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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Os mosteiros cristãos mais antigos do mundo e seu incrível estilo de vida


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 MONASTERY OF SAINT ANTHONY
*Artigo de Philip Kosloski,
escritor e designer gráfico

 ‘A história da vida consagrada católica data dos primeiros séculos após a ressurreição de Jesus Cristo. Inicialmente, havia muitos homens e mulheres, cujos nomes nunca foram registrados pela história, que viviam como eremitas no deserto, dedicando toda a sua vida à oração e às boas palavras, em oferecimento pessoal completo a Jesus.

O primeiro eremita cristão de que se tem registro é São Paulo de Tebas, nascido no Egito em 227. Ele se refugiou no deserto para escapar da perseguição, mas, depois, resolveu permanecer por lá a fim de se aproximar mais de Deus.

Por volta do ano 270, o seu exemplo inspirou Santo Antônio, o Grande, a abraçar uma vida semelhante, dedicada à oração no deserto. O eremita Santo Antônio (não confundir com Santo Antônio de Pádua e Lisboa) é geralmente considerado o ‘pai do monaquismo cristão’ ou ‘pai de todos os monges’, pois atraiu muitos seguidores que aprenderam com ele os caminhos da ascese cristã. No entanto, ele não estabeleceu nenhum mosteiro físico : a sua comunidade criava as celas monásticas em cavernas próximas umas das outras ou em pequenas cabanas. Acredita-se que alguns dos seus seguidores, no século IV, vieram a criar um mosteiro no local do seu túmulo.

Esse mosteiro, localizado cerca de 200 quilômetros a sudeste do Cairo, é hoje conhecido como o ‘Mosteiro de Santo Antônio’ (foto acima). Se no início era apenas um grupo de eremitas vivendo em proximidade, com o tempo foi se formalizando e se transformando em uma comunidade.
  
Um dos discípulos mais próximos de Santo Antônio era São Macário, que também fundou um mosteiro no deserto egípcio até hoje em atividade : o ‘Mosteiro de São Macário em Scetis’.

SAINT MACARIUS MONASTERY

São Macário viveu uma vida longa, aproximadamente entre 300 e 391, e foi influenciado por Santo Antônio a dedicar a vida à oração. O seu próprio exemplo de santidade atraiu outros muitos a um tipo de vida monástica eremítica ou semi-eremítica. Segundo a Enciclopédia Católica, os monges não estavam vinculados a nenhuma regra fixa; suas celas ficavam próximas e eles se reuniam para o culto divino apenas aos sábados ou domingos. O princípio que os mantinha unidos era o da ajuda mútua. A autoridade dos anciãos era reconhecida não como a dos superiores monásticos no sentido estrito da palavra, mas como a dos guias e modelos de perfeição.

Os monges cristãos coptas desse mosteiro têm vivido dessa mesma forma desde a fundação, em 360, mantendo as tradições do fundador no estilo de vida consagrada que levam há séculos e séculos.

Seu horário cotidiano, até hoje, não é muito preciso; cada monge organiza a maior parte do próprio tempo sob a orientação do diretor espiritual. Um sino os acorda às três da manhã para as devoções particulares. Cada monge, na própria cela, reza o ofício da meia-noite, se prostra e faz orações pessoais. Depois das matinas, cada monge assume a tarefa atribuída a ele pelo diretor espiritual, geralmente correspondente à profissão que ele seguia no mundo, enquanto o seu espírito se mantém elevado em pleno trabalho graças à atmosfera de adoração em que ele passou as primeiras horas do dia, na igreja. Assim, os monges começam a experimentar a misteriosa unidade que pode existir entre o trabalho e a adoração a Deus. Por volta do meio-dia, eles se reúnem no refeitório para cantar a nona hora com seus doze salmos, seguindo-se então a única refeição compartilhada do dia. Mantendo a tradição dos padres do deserto, eles celebram a liturgia eucarística apenas uma vez por semana, no domingo de manhã.

Esse tipo de tradição monástica é a mais antiga do cristianismo e foi particularmente popular na Irlanda, onde foram criados mosteiros semelhantes aos dos ermitões, com celas particulares ao redor de uma igreja central ou de uma área de reunião.

Skellig Michael, na costa sudoeste irlandesa, é um dos mosteiros mais famosos dessa vertente do monaquismo cristão. Esse monastério faz parte da misteriosa e impactante linha reta que, no mapa, une 7 santuários dedicados ao Arcanjo São Miguel.’

Saiba mais :




Fonte :

terça-feira, 17 de maio de 2016

Virgem de Madhu, conselheira da paz

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Fernando Félix, 
Jornalista


Todos os anos, centenas de milhares de cingaleses vão em peregrinação ao santuário mariano de Madhu, o templo católico mais importante do Sri Lanka. Ali vão católicos, hindus e muçulmanos, porque é símbolo da paz nacional e pessoal reconquistadas.


‘Quando, em 2015, o Papa Francisco peregrinou ao santuário mariano de Madhu, no Sri Lanka, sublinhou que Nossa Senhora do Bom Conselho ali venerada guia o país para a reconciliação total. Durante a celebração rezou-se uma oração em várias línguas pedindo a consolidação da paz, por intercessão da Mãe que ali e desde ali tem sido companheira das famílias perseguidas por questões religiosas e afligidas pela guerra civil.


Nossa Senhora companheira na perseguição

O Santuário de Nossa Senhora de Madhu está situado na cidade de Madhu, que fica a 250 quilômetros ao norte da capital, Colombo. A região é habitada sobretudo pelo povo tâmil. O santuário faz parte da diocese de Mannar, formada por 34 paróquias servidas por 55 sacerdotes.

As origens do Santuário de Nossa Senhora de Madhu remontam a 1544. Nesse ano, o rei Jaffna mandou massacrar 600 cristãos de Mannar. Eram o fruto da ação evangelizadora dos portugueses chegados, em 1505, à ilha de Ceilão (assim se chamava, na época, o Sri Lanka). O monarca temia a expansão da influência portuguesa. Os fiéis que conseguiram escapar à chacina erigiram no mato nas proximidades de Madhu um pequeno lugar de oração. Ali erigiram a estátua de Nossa Senhora do Bom Conselho.

Em 1583, os cristãos sofreram nova perseguição. Os que se puderam proteger da fúria construíram uma igreja em Mantai, na península de Jaffna, que foi casa da estátua de Nossa Senhora de Madhu até meados do século XVII.

Em 1656, os holandeses calvinistas que desembarcaram em Ceilão aliados ao monarca, empreenderam uma violenta perseguição aos católicos. Durante catorze anos, trinta famílias católicas foram de aldeia em aldeia à procura de refúgio, levando consigo a estátua de Nossa Senhora e, em 1670, estabeleceram-na, definitivamente, em Maruthamadhu, no lugar onde se ergue atualmente o santuário. Outros católicos juntaram-se às vinte famílias. Entre eles havia uma mulher portuguesa, chamada Helena, que providenciou a construção da primeira igreja dedicada a Nossa Senhora de Madhu no interior da selva. A partir de então, difundiu-se por toda a ilha a fama de Nossa Senhora de Madhu, como curadora e protetora, em particular das mordeduras de serpentes.

A chegada ao Ceilão, em 1687, de S. José Vaz, sacerdote nascido em Goa, então território português, fez com que o catolicismo reflorescesse. E Madhu tornou-se, em 1706, um centro missionário.

Em 1872 – mais de trezentos anos depois da chacina dos primeiros cristãos de Madhu – foi colocada a primeira pedra da atual igreja do santuário. O local tornou-se lugar de oração respeitado e frequentado por fiéis católicos e também de outras religiões do Sri Lanka, prestando respeitosos tributos à Mãe Maria. O Vaticano reconheceu o seu valor e, em 1924, a estátua da Virgem de Madhu foi coroada pelo legado pontifício em nome do Papa Pio XI e, em 1944, a igreja foi consagrada.


Nossa Senhora refúgio na guerra

Durante a guerra civil do Sri Lanka – de 1983 a 2009 –, a zona do santuário não foi poupada aos combates entre os rebeldes tâmiles e as forças governamentais. Mas os bispos do país conseguiram fazer de Madhu uma zona desmilitarizada, garantindo a segurança dos peregrinos e dos numerosos refugiados que acorreram a essa área, fugindo da guerra. Com efeito, a partir de 1990, os 160 hectares dos terrenos do santuário acolheram milhares de deslocados, convertendo-se em campo de refugiados, reconhecido como tal pelas partes em conflito. No entanto, isso não impediu os massacres ocorridos ali, como o de Novembro de 1999.

Ao longo de 2001, a imagem de Nossa Senhora de Madhu foi levada em peregrinação a todos os cantos do país. Foi uma peregrinação penitencial. Três anos depois, começaram as negociações de paz que se concluíram em 2009, com a paz definitiva. Por isso, os Cingaleses vêem em Nossa Senhora de Madhu um símbolo de paz.


As peregrinações

A festa oficial de Nossa Senhora de Madhu é a 2 de Julho. Todavia, a celebração que atrai mais multidões é a Festa da Assunção a 15 de Agosto. Nesta data, a imagem é levada em procissão. E nesta prática evoca-se uma crença nascida durante a guerra civil. Dizia o povo que se a coroa de Nossa Senhora de Madhu caísse durante a procissão, isso significaria que a luta iria continuar.

Há uma série de outras lendas associadas ao santuário de Madhu, sobretudo relacionadas com as serpentes. Diz-se que, quando S. José Vaz chegou a Madhu, as cobras fugiram da área, retornando somente quando Nossa Senhora foi levada para longe, por razões de segurança, durante a guerra civil. E que, quando Nossa Senhora de Madhu regressou, as cobras foram expulsas mais uma vez.

Na entrada da igreja, num grande letreiro está escrito «ave-maria» em português, cingalês e tâmil. No espaço circundante da igreja existe uma via-sacra.

No interior da igreja, os peregrinos, de pé ou de joelhos, aproximam-se de Nossa Senhora, apresentam-lhe as suas intenções e oferecem-lhe flores – uma prática também característica do culto em templos budistas e hindus.

No piso abre-se um poço no local onde S. José Vaz celebrou missa. São-lhe atribuídas propriedades curativas, e as suas águas são usadas, principalmente, como antídoto para as mordeduras de serpentes. Outras tradições relacionadas com o terreno do santuário de Madhu são misturar porções do solo com o cimento das fundações das casas católicas, ou dissolver terra na água que os peregrinos tomam.

Ao longo do ano, os peregrinos vão, habitualmente, por vários dias, e ficam hospedados em albergues especialmente reservados para eles. Nas peregrinações, o álcool é proibido, assim como as danças e qualquer tipo de convívio popular. Os peregrinos costumam adquirir medalhas, escapulários e imagens de Nossa Senhora de Madhu, que um padre abençoa.’


Fonte :
* Artigo na íntegra

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Dupla expectativa

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 *Artigo de Dom Demétrio Valentini,
Bispo de Jales

  
‘A festa de Nossa Senhora Aparecida, neste ano, já se coloca na perspectiva da grande celebração que está prevista para o ano de 2017, quando vão se completar 300 anos do encontro da imagem, nas águas do Paraíba.

A preparação para esta celebração especial já começou, com a iniciativa de levar para as dioceses do Brasil um ‘fac-simile’ da imagem original, que sempre permanece no santuário nacional.

Dada a tradição que o santuário já tem, de administrar bem as multidões que sobretudo nos finais de semana convergem para Aparecida, não será difícil organizar a sequência de peregrinações, que certamente se farão ao longo do ano de 2017.

A Igreja Católica no Brasil tem pela frente, portanto, um momento muito intenso. O próprio Papa Francisco, que não visitou ainda a Argentina, mas que já esteve no Brasil,  acenou com a possibilidade de vir especialmente para Aparecida, em 2017.

O curioso é que o ano de 2017 está sendo olhado com forte expectativa também pelos luteranos, e por extensão, por todos os evangélicos.

Acontece que em 2017 se completam quinhentos anos da reforma protestante, tendo como referência o dia em que Lutero expôs suas 95 teses, que se constituíram no ideário teológico de toda a reforma protestante.

São dois eventos bem distintos, é claro. E não há nenhum problema para celebrar um e outro. Mas não deixa de ser uma valiosa oportunidade, para um olhar mais abrangente sobre o caminhar da fé cristã nestes últimos séculos, cuja herança ainda carregamos, expressa de tantas maneiras.

Uma primeira atitude, já amadurecida, é de respeitar as manifestações religiosas que a fé cristã pode ir suscitando. E ao mesmo tempo, buscarmos uma compreensão mais tranquila dos fatos que explicam toda a vasta questão levantada pela reforma protestante.

Com a recente aproximação ecumênica, sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, hoje em dia católicos e luteranos se veem muito mais próximos do que tempos atrás. E não deixa de ser curioso o fato de que os iniciadores da reforma protestante, os luteranos, são hoje, entre os evangélicos, os que mais tranquilamente abraçam a causa ecumênica, deixando uma esperança muito grande de que os protagonistas da reforma sejam hoje protagonistas da reconciliação e da aceitação mútua das diferenças eclesiais que podem legitimamente existir.

Que o ano de 2017 seja vivido intensamente no seio da Igreja Católica, mas que a coincidência com o aniversário da reforma protestante seja tido como um estímulo a superar problemas históricos, que nas atuais circunstâncias perdem força e motivação de ainda existirem.

Enquanto é tempo, seria mais do que oportuno, motivar as lideranças eclesiais, para que os dois eventos sejam assumidos positivamente. Que esta coincidência, que parece só aleatória, se transforme em causa a ser assumida de maneira consciente e realista, mas sempre com esperança.

Assim, os trezentos anos de Aparecida, sejam vinculados com os 500 anos da reforma protestante, para benefício da causa ecumênica entre todas as Igrejas.’


Fonte :