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sábado, 31 de julho de 2021

Escola de liturgia que pautou discussão do Vaticano II cresce em influência

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo da redação da ACI 

‘A escola de liturgia do Pontificio Ateneo Sant'Anselmo, em Roma, é cada vez mais influente na determinação das normas litúrgicas anunciadas pela Santa Sé como a restrição à missa tradicional anterior à reforma do Vaticano II. Durante o Concílio Vaticano II, o Instituto Sant´Anselmo tornou-se ponto de referência para o debate sobre a reforma litúrgica e sua subsequente implementação. Tanto o novo secretário da Congregação do Culto Divino do Vaticano, bispo Vittorio Viola, quanto o subsecretário, dom Aurelio Garcia Macias, nomeados em maio estudaram lá.

Criado em 1637, dissolvido em 1837 e restaurado pelo Papa Leão XIII em 1887, a sede do ateneu fica no monte Aventino, em Roma, desde 1896. O Instituto de Liturgia do Pontifício Ateneo Sant'Anselmo foi criado antes do Concílio Vaticano II em 1961 pelo papa João XXIII e confiado a monges beneditinos.

Um dos professores mais importantes do Sant'Anselmo é o teólogo Andrea Grillo, vigoroso defensor do motu proprio Traditionis custodes que revogou o livre acesso ao uso do Missal de 1962, concedido em julho de 2007 pelo motu proprio Summorum pontificum, do então papa Bento XVI.

Desde a eleição do papa Francisco, Grillo fez campanha a favor da imposição de um silêncio institucional sobre o papa emérito. Ele também criticou os cardeais Carlo Cafarra, Joachim Meisner, Raymond Burke e Walter Brandmuller que, em 2016, pediram esclarecimentos sobre a exortação apostólica Amoris laetitia do papa Francisco, especialmente se o documento autorizava ou não a comunhão para pessoas separadas vivendo em nova união. O papa nunca respondeu.

O arcebispo Piero Marini, mestre de cerimônias das viagens pela Itália do papa Francisco, que também foi mestre de cerimônias do papa João Paulo II, é outro ex-aluno Sant’Anselmo. Assim como o padre Corrado Maggioni, que desde 1990 serve na Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos como subsecretário. Marini e Maggioni foram membros da comissão que redigiu o motu proprio Principium magnum de 3 de setembro de 2017, pelo qual o papa Francisco transferiu a responsabilidade sobre as traduções dos textos litúrgicos para as conferências episcopais nacionais, tirando-as da Congregação para o Culto Divino em Roma, eu buscava uniformiza as traduções. O cardeal Robert Sarah, então prefeito da congregação, foi marginalizado dessas discussões.

Dom Maurizio Barba, funcionário da Congregação da Doutrina da Fé, ensina no instituto de liturgia do Sant’Anselmo, assim como o frade carmelita Giuseppe Midili, diretor do gabinete litúrgico da diocese de Roma. Midili é candidato a suceder Guido Marini como mestre de cerimônias do papa. Outro candidato ao cargo é o padre Pietro Muroni, decano da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Urbana e consultor do Escritório para as Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice. Ele também estudou no Sant'Anselmo.

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://www.acidigital.com/noticias/escola-de-liturgia-que-pautou-discussao-do-vaticano-ii-cresce-em-influencia-32589

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

As religiões como fomentadoras de negacionismos

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
A gravura Flammarion (1888), representando um viajante que chegou ao limite de uma Terra plana e espreita através do firmamento

*Artigo de Fabrício Veliq,

teólogo protestante

 

‘Se procurarmos com atenção, é possível encontrar quase diariamente alguma notícia que envolva algum movimento negacionista. Negação de que o ser humano tenha pisado na lua, negação de que o planeta teria forma ovalada, negação do aquecimento global ou ainda, mais destacado recentemente, os movimentos antivacinas. Esses são alguns exemplos, mas indicam um aumento considerável desse tipo de teorias conspiratórias, fomentadas por diversos canais no YouTube e fake news compartilhadas pelo Whatsapp.

Que esse tipo de movimento esteja se mostrando como grande ameaçador da sociedade parece evidente. Afinal, quando determinado grupo afirma que não tomará uma vacina por acreditar em alguma teoria conspiratória, ele coloca em risco o restante da população da região em que se encontra, uma vez que é sabido que vacinas só se tornam eficazes se uma quantidade significativa de pessoas a tomam, fazendo com que o vírus perca seu poder de circulação.

Da mesma forma, quando grupos que afirmam ser o aquecimento global uma mentira ocupam as cadeiras decisórias de seus países, isso pode levar ao agravamento da crise ambiental e, consequentemente, causar a morte de grandes populações devido a tsunamis, furacões e outras consequências naturais.

Os movimentos negacionistas são perigosos justamente por irem contra os fatos e dados empiricamente estabelecidos pela comunidade científica, ancorando-se somente em suas opiniões e crenças. Mas, talvez, o leitor e a leitora desse texto possam se perguntar : o que tem a ver a religião ou a teologia com isso?

É justamente esse o ponto fulcral. As religiões e algumas de suas teologias desempenham papel fundamental nesse caldo que engrossa e começa a transbordar em diversos países. No caso especificamente do cristianismo, as leituras fundamentalistas e literalistas do texto bíblico servem de base para alguns negacionismos.

Dentre eles, talvez, a ideia da terra plana seja a que mais salta aos olhos. Ao se ler o texto bíblico de forma literal é fácil afirmar que a Terra é plana, afinal, são diversas as passagens que falam a respeito dos quatro cantos da Terra, aos quais Deus enviou seus anjos e em momento nenhum se afirma que eles deram uma volta pelo globo terrestre. Até mesmo se tomarmos o texto de Jó 1,7, ao afirmar que Satanás chegou de uma ‘volta na terra’, tal tradução não se mostra a melhor dado o contexto do texto, sendo preferível a ideia de ‘ir e vir’ pela Terra. Em outras palavras, a cosmologia bíblica pressupunha um mundo que era plano e, portanto, pregar sua literalidade implica em dizer isso.

Concomitantemente, também a ideia de não se medicar é presente em diversos discursos fundamentalistas cristãos. A ideia de que se Deus cura não é preciso tomar remédio ainda se faz presente em diversas pregações de pastores e pastoras espalhadas pelo mundo. Ancorando-se numa leitura literal de Mc 16,8 pregam que basta orar e toda enfermidade ou doença será extirpada, sendo, portanto, tarefa do crente expulsá-las de determinado corpo ou, em casos mais empolgados, também de um país inteiro ou do próprio mundo, como é possível perceber em diversas pregações e orações que ocorreram nos Estados Unidos e também no Brasil, sem contar os movimentos estelionatários que ofereciam feijões, óleos etc. para, por exemplo, ‘curar’ alguém da Covid-19.

Esses exemplos podem servir para mostrar a influência que os movimentos religiosos, e no caso, cristãos possuem no fortalecimento de movimentos negacionistas. Nesse sentido, é tarefa teológica e cristã promover um ensino coerente e correto do texto bíblico, sempre mostrando-o e o ensinando dentro do seu contexto específico. Fazer isso, juntamente com a denúncia do mau uso do texto por parte de charlatões da fé é imprescindível para que o texto bíblico possa se tornar Palavra de Deus para a sociedade contemporânea.

Com isso em mente, não é difícil dizer que a teologia tem um papel importante a desenvolver na sociedade contemporânea e que, enquanto teólogos e teólogas, devemos assumir esse compromisso diante da sociedade.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/noticia/1495903/2021/01/as-religioes-como-fomentadoras-de-negacionismos/