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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Para onde se caminha?

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Dom Walmor Oliveira de Azevedo,

Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, MG

Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil


Perguntas contam decisivamente na definição de rumos e nos discernimentos para escolhas que incidem sobre a vida. Perguntar é tão essencial quanto responder bem. Por vezes, conta mais a clarividência da pergunta – capaz de contribuir para a lucidez decisiva da resposta. Para onde se caminha? Uma interrogação que precisa incidir nas dimensões pessoal, familiar e social. A resposta revela valores escolhidos, princípios respeitados e práticas comportamentais inspiradoras. Não se pode caminhar por qualquer via ou direção. A irresponsabilidade na definição do percurso a ser seguido pode levar a prejuízos pesados que demandam, além de longo tempo, muitos esforços e investimentos para superar fracassos. Para onde se caminha? Questão que incide diretamente na existência humana, configurando rumos e consequências. Essa pergunta remete à responsabilidade de cada pessoa na configuração de uma adequada resposta.

Reagir à interpelação - Para onde se caminha? – é tarefa cada vez mais difícil, considerando, dentre outros, os riscos que surgem com a cultura tecnológica. Há, por exemplo, uma expressiva disseminação de notícias falsas - a mentira passando-se por verdade. Sabe-se ainda que o ambiente digital é também lugar onde muitos espalham o ódio, ou buscam construir a própria imagem, alcançar reconhecimento, pela destruição perversa da inteireza moral de seu semelhante. Deixa-se de lado o compromisso com a verdade para se esconder em um covarde anonimato, buscando propagar juízos destrutivos. Perde-se o compromisso com o bem do outro, o bem de todos. No lugar desse compromisso, torna-se cada vez mais habitual a perversidade de quem vê no semelhante um concorrente. Uma visão equivocada, pois todos são operários na mesma vinha, cujos frutos e abundância dependem da cooperação mútua e da participação criativa de cada um.

Nessa crescente tendência de se buscar destruir o outro, com quem se diverge, cai em desuso a pergunta feita por Jesus Mestre aos acusadores da mulher adúltera. Jesus, com a sua pergunta, indicou que jogasse a primeira pedra quem não tivesse pecado. O questionamento do Mestre alcançou efeito estupendo pois fez com que todos saíssem, um a um, certamente convictos de seus próprios limites. Uma lição que precisa ser aprendida na contemporaneidade, pois rumos sombrios são tomados quando não se pensa na edificação do semelhante : é preciso zelar pela convivência humana e cidadã. O compromisso com esse zelo inclui muitos exercícios, inclusive uma reflexão cotidiana a partir dessa pergunta : para onde se caminha? Pode-se caminhar na direção das ‘sombras de um mundo fechado’, ou buscar gerar um ‘mundo aberto’, como nos diz o Papa Francisco, nos capítulos primeiro e terceiro de sua Carta Encíclica, Fratelli Tutti, sobre a amizade social. Somente se pode caminhar adequadamente, em direção a metas frutuosas quando o ser humano compreende que só pode alcançar a sua plenitude na sincera oferta de si mesmo.

A alegria de viver apenas se efetiva quando são encontrados rostos para amar. Esse encontro é remédio que cura preconceitos e discriminações, ódio e indiferenças. Caminhar-se-á na direção de um ‘mundo aberto’ na medida em que vínculos são criados em comunhão e fraternidade, realidades mais fortes que a morte. Por isso, as relações interpessoais precisam ganhar amplitude para além dos territórios da própria família ou de pequenos grupos. O Papa Francisco fala de uma espécie de lei de êxtase – ‘sair de si mesmo para encontrar nos outros um acrescentamento de ser’. E lembra : ‘A partir da intimidade de cada coração, o amor cria vínculos e amplia a existência, quando arranca a pessoa de si mesma para o outro’.

Reconhecer, a partir da racionalidade e da espiritualidade, o valor único do amor é essencial para bem responder a esta pergunta : para onde se caminha? Há de se investir na constituição de uma estatura espiritual e humana que seja medida pelo amor. Assim, podem ser corrigidos descompassos, reorganizados raciocínios e redefinidas posturas, superando o que descompassa a vida e as limitações do viver humano. Consequentemente, encontra-se a cura para a enganosa perspectiva que leva tantas pessoas a pautarem a própria conduta considerando que a vida se resume à disputa por interesses. Uma visão distorcida que faz prevalecer o confronto – uns contra os outros, o tempo todo. A solidão, os medos e inseguranças, que são também consequências dessa perspectiva equivocada, levam a um caos insuportável. Para onde se caminha? Uma interrogação que não pode ser tratada de qualquer maneira, pois remete a responsabilidades cidadãs importantes, ao compromisso de cada um para que a humanidade tome novo rumo, a partir do encontro de qualificadas respostas.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://domtotal.com/noticias/?id=1589943

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Como o papa escolhe os bispos: critérios, métodos, orientações

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo da Vatican News

 

‘O critério não é a busca da perfeição, de ‘santos’ inéditos, mas de homens certamente em posse de virtudes humanas e espirituais, antes de tudo a prudência, que não significa ‘reticência ou timidez’, mas ‘equilíbrio entre ação e reflexão no exercício de uma responsabilidade que requer muito comprometimento e coragem’. O cardeal Marc Ouellet traça claramente o tipo de perfil de um candidato ao ministério episcopal. A Congregação vaticana, guiada por ele há muitos anos, tem esta responsabilidade – que exerce de acordo com normas e praxes bem definidas – cujo resultado é o de ajudar o papa a escolher os pastores aos quais as comunidades eclesiais do mundo serão confiadas. Uma tarefa, explica, realizada de forma colegial e ‘com espírito de fé e não de cálculo’.

Para descrever a grande responsabilidade que cabe ao dicastério chamado a escolher os sucessores dos apóstolos, o papa Francisco usou uma forte expressão : ‘Esta Congregação existe para garantir que o nome daquele que for escolhido tenha sido, antes de tudo, pronunciado pelo Senhor’. Como se pode ser fiel a uma tarefa tão alta e exigente?

A tarefa que a Igreja confia a este dicastério é a de ajudar o santo padre a decidir. Nosso discernimento, portanto, é um discernimento prévio. No que diz respeito a esta ‘primeira etapa’, posso resumir este grande trabalho em três verbos : rezar, consultar, verificar. Rezar : a oração como primeira e última ação, como ato inicial e final de confiar nossas intenções ao Pai celeste; não é por acaso que no centro dos escritórios da Congregação está a Capela com o Santíssimo Sacramento. Toda vez que caminhamos pelos corredores, nos encontramos diante desta misteriosa Presença à qual toda ação deve ser referida. Consultar : a fase preparatória que estamos tratando atinge seu auge após um intenso trabalho utilizando o método sinodal : consultas com o povo de Deus, os Núncios, os Membros da Assembleia Plenária; tudo isso chega à mesa do papa já destilado. Verificar : isto é, tentar alcançar a maior certeza possível de que a pessoa identificada tem as características exigidas.

Por trás de cada nomeação episcopal há um trabalho de discernimento por parte da Congregação, mas também de consulta e envolvimento das nunciaturas apostólicas e das Igrejas locais. O senhor pode nos explicar como isso é feito e que uso de recursos envolve em relação ao balanço de sua missão? 

A identificação e o estudo de um candidato são o fruto de uma ação conjunta entre vários pontos. A cada três anos, é compilada pelos bispos metropolitanos uma lista de promovendis, ou seja, uma lista de presbíteros que poderiam ser adequados ao ofício episcopal, de acordo com as indicações dos bispos da Metropolia. A Nunciatura avalia estas candidaturas através de um processo de consulta com o povo de Deus, que tem a característica de máxima confidencialidade. No processo de consulta, solicita-se aos respondentes uma estrita confidencialidade a fim de garantir a veracidade das informações e sobretudo para proteger a reputação da pessoa que está sendo estudada. Uma vez identificados os melhores perfis para atender às necessidades do momento, as informações são transmitidas à Santa Sé. A Santa Sé, através da Congregação para os Bispos, considera as candidaturas à luz de critérios gerais e, com a ajuda de uma Assembleia de membros designados pelo santo padre, atualmente 23 cardeais e bispos de todo o mundo, faz a avaliação final que será entregue ao papa para sua decisão final.

Não há o risco de que possa pesar no processo de seleção dos prelados a afiliação ou condicionamento de uma natureza particular? Como isso pode ser evitado?

Como em todas as coisas humanas podem ser encontrados nos informantes a inveja e interesses pessoais. Para evitar isso, deveria ser cultivado no povo de Deus e na formação dos sacerdotes um espírito de desapego. A Igreja não precisa de ‘carreiristas sociais’, pessoas que buscam os primeiros lugares, mas homens que sinceramente querem servir seus irmãos e mostrar-lhes o caminho da fé e da conversão.

No perfil pastoral de um bispo contam mais as qualidades humanas, as virtudes espirituais ou a capacidade de governar uma diocese?

A Congregação para os Bispos, ao contrário da Congregação para os Santos, trata do perfil pastoral dos candidatos que ainda não são perfeitos, mas dos homens no caminho da perfeição. Num padre a ser proposto ao episcopado certamente contam as virtudes teologais e cardeais, as chamadas virtudes humanas principais, mas entre todas, a mais importante para este ofício é a prudência. Prudência não deve ser entendida como reticência ou timidez, mas como um equilíbrio entre ação e reflexão no exercício de uma responsabilidade que requer muito comprometimento e coragem.

A personalidade e a sensibilidade dos vários Pontífices tiveram alguma influência sobre os critérios de escolha?

A sensibilidade de um pontificado certamente tem uma influência notável sobre as escolhas. Cada papa recebe do Espírito Santo uma ‘visão’ particular sobre os problemas da Igreja e as suas prioridades. Os que colaboram com o papa são chamados a entrar na perspectiva do Primeiro Pastor com espírito de fé e não de cálculo.

As visitas ad limina que o episcopado do mundo inteiro faz a cada cinco anos são um importante momento de partilha entre as Igrejas locais, o papa e a Cúria Romana. Como podem ser valorizadas para que se tornem também uma ocasião de conhecimento e enriquecimento para os fiéis leigos e as comunidades paroquiais?

As visitas ad limina são um momento de sinodalidade concreta que os episcopados do mundo inteiro vivem com o papa e os dicastérios que auxiliam seu trabalho. As ‘apresentações’ que as Conferências Episcopais fazem de seus territórios compõem um mosaico fascinante no qual se pode ver o funcionamento de Deus em todas as latitudes. Cada bispo individualmente deveria ter escutado seu povo antes da visita e depois retornar à sua diocese após esta atarefada série de reuniões e contar a sua experiência compartilhando com todos o que ele recebeu. Recordemos que nas o ápice das visitas ad limina é a celebração da Eucaristia com o santo padre no Túmulo de Pedro.

O senhor também é presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, criada por Pio XII em 1958. Por que foi incluída na Congregação para os Bispos e qual é o seu papel hoje, no contexto do pontificado do primeiro papa latino-americano da história?

A Pontifícia Comissão para a América Latina (C.A.L.) nasceu historicamente como um órgão delegado para facilitar o envio de missionários da Europa para a América do Sul. Ao longo dos anos, sua fisionomia mudou com a mudança da face da Igreja. Atualmente o fluxo missionário também tem uma direção inversa, de modo que os sacerdotes do continente latino-americano retrocedem pelas estradas dos primeiros missionários a levar a proclamação do Evangelho em muitos países europeus. Hoje, a C.A.L. é uma entidade dinâmica, que promove o conhecimento do Continente na Cúria e vice-versa, e sobretudo o encontro com as necessidades daquelas terras com a oferta de disponibilidade; ela também segue diretamente e promove pequenas intervenções diretas. Nos últimos anos, a Comissão tem se concentrado especialmente no diálogo e na promoção, para estimular a reflexão sobre as prioridades e o futuro do continente católico, sob o impulso do papa Francisco. A Pontifícia Comissão para a América Latina conta com a colaboração de uma assembleia de 20 membros que participam de Plenários de reflexão e orientação sobre o futuro da área. Quero lembrar particularmente a Assembleia Plenária de 2018 com o tema : A mulher : pilar na construção da Igreja e da sociedade na América Latina. Foi um momento muito bonito, uma passagem do Espírito Santo.

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/noticia/1513093/2021/04/como-o-papa-escolhe-os-bispos-criterios-metodos-orientacoes/

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

O discernimento pode ser difícil, mas Deus acompanha sua escolha

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

 


*Artigo de Maura Shea,

professora

 

‘Uma amiga minha estava se perguntando se deveria ir para casa no Dia das Mães. Sua colega de quarto estava voltando de um funeral fora da cidade e estava preocupada com a possibilidade de levar o contágio do coronavírus para a casa de seus pais.

Eu poderia simplesmente sair agora, antes da minha colega de quarto voltar’, disse a moça preocupada. ‘Eu ainda poderia ficar a semana toda, até o Dia das Mães, porque realmente quero ser uma boa filha.

Porém, ela sabia por experiência própria que, às vezes, ficar uma semana inteira com os pais não é tão emocionalmente tranquilo assim. Queria homenagear a mãe, mas não queria demorar a voltar para casa.

Eu queria saber a coisa certa a se fazer’, disse.

Outra amiga está grávida e tem um filho de 2 anos. O marido e ela têm tido dificuldades em decidir os limites apropriados para a presença dos pais, que desejam tanto estar presentes com ela e com o neto durante esse período, e que não estão preocupados em contrair o vírus. Minha amiga está lutando contra o medo de ser responsável por contagiá-los.

Por outro lado’, diz ela, ‘não quero viver com medo. Eu sei o quão importante é para meus pais ver o neto’. Qual é a coisa certa a se fazer?

Muitos estão enfrentando decisões semelhantes e são oprimidos por uma sensação de querer fazer o que é certo, mas também pelo medo de escolher o caminho errado. Precisamos considerar os vários caminhos – saúde e segurança, passar tempo com os seres queridos, ir ao escritório para nos concentrarmos melhor no trabalho, apoiar negócios locais que estão passando por dificuldades. Muitos de nós também nos sentimos chamados a proclamar a verdade sobre o veneno do racismo por meio do protesto e do ativismo. Todos esses caminhos valem a pena, mas como e quando?

Acho que nós, católicos, em particular, com nossa ênfase no discernimento, às vezes temos a sensação de que deve haver uma resposta certa, a resposta que Deus conhece e espera que nós também descubramos.

Infelizmente, mesmo quando levo, em oração a Deus, decisões difíceis como essas, descubro que ele raramente me dá uma orientação clara. Muitas vezes, parece que ouço Deus dizer : ‘Não tenha medo’. Mas essas palavras tranquilizadoras não se traduzem em nenhuma ação imediata.

Fico com a suspeita de que muitas vezes Deus realmente quer que eu escolha.

Uma frase sempre vem à mente : ‘A nossa dignidade consiste em ser causas’ (tomado do pensamento de São Tomás de Aquino)

Em algum lugar nas brumas distantes do tempo, provavelmente na faculdade, li algo de São Tomás de Aquino sobre a relação entre a providência de Deus e nosso livre arbítrio. Tomás pensava que existia uma distinção importante entre causalidade primária (causalidade de Deus) e causalidade secundária – mas afirmava que ambas eram reais. O santo estava argumentando contra aqueles que viam Deus manipulando o mundo como um titereiro que controla seus fantoches. Em vez disso, Aquino diz :

Pois, devemos atribuir a Deus toda dignidade. Ora, é próprio da dignidade real ter ministros, mediante os quais exerça a providência sobre os seus súditos. Logo, com maior razão, Deus não provê imediatamente a todos os seres. Demais. – É próprio da providência ordenar as coisas para um fim, que lhes é a perfeição e o bem. Pois, é da essência de uma causa levar a bom termo o seu efeito. Ora, toda causa agente é efeito da providência. Logo, se Deus provê imediatamente a todos os seres, anular-se-ão todas as causas segundas. (Summa Theologiae I, q. 22, a. 3).

Com base na ‘abundância da Sua bondade’, Deus concede às suas criaturas – e particularmente a nós – ‘a dignidade da causalidade’.

Pensemos sobre isso. Deus deu a você a dignidade de ser causa.

Você pode, em razão da criatividade de Deus, ter criatividade também. Você pode fazer música, arte, jantares e ter relacionamentos. E é realmente você quem está fazendo essas coisas. Não longe de Deus, mas com ele. Sua causalidade secundária e sua causalidade primária não estão em conflito.

E isso significa que você pode fazer escolhas. Escolhas reais.

Recentemente, perguntei a um padre sobre ouvir as inspirações do Espírito Santo e saber quando devo agir de acordo com uma inspiração que parece vir de Deus. Com gentileza e um sorriso, ele sugeriu : ‘Deus quer que você cresça’. Ele acrescentou : ‘Quando São Paulo fala sobre a maturidade plena em Cristo e a liberdade dos filhos de Deus, ele está falando sério. Deus quer que você viva em verdadeira liberdade. Ele quer que você faça escolhas.’

Claro, há momentos em nossas vidas em que fazer a coisa certa parece uma decisão muito clara. E parte de confiar em Deus é acreditar que ele realmente nos dá as informações de que precisamos para tomar boas decisões.

Mas a paralisia católica em torno do discernimento não ocorre nesses tempos; ocorre quando parece haver várias respostas certas e temos medo de confiar em nossos próprios desejos ou em nossa capacidade de escolher com sabedoria.

Também existe algum precedente bíblico para esses outros tipos de ocasiões. Pense em Adão no jardim. Deus permite que ele nomeie todos os animais! Que coisa poderosa, escolher um nome para outra criatura. No entanto, Deus confiou a Adão essa escolha, essa criatividade.

Santo Agostinho disse a famosa frase : ‘Ama e faz o que quiseres’.

Se você amar, estará fazendo a vontade de Deus.

Deixando de lado o pecado, entendido como imprudência para com o bem-estar dos outros ou egoísmo com relação ao seu tempo e recursos, pode haver uma série de escolhas dentro do reino da prudência que minha amiga pode tomar quando visitar sua família e meu outro amigo para estabelecer limites com seus pais. E Deus abençoaria quaisquer escolhas dentro desse intervalo que eles decidissem. Na verdade, acredito que Deus se agradaria com isso – no seu exercício da causalidade própria, como seres humanos.

Nesses casos ambíguos, muitas vezes nos sentimos paralisados porque, embora saibamos que não estamos escolhendo conscientemente algo pecaminoso, mesmo assim vemos a gama de possibilidades e nos perguntamos se existe uma opção perfeita que poderíamos estar perdendo.

Todavia, percebi que a ideia do perfeito é um engano do ‘espírito maligno’, como diria Santo Inácio, tentando nos impedir de fazer qualquer escolha. Quando Cristo disse : ‘Sê perfeito, como o teu Pai celestial é perfeito’, estava fazendo uma comparação na fé com aquele que, em sua misteriosa liberdade, sem imposição ou necessidade de qualquer tipo, escolheu da abundância de sua bondade criar o mundo.

Nós também somos chamados a ser co-criadores. Nós também somos chamados a exercer nossa liberdade no amor.

Talvez a verdadeira resposta seja que Deus se agrada com as nossas escolhas. Que o mundo está cheio de incertezas, mas que ele ama sua vontade de fazer o que é certo e ama sua criatividade enquanto você trabalha com ele no projeto de vida que é o mundo. Fazer uma boa escolha não significa que você evitará todo sofrimento ou que será capaz de prever todos os resultados. Significa que você está usando os dons do intelecto e da vontade que Deus lhe deu e que no próprio ato de usá-los você o está glorificando.

Isso não responde a perguntas específicas sobre quando é seguro visitar seus avós ou se você deve fazer parte de um protesto pacífico ou se deve participar de um retiro de discernimento sobre a vida religiosa ou ir para um terceiro encontro vocacional. Mas é essa a questão. Em muitos casos e mesmo nos casos mais importantes, Deus nos deu a dignidade de responder.

Quando Jesus pergunta ao cego do Evangelho : ‘O que você quer que eu faça por você?’, Ele realmente quis dizer isso. Não é um artifício retórico. Ou quando diz : ‘Mas quem você diz que eu sou?’, Ele quer que seus amigos lhe digam o que realmente pensam. Está tudo bem se Pedro não consegue articular perfeitamente a doutrina da Trindade, como foi mais tarde esclarecido no Concílio de Nicéia. Jesus está encantado com a resposta dele – e com a sua.

Então ore. Fale com um amigo de confiança. E, finalmente, considere que Deus deu a você a dignidade de ser uma causa e se deleita em sua escolha.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/noticia/1469548/2020/09/o-discernimento-pode-ser-dificil-mas-deus-acompanha-sua-escolha/

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Por que desisti do meu trabalho na NASA para ser freira?


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Cientistas creem em teorias que ainda não podem ser provadas, como a teoria das cordas, e isso também é fé, algo que não é exclusividade de religiosos.
Cientistas creem em teorias que ainda não podem ser provadas,
como a teoria das cordas, e isso também é fé,
algo que não é exclusividade de religiosos.

*Artigo de Libby Osgood,
noviça, C.N.D.
Tradução : Ramón Lara



‘Dez. Nove. Oito. Sete. Eu estava na sala de controle do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Maryland, em 11 de junho de 2008, com meus colegas engenheiros e cientistas, contando os segundos finais até o lançamento do nosso satélite. ‘Por favor, Deus’, implorei. ‘Que dê certo tudo!

Seis. Cinco. Quatro. Vestindo saltos e uma saia preta trabalhada com apenas um detalhe rosa, aos 25 anos, eu era a pessoa mais jovem em uma sala cheia de calças e gravatas. ‘O que estou fazendo aqui?’ Eu me maravilhei. ‘Como posso estar falando em um fone de ouvido para o Cabo Canaveral?

Três. Dois. Um. Lançamento. Eu estava colada ao monitor do meu computador, observando simultaneamente os sinais vitais do satélite e um vídeo ao vivo da plataforma de lançamentos na Flórida. Como engenheira de sistemas, meu papel era encontrar e consertar problemas e ser um ponto de conexão entre os outros engenheiros. Suspirei de alívio quando a fumaça saiu dos motores e o foguete desapareceu da tela. Agora, o trabalho real pode começar : as operações no espaço que o satélite foi planejado para executar.

A maioria das pessoas só ouve os últimos 10 segundos da contagem regressiva antes do lançamento de um foguete. Na realidade, dura horas e requer vários dias de ensaio. Os poucos minutos estimulantes são precedidos por meses de trabalho tedioso. Minha jornada de engenheira aeroespacial até me tornar uma irmã religiosa seguiu um cronograma semelhante. Não há uma versão de 10 segundos da minha história de vocação. Incluiu anos de questionamento e trabalho de base, culminando em alguns minutos mágicos de clareza, seguidos pelas operações reais, até um milhão de ‘sins’ que devem ser dados repetidamente após o compromisso inicial com a vida religiosa.

Osgood diz que sempre separou seu trabalho como engenheira e sua conexão com a Igreja.

Logo após o lançamento de 2008, eu me vi trabalhando em um ritmo mais lento com uma construtora que trabalha para a NASA em Phoenix. O ritmo era mais devagar, cheio de reuniões e cubículos. Comecei a me sentir inquieta e, depois de dois anos, decidi ir ao Quênia com uma organização chamada Mikinduri Children of Hope, para ajudar a fornecer serviços médicos, odontológicos e oftalmológicos em uma pequena aldeia. Nesse momento, estava certa de que, mesmo sem qualquer treinamento médico, estaria bastante ocupada; e depois de incontáveis horas olhando para um satélite de metal imóvel, fiquei ansiosa e comecei a querer trabalhar com as pessoas.

Eu me apaixonei pelo Quênia. O campo era exuberante e verde em alguns lugares; havia cores brilhantes pintadas nos edifícios simples de lata com anúncios das fraldas Huggies e de uma marca de preservativos. Eu vi no povo queniano o que significa irradiar o amor de Deus. Isso era algo que eu não tinha visto ou sentido em Phoenix. Antes de partir do Quênia, resolvi deixar meu emprego, desistir do salário confortável e cada vez maior e tirar um ano sabático para buscar alegria.

Depois de um ano de atividades em família, fotos, yoga e viagens de carro, comecei a trabalhar como professora de engenharia na University of Prince Edward Island. Por seis anos, orientei alunos na descoberta do design de engenharia, enquanto fazia meu Ph.D. Eu voltava ao Quênia todo mês de fevereiro e envolvi meus alunos nas viagens o máximo possível para que pudessem desenvolver suas habilidades enquanto ajudavam pessoas que realmente precisavam.

Tornei-me uma pessoa cada vez mais envolvida com a Igreja e ativa em um novo grupo jovens adultos de uma paróquia diocesana. Íamos à missa, participávamos das refeições e debatíamos questões teológicas. Mas eu via esse meu lado católico como algo que fazia apenas nos finais de semana. Considerava minha religião e minha profissão como duas partes distintas de mim, em vez de um todo integrado.

Em 2015, fiz uma viagem de fim de semana com alguns amigos do grupo de jovens adultos da minha igreja, incluindo uma irmã da Congregação de Notre Dame. Passamos uma noite em cabanas rústicas em Meat Cove, Nova Escócia, sem eletricidade ou água corrente, rodeados por um oceano cheio de baleias e um céu cheio de estrelas. Sentada na varanda, tentando resolver os problemas do mundo, a discussão passou para o tópico do ministério. Mas eu nunca senti que essa palavra se aplicava a mim. Quando expressei minha frustração com a palavra, meus amigos olharam assustados.

Sua vida é um ministério’, disseram eles.

Eu recusei: ‘Eu ensino engenharia, isso é tudo.’

Como se estivesse me vendo pela primeira vez, a irmã religiosa perguntou : ‘Você sabe o que fazemos?’ Quando não respondi, ela explicou que a ‘educação libertadora’, o carisma das religiosas de Notre Dame, encoraja irmãs a empoderar e educar em qualquer forma que libere o espírito humano.

Por alguns segundos estimulantes, vi toda a minha vida claramente integrada. Percebi que não precisava evangelizar ou mencionar Deus no trabalho, pois estava exercendo um ministério junto aos meus alunos e colegas simplesmente amando-os e tratando-os como pessoas dignas e santas. Esse foi o momento do lançamento.

A noção de educação libertadora e a potencial promessa que ela tinha para o meu futuro como uma irmã religiosa abalou todo meu mundo. Depois de quase duas semanas sentindo uma alegria intensa, entendi que esse sentimento era mais do que apenas isso. Apareci na porta da irmã e pedi que me ‘explicasse essa coisa de freira’. Ela riu, conversamos, e eu fui embora com respostas às minhas perguntas. Quase quatro anos depois, estou chegando ao final do meu noviciado e farei meus primeiros votos neste verão.

É quando o trabalho real acontece, após os emocionantes segundos finais da contagem regressiva. Além de oração, aulas e ministérios, minhas tarefas foram atípicas : consertar banheiros, substituir pias, instalar pisos e pintar paredes. Antes disso, sentia vergonha quando estava na igreja (porque não estava fazendo mais pelo reino de Deus) e quando estava no trabalho (porque achavam que estava tentando fazer proselitismo).

Embora eu nunca tenha sido desencorajada a falar sobre religião no trabalho ou na escola, ninguém fazia isso e eu também não faria. Quando trabalhamos sem parar nos últimos meses antes do lançamento do satélite em 2008, nenhum dos outros engenheiros pediu folga aos domingos para frequentar a igreja, então eu também nunca fiz isso.

Minha censura auto imposta significava sacrificar o sono para encontrar uma missa durante minhas poucas horas de folga. Ao longo do meu último semestre no Ph.D., tinha que justificar minha ausência porque não estava conseguindo participar na conferência de pesquisa de estudantes - um pré-requisito para a pós-graduação. Estava muito envergonhada de dizer que estava indo em peregrinação a Medjugorje, então murmurei : ‘É uma coisa religiosa!’.  A religião era um tema tão tabu no departamento que a questão foi desconsiderada sem comentários.

O vazio onde a vergonha uma vez se assentou é agora um vaso aberto, preenchendo-se lentamente com buscas espiritualmente científicas, permitindo-me mergulhar na ciência desde uma perspectiva espiritual e na espiritualidade dentro de uma perspectiva científica. Teilhard de Chardin, S.J., Ilia Delio, O.S.F., e Kathleen Deignan, C.N.D., foram meus primeiros professores nessa integração e deram-me uma nova maneira de admirar o universo.

Ainda no noviciado, descobri cientistas que examinam suas crenças como se estivessem sob um microscópio, explorando como sua fé informa sua ciência e sua ciência informa sua fé. Li todos os livros que a biblioteca poderia oferecer sobre física quântica, para entender melhor o desdobramento do grandioso design de nosso Deus invisível, mas palpável.

Aprendi que a fé não é exclusiva daqueles que se consideram religiosos : acredito em um Deus de amor, e os físicos quânticos acreditam que sua teoria específica é verdadeira, seja a teoria das cordas ou a teoria dos laços quânticos, embora não tenham nenhuma evidência concreta.

Muitas vezes, as pessoas ficam intrigadas com a transição do trabalho nos satélites para o noviciado, mas a jornada pareceu natural para mim. Eu sempre confiei que Deus me deu a bússola e as ferramentas que preciso – e às vezes um empurrão na direção certa. Como aconteceu com o paleontólogo Teilhard de Chardin, conforme ele disse : ‘Deus está na ponta da minha caneta, da minha pá, da minha escova, da minha agulha – no meu coração e nos meus pensamentos’. Eu agora posso confortavelmente atestar que Deus está na ponta do meu marcador de quadro branco, na minha barra de espaço, na minha chave inglesa, no meu fone de ouvido – no meu coração e sempre em meus pensamentos.




Fonte :

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Duas formas de se fazer Teologia


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Qual das duas formas devemos escolher?
*Artigo de Fabrício Veliq,
protestante, é mestre e doutorando em
teologia pela Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte (FAJE),
doutorando em teologia na Katholieke Universiteit Leuven - Bélgica,
formado em matemática e graduando em filosofia pela UFMG


 ‘Em linhas gerais, podemos dizer que há duas formas de se fazer teologia : a primeira é aquela que trata somente das questões espirituais e sua preocupação se concentra em como tornar a alma, que é separada do corpo, a mais virtuosa e a mais santa possível. Esse tipo de visão lida com um dualismo ferrenho, que afirma que aquilo que deve ser valorizado é o aspecto interno da relação humano/divino, uma vez que, no fim de todas as coisas, somente a alma será salva ou condenada.

A segunda, por sua vez, é feita a partir da realidade do mundo, dos seus conflitos e de sua miséria, visando também uma resposta que venha de encontro aos cenários de guerra, desgraça e desigualdade que se veem no cotidiano da vida. Para esse modo de fazer teologia, o dualismo ferrenho da primeira forma se torna sem sentido, uma vez que o humano não é visto como uma alma habitando um corpo e esperando sua libertação, antes, como pessoa, um todo integrado que vive na realidade criada por Deus.

Diante disso, é importante perceber que a partir da forma que escolhemos fazer teologia, essa mesma forma determina a nossa vivência na sociedade, uma vez que o ser humano é um ser, querendo ou não, político. De maneira recíproca, é possível perceber também que nosso fazer teológico é influenciado pela maneira como vemos o mundo.

Assim, naqueles e naquelas que optam por fazê-la pela primeira forma que expusemos, há a tendência muito grande de minimizar todas as questões sociais, de guerra, desgraça e miséria ao fator comum do ‘pecado’ ou ainda da ‘vontade divina’, desconsiderando assim, os sofrimentos dos massacrados.

Aqueles e aquelas que, por outro lado, optam pela segunda via, tem outro ponto de partida : esse ponto deixa de ser a simples alma que busca salvação e se torna a preocupação pela promoção da vida na realidade do mundo. Esse tipo de visão, por sua vez, tende a motivar a luta contra a injustiça e a revolta contra as guerras que matam populações inocentes em nome dos desejos dos poderosos, como tanto já vistas e, nesse exato momento, levando a bombardeios na Síria e aumentando o número daqueles/as que são mortos/as devido à ganância de poder.

Qual das duas formas devemos escolher? Compreendendo o ensinamento de Jesus e estando disposto/a a seguir seus passos, conforme consta nas narrativas evangélicas, não fica dúvida de que a teologia cristã deve se direcionar para a segunda forma de se fazer teologia, ou seja, engajando-se nas questões da atualidade e propondo novas formas de resolver os conflitos e viver em sociedade, principalmente, levando em conta aqueles e aquelas que morrem diariamente devido às brigas entre os poderosos dessa Terra para que seus lucros sejam cada vez maiores.

Como consequência disso também é possível dizer que todo silêncio por parte da Igreja em relação à exploração, à guerra e à miséria, seja onde for e contra quem for, deve ser considerado como não cristão e desaprovado por Deus, que sempre, ao longo da história, colocou-se ao lado dos desamparados e perseguidos desse mundo.

Assim, todo discurso triunfalista e de ‘salvação do terror’ que leva milhares de pessoas a morrerem hoje na guerra da Síria não pode ser, de maneira nenhuma, considerado cristão e suportado por aqueles e aquelas que se dizem seguidores de Jesus nos dias atuais. O clamor pela paz e alívio do sofrimento que vem da Síria hoje pode ser ouvido por todo o mundo e é dever cristão se posicionar contra essa guerra.

 Que haja paz na Síria.’


Fonte :

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Suicídio: a definição em três pontos

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 * Artigo de Carlo Bellieni , neonatologista e bioeticista

‘O suicídio é o assassinato de si mesmo, um ato cuja relação com a solidão é geralmente muito estreita, a ponto de lançar dúvidas sobre a verdadeira liberdade de escolha de quem o comete. O suicídio assistido é o ato de provocar a própria morte através de um terceiro, com a aprovação do sujeito.
  
Realismo

É o ato de dar fim voluntariamente à própria vida. Em caso de não ser possível fazê-lo ativamente e por isso apelar-se para a ação de outro, temos o suicídio assistido. O suicídio pode ser cometido ativamente, mediante fármacos ou armas ou com intervenções lesivas de vários tipos, ou passivamente, removendo-se os instrumentos necessários para a salvação da vida. O suicídio foi condenado pela cultura ao longo dos séculos. Hoje, uma corrente pós-moderna o considera um ato de livre escolha e, por isso, digno de respeito. Com frequência, quem recorre ao suicídio está em situação de abandono ou depressão; mais raramente, em situação de sofrimento físico ou de doença terminal. O suicídio, especialmente quando muito alardeado pela mídia, acaba se tornando “contagioso” e sugestionando outros a cometê-lo.

A razão

Quem e por que recorre ao suicídio? Um estudo canadense mostra que, entre os enfermos que solicitam a morte, é alto o índice de pessoas deprimidas. Mas a depressão é tratável : assim sendo, a lei sobre a eutanásia não acabaria deixando de proteger os pacientes cujas escolhas são influenciadas pela própria depressão? Dos idosos deprimidos, de acordo com estudos, apenas 10% são encaminhados a especialistas, contra 50% dos jovens deprimidos. Não deve surpreender, portanto, que alguns deles peçam para morrer.

Como pretender a liberdade de suicidar-se no hospital ao mesmo tempo em que se lamenta o suicídio de quem se atira de uma ponte? É um paradoxo que compromete qualquer suposta liberalização: quem aprova o primeiro suicídio e desaprova o segundo nunca explicou quem está autorizado a decidir quais são as pessoas dignas do suicídio e quais não são. Se o suicídio é liberdade, por que preocupar-se com a sua propagação? Com que base admitir ou excluir uma pessoa do suicídio autorizado por lei? Tanto faria, afinal, aprovar todos os suicídios, mesmo o do adolescente que perde a namorada ou o da garota que vai mal na universidade. Quem é o juiz laico do coração dos outros? A tragédia é que, em nome da solidão elevada a suprema corte e poeticamente chamada de "autonomia", ninguém mais estará autorizado a salvar o suicida, pois qualquer interferência seria ilegal: a decisão do suicida, afinal, é seu direito. No panorama atual, podemos esperar que aquele que salva um suicida, em vez de receber um prêmio, seja denunciado.

O sentimento

O suicídio é um grito de socorro que exige uma resposta. É urgente melhorar o atendimento para todos, especialmente para as pessoas com deficiências mentais, para as pessoas abandonadas e para as vítimas da angústia. E é urgente parar de dizer que tudo o que decidimos em nossa solidão é uma decisão correta. É muito fácil para o Estado liberar o suicídio, livrando-se da sua responsabilidade e da sua obrigação à solidariedade.’


Fonte :
*Artigo na íntegra http://www.zenit.org/pt/articles/suicidio-a-definicao-em-tres-pontos