadas'

Francisco criticou os políticos que chamam o coronavírus de ‘uma simples gripe’ - e, traduzindo para a realidade brasileira, ‘gripezinha’. Também condenou quem usa o termo ‘doença estrangeira’ e considera as restrições para a contenção da pandemia, impostas por alguns governos, ‘ações invasivas do Estado’. Diz que esses políticos ‘vendem essa narrativa para benefício próprio’.

Aproveitou o tema para dar seu parecer a respeito da atuação dos meios de comunicação durante a pandemia. Elogiou os jornalistas que conseguiram humanizar o próprio trabalho, mostrando a realidade das periferias. Por outro lado, acusou alguns meios de comunicação ‘de atuarem atrelados à cultura da pós-verdade’, por usarem as informações como armas de poder. E, nessa hora, não poupou nem a mídia ‘de casa’, a católica :

Infelizmente, esse fenômeno não é estranho para algumas plataformas de comunicação que se dizem católicas e afirmam estar salvando a Igreja de si mesma. Noticiários que reformulam os fatos para apoiar certas ideologias em prol do ganho financeiro corrompem o jornalismo e destroem o tecido da nossa sociedade’.

Disse que, na lógica fundamentalista, que é o fermento das ditaduras, a estratégia é criar um inimigo em potencial. Ampliou a reflexão falando sobre os migrantes, os quais, segundo ele, têm sido excluídos por causa de ideologias que não condizem com a bandeira pró-vida do cristianismo.

Por exemplo, uma fantasia de nacional-populismo em países de maioria cristã é defender a 'civilização cristã' de supostos inimigos, sejam eles o islã, os judeus, a União Europeia, as Nações Unidas’.

O coração do cristianismo é o amor de Deus por todos os povos. Rejeitar um migrante em dificuldade, seja ele da religião que for, por medo de diluir a cultura 'cristã' é uma deturpação grotesca tanto do cristianismo quanto da cultura’.

Como fez em relação à mídia católica, os ‘católicos moralistas’ e os ‘rígidos’, como o papa os define, também não escaparam da sua lista de puxões de orelha. Ao citar movimentos e congregações que se desviaram da proposta do Evangelho, na tentativa de ‘salvar a Igreja de si mesma’, pautada num rigorismo doutrinal, o pontífice foi claríssimo, admitindo que tais posturas ainda repercutem no presente.

A rigidez é sinal de que o mau espírito está escondendo alguma coisa. Por trás de cada grupo que procura impor sua ideologia à Igreja, achamos a mesma rigidez. Mais cedo ou mais tarde, haverá alguma revelação chocante envolvendo sexo, dinheiro e controle psicológico’.

Em vez de se lançarem à grande tarefa de evangelizar nosso mundo, em comunhão com o Corpo, ficam aninhados em seu grupos puristas, guardiões da verdade. Para essas pessoas, apartadas pela consciência isolada, nunca faltam razões para ficar na sacada, enquanto a vida real se desenrola embaixo’.

As revelações

Ainda falando sobre a pandemia, elogiou a atuação das mulheres no enfrentamento das crises. Reitera que elas administram melhor que os homens, e que os países que são por elas conduzidos conseguem enfrentar melhor as dificuldades. Explicou, nessa parte, o que o motiva a colocar mulheres em cargos importantes no Vaticano.

As mulheres que nomeei estão lá devido às suas qualificações e experiências, mas também para influenciar a visão e a mentalidade da burocracia da Igreja’, explicou.

Francisco também revelou que foi orientado a publicar sua segunda encíclica, Laudato Si’, de 2015, que trata de ecologia, antes do Acordo de Paris, firmado em 2016. Consideraram oportuno falar de ‘uma ecologia integral’, termo que expressa a relação que existe entre preservação ambiental e desenvolvimento integral do ser humano, servisse como uma espécie de ‘manual de conduta’ para os líderes signatários. E o papa topou.

Para quem conhece um pouco de história da Igreja sabe que o papel do pontífice romano, desde os seus primórdios, é atuar como uma espécie de ‘conselheiro da humanidade’. É por isso que a diplomacia pontifícia é considerada sui generis em todos os aspectos. E Francisco, então, assume isso como missão, faz jus ao cargo.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/noticia/1486734/2020/12/francisco-metralha-moralistas-defende-mulheres-e-faz-revelacoes/

domingo, 4 de outubro de 2020

Nova encíclica é o testamento de Francisco

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

*Artigo de Mirticeli Dias de Medeiros,

jornalista e mestre em História da Igreja, uma das poucas brasileiras

credenciadas como vaticanista junto à Sala de Imprensa da Santa Sé

 

‘‘Lírica, bíblica e existencial’, foi uma frase que Carlos Drummond de Andrade pronunciou ao descrever a obra de Adélia Prado. Pedimos licença a esses mestres da nossa literatura, para definir, dessa forma, a nova encíclica de papa Francisco, Fratelli Tutti (Todos Irmãos), publicada neste domingo (4), que trata da fraternidade universal e da amizade social.

Inspirado nos ideais de Francisco de Assis, o santo do século 13 que pregou a paz e a concórdia, o papa traça um plano de ação para reaproximar as pessoas em plena pandemia. Foca em valores como o diálogo, o respeito e o cuidado com os mais pobres em âmbito público e privado. Um texto sentimental, carregado de ensinamentos bíblicos aplicados à realidade e, por assim dizer, humanista. Um documento que foi feito para ser lembrado. É o testamento de Francisco.

Na encíclica, o pontífice reforça conceitos elaborados ao longo de seu pontificado. Elege temas já debatidos em suas encíclicas, discursos e catequeses. Porém, para não fugir às suas próprias regras de ousadia, agrega à sua reflexão o parecer de bispos católicos de vários países.

A opinião desses líderes, que são latinos, europeus, africanos, asiáticos, pessoas de todas as raças e estilos, ganha destaque no texto do papa. Sem contar que a declaração conjunta do papa Francisco e o grande imã de Al-Azhar, Ahmed Al-Tayyib, assinada em 2019, em Abu Dhabi, na qual se comprometem a lutar pela paz mundial, conduziu grande parte da reflexão. Francisco burla o protocolo da ‘autorreferencialidade pontifícia’ que é própria das encíclicas. 

Principais temas

Desta vez, o papa argumenta com mais liberdade, e sem filtros. Dá nome aos bois, aponta caminhos e condena as injustiças. Destaque para o trecho no qual diz que o neoliberalismo não é a única via. Considera que ‘visões liberais individualistas reduzem a sociedade a uma mera soma de interesses que coexistem’. E afirma que ‘o mercado não resolve tudo’. Sugere, em vez disso, um novo ordenamento social, baseado num ‘amor político’ capaz de vencer a desigualdade.

A fragilidade dos sistemas mundiais perante a pandemia evidenciou que nem tudo se resolve com a liberdade de mercado e que, além de reabilitar uma política saudável que não esteja sujeita aos ditames das finanças. Devemos voltar a pôr a dignidade humana no centro e sobre este pilar devem ser construídas as estruturas sociais alternativas de que precisamos’, salienta.

Além disso, faz um apelo à cooperação internacional e, ao mesmo tempo, diagnostica um ‘falso globalismo’ que destrói identidades. Chama o racismo de ‘um vírus que muda facilmente e, em vez de desaparecer, dissimula-se, e está sempre à espreita’.  Condena a xenofobia e diz que os latino-americanos que vivem nos Estados Unidos ‘são fermento de valores para o país’, ao contrário do que pensam os propagadores da ‘cultura dos muros’ que os vê como uma ameaça. ‘Quem constrói um muro, acabará escravo dentro dos muros que construiu, sem horizontes’, profetiza.

Cristãos também são criticados. Diz que alguns têm aderido a ‘determinadas preferências políticas em detrimento das profundas convicções da própria fé’. Se refere às políticas anti-imigração, sustentadas por alguns governos, que recebem o beneplácito de alguns grupos católicos. E culpa a falta de manejo de muitos líderes religiosos na contenção de grupos fundamentalistas, assumindo que a Igreja demorou muito tempo para condenar algumas formas de violência em várias fases de sua história.

Ainda há aqueles que parecem sentir-se encorajados ou pelo menos autorizados pela sua fé a defender várias formas de nacionalismo fechado e violento, atitudes xenófobas, desprezo e até maus-tratos àqueles que são diferentes. A fé, com o humanismo que inspira, deve manter vivo um sentido crítico perante estas tendências e ajudar a reagir rapidamente quando começam a insinuar-se’, exortou.

Além disso, Francisco trata dos direitos das mulheres, condena o que ele chama de ‘cultura do descartável’, denuncia mais uma vez os populismos. Pede a reforma das Nações Unidas, de modo que o organismo possa, de acordo com ele, ‘encarnar o sentido de família das nações’ e sugere uma governança global que possa atuar em favor dos imigrantes.

Um texto para todos

É a terceira encíclica do pontificado de Francisco, e a segunda de cunho social. A primeira foi a Laudato Si, de 2015, que faz um apelo à preservação do meio ambiente.

No prefácio da Fratelli Tutti, o papa diz que os destinatários da mensagem são ‘os homens de boa vontade’, não somente os católicos. Repete a fórmula criada por João XXIII, que foi o primeiro romano pontífice a dirigir-se à humanidade inteira num documento papal. Antes dele, documentos desse tipo se dirigiam somente a bispos, padres e fiéis católicos.

O papa bom, como é conhecido, inaugurou, em 1963, na sua encíclica Pacem in Terris, essa nova saudação pontifícia. Anos depois, foi copiado por Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI, que adotaram essa mesma introdução em suas encíclicas sociais.

Fratelli Tutti, de Francisco, e a Pacem in Terris, de João XXIII, à distância de quase seis décadas uma da outra, se complementam em torno de alguns princípios. Ambas, por exemplo, a partir do próprio contexto, afirmam, com segurança : ‘Não existe guerra justa!’. Francisco chega a dizer que ‘a guerra é o fracasso da política e da humanidade’.

Em 1963, em plena Guerra Fria, João XXIII fez um apelo à união, em vista do bem comum, quando o mundo era dividido em dois blocos ideológicos. Em sua mensagem, Francisco também trata da polarização, a qual, desta vez, não só provoca cismas fraternais, mas serve de combustível para novos nacionalismos e populismos.

As novidades

1 - Fake news e manipulação das consciências

É uma encíclica que também aponta os estragos causados pelas instrumentalizações religiosas e políticas. O santo padre fala sobre a postura grosseira que, em outros tempos, faria qualquer político perder o respeito. Hoje, segundo Francisco, esse tipo de atitude sequer é repudiada.

Atrelado à ascensão desses líderes políticos que normalizam o discurso violento, o pontífice afirma que ‘há interesses econômicos gigantescos que operam no mundo digital, capazes de realizar formas de controle que são tão sutis quanto invasivas, criando mecanismos de manipulação das consciências e do processo democrático’.

Segundo ele, o funcionamento de muitas plataformas acaba favorecendo a formação de ‘clãs’ que não admitem o confronto entre as diferenças. Estes circuitos fechados, comenta o papa, ‘facilitam a divulgação de informações e notícias falsas, fomentando preconceitos e ódios’.

2 - Liberdade, Igualdade e Fraternidade

Outro ponto interessante é a reelaboração, à luz do Evangelho, do lema ‘Liberdade, Igualdade e Fraternidade’, as três palavras que, juntas, constituem os ideais da Revolução Francesa. Na visão do pontífice, não existe igualdade e liberdade sem a fraternidade.

O que acontece quando não há a fraternidade conscientemente cultivada? [...] A liberdade se atenua, predominando assim uma condição de solidão, de pura autonomia para pertencer a alguém ou a alguma coisa, ou apenas para possuir e desfrutar. Tampouco se alcança a igualdade definindo, abstratamente, que todos os seres humanos são iguais, mas resulta do cultivo consciente e pedagógico da fraternidade’, reflete o pontífice.

3 - Propriedade privada

Para alguns vaticanistas, a parte na qual o papa fala sobre a propriedade privada é a grande novidade da encíclica. No entanto, é importante frisar que a visão de Francisco sobre o assunto remete à própria doutrina social da Igreja. Para o catolicismo, que sempre defendeu a propriedade privada, afirma que ela só é moralmente aceitável ‘em vista do bem comum’.

O desenvolvimento não deve orientar-se para a acumulação sempre maior de poucos, mas há de assegurar os direitos humanos, pessoais e sociais, econômicos e políticos, incluindo os direitos das nações e dos povos. O direito de alguns à liberdade de empresa ou de mercado não pode estar acima dos direitos dos povos e da dignidade dos pobres; nem acima do respeito pelo ambiente, pois quem possui uma parte é apenas para a administrar em benefício de todos’, escreve Francisco.

Algumas considerações

Interessante notar que, em todas as partes da encíclica, reconhecemos Francisco. Apesar de sabermos que ele não escreve sozinho esse tipo de texto e conta com uma equipe de colaboradores para redigir parte do conteúdo, está claro que a revisão, feita pelo santo padre, foi criteriosa. É uma encíclica quase falada, como se, por um momento, ouvíssemos as indagações e contemplássemos os silêncios de Francisco. Homilia, declaração, exortação : tudo junto no mesmo texto.

Na exortação Evangelii Gaudium, de 2014, o papa argentino traçou seu programa de governo. Na Fratelli Tutti deste ano, ele fecha um ciclo. Não que estejamos fazendo previsões apocalípticas sobre a morte do sumo pontífice, mas está claro que ele se prepara para a última parte de seu pontificado. Pode ser que ele viva 100 anos (e que assim seja!). No entanto, é provável que esse ‘resumão’ em torno de questões primordiais para ele, não tenha sido articulado em vão.

Os papados, na história, não necessariamente enfraquecem em sua última fase. Francisco cresce. E terminará seu papado assim, em ascensão. A crise, para ele, é um impulso para focar no concreto, no essencial. Outros papas, porém, se concentraram em tratados doutrinais.

Paulo VI viveu muitos anos após sua última encíclica, Humanae vitae (1968), porém, minou sua popularidade depois dela. Francisco, ao contrário, pode, através dessa sua ‘cartada final’, fazer justamente o contrário. Portanto, reforço : ele lança as bases para uma conclusão honrosa.

Como nós, Francisco faz as contas. A pandemia, de certa forma, redimensionou nossas prioridades, despertou incertezas e nos fez desbravar o desconhecido. Não foi diferente, certamente, para o atual líder da Igreja Católica. ‘Todos irmãos’ é um clamor para que ele, nem nós, não nos sintamos sozinhos. É um convite para caminharmos, juntos, rumo à coroação de um pontificado que não só promove mudanças, mas já é, por si só, a mudança. Recomecemos. Nosso mentor nessa retomada em meio ao caos é Francisco. Ninguém solta a mão de ninguém. Nem a dele.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/noticia/1474870/2020/10/nova-enciclica-e-o-testamento-de-francisco/